Esta postagem foi uma sugestão da
Regiane Leandry. Ela me pediu para falar sobre interpretações e figurinos
apropriados para os diversos tipos de folclore. Um assunto muito vasto e
complexo. Vamos ver se consigo dar conta
da empreitada – rs.
Como já falei anteriormente,
quando falamos em folclore árabe, o primeiro nome que vem à mente é o
coreógrafo Mahmoud Reda. Se você gosta de folclore, estude muito o trabalho
dele. Existem, no YouTube, diversos vídeos de coreografias criadas pelo Reda.
Além disso, alguns vídeos didáticos explicam as sequências coreográficas
criadas por ele. Por favor, leia também a minha postagem do dia 07 de novembro
de 2019, intitulada “MAHMOUD REDA E A TROUPE REDA”.
Para começar, é sempre bom fazer
uma pesquisa sobre o folclore que vamos dançar. Atualmente, existem muitos DVDs
didáticos nacionais excelentes, ensinando os passos específicos de cada
folclore. Além dos DVDs, existem os vídeos didáticos no YouTube e os cursos on-line.
Lembre-se sempre: cada folclore tem sua história, seus passos característicos,
seu traje apropriado e sua música e/ou ritmo certos. Não adianta dançar saidi
com música eletrônica, de minissaia e top. Se você estiver em uma competição na
categoria folclore, e errar feio em um desses itens, é certeza de
desclassificação.Tendo explicado tudo isso, vou
falar sobre três modalidades de folclore. Vou falar apenas sobre os figurinos
femininos, tudo bem?
DANÇA SAIDI (também chamada de
dança do bastão ou da bengala) – já falei sobre este assunto em uma postagem do
dia 23 de outubro de 2019, intitulada “DANÇA SAIDI”. As músicas são no ritmo
saidi, tanto o saidi tradicional quanto o moderno. É só atentar para o fato de
que algumas músicas, embora sejam no ritmo saidi, não são próprias para a dança
do bastão. Na dúvida, escolha um saidi tradicional. Sabe aquelas músicas que
tem aquele som de corneta? É um instrumento chamado Mizmar. Procure no YouTube,
para se familiarizar com o som do Mizmar. Quando for dançar saidi, lembre-se
que o bastão (ou bengala) não deve ficar imóvel nas suas mãos, ele precisa ser
girado para frente, para trás, em oito, etc. Também existem os movimentos de
ataque, que remetem à origem desta dança. Outra coisa bem característica são os
pulos e as marcações de calcanhar. É uma dança alegre e cheia de energia, então
demonstre isso em sua expressão. A dança saidi não é triste, nem introspectiva.
O figurino próprio é a galabia, com xale de moedas nos quadris, e faixa ou
lenço na cabeça.
DANÇA MELEAH LAFF – na verdade,
este não é um folclore no sentido correto da palavra, é uma criação do Mahmoud
Reda. Porém, nas apresentações e competições, é classificado na categoria
folclore. Música própria para dançar meleah laff é mais difícil de achar. De
preferência, procure músicas nos ritmos Malfuf (mais acelerado) ou Fallahi. Essa
dança faz alusão ao charme das mulheres egípcias, e requer alegria,
graciosidade, feminilidade, uma pitada de malícia e muito charme. Evite
exagerar nas expressões, para não ficar caricato e vulgar. Existem dois tipos de
meleah laff, a do Cairo e a da Alexandria, e é bom pesquisar a qual deles a
sua música pertence. Ambas são dançadas de vestido, e usa-se, é claro, o
meleah, que é um véu de cor preta, e nunca transparente. Além disso, no rosto a
bailarina usa um véu de crochê, chamado buró ou chador. Tanto o meleah quanto o
buró são usados para fazer um jogo de cobrir e descobrir o corpo e o rosto.
KHALEEGE – dança originária da
região do Golfo Pérsico. Uma das suas características mais marcantes é o uso
dos cabelos, que desenham círculos, oitos, etc. Não existe quase movimentação
de quadril, o trabalho principal é com os pés. Ao contrário da pose básica da
dança do ventre (com um pé em ½ ponta à frente), no khaleege a pose original é
um pé à frente, e o outro em ½ ponta atrás. Shimmies de peito, marcações de
ombros, deslocamentos de cabeça também são usados. A música para esta dança é
no ritmo Soudi, e às vezes também é difícil de achar uma música própria. É uma
dança alegre, mas de uma alegria daquelas de sorriso, não de gargalhada,
entendem? Muito feminina, também. Também não é sedutora ou provocante. Para o
khaleege, usa-se uma bata (comprida, larga, transparente e toda bordada),
chamada “Tobe al Nashar”. Essa bata é colocada sobre a roupa de
dança do ventre, ou sobre um vestido que vai até os pés. Ela também serve como
um elemento na dança, fazendo desenhos de círculos, oitos, etc.
Espero que esta postagem tenha sido útil para
vocês. Gostaria de relembrar que, quando vamos dançar folclore, precisamos
pesquisar muito. Procure textos confiáveis (cuidado com a Internet), livros
sobre o assunto, vídeos didáticos, cursos on-line, etc. Veja se a música que
escolheu é apropriada para a modalidade. Folclore é tudo de bom, divirta-se!



Nenhum comentário:
Postar um comentário