Gente,
só para início de conversa – para mim, este é um assunto complicadíssimo. Não
tenho formação musical, e confesso que tenho bastante dificuldade em entender
várias coisas referentes à teoria musical. Confessar ignorância não é pecado,
errado é fingir que sabe – rs.
Observação: quando estou falando em música oriental, quero me referir especificamente à música árabe. A
música ocidental é tonal, já a música oriental é modal, ou seja, baseada em
Maqams (modos melódicos). Segundo George Sawa:
“A
escala é a representação mais básica de um maqam. O maqam, deve-se salientar, é
um conceito complexo que inclui não apenas a escala mas também os motivos
melódicos (frases curtas) e cadências (finais).”
A
grande pesquisadora Márcia Dib nos explica as diferenças entre a música modal e
a tonal, conforme consta na página 83 do seu livro “Música árabe –
expressividade e sutileza”:
Modal
|
Tonal
|
1
– Tônica e escala fixam um território sonoro, permanecendo por um tempo
|
1
– Tensões e repousos na frase melódica, procura permanente
|
2
– Circularidade – sutileza e complexidade em torno de uma tônica fixa
|
2
– Busca – movimento progressivo, caminhar
|
3
– Linha melódica única (homofonia) gira em torno da escala
|
3
– Uso de acordes (polifonia) e da dinâmica
|
4 –
Centenas de modos melódicos, inclusive com variações regionais
|
4
– Número reduzido de escalas
|
5
– Variação rítmica: acompanham movimentos e voz humana
|
5
– Pulso constante: suporte métrico para as mudanças das tônicas
|
6
– Afinação natural, segundo a vibração das cordas
|
6
– Afinação artificial: temperamento permite tocar acordes sucessivos em
tonalidades diferentes
|
A
propósito, o livro da Márcia Dib é muito completo, embora um pouco difícil para
quem, como eu, não tem formação musical. Ela também tem um DVD didático, é o
DVD nº 30 da Revista Shimmie, e chama-se “Musicalidade – linha melódica”.
Indico tanto o livro quanto o DVD.
A
intenção da música modal é criar um estado de espírito. Nas páginas 11 e 12 de
seu livro, Márcia Dib escreve:
“Nos
países árabes, a música é vista como algo muito além do entretenimento; ela
pode, através de suas vibrações, aliviar sofrimentos do corpo e da alma,
curando-os, pode trazer alegria e estimular a nobreza, deprimir e acalmar. O
Oriente ‘depositava grande confiança na doutrina do Ta’thir (influência) da
música, um dogma denominado pelos gregos de Ethos (FARMER, 1986). Neste
sentido, o alcance da música vai muito além da estética, no seu sentido mais
usual do estudo do belo: como está ligada a aspectos cósmicos, toca as regiões
corporais, psíquicas e espirituais, e estabelece um diálogo com a Estética,
aquela que trata da harmonia da criação artística.”
No
seu livro + CDs + DVDs, George Sawa cita 8 modos melódicos, segundo ele são os
mais populares. Vou deixar os links abaixo, para que vocês possam escutá-los. O
George Sawa aconselha as bailarinas a escutar até fixar o conhecimento.
Maqam
Rast = https://www.youtube.com/watch?v=JsRXrdqyxRY
Maqam Bayati = https://www.youtube.com/watch?v=gE77wyl82jk
Maqam Sikah/Huzam = https://www.youtube.com/watch?v=i0Ff7Pj2cHI
Maqam
Saba = https://www.youtube.com/watch?v=jT9xqIM7muc
Maqam
Nahawand = https://www.youtube.com/watch?v=RKf1_E52WIw
Maqam Hijaz = https://www.youtube.com/watch?v=Ghw6Hz73HNQ
Maqam Kurd = https://www.youtube.com/watch?v=ihDbKO-Be68
Maqam Ajam = https://www.youtube.com/watch?v=Q8IC81HDV9o
Espero que esta postagem tenha sido útil. E vamos continuar os estudos, para ver se um dia a gente aprende!
Fontes:
“Música
egípcia – apreciação e prática para bailarinas de dança oriental”, George
Dimitri Sawa, Editora Kaleidoscópio de Ideias, São Paulo, 2015, 1ª edição.

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