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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

MÚSICA MODAL - A BASE DA MÚSICA ORIENTAL


Gente, só para início de conversa – para mim, este é um assunto complicadíssimo. Não tenho formação musical, e confesso que tenho bastante dificuldade em entender várias coisas referentes à teoria musical. Confessar ignorância não é pecado, errado é fingir que sabe – rs.

Observação: quando estou falando em música oriental, quero me referir especificamente à música árabe. A música ocidental é tonal, já a música oriental é modal, ou seja, baseada em Maqams (modos melódicos). Segundo George Sawa:

“A escala é a representação mais básica de um maqam. O maqam, deve-se salientar, é um conceito complexo que inclui não apenas a escala mas também os motivos melódicos (frases curtas) e cadências (finais).”

A grande pesquisadora Márcia Dib nos explica as diferenças entre a música modal e a tonal, conforme consta na página 83 do seu livro “Música árabe – expressividade e sutileza”:

Modal
Tonal
1 – Tônica e escala fixam um território sonoro, permanecendo por um tempo
1 – Tensões e repousos na frase melódica, procura permanente
2 – Circularidade – sutileza e complexidade em torno de uma tônica fixa
2 – Busca – movimento progressivo, caminhar
3 – Linha melódica única (homofonia) gira em torno da escala
3 – Uso de acordes (polifonia) e da dinâmica
4 – Centenas de modos melódicos, inclusive com variações regionais
4 – Número reduzido de escalas
5 – Variação rítmica: acompanham movimentos e voz humana
5 – Pulso constante: suporte métrico para as mudanças das tônicas
6 – Afinação natural, segundo a vibração das cordas
6 – Afinação artificial: temperamento permite tocar acordes sucessivos em tonalidades diferentes
                                                                                                                                            
A propósito, o livro da Márcia Dib é muito completo, embora um pouco difícil para quem, como eu, não tem formação musical. Ela também tem um DVD didático, é o DVD nº 30 da Revista Shimmie, e chama-se “Musicalidade – linha melódica”. Indico tanto o livro quanto o DVD.    
     
A intenção da música modal é criar um estado de espírito. Nas páginas 11 e 12 de seu livro, Márcia Dib escreve:

“Nos países árabes, a música é vista como algo muito além do entretenimento; ela pode, através de suas vibrações, aliviar sofrimentos do corpo e da alma, curando-os, pode trazer alegria e estimular a nobreza, deprimir e acalmar. O Oriente ‘depositava grande confiança na doutrina do Ta’thir (influência) da música, um dogma denominado pelos gregos de Ethos (FARMER, 1986). Neste sentido, o alcance da música vai muito além da estética, no seu sentido mais usual do estudo do belo: como está ligada a aspectos cósmicos, toca as regiões corporais, psíquicas e espirituais, e estabelece um diálogo com a Estética, aquela que trata da harmonia da criação artística.”

No seu livro + CDs + DVDs, George Sawa cita 8 modos melódicos, segundo ele são os mais populares. Vou deixar os links abaixo, para que vocês possam escutá-los. O George Sawa aconselha as bailarinas a escutar até fixar o conhecimento.


Espero que esta postagem tenha sido útil. E vamos continuar os estudos, para ver se um dia a gente aprende!


Fontes:

“Música egípcia – apreciação e prática para bailarinas de dança oriental”, George Dimitri Sawa, Editora Kaleidoscópio de Ideias, São Paulo, 2015, 1ª edição.
“Música árabe – expressividade e sutileza”, Márcia Dib, São Paulo, Edição do Autor, 2013.



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