Esta postagem é uma sugestão da Camila Acosta Gonçalves. Obrigada, Camila! Ela me pediu para falar sobre a postura nos diversos estilos. Vamos falar a respeito disso, considerando o aspecto da postura nas diversas modalidades.
Quando os europeus chegaram ao Egito,
encontraram danças extremamente diferentes das danças do
Ocidente. As principais características das danças egípcias eram: dissociação entre as partes superior e inferior do corpo, movimentação dos quadris e ondulações
abdominais.
No
século XX, graças principalmente às ideias fantásticas de Badia Masabni (veja a postagem de 15 de outubro de 2019), a dança egípcia se transformou, fundindo-se com elementos ocidentais.
Surge a Raqs Sharki, que significa Dança do Ventre, ou Dança Oriental. Com o
passar do tempo, a Raqs Sharki foi se modificando, até chegarmos na dança do
ventre atual. Então, essa dança começou no tradicional e no folclore, fundiu-se com o
clássico e depois com o moderno.
Algumas observações importantes
- Para a dança do ventre clássica, usamos músicas
árabes clássicas, também chamadas de rotina oriental ou mejance;
- Para a dança
do ventre moderna, utilizamos músicas árabes modernas, ou músicas tradicionais
remixadas;
- No caso do folclore, é bom ter muito cuidado, para usar a música
apropriada para o folclore em questão;
- Note que nesta postagem não estamos falando de fusão, e sim de danças árabes. Fusão é quando pegamos, por exemplo, uma música que mistura samba e música oriental, e colocamos passos das duas modalidades.
POSTURA
NO FOLCLORE - Sabemos que existem diversos folclores árabes e já falamos sobre
alguns deles como, por exemplo, o Saidi. É complicado jogar tudo no mesmo cesto,
já que cada folclore tem suas características, mas uma coisa em comum nos
diversos folclores é uma postura mais relaxada, com pés no chão e os braços
mais baixos e com os cotovelos dobrados. Também existem folclores como o Khaleege
e a Dança Núbia, cuja característica é o tronco relaxado e inclinado para
frente. Em muitos casos, a postura no folclore é um pouco “para dentro”, sabe? Além
disso, em geral não existem grandes deslocamentos nas danças árabes
folclóricas.
POSTURA
NA DANÇA CLÁSSICA – Como já falei acima, lá pelos anos 1930, a dança egípcia foi enriquecida com alguns movimentos do balé clássico, tais como meia ponta
alta, arabesques, passês e chassês, e surge a Raqs Sharki. Nesta época, considerada a Era de Ouro da
dança do ventre, brilham as grandes dançarinas, tais como Samia Gamal, Nagwa
Fouad, Tahia Karioka e muitas outras. Na dança do ventre clássica, a postura é
a mais elegante possível, com a coluna bem posicionada, braços mais altos e alongados,
deslocamentos em meia ponta alta, pés esticados, etc. Tudo isso somado faz com
que os movimentos fiquem mais grandiosos e expansivos. Um exemplo: uma entrada
clássica, com chassês, giros, arabesques, passês. A bailarina vai percorrer
todo o palco, e você notará que os braços dela são altos e alongados e as pontas
dos pés esticadas.
POSTURA
NA DANÇA MODERNA – Mais adiante, a dança do ventre foi fusionada com elementos
da dança moderna, tais como o balé moderno, o jazz e o hip hop. A dança se torna mais ágil e
dinâmica. Na dança do ventre moderna, existem deslocamentos mais ágeis,
contratempos, movimentos de impacto, etc. Os braços não são tão suaves quanto
na dança do ventre clássica, e fazem movimentos mais marcados. É uma dança
expansiva, com muitos giros, uso da cabeça e movimentos tais como o “grand
battement”.
Quero deixar bem claro que existem diversas interpretações a respeito deste assunto. Ninguém é dono da verdade, principalmente no caso de uma cultura que não é a nossa. Para isso, precisamos sempre estudar, de forma a melhorar a nossa compreensão sobre o tema. De qualquer forma, espero que a postagem tenha sido útil para vocês. Um grande abraço, e feliz dança para todos nós!




Nenhum comentário:
Postar um comentário