A postagem abaixo foi uma
ideia da Professora Camila Nickel. Obrigada pela sugestão, Camila!
Estilo
egípcio
Como já disse em outros
textos neste blog, não se sabe quando nem onde a dança do ventre surgiu. Quando
os franceses chegaram ao Egito em 1798, encontraram as Ghawazee e as Awalim,
então presume-se que o berço da
dança do ventre foi o Egito.
Com a chegada dos franceses
e, mais tarde, dos ingleses, essas dançarinas começaram a se apresentar para os
estrangeiros e para os egípcios abastados. Uma das pessoas mais importantes
para a dança do ventre, entre os anos 1926 e 1950, foi Badia Masabni. Ela teve
várias casas de espetáculo, com diversas bailarinas famosas no seu grupo.
Como forma de atrair o
público mais refinado e exigente, Badia fez diversas inovações, como a
introdução do balé clássico, o uso dos deslocamentos e das danças coreografadas.
Esta época é conhecida como a Era de Ouro da dança do ventre, e surgem as
bailarinas que são referência até hoje: Tahia Carioca, Naima Akef, Samia Gamal,
Nagwa Fouad, Fifi Abdo, Souhair Zaki e muitas outras.
Surge então o chamado estilo
egípcio, que se caracteriza pela precisão de movimentos, postura elegante, excelente
controle do quadril, braços suaves, influência do balé clássico, poucos
deslocamentos, ênfase na interpretação da música. O estilo egípcio é a grande
referência em dança do ventre, e bailarinas do mundo todo vão ao Egito para estudar
e se aperfeiçoar. De acordo com a bailarina Brysa Mahaila, na página 102 do
livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume I –
História e folclore”:
“O estilo egípcio é marcado
pela interpretação e pela delicadeza de suas bailarinas. Os movimentos da dança
e a expressão representam as letras ou a sonoridade da música, transmitindo
diferentes sentimentos de forma muito fiel e, portanto, intensa. A técnica é
executada com grande precisão: a bailarina movimenta de forma impecável o
quadril, executa linhas sinuosas e tremidos sem esforço, fazendo o espectador
acreditar na facilidade e naturalidade de cada expressão corporal. Entre as
bailarinas da atualidade genuinamente egípcias em sua técnica e expressividade
estão: Lucy, Dina, Randa Kamel, Dandash, Aziza, para citar algumas em plena
atividade, gozando de sucesso.”
(Randa Kamel)
Estilo
turco
Antes de falar sobre o
estilo turco, é bom explicar que a Turquia foi fundada em 1922 na Anatólia, uma
região originalmente ocupada pelos gregos. Os turcos eram muçulmanos, e muitos
gregos, que eram geralmente cristãos ortodoxos, foram embora devido às
perseguições religiosas. Mesmo assim, alguns ficaram, e influenciaram os
turcos, conforme escreveu a bailarina Cris Antoniadis:
"A Turquia sucedeu o Império Otomano, que por sua vez sucedeu o apogeu cultural do Império Árabe, um período de grande produção cultural chamado a idade de ouro, ocorrido entre os séculos VII e XII, e também o Império Bizantino, cuja altura era a intersecção entre as culturas gregas da antiguidade clássica e as culturas orientais. Aspectos da cultura musical e da dança destes povos foram absorvidos pelos turcos e esse grande caldeirão que inclui em boa parte a cultura helênica e a árabe e também aspectos das culturas persas e mongóis deram origem ao que denominamos hoje de cultura turca."
"A Turquia sucedeu o Império Otomano, que por sua vez sucedeu o apogeu cultural do Império Árabe, um período de grande produção cultural chamado a idade de ouro, ocorrido entre os séculos VII e XII, e também o Império Bizantino, cuja altura era a intersecção entre as culturas gregas da antiguidade clássica e as culturas orientais. Aspectos da cultura musical e da dança destes povos foram absorvidos pelos turcos e esse grande caldeirão que inclui em boa parte a cultura helênica e a árabe e também aspectos das culturas persas e mongóis deram origem ao que denominamos hoje de cultura turca."
O estilo turco utiliza os
mesmos passos e técnicas do estilo egípcio, mas sofreu a
influência de danças folclóricas turcas, inclusive das danças das
ciganas da Turquia. Muitas bailarinas turcas têm origem cigana. Segundo Brysa
Mahaila, à página 103 do livro já citado acima:
“O atual estilo turco de
dança do ventre é muito mais alegre e expansivo. Alguns nomes conhecidos entre
as bailarinas da Turquia são Nesrin Topkapi, Princess Banu, Sema Yildiz, Asena
e Didem, esta última a mais famosa da atualidade.”
(Didem)
O estilo turco é mais forte e
enérgico, com marcações para cima do quadril. Como no estilo libanês, a
bailarina turca tem o tronco um pouco inclinado para trás, com projeção do
quadril à frente. São usados movimentos mais fortes, como os cambrês e a queda
turca. Também são feitas as movimentações no chão (floor work). Existem dois ritmos
que são bastante utilizados neste estilo: Chifiteteli e Karsilama. Toda
bailarina turca precisa dominar a arte de dançar tocando snujs. No blogspot
Jami Princess, achei uma coisa bem interessante:
“A maneira de tocar os snujs
no estilo turco é diferente do estilo árabe. Por exemplo, o padrão mais básico
é contado entre: 1-2-3; no estilo árabe, se você estiver certo, seguirá este
padrão: direita-esquerda-direita. No estilo turco, esse padrão é usado:
direita-direita-esquerda. Talvez neste padrão simples, a diferença seja
pequena, mas há um impacto definido ao jogar com padrões maias complicados.”
E quanto a nós, qual é o
nosso estilo? Eu penso que somos a soma de todos os nossos estudos. As nossas
maiores influências foram os nossos professores de aulas regulares, que por sua
vez também foram influenciados pelos seus mestres. Em seguida, estão os nossos
estudos extras, feitos em workshops com outros dançarinos, e também com vídeos didáticos
e livros. A partir daí, vamos formando nosso estilo próprio. O importante é que
continuemos sempre a estudar, para que a nossa dança (seja ela influenciada
pelo estilo egípcio, turco, americano, libanês, argentino, etc.), seja cada vez
mais pessoal, evitando os rótulos e as cópias. Dance e seja feliz!
Fontes:
“Os pilares da
profissionalização em dança do ventre – volume I – História e folclore”, Brysa
Mahaila, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias, 2016.

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