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quarta-feira, 10 de junho de 2020

DIFERENÇAS ENTRE OS ESTILOS EGÍPCIO E TURCO


A postagem abaixo foi uma ideia da Professora Camila Nickel. Obrigada pela sugestão, Camila!

Estilo egípcio

Como já disse em outros textos neste blog, não se sabe quando nem onde a dança do ventre surgiu. Quando os franceses chegaram ao Egito em 1798, encontraram as Ghawazee e as Awalim, então presume-se que o berço da dança do ventre foi o Egito.

Com a chegada dos franceses e, mais tarde, dos ingleses, essas dançarinas começaram a se apresentar para os estrangeiros e para os egípcios abastados. Uma das pessoas mais importantes para a dança do ventre, entre os anos 1926 e 1950, foi Badia Masabni. Ela teve várias casas de espetáculo, com diversas bailarinas famosas no seu grupo.

Como forma de atrair o público mais refinado e exigente, Badia fez diversas inovações, como a introdução do balé clássico, o uso dos deslocamentos e das danças coreografadas. Esta época é conhecida como a Era de Ouro da dança do ventre, e surgem as bailarinas que são referência até hoje: Tahia Carioca, Naima Akef, Samia Gamal, Nagwa Fouad, Fifi Abdo, Souhair Zaki e muitas outras.

Surge então o chamado estilo egípcio, que se caracteriza pela precisão de movimentos, postura elegante, excelente controle do quadril, braços suaves, influência do balé clássico, poucos deslocamentos, ênfase na interpretação da música. O estilo egípcio é a grande referência em dança do ventre, e bailarinas do mundo todo vão ao Egito para estudar e se aperfeiçoar. De acordo com a bailarina Brysa Mahaila, na página 102 do livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume I – História e folclore”:

“O estilo egípcio é marcado pela interpretação e pela delicadeza de suas bailarinas. Os movimentos da dança e a expressão representam as letras ou a sonoridade da música, transmitindo diferentes sentimentos de forma muito fiel e, portanto, intensa. A técnica é executada com grande precisão: a bailarina movimenta de forma impecável o quadril, executa linhas sinuosas e tremidos sem esforço, fazendo o espectador acreditar na facilidade e naturalidade de cada expressão corporal. Entre as bailarinas da atualidade genuinamente egípcias em sua técnica e expressividade estão: Lucy, Dina, Randa Kamel, Dandash, Aziza, para citar algumas em plena atividade, gozando de sucesso.”


                             (Randa Kamel)


Estilo turco

Antes de falar sobre o estilo turco, é bom explicar que a Turquia foi fundada em 1922 na Anatólia, uma região originalmente ocupada pelos gregos. Os turcos eram muçulmanos, e muitos gregos, que eram geralmente cristãos ortodoxos, foram embora devido às perseguições religiosas. Mesmo assim, alguns ficaram, e influenciaram os turcos, conforme escreveu a bailarina Cris Antoniadis:

"A Turquia sucedeu o Império Otomano, que por sua vez sucedeu o apogeu cultural do Império Árabe, um período de grande produção cultural chamado a idade de ouro, ocorrido entre os séculos VII e XII, e também o Império Bizantino, cuja altura era a intersecção entre as culturas gregas da antiguidade clássica e as culturas orientais. Aspectos da cultura musical e da dança destes povos foram absorvidos pelos turcos e esse grande caldeirão que inclui em boa parte a cultura helênica e a árabe e também aspectos das culturas persas e mongóis deram origem ao que denominamos hoje de cultura turca."

O estilo turco utiliza os mesmos passos e técnicas do estilo egípcio, mas sofreu  a  influência de danças folclóricas turcas, inclusive das danças das ciganas da Turquia. Muitas bailarinas turcas têm origem cigana. Segundo Brysa Mahaila, à página 103 do livro já citado acima:

“O atual estilo turco de dança do ventre é muito mais alegre e expansivo. Alguns nomes conhecidos entre as bailarinas da Turquia são Nesrin Topkapi, Princess Banu, Sema Yildiz, Asena e Didem, esta última a mais famosa da atualidade.”


                                            (Didem)

O estilo turco é mais forte e enérgico, com marcações para cima do quadril. Como no estilo libanês, a bailarina turca tem o tronco um pouco inclinado para trás, com projeção do quadril à frente. São usados movimentos mais fortes, como os cambrês e a queda turca. Também são feitas as movimentações no chão (floor work). Existem dois ritmos que são bastante utilizados neste estilo: Chifiteteli e Karsilama. Toda bailarina turca precisa dominar a arte de dançar tocando snujs. No blogspot Jami Princess, achei uma coisa bem interessante:

“A maneira de tocar os snujs no estilo turco é diferente do estilo árabe. Por exemplo, o padrão mais básico é contado entre: 1-2-3; no estilo árabe, se você estiver certo, seguirá este padrão: direita-esquerda-direita. No estilo turco, esse padrão é usado: direita-direita-esquerda. Talvez neste padrão simples, a diferença seja pequena, mas há um impacto definido ao jogar com padrões maias complicados.”

E quanto a nós, qual é o nosso estilo? Eu penso que somos a soma de todos os nossos estudos. As nossas maiores influências foram os nossos professores de aulas regulares, que por sua vez também foram influenciados pelos seus mestres. Em seguida, estão os nossos estudos extras, feitos em workshops com outros dançarinos, e também com vídeos didáticos e livros. A partir daí, vamos formando nosso estilo próprio. O importante é que continuemos sempre a estudar, para que a nossa dança (seja ela influenciada pelo estilo egípcio, turco, americano, libanês, argentino, etc.), seja cada vez mais pessoal, evitando os rótulos e as cópias. Dance e seja feliz!


Fontes:

“Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume I – História e folclore”, Brysa Mahaila, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias, 2016.

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