Esta postagem foi solicitada pela
Camila Acosta Gonçalves, e é sobre um elemento muito importante em todas as
danças: o giro. Em um DVD da Lulu Hartenbach, ela dizia que os dois assuntos
mais temidos na dança do ventre são os giros e os shimmies. E por que os giros
são tão temidos? Basicamente, porque é uma questão de equilíbrio e foco. Muitas
pessoas, principalmente quem tem labirintite, fica com tonturas durante o giro.
Mas o giro é técnica, e como técnica, pode ser aprendido.
Se o mundo fosse um lugar ideal,
toda bellydancer teria estudado balé clássico na infância. Como isso geralmente
não acontece, o ideal seria combinar aulas de dança do ventre e de balé. Se não
isso for possível, é necessário estudar bastante para aprimorar a dança. Pela
minha experiência pessoal (tanto de bailarina quanto de professora), posso
dizer com certeza que giro é treino, e vai ficando cada vez mais fácil, quanto mais se treina.
Em primeiro lugar, uma pergunta: por que girar? Os giros são utilizados
para várias coisas - deslocar no espaço,
dar dinamismo à dança, mudar direções e unir movimentos. Imagine uma
apresentação de dança do ventre em que a bailarina ficasse o tempo todo de
frente para o público. Talvez ficasse um pouco maçante, não é mesmo? A segunda
pergunta é: quando girar? Na maioria
das vezes, giramos durante os momentos acelerados, mas os giros podem ser
feitos a qualquer momento, desde que combinem com a música, é claro.
Para começar a explicação da
técnica de giro, vamos falar de FOCO. Se você tiver um espelho em casa, treine
o foco desta forma: olhe para o espelho, fixando os seus olhos. Em seguida, vá
girando pela sua direita, mas mantenha a cabeça fixa no espelho. Quando o seu
corpo estiver de costas, volte a cabeça antes do corpo e continue a girar,
sempre buscando os seus olhos no espelho. A cabeça é sempre a última a sair e a primeira a chegar. Faça o mesmo girando pela esquerda. Esse giro é no eixo, ou
seja, o seu corpo gira em um ponto fixo. Caso você não tenha espelho, marque um
ponto na parede e faça foco nesse ponto (você também pode fixar o olhar em um
objeto, na mão, no cotovelo ou no ombro). Caso você ainda não saiba girar, vá
por partes. Primeiro, gire com os pés no chão, com pausa a cada giro. Depois,
vá aumentando a quantidade de giros, sem fazer pausas. Por fim, faça o giro em
½ ponta alta.
Quando o giro é feito em ½ ponta
alta, começa uma nova dificuldade, que é manter o EQUILÍBRIO. Para isso, mantenha
os quadris encaixados, abdômen contraído, coluna reta e joelhos mais alongados.
Evite a oscilação de altura durante os giros, e lembre sempre de fazer foco,
para não ficar tonta. Segundo Jorge e Débora Sabongi, na página 150 do livro “Direção
e preparação artística”, entre as diversas dificuldades técnicas estão os:
“Problemas no eixo de equilíbrio,
acarretando giros imperfeitos e deslocamentos desgovernados.”
Na página 151, eles dão algumas
dicas para alinhar postura e movimentos, entre elas consta essa:
“Treine giros para manter seu
equilíbrio. Nada pior que desabar na frente do público por não ter conseguido
sustentar o equilíbrio...”
Os giros podem ser feitos em DIFERENTES
NÍVEIS: com os pés no chão, em ½ ponta alta ou, em alguns casos, fazendo pliê com
os joelhos. Os giros também podem ser NO EIXO ou COM DESLOCAMENTO. Além
disso, podem ser feitos com 1, 2, 3 ou 4 transferências de peso, neste caso pratique com os pés no chão e usando o impulso do tronco e dos braços:
- Giro em 4 apoios – abre a perna
direita, junta a perna esquerda com o corpo de costas, abre novamente a perna
direita, virando de frente, junta a perna esquerda. Repete toda a sequência para
o lado esquerdo.
- Giros em 3 apoios – abre a
perna direita, junta a perna esquerda com o corpo de costas, continua o giro na
perna esquerda, de frente abre perna direita e termina com perna esquerda
alongada na lateral. Repete toda a sequência para o lado esquerdo.
- Giro em 2 apoios – abre a perna
direita, girando sobre ela, de frente junta a perna esquerda. Repete toda a
sequência para o lado esquerdo.
- Giro em 2 apoios – abre a perna
direita e gira sobre ela, com a perna esquerda alongada e sem peso. Repete o
giro para o lado esquerdo. Este é o giro mais difícil, pois não pode haver
troca de peso. Para começar, faça ½ giro, e só depois vá para o giro completo.
Outra variação interessante com os pés no chão é o giro cruzado, que pode partir da posição em dois apoios ou da pose oriental. Pode ser feito tanto cruzando pela frente quanto por trás, sempre com o quadril bem encaixado. Se você estiver com os dois pés no chão, cruze a perna direita pela frente e gire no sentido anti-horário, com uma pequena liberação do calcanhar esquerdo e a aproximação do calcanhar direito no solo, terminando com os dois pés alinhados. Faça isso para o outro lado. Se você cruzar a perna direita atrás, o giro será horário. Depois, faça também para a esquerda, cruzando a perna esquerda atrás. Quando tiver bastante segurança no giro cruzado, acrescente a subida da perna dobrada à frente, cruze e gire. Ou então levante a ponta de um pé, desenhe um círculo com o pé, da frente para os fundos, cruze atrás e gire.
Um giro muito característico
da dança do ventre é o hélice. Para começar, treine ele com os pés no chão. O
tronco é ligeiramente inclinado para frente. A mão direita começa na diagonal
alta, enquanto a mão esquerda posiciona na diagonal baixa. Vá virando pela
esquerda, ao mesmo tempo em que fecha a costela do lado direito, descendo a mão
direita, e abre a costela do lado esquerdo, subindo a mão esquerda, fica de
costas e continua o giro pela esquerda, terminando de frente, com a mão direita
na diagonal alta e a mão esquerda na diagonal baixa. Faça toda a sequência para
o lado direito, desta vez a mão mais alta é a esquerda. Depois de treinar
bastante, faça em ½ ponta alta. Este giro é mais complicado, pois a inclinação
do tronco dificulta ainda mais no equilíbrio, mas é um giro muito bonito,
especialmente quando é feito com véu.
Espero que este texto tenha sido
útil, qualquer pergunta adicional estou à disposição. Um abraço, e uma feliz dança a
todas!
Fontes:
“Direção e preparação artística”,
Jorge Sabongi e Débora Sabongi, Edição dos autores, 2010.
“Glossário da Dança do Ventre”,
Suheil, Editora Kaleidoscópio de Ideias.
“Os pilares da profissionalização
em Dança do Ventre”, volume III, Brysa Mahaila, Editora Kaleidoscópio de
Ideias, 2018.

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