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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

COMO ACEITAR AS CRÍTICAS E CORREÇÕES


Esta postagem foi uma sugestão da Anelise Konradt, que pediu um texto sobre “saber aceitar críticas construtivas das professoras”. Para começar, vamos esquecer aquele conceito negativo que vem às nossas mentes, quando escutamos a palavra crítica. Parece uma coisa tão pesada, não é mesmo? Segundo o dicionário, crítica é:

1 – Arte, capacidade e habilidade de julgar, de criticar; juízo crítico.
2 – Atividade de examinar e avaliar minuciosamente uma produção artística, literária ou científica, bem como costumes e comportamentos.

Segundo a Wikipédia, crítica é uma expressão que provém do grego kritiké, que significa “a arte de julgar”.

Em teoria, quem tem a arte de julgar é quem conhece o assunto. No caso da dança, quem pode julgar é o professor ou o estudioso da dança. A crítica do leigo, devido à sua falta de conhecimento técnico, não tem o mesmo valor do julgamento de quem estudou a dança por anos a fio.

Na minha humilde opinião (ninguém é obrigado a concordar), o professor tem o DEVER de corrigir as suas alunas. Eu penso que a aluna é nossa cliente, e MERECE o melhor retorno pelo seu dinheiro e tempo. Se a aluna faz um movimento errado, e a professora não conserta o movimento, não explica qual é a forma correta de se executar – eu penso que a aluna está sendo prejudicada.

Se a professora precisa corrigir as alunas, o que elas devem fazer? Escutar e fazer as correções sugeridas pela professora. E o que acontece quando a professora precisa corrigir uma aluna por diversas vezes? Isso quer dizer que a professora está de implicância com a aluna?  Pelo contrário! Significa que a professora está tentando deixar a dança da aluna a mais bonita possível. No trabalho do professor de dança, principalmente na hora das coreografias, procura-se sempre uma uniformidade, e as correções são necessárias.

Sabemos que existem as críticas ditas “positivas” e as “negativas”. Todas são críticas, a diferença está na intenção com que são feitas. É bom ressaltar que só são criticadas as pessoas que FAZEM alguma coisa. Se você está sofrendo críticas, então está de parabéns, pois é uma pessoa de ação! Quanto às críticas, tanto “positivas” quanto “negativas”, existem algumas coisas importantes que precisamos saber:

1 – Você pediu a crítica? Se não pediu, não é obrigada a aceitar.
2 - Quem está te criticando tem condições (conhecimento da área) para fazer isso? Se não tem, desconsidere.
3 – A crítica foi feita em tom agressivo? Sai de perto.
4 – Você está sendo avaliada em um concurso de dança, e existem dançarinos/professores/coreógrafos para dar um feedback aos inscritos? Aproveite todas as dicas e correções que eles fizerem. Esta é a melhor forma de fazer a sua dança crescer.

Além das críticas feitas pela nossa professora e por terceiros, existe a autocrítica, que também pode ser usada como um instrumento de crescimento. Como fazer isso? Filme as suas apresentações e/ou estudos e veja como está. O que você pode melhorar? O que já está bom? Faça isso e verá que a sua dança ficará cada vez melhor. Força na peruca e seja feliz dançando!









sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A INTERPRETAÇÃO E O FIGURINO NO FOLCLORE ÁRABE

Esta postagem foi uma sugestão da Regiane Leandry. Ela me pediu para falar sobre interpretações e figurinos apropriados para os diversos tipos de folclore. Um assunto muito vasto e complexo. Vamos ver  se consigo dar conta da empreitada – rs.

Como já falei anteriormente, quando falamos em folclore árabe, o primeiro nome que vem à mente é o coreógrafo Mahmoud Reda. Se você gosta de folclore, estude muito o trabalho dele. Existem, no YouTube, diversos vídeos de coreografias criadas pelo Reda. Além disso, alguns vídeos didáticos explicam as sequências coreográficas criadas por ele. Por favor, leia também a minha postagem do dia 07 de novembro de 2019, intitulada “MAHMOUD REDA E A TROUPE REDA”.

Para começar, é sempre bom fazer uma pesquisa sobre o folclore que vamos dançar. Atualmente, existem muitos DVDs didáticos nacionais excelentes, ensinando os passos específicos de cada folclore. Além dos DVDs, existem os vídeos didáticos no YouTube e os cursos on-line. Lembre-se sempre: cada folclore tem sua história, seus passos característicos, seu traje apropriado e sua música e/ou ritmo certos. Não adianta dançar saidi com música eletrônica, de minissaia e top. Se você estiver em uma competição na categoria folclore, e errar feio em um desses itens, é certeza de desclassificação.Tendo explicado tudo isso, vou falar sobre três modalidades de folclore. Vou falar apenas sobre os figurinos femininos, tudo bem?

DANÇA SAIDI (também chamada de dança do bastão ou da bengala) – já falei sobre este assunto em uma postagem do dia 23 de outubro de 2019, intitulada “DANÇA SAIDI”. As músicas são no ritmo saidi, tanto o saidi tradicional quanto o moderno. É só atentar para o fato de que algumas músicas, embora sejam no ritmo saidi, não são próprias para a dança do bastão. Na dúvida, escolha um saidi tradicional. Sabe aquelas músicas que tem aquele som de corneta? É um instrumento chamado Mizmar. Procure no YouTube, para se familiarizar com o som do Mizmar. Quando for dançar saidi, lembre-se que o bastão (ou bengala) não deve ficar imóvel nas suas mãos, ele precisa ser girado para frente, para trás, em oito, etc. Também existem os movimentos de ataque, que remetem à origem desta dança. Outra coisa bem característica são os pulos e as marcações de calcanhar. É uma dança alegre e cheia de energia, então demonstre isso em sua expressão. A dança saidi não é triste, nem introspectiva. O figurino próprio é a galabia, com xale de moedas nos quadris, e faixa ou lenço na cabeça.




DANÇA MELEAH LAFF – na verdade, este não é um folclore no sentido correto da palavra, é uma criação do Mahmoud Reda. Porém, nas apresentações e competições, é classificado na categoria folclore. Música própria para dançar meleah laff é mais difícil de achar. De preferência, procure músicas nos ritmos Malfuf (mais acelerado) ou Fallahi. Essa dança faz alusão ao charme das mulheres egípcias, e requer alegria, graciosidade, feminilidade, uma pitada de malícia e muito charme. Evite exagerar nas expressões, para não ficar caricato e vulgar. Existem dois tipos de meleah laff, a do Cairo e a da Alexandria, e é bom pesquisar a qual deles a sua música pertence. Ambas são dançadas de vestido, e usa-se, é claro, o meleah, que é um véu de cor preta, e nunca transparente. Além disso, no rosto a bailarina usa um véu de crochê, chamado buró ou chador. Tanto o meleah quanto o buró são usados para fazer um jogo de cobrir e descobrir o corpo e o rosto.




KHALEEGE – dança originária da região do Golfo Pérsico. Uma das suas características mais marcantes é o uso dos cabelos, que desenham círculos, oitos, etc. Não existe quase movimentação de quadril, o trabalho principal é com os pés. Ao contrário da pose básica da dança do ventre (com um pé em ½ ponta à frente), no khaleege a pose original é um pé à frente, e o outro em ½ ponta atrás. Shimmies de peito, marcações de ombros, deslocamentos de cabeça também são usados. A música para esta dança é no ritmo Soudi, e às vezes também é difícil de achar uma música própria. É uma dança alegre, mas de uma alegria daquelas de sorriso, não de gargalhada, entendem? Muito feminina, também. Também não é sedutora ou provocante. Para o khaleege, usa-se uma bata (comprida, larga, transparente e toda bordada), chamada “Tobe al Nashar”. Essa bata é colocada sobre a roupa de dança do ventre, ou sobre um vestido que vai até os pés. Ela também serve como um elemento na dança, fazendo desenhos de círculos, oitos, etc.




Espero que esta postagem tenha sido útil para vocês. Gostaria de relembrar que, quando vamos dançar folclore, precisamos pesquisar muito. Procure textos confiáveis (cuidado com a Internet), livros sobre o assunto, vídeos didáticos, cursos on-line, etc. Veja se a música que escolheu é apropriada para a modalidade. Folclore é tudo de bom, divirta-se!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

TIPOS DE VÉUS USADOS NA DANÇA DO VENTRE

Nota: antes de ler esta postagem, favor ler o meu texto "O véu na dança do ventre e a dança dos sete véus", postado em 27 de outubro de 2019. 

Um dos primeiros acessórios usados na dança do ventre é o véu. Ele enriquece muito as apresentações de dança, sendo muito apreciado pelo público. Mas você sabe quando usar e quando não usar o véu? E os tipos de véu que existem? 

Em primeiro lugar, não se usa véu para solo de derbake, bem como para a maioria dos folclores. A única exceção, no caso do folclore, é o meleah laff (dança do lenço enrolado). O meleah é um véu geralmente na cor preta, de um tecido bem fechado e sem transparência, e pode ou não ter pastilhas de enfeite. As mulheres do Cairo e da Alexandria usavam este véu para se cobrirem quando saíam às ruas, e o coreógrafo Mahmoud Reda transformou isso em uma dança muito graciosa. 

Meleah:


O véu mais utilizado é o véu de seda, que geralmente é pintado à mão. Pode ser em diversos tamanhos e estampas. No Brasil, temos muitos ateliês especializados na confecção de véus de seda. Eles devem ser usados, preferencialmente, para a dança do ventre clássica. Evite usá-los em músicas modernas, pois é um acessório clássico. 

Véu de seda tradicional:


A partir de agora, vamos falar sobre os véus que podem ser usados para as músicas mais modernas, especialmente as instrumentais e eletrônicas. Podem ser utilizados em músicas árabes e ocidentais, evitando usá-los nos baladi, shaabi, árabes modernas (aquelas cantadas) e, obviamente, em solo de derbake. 

O véu wings pode ser em material brilhante, plissado, ou em seda pintada à mão. Cada um deles tem um efeito diferente. O plissado é mais duro, já o de seda é leve. Ambos são belíssimos, e dão um efeito maravilhoso nas entradas em palco. Eles lembram as asas da Deusa Ísis, e foi criado nos Estados Unidos. Nota: favor assistir a algum vídeo da bailarina Loie Fuller, que provavelmente foi a criadora desse acessório.

Wings tradicional:


Wings de seda:


O véu leque também é feito em seda pintada à mão, e pode ser feito de duas maneiras: o par de leques, ou apenas um véu leque em tamanho grande. Também podem ser pintados em diversas cores e estampas. Esse não é um acessório original da dança do ventre, é de origem coreana ou japonesa. 

Véu leque tradicional:


Véu leque grande:


O véu poi é composto de uma bola presa a um fio, e foi criado pelo povo Maori, da Nova Zelândia. É um instrumento de malabares. Na dança do ventre, foi colocado um véu de seda junto com essa bola. São feitos em par, um para cada mão.

Véu poi:



Outro véu moderno é o flag, que também é feito em seda pintada à mão. Do mesmo modo que o véu leque tradicional, é feito em pares. Não consegui descobrir quem inventou este véu.

Véu flag:



Para finalizar, vamos às novas criações - os véus com LED. Eles dão um efeito muito bonito no palco, com as luzes apagadas ou à meia luz. Temos o véu tradicional, wings, poi e leque - tudo com LED! Para escolher as músicas, vale a mesma regra utilizada para os véus modernos. 

Véu tradicional com LED:


Véu wings com LED:


Véu leque com LED:



Véu poi com LED:


A propósito, estou aceitando qualquer destes véus com LED, como presente de Natal - kkkkkk. Chorar não custa nada! Brincadeiras à parte, boa dança para todas nós, e que nunca nos falte dinheiro para comprar todos os acessórios lindos que desejarmos. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

MÚSICA MODAL - A BASE DA MÚSICA ORIENTAL


Gente, só para início de conversa – para mim, este é um assunto complicadíssimo. Não tenho formação musical, e confesso que tenho bastante dificuldade em entender várias coisas referentes à teoria musical. Confessar ignorância não é pecado, errado é fingir que sabe – rs.

Observação: quando estou falando em música oriental, quero me referir especificamente à música árabe. A música ocidental é tonal, já a música oriental é modal, ou seja, baseada em Maqams (modos melódicos). Segundo George Sawa:

“A escala é a representação mais básica de um maqam. O maqam, deve-se salientar, é um conceito complexo que inclui não apenas a escala mas também os motivos melódicos (frases curtas) e cadências (finais).”

A grande pesquisadora Márcia Dib nos explica as diferenças entre a música modal e a tonal, conforme consta na página 83 do seu livro “Música árabe – expressividade e sutileza”:

Modal
Tonal
1 – Tônica e escala fixam um território sonoro, permanecendo por um tempo
1 – Tensões e repousos na frase melódica, procura permanente
2 – Circularidade – sutileza e complexidade em torno de uma tônica fixa
2 – Busca – movimento progressivo, caminhar
3 – Linha melódica única (homofonia) gira em torno da escala
3 – Uso de acordes (polifonia) e da dinâmica
4 – Centenas de modos melódicos, inclusive com variações regionais
4 – Número reduzido de escalas
5 – Variação rítmica: acompanham movimentos e voz humana
5 – Pulso constante: suporte métrico para as mudanças das tônicas
6 – Afinação natural, segundo a vibração das cordas
6 – Afinação artificial: temperamento permite tocar acordes sucessivos em tonalidades diferentes
                                                                                                                                            
A propósito, o livro da Márcia Dib é muito completo, embora um pouco difícil para quem, como eu, não tem formação musical. Ela também tem um DVD didático, é o DVD nº 30 da Revista Shimmie, e chama-se “Musicalidade – linha melódica”. Indico tanto o livro quanto o DVD.    
     
A intenção da música modal é criar um estado de espírito. Nas páginas 11 e 12 de seu livro, Márcia Dib escreve:

“Nos países árabes, a música é vista como algo muito além do entretenimento; ela pode, através de suas vibrações, aliviar sofrimentos do corpo e da alma, curando-os, pode trazer alegria e estimular a nobreza, deprimir e acalmar. O Oriente ‘depositava grande confiança na doutrina do Ta’thir (influência) da música, um dogma denominado pelos gregos de Ethos (FARMER, 1986). Neste sentido, o alcance da música vai muito além da estética, no seu sentido mais usual do estudo do belo: como está ligada a aspectos cósmicos, toca as regiões corporais, psíquicas e espirituais, e estabelece um diálogo com a Estética, aquela que trata da harmonia da criação artística.”

No seu livro + CDs + DVDs, George Sawa cita 8 modos melódicos, segundo ele são os mais populares. Vou deixar os links abaixo, para que vocês possam escutá-los. O George Sawa aconselha as bailarinas a escutar até fixar o conhecimento.


Espero que esta postagem tenha sido útil. E vamos continuar os estudos, para ver se um dia a gente aprende!


Fontes:

“Música egípcia – apreciação e prática para bailarinas de dança oriental”, George Dimitri Sawa, Editora Kaleidoscópio de Ideias, São Paulo, 2015, 1ª edição.
“Música árabe – expressividade e sutileza”, Márcia Dib, São Paulo, Edição do Autor, 2013.