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quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA POSTURA

Você já parou para prestar atenção na sua postura? Quando você está em pé ou sentada, como fica a sua coluna? E, caso você dance, já assistiu algum vídeo seu, observando como é a sua postura ao dançar? 

A postura tem uma importância fundamental na nossa saúde, bem como na nossa aparência. Quando estamos com a coluna mal alinhada, é certo que teremos dores nas costas, na lombar ou no pescoço. Citando o meu próprio caso, eu tinha a tendência de caminhar olhando para baixo. Além disso, ao dançar, meu quadril era projetado para frente, o que tornava a minha dança muito deselegante. Tudo isso foi corrigido ao longo de anos de aulas, e ainda hoje minha professora me alerta quando estou com a postura errada. Também faço a autocorreção, ao assistir meus vídeos.

E como é a postura ideal? Para começar, encoste seu corpo em uma parede. Veja se a parede é tocada pelos seus calcanhares, bumbum, costas, ombros e atrás da cabeça. O seu abdômen está para dentro? Se o abdômen estiver solto, contraia o mesmo. O pescoço está paralelo ao chão? Se o seu queixo estiver para baixo ou para cima, acerte a posição da cabeça. Pronto! Agora desencoste da parede, mantendo a posição. 

Veja abaixo uma ilustração, que mostra três posturas - duas incorretas e uma correta. Na primeira, a mulher está com o peito para baixo, joelhos muito dobrados e o pescoço também aponta para baixo. Na segunda, temos a postura correta. Na terceira, as costas fazem um S, o pescoço aponta para baixo e a barriga projeta para frente. 



Observação: algumas pessoas (como no meu caso) tem os pés voltados para dentro. Isso compromete o trabalho da dança, pois tira toda a estabilidade e prejudica as transferências de peso. Se for esse o seu caso, olhe sempre para ver se não está com as pontas viradas para dentro. O correto, ao dançar, é calcanhares próximos e pontas dos pés afastadas. Essa é uma das bases do balé clássico - pés "en dehors", ou seja, voltados para fora. A ilustração abaixo mostra a posição incorreta à esquerda e a correta à direita.



No balé clássico, a posição dos pés é completamente virada para fora. Na dança do ventre, não precisamos ter a posição dos pés usada no balé clássico. Mesmo assim, se os pés estiverem tortos para dentro, você terá dificuldades para executar os movimentos, principalmente os deslocamentos. 

Caso você tenha muitos problemas de má postura, além do exercício da parede, pode fazer outro. Lembra dos antigos concursos de miss? Pois bem - as candidatas, para acertar a postura, andavam equilibrando um livro na cabeça. Não tem erro. Se você não ficar bem retinha, o livro vai cair. É um bom exercício.

Tem problemas maiores ainda? Então o ideal é procurar um médico especialista, que vai te indicar o tratamento correto. Algumas atividades que corrigem a postura: dança, pilates, yoga, RPG, natação, musculação (para fortalecer os músculos) e alongamento. Cuide da sua saúde, para ter uma velhice saudável. Quer ser uma velhinha daquelas bonitinhas e elegantes, ou uma toda tortinha? - rs. O nosso corpo é a nossa morada, cuidemos bem dele. 

ENTREVISTA COM NADIA COMANECI NA REVISTA VEJA

NOTA: o texto original foi postado em 05 de dezembro de 2012, estou postando novamente. A Nadia Comaneci é um exemplo de profissional dedicada e de sucesso! Espero que gostem da entrevista.

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Na Revista Veja de 28 de novembro de 2012, saiu uma entrevista maravilhosa com Nadia Comaneci, uma das maiores atletas da ginástica artística. Para quem não sabe quem foi ela, segue abaixo link da Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadia_comaneci

Na entrevista, ela demonstra porque foi um grande atleta - uma mistura de dedicação, persistência e busca da perfeição. Segue abaixo um trecho da entrevista que eu SIMPLESMENTE AMEI!



"Nunca fui de reclamar. Se me mandavam fazer dez repetições da mesma série em um aparelho, eu fazia doze. Se era para fazer doze, fazia quinze. Chegar a perfeição é mais do que desafiar seus limites - é ignorar seus limites. É estar sempre além deles. Acho até graça quando as pessoas sentem pena de mim pela minha infância de treinos duros. Falam como se eu tivesse perdido alguma coisa, e eu não perdi nada, pelo contrário. Minha rotina de treinos era cansativa? Era. Doía de vez em quando? Doía. Mas nada na vida vem fácil, e isso eu aprendi cedo. Se pudesse voltar no tempo, faria tudo do mesmo jeito. Meu pai sempre dizia que, se eu quisesse algo, deveria fazer acontecer, e só os fortes sobrevivem. A ginástica me fez ser forte, me deu disciplina, dedicação, obstinação. Acho que é por isso que me acham durona. E no fim meu corpo se desenvolveu normalmente, eu me sinto muito bem e conservada. Duvido que outras mulheres de 51 anos tenham a minha flexibilidade."

Meninas, tudo isso que a Nadia Comaneci disse, vale para tudo na nossa vida, inclusive para as nossas aulas de dança do ventre. Como vamos dançar bem, se não nos dedicarmos? Ninguém aprende a dançar apenas querendo. Tem de fazer aula, estudar em casa, ler textos bons sobre o assunto, ver vídeos. Eu já tive aluna que disse "eu quero ser uma grande dançarina", e fez apenas um mês de aula!!! Assim não tem jeito! Se alguém descobrir a fórmula milagrosa de aprender dança do ventre só de olhar, favor patentear, que vai ficar rico - rs.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

PERSISTÊNCIA E DEDICAÇÃO FAZEM A DIFERENÇA!

NOTA: este texto foi originalmente postado em 23/05/2011. Está sendo atualizado e postado novamente hoje. A propósito, gostaria de indicar a todos a leitura da autobiografia do Schwarzenegger (uma das melhores biografias que já li). Espero que apreciem a leitura.

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Hoje eu gostaria de contar a história de uma rapaz austríaco que, com a sua dedicação e persistência, se tornou um ídolo. Todas as pessoas o conhecem. 

Arnold Schwarzenegger era o segundo filho de um chefe de polícia e uma dona de casa. Aos 13 anos, este jovem já tinha praticado alguns esportes, como futebol, atletismo, boxe e lançamento do dardo. Mas foi se encontrar no fisioculturismo, na sua juventude.

Com sua incrível determinação, ele começou como peso pluma e chegou a Mister Universo, com 20 anos. Foi o mais novo Mister Universo de todos os tempos, e ganhou o título mais 3 vezes. Aos 23 anos, ganhou o título de Mister Olímpia, e repetiu o feito mais 6 vezes.

Abaixo, duas fotos dele: uma no começo da carreira de fisioculturista, e depois no auge. Para chegar ao corpo que queria, ele passou muito tempo na academia.


Tendo cumprido o seu sonho de se tornar o maior fisioculturista do mundo, Schwarzenegger decidiu ser o maior ator do mundo. Começou a sua carreira artística em 1970, e ficou mundialmente famoso em 1982, com o lançamento do filme "Conan, o bárbaro". Após isto, fez muitos filmes de sucesso.

Em 2003 passou para a carreira política, elegendo-se Governador da Califórnia. A propósito, tem mais uma coisa: além de fisioculturista, ator e político, ele também é empresário! Atualmente, está com 72 anos de idade, e ainda faz filmes de sucesso. 

Mas o que isto tem a ver com dança do ventre? Muita coisa. Toda vez que alguma menina interessada em dança do ventre me liga, faz 2 perguntas:

"Quanto custa?"
"Em quanto tempo vou aprender?"

Gente, não existe formula milagrosa! Dança do ventre (como qualquer outra dança) não se aprende de ouvir falar, nem de um dia para o outro. Tem de ir às aulas, estudar em casa, não matar aula. Precisa de tempo para apresentar resultados. Fazendo uma comparação com o Arnold Schwarzenegger - imaginem ele chegando na academia, ainda peso pluma, e perguntando para o treinador dele:

"Em quanto tempo eu vou ser Mister Universo?"

Ao contrário, o Arnold (desculpem a intimidade - rsrsrs) foi, passo a passo, trilhando o seu caminho. Foi o melhor na sua área, conseguiu realizar o seu sonho. Daí, passou para outro. Quanto o segundo sonho foi cumprido, começou a realizar o terceiro. E quanto a nós? Apenas vamos sonhar e nunca realizar nada?

Tudo depende de nós mesmos! Se não dermos nosso tempo, com dedicação e persistência, vamos nadar, nadar e morrer na praia. Pensem nisso!

domingo, 27 de outubro de 2019

O VÉU NA DANÇA DO VENTRE E A DANÇA DOS SETE VÉUS

Nota: o texto original foi postado em 17/07/2011. Atualizei hoje, estou postando novamente com as correções.

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Uma das coisas mais difíceis na dança do ventre é conseguir informações históricas precisas. Como é uma arte muito antiga, e quase não documentada, algumas pessoas "super criativas" inventam o que querem. Um dos mitos da dança do ventre fala sobre o uso do véu. Algumas pessoas dizem que o uso do véu é muito antigo, que as sacerdotisas do Antigo Egito usavam véus nos templos, e outras baboseiras.

Na verdade, o véu foi introduzido na década de 1940, pela bailarina e coreógrafa russa Anna Ivanova, que sugeriu o seu uso para a grande dançarina Samia Gamal. Segundo o site "ballet.carmem.com:

"Samia Gamal levou o véu para a abertura de seus shows e utilizava para melhorar a linha de seus braços e sua movimentação, ganhando mais leveza em sua dança."

Abaixo, uma foto de Samia Gamal:



Se vocês prestarem atenção nos vídeos da Era de Ouro da dança do ventre, notarão que a dançarina apenas entrava com o véu e logo o descartava. Foram as dançarinas americanas as divulgadoras do véu na dança do ventre, e a maior parte dos movimentos com véus foram desenvolvidos por elas.

Voltando algumas décadas, e falando dos Estados Unidos, vamos lembrar uma grande artista: Loie Fuller. Ela nasceu em 1862 e faleceu em 1928. Foi pioneira no uso dos véus nas suas apresentações, bem como do uso da iluminação teatral. Quando vocês tiverem um tempinho, deem uma olhada nos vídeos dela do Youtube. Ela era uma mestra no uso do véu.

Loie Fuller:



E a dança dos sete véus? Pois bem: em 1905, aconteceu a estréia da ópera "Salomé", de Richard Strauss. A ópera era baseada no livro "Salomé", de Oscar Wilde, e tem uma cena com a dança dos sete véus. E no filme "Salomé", de 1953, a atriz Rita Hayworth faz a dança dos sete veús. Por conta do livro, da ópera e do filme, algumas pessoas dizem que a dança dos sete véus foi dançada pela verdadeira Salomé, aquela da Bíblia. Segundo o site filarmonica.art.com:

"Salomé foi um escândalo! Por isso (ou apesar disso), após sua estreia em Dresden, em menos de dois anos esteve em cartaz em pelo menos cinquenta teatros. 
...
... Salomé explicita, do argumento bíblico, um erotismo que, ali, se encontra apenas velado. Na Dança dos sete véus, por exemplo, a personagem-título da ópera realiza uma dança em que se despe lentamente em frente a Herodes até quedar-se nua. Marie Wittich, a cantora que estava a cargo do papel principal da estreia em 1905, recusou-se a realizá-la, tendo que ser substituída por uma dançarina."  

Rita Hayworth, em "Salomé":




Outras hipóteses incorretas: que a dança dos sete véus faz alusão ao mito da deusa Ishtar; que as cores estão ligadas aos sete chakras do corpo...

Uma coisa que diverge nas informações sobre a dança dos sete véus são as cores, e qual a sequência da retirada dos véus. Uma das fontes que encontrei diz que o primeiro véu a ser retirado deve ser o vermelho, em outra fonte pede-se para retirar o branco. O que fazer, então? Num cenário destes, penso que a coreógrafa tem total liberdade para criar, desde que use o bom senso e não apele demais para o erotismo. Não estamos falando de striptease, e sim de arte - embora algumas pessoas confundam as coisas.

Espero que este texto tenha sido útil. E vamos continuar com os nossos estudos!

Fontes:
https://www.balletcarmem.com/a-beleza-do-veu/
https://filarmonica.art.br/educacional/obras-e-compositores/obra/salome-op-54-danca-dos-sete-veus/

TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO "A DANÇA DO VENTRE E SUA FACE TERAPÊUTICA"

Nota: este texto foi postado em 15/05/2011. Está sendo repostado, pois o texto é muito bom. Segue uma imagem da capa do livro. Por favor, não copiem o texto, sem citar a autora, Mayra Shãms. Grata!




Meninas, este texto foi extraído do livro "A dança do ventre e sua face terapêutica", da dançarina e professora Mayra Shãms. Muito interessante para quem faz dança do ventre, ou está começando.

"I - Elimine a autocrítica de seu caminho, não se compare a ninguém, pois sendo você gorda, trabalhe seus valores e auto-aceitação. Ame-se, lute para ser feliz (a dança emagrece).
Não se acha bonita? Trabalhe a sua força interior. Reformule seus conceitos. Lembre-se de que a busca de aprovação e reconhecimento exterior, não a satisfará, mesmo que conviva com um grande número de pessoas.
Acha-se velha? Veja que o tempo é ilusão. A dança rejuvenesce, pense nisto! Que morram as células velhas, que nasçam as novas, que meu corpo se rejuvenesça, quanto mais madura, mais expressão a mulher coloca em sua face.
Não realizou um movimento? Cada pessoa tem seu ritmo, um bloqueio a vencer e despertar interno, tente quantas vezes forem necessárias. Viu-se a dificuldade do outro, não exalte a sua personalidade. Busque o equilíbrio!
...
III - Atenção à denominação que damos às roupas que dançamos. Muitas vezes não é correto dizer que nossos trajes são fantasias, dá um tom carnavalesco.
IV - Confie na sua professora, por seu trabalho e experiência. A aula deve ser dinamizada contendo sempre trabalho de equipe e comunicação sincrônica. Enfim, improvisos e musicalidade fazem parte desta constante.
V - A dança do ventre não dá barriga. Ela define de forma linear.
VI - Não busque a dança somente para seduzir um homem, o poder de sua felicidade está em você, não no outro. Mudanças internas despertam a curiosidade e a vontade de se estar próximo, afinal o igual se encontra por aí com muita facilidade. É claro que você pode dançar para ele e eu pergunto:
Ele é especial? Então vá adiante! Discordo somente da autovalorização do ego que sai por aí seduzindo pessoas e mantendo-as como reféns e escravos.
VII - Cuidado para não parecer vulgar. Sendo uma arte milenar, que mostra o âmago da mulher em toda sua plenitude, compõe-se de delicadeza e sensualidade. Não deve ser confundida com sexualidade e erotismo. A dança já tem o seu poder essencial.
...
X - Estar aberta ao novo é o primeiro passo para o bom aprendizado. Leia, pesquise o que outras bailarinas dizem, filtre o que lhe sirva, observando que cada pessoa tem sua própria vivência, o seu talento especial imutável e a sua maneira de exteriorizá-la.
XI - Repartir sua energia e harmonizar-se com o grupo também é importante. Você não somente dá, mas também soma com os membros da mesma equipe.
...
XIV - Movimentos que você tem dificuldades em realizar ou de acompanhar não devem ser forçados. Deixe que fluam gradativamente. Suas estruturas já estão formadas e dentro da dança existe uma infinidade de movimentos de fácil adaptação.
...
XVII - Alcance a maestria, com vigilância, observação e análise, pois cada fato ocorrido denota uma mutação em você. O universo está sempre em transformação e a energia em movimento. Tudo gira em círculos, para frente, para o seu crescimento. Tenha certeza de que há uma linha de sincronicidade para que um fato bom possa ocorrer em experiências que você possa achar ruins. Simplesmente sorrie e quebre qualquer esfera negativa, com a sua confiança e certeza de que não está só.
...
XXVI - Sendo altamente terapêutica, a dança do ventre pode ser praticada por mulheres de qualquer idade ou sem medidas ideais. Para o grupo de mulheres que ousam descobrir-se e conhecer-se profundamente, não sendo necessário um padrão estabelecido pelo mundo exterior, tal como beleza perfeita, o objetivo é a expansão natural do magnetismo, trabalhando-se o interior e o despertar da Deusa oculta no âmago do seu ser (o renascimento da feminilidade integrada com ascenção) com o trabalho, você pode tornar-se tudo o que quiser ser.
O fundamental é que cada pessoa entre em contato com o seu pulsar interno.
Ao contrário do que muitos de vocês possam ver ou assistir por aí, esta dança não tem o propósito de mostrar a lascívia do corpo em movimentos lânguidos ou arrojados. Feito isso, você pode tornar-se uma bailarina independentemente da idade que tenha."

sábado, 26 de outubro de 2019

O RESULTADO É PROPORCIONAL AO ESFORÇO

Você às vezes reclama de não ter sucesso em determinada coisa? Vamos supor que você queira tocar guitarra. Aliás, você não quer apenas tocar guitarra, você quer SER o Eric Clapton. Mas você já parou para pensar em quanto tempo e dedicação o Eric Clapton investiu, até conseguir ser um gênio da guitarra? Quantas horas tentando achar a melhor forma de tocar determinadas notas? Quantos compromissos pessoais foram deixados de lado, para ser o melhor de todos os guitarristas?

Gosto muito de ler, especialmente biografias e autobiografias. Neste tipo de livros, a pessoa retratada é alguém que teve sucesso na sua área, ou ficou conhecida por algum fato importante. Quando se trata de celebridades, cheguei a uma conclusão pessoal – existem dois tipos de pessoas bem sucedidas:

- Aquela que já sabe, desde cedo, o que quer na vida, e vai atrás de seus sonhos. Um exemplo: o cantor Michael Jackson. Ele e seus irmãos foram obrigados a seguir a carreira musical por ordem do pai, mas Michael realmente amava cantar. Já nasceu como uma estrela.

- E as outras que são bem perdidas (risos), mas sabem que são diferentes das demais pessoas. Um exemplo de pessoa perdida, que demorou bastante para encontrar a sua vocação, é a cantora Janis Joplin.

Tanto o primeiro tipo quanto o segundo, batalharam bastante para chegarem ao topo. Deram os melhores anos de sua vida em prol da arte. Romperam barreiras. Cobraram de si mesmos o melhor desempenho, sempre. Por isso, mesmo após a sua morte (como Michael e Janis), são lembrados com saudade.

Você deve ter notado que eu citei três músicos, não é mesmo? É que as biografias de dançarinos são mais raras, infelizmente... Mas o que vale para o artista-músico, vale também para o artista-dançarino. A regra é a mesma: se você quer aprender algo, ou aperfeiçoar algo que já sabe, o único modo é se esforçando.

Quero ressaltar isso: O RESULTADO É PROPORCIONAL AO ESFORÇO. Se você está aprendendo a dançar, mas mata as aulas e não estuda em casa, seu desempenho será fraco.  Agora, se você vai às aulas sempre, estuda em casa, faz pesquisas para aprender mais – seu desempenho será muito bom. Não existe milagre! Ninguém aprende a dançar sem suar a camiseta (ou top). São anos de estudos, para ter um bom resultado.

Ficou cansada só de ler? Pois não fique! Saiba que, quando fazemos algo com excelência, somos duplamente recompensadas: pelo conhecimento adquirido e pela satisfação de uma tarefa bem realizada. Força na peruca e sigamos em frente!



sexta-feira, 25 de outubro de 2019

NÃO SE ESTUDA A CIVILIZAÇÃO SEM TOPAR COM ÁRABES

Nota: texto postado em 15/05/2011, estou postando novamente. 

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Amigos, este texto foi extraído da Revista Fenae Agora, edição nº 68, ano 14, abril/maio 2011. A autoria é de Mylton Severiano, jornalista e escritor, espero que apreciem!

"De repente as atenções se voltam para a região do mundo que, em muitas cabeças, era o reino das mil e uma noites. A mídia colonizada em inglês e escrita em português se apressa em carimbar os árabes como potenciais inimigos. Deixemos de lado a motivação do Império, de assegurar seu suprimento de petróleo (digo Império sem ironia, refiro-me à 'capacidade de comandar', de imperar). Falemos dos árabes.
Quando a revolta começou na passagem para 2011, alguém comentou: vai piorar, vão tomar o poder muçulmanos fundamentalistas, eles querem acabar com a 'civilização ocidental'. Mas ora, será que imaginam quanto deve a civilização ocidental aos árabes?
Fiz bons amigos de origem árabe, e grandes humanistas: José Carlos Marão (Mahrun originalmente), Georges Bourdoukan, Narciso Kalili. Com eles aprendi que árabe é gente finíssima.
Eles não surgiram com o islamismo, judaísmo ou cristianismo. Historicamente são anteriores ao conceito de Deus e ao monoteísmo. Constituem uma diversidade de povos com unidade linguística. Descendem dos faraós, dos fenícios, assírios, sumérios, cananeus, babilônios, palestinos. Do ponto de vista religioso, descendem de Ismael, filho mais velho de Abraão, nascido em Ur, no atual Iraque.
Devemos aos árabes o primeiro alfabeto; o primeiro código; a primeira lei; as primeiras navegações. São antepassados deles Ramsés, Nabucodonosor, Hamurabi, Talião. O 'velho continente' deve seu nome a Europa, filha do rei Agenor da Fenícia que, na mitologia, foi raptada por Zeus e com ele gerou filhos. O 'continente negro' deve seu nome a Ifriq, antigo nome da Tunísia ora rebelada.
Deve-se aos árabes o islamismo, a mais tolerante das religiões monoteístas, ao contrário do que nos querem fazer crer os interessados em demonizar povos que enfim se revoltam contra tiranos.
Quanto a nós, latino-americanos, saibamos que o primeiro não-índio a pisar em nosso solo foi um muçulmano que acompanhava Cristóvão Colombo. E no Brasil, a influência a gente sente em tudo, a começar pelas centenas de palavras usadas no dia a dia, pelas comidas. Um muçulmano lutou ao lado de Zumbi no Quilombo dos Palmares. Muçulmanos malês em 1835 promoveram grande revolta na Bahia contra a escravidão. Impossível viajar pela história e pela cultura universais sem topar com árabes.
A história não segue em linha reta. Coleia como o rio em seus meandros, por vezes até volta atrás, depois retoma o rumo. Há mil anos, o Afeganistão era um pomar paradisíaco e a futura América, terra de silvícolas. Agora, povos árabes que outrora mandavam na Europa ocidental se rebelam contra o despotismo em suas velhas pátrias. Não sou adivinho. Mas é certo que vão deixar, mais uma vez, indelével marca no curso da história da civilização."


COMO SURGIU A MAQUIAGEM

Nota: texto postado em 25/04/2011, postado novamente hoje.

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Este texto foi extraído do Almanaque Nissei número 68, de abril/2011. Quem disse que almanaque de farmácia não é cultura?

COMO SURGIU A MAQUIAGEM

A maquiagem, tão comum nos dias de hoje, teve a sua origem no Egito antigo, por volta do ano 4 mil antes de Cristo. Homens, mulheres e crianças utilizavam o "kohl" (carvão misturado com óleo vegetal ou gordura animal) na área dos olhos, uma espécie de precursor do delineador. Mais tarde, os romanos aderiram à prática. Eram bem excêntricos, abusando dos corantes para deixar os lábios em evidência. São considerados os "criadores" do rímel, pois gostavam de esfregar cortiça queimada nos cílios para escurecer os olhos.
Na Idade Média, o controle da Igreja Católica inibiu o desenvolvimento da maquiagem durante centenas de anos. O hábito de pintar o rosto voltou a ganhar força a partir do início do século 20, quando as mulheres começaram a entrar no mercado de trabalho e a destinar parte do dinheiro ganho com produtos para a beleza pessoal. Utensílios como blush, pó de arroz, batom, cílios postiços e lápis preto, entre outros, se desenvolveram e arrebataram o sexo feminino de todas as partes do mundo.
Cada década é marcada por uma tendência. Nos anos 1960, a maquiagem ganha brilho e os olhos são ressaltados com sombras metalizadas. Os anos atuais trazem uma mulher com disposição a uma variedade de produtos de maquiagem que, além de garantir um belo visual, não descuida da saúde da pele.




TEXTO MUITO INTERESSANTE, DA REVISTA MARIE CLAIRE

Nota: este texto foi publicado em 09/08/2010; dei uma corrigida na pontuação e estou postando novamente. São opiniões muito boas, de profissionais excelentes.

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Amigos e amigas, neste sábado, lendo a revista Marie Claire nº 232, julho/2010, achei um texto interessantíssimo, intitulado POR QUE O MUNDO DANÇA? São 4 opiniões diferentes sobre o tema proposto, segue abaixo o texto na íntegra:

PARA FICAR MAIS INTELIGENTE (Ivaldo Bertazzo, coreógrafo e diretor da Escola do Movimento):
"O movimento é essencial para o corpo se manter organizado. Do contrário, ele desaba. E o movimento nada mais é do que a luta contra a gravidade. Funciona assim para qualquer bicho. Mas para os humanos é mais difícil, pois nossa locomoção bípede nos torna mais instáveis do que qualquer outro animal. O movimento também é importante porque serve como um estímulo para nosso sistema nervoso manter-se sempre à procura de seu centro de gravidade.
Então, imagine o que a dança faz por nós. Um bebê, que sequer começou a andar, já se balança quando ouve uma vibração. Nele há um desejo intrínseco de brincar com seu centro de gravidade e de desafiar o cérebro a encontrá-lo. Responder a um ritmo, portanto, é uma necessidade anterior a tudo. Para conseguir dançar, precisa ainda mais do que isso: é necessário administrar os movimentos do corpo. Só desse jeito se consegue enfrentar cadência e locomoção ao mesmo tempo. Quando isso acontece, é como se o corpo fosse mais rápido que o pensamento.
Por que sentimos prazer quando dançamos numa festa ou numa danceteria? Quando fazemos isso, estamos abrindo o reduzido leque de movimentos que fazemos no dia a dia. Ele é tao pequeno e cheio de objetividade que precisamos ampliá-lo. Nesses momentos, ainda estimulamos o sistema nervoso. Dançar também é isso: um exercício para ficar mais inteligente."

O RITMO ESTÁ DENTRO DO HOMEM (Rodrigo Pederneiras, coreógrafo do Grupo Corpo):
"Como manifestação cultural, os motivos que nos levam a dançar sempre foram diversos: as sociedades dançam para comemorar ou para pedir uma boa colheira, para celebrar um nascimento ou homenagear um morto. Como arte, porém, acho que a dança pode mudar as pessoas. Quando percebemos o que podemos fazer com o corpo, olhamos para nossos limites com um horizonte maior. Também por ser poderosa como toda arte, a dança nos dá completude. Acredito que até mais do que outras formas de expressão. A dança é intrínseca ao ritmo, começa com a pulsação. E o pulso é intrínseco ao ser humano, vem de dentro do nosso corpo."

MOVIMENTOS TEM CONHECIMENTO (Elisabeth Zimmerman, professora de Psicologia do Desenvolvimento aplicada a Dança, na Unicamp):
"Será que o corpo possui inteligência própria quando dança ou é completamente subordinado a um comando do nosso cérebro? Acredito que ele possui, sim, um conhecimento próprio. Carrega consigo uma memória mais antiga de que nós mesmos, registros que não estão nas nossas lembranças e vão além da história pessoal. É isso que faz com que saibamos agir mesmo quando não nos foi ensinado - assim acontece, por exemplo, em situações de defesa, agressão, reprodução, ou mesmo em processos criativos, como a dança.
Por que gostamos de dançar? O corpo é a casa onde moramos. E, quanto mais à vontade estamos nele, maior é o nosso bem-estar. Dançar é, metaforicamente, um estado similar ao que tínhamos quando éramos bebês e vivíamos quase exclusivamente como corpo. Assim, de certo modo, ao dançar recriamos aquela atmosfera, quando a relação com nossa mãe proporcionava um estado de plenitude. Essa sensação também acontece porque a dança possibilita a conversa entre o lado externo do corpo (tamanho, peso, postura, pele, etc.) e a nossa realidade interna, representada por nossas sensações, sentimentos, percepções e memórias. É por isso que, ao observarmos pessoas absorvidas pela ação de dançar, tudo parece estar conectado para elas."

O CORPO É UM ARQUIVO VIVO (Giselle Guilhon, professora no curso de Licenciatura Plena em Dança na Universidade Federal do Pará):
"Se o homem descende, de fato, dos macacos, em algum momento da sua evolução ele esticou sua coluna e assumiu uma postura ereta. Essa mudança em seu corpo trouxe várias outras, como o crescimento do cérebro e o aparecimento dos gestos e da fala. A dança pode ser vista como resultado dessa sofisticação. Ela vem da necessidade de comunicar alguma coisa ou comunicar com algo. Dançamos por razões diversas: para expressar desejos, sentimentos, para contestar, seduzir ou mesmo para mostrar resistência. Nesse caso, o corpo, como um arquivo vivo, transforma-se numa espécie de depósito onde guardamos memórias da nossa identidade. Os ciganos são uma boa prova disso. Embora estejam espalhados pelo mundo, eles preservam elementos culturais - danças, músicas, figurinos. Poderíamos, nesse sentido, afirmar que, quando os ciganos dançam, estão restaurando o comportamento de seus ancestrais. Danças são memórias em ação. Elas também refletem valores: éticos, estéticos, morais, religiosos, sociais. Os bailes da Corte européia, por exemplo, transmitiam e revelavam toda a pompa daquele universo. Entre outras coisas, a dança dos nobres mostrava o padrão considerado elegante para as mulheres (um corpo delicado e longilíneo), a maneira como as relações aconteciam (os homens cortejavam as moças e não o contrário) e até o jeito como as pessoas deveriam gesticular. Quando um rei visitava outro, a dança era o primeiro cartão de visitas da corte anfitriã. O ser humano não consegue operar com eficácia numa determinada cultura sem entender seu códigos. Quanto mais complexa ela for, maior será a variedade desses códigos. A dança pode funcionar como um código específico e eficaz para transitar num contexto."


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

O QUE TE LIMITA?

Nota: esta postagem era de 31/08/2009. Dei uma atualizada e estou postando novamente. 

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Como professora de dança do ventre, estou sempre em contato com muitas mulheres, e algumas situações acabam se repetindo. Uma delas se dá quando a aspirante a aluna diz: "eu gostaria de fazer aula de dança do ventre, mas estou acima do meu peso". Eu gostaria de deixar bem claro isto: a dança do ventre não é para ser feita só por mulheres esculturais, padrão Gisele Bundchen. Dança do ventre é para nós, mulheres de carne e osso - nem que seja mais carne que osso - rs. A dança do ventre pode e deve ser feita pelas mulheres mais cheinhas, sim, inclusive porque toda atividade física ajuda na queima de calorias. É como eu sempre digo: é mais fácil queimar calorias fazendo aulas de dança, do que na frente da televisão, comendo pipoca.

A outra situação é quando a mulher me procura para fazer aulas de dança, e solta a pergunta fatal: "em quanto tempo eu vou poder dançar?" Esta pergunta é terrível! Não existe fórmula para a professora saber como será o progresso de cada aluna. O aprendizado da dança varia muito, de pessoa para pessoa. Alguns movimentos que parecem fáceis para uma aluna, são extremamente difíceis para outra. Nesta hora, vale a palavra de ouro - persistência. Quem não persiste, não consegue bons resultados na dança do ventre. Você se lembra quando você era um bebê que estava aprendendo a andar? Quantos tombos você precisou dar, até aprender a se equilibrar? Muitos, com certeza, mas mesmo assim você não desistiu, não é mesmo?

A última situação é a seguinte: a mulher de 40, 50 anos, quando convidada a fazer aulas de dança do ventre, faz uma expressão "isto não é para mim, é para a minha filha". Gente, não existe idade máxima para a dança do ventre, é uma dança muito bonita, que nos acompanha por muito tempo. Se você não quer se apresentar, pode usufruir dos benefícios da dança do ventre, tais como: aumento da flexibilidade, incremento da coordenação motora, diminuição do stress, melhora na autoestima e a redescoberta da sua feminilidade e sensualidade. Não é lindo isto? Mesmo que não seja para uma apresentação, mas é um presente seu para você mesmo!

Por tudo isto, não se deixe limitar, nunca, por estes fatores: peso, idade ou pressa. Com tempo e paciência, você consegue muitas coisas com a dança do ventre - perder peso, rejuvenescer e ser, cada vez mais, MULHER!


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

DANÇA SAIDI


Hoje vou falar sobre o meu folclore preferido - a dança saidi. É também conhecida como dança do bastão, da bengala, ou Raks El Assaya. O saidi é uma dança folclórica egípcia, que se originou de uma luta masculina com bastões, chamada Tahtib. Segundo a bailarina Nadja El Balady:

"Tahtib é a 'dança-luta' masculina que dá origem à dança com bastão. Os homens dançam Tahtib em todo o Egito e existem algumas poucas diferenças entre as danças do Norte e do Sul. Os passos são bem saltados e eles executam muitos malabarismos com o bastão. Tudo originado na demonstração de habilidades para impressionar os oponentes. Os movimentos incluem intenções de choque do bastão em algo imaginário, que pode ser as pernas, ou o bastão do oponente. Também é comum baterem o bastão ao chão, junto com as batidas fortes da música."

No Antigo Egito, os homens já lutavam com bastões, conforme a imagem abaixo:



Quase todas as fontes consultadas dizem que o ritmo saidi, bem como a dança, surgiram no Alto Egito. Para quem não sabe (antigamente, eu não sabia - rs), o Alto Egito fica no Sul:



Embora os habitantes do Antigo Egito usassem o bastão para lutar, no Tahtib a luta é encenada, não é para valer. É uma forma do homem demonstrar sua virilidade, habilidade, força, destreza e precisão. O Tahtib pode ser dançado com um ou dois bastões. Com o bastão, são feitos os giros verticais, horizontais e transversais, além dos golpes no ar ou no chão.



Tudo bem, você está pensando - no Antigo Egito, os homens lutavam com bastões; depois, nos tempos mais atuais, eles passaram a "fingir" que estavam lutando. E como isso se transformou em uma dança feminina? O grande responsável por isso foi o coreógrafo egípcio Mahmoud Reda que, inspirado no Tahtib, levou esta dança para os palcos. Para quem não sabe, Mahmoud Reda é considerado o pai do folclore egípcio, e fez um importantíssimo papel de resgate das tradições populares. Ele fazia a pesquisa dos passos básicos, das músicas utilizadas, dos trajes, e transformava tudo isso em espetáculos de dança. Suas coreografias e sequências são estudadas e apresentadas até hoje. Abaixo tem uma foto dele, quando ainda dançava:



Na região onde o Tahib surgiu, as mulheres não podiam dançar com bastões, era uma dança exclusivamente masculina. As únicas autorizadas a dançar com bastões eram as ciganas ghawaze, que eram contratadas para dançar nas festas. Tudo isso mudou após Mahmoud Reda levar o Tahtib para os palcos, já como dança feminina, bem como com grupos mistos (homens e mulheres).

Segundo a bailarina Ju Najlah:

"Mais tarde desenvolveu-se uma performance de Saidi para grupos mistos, na qual homens e mulheres dividiam o palco. Diferentemente dos homens, quando as mulheres utilizavam os bastões seus movimentos eram mais suaves e delicados demonstrando claramente a diferença entre os dois. No contexto de folclore a dança saidi mostra grupos masculinos e femininos, inicialmente separados para depois formarem casais. Como uma espécie de 'quadrilha' das nossas festas juninas."

A título de curiosidade: a grande dançarina Fifi Abdo foi uma das primeiras a dançar com o bastão. 

A dança feminina exige um traje folclórico, e não aquele normalmente usado em dança do ventre. É bom lembrar daquela regrinha de ouro: folclore não se dança com barriga de fora. Usa-se um vestido de mangas compridas, chamado galabia, com uma faixa ou xale marcando os quadris. Na cabeça, uma faixa ou lenço. Abaixo tem uma foto minha, com galabia e a bengala:


Quando for escolher uma música, o ideal é usar uma no ritmo saidi. Se tiver dúvidas sobre o ritmo, dê uma olhada no meu blog, na aba "ritmos". Lá, tem links com o ritmo saidi, bem como a explicação detalhada sobre ele.

Em relação ao repertório, lembre-se: não adianta fazer uma dança do bastão, se ele não for usado. Ele vai servir como moldura para os quadris, acima da cabeça, pode ser colocado nos ombros, na altura do peito, a ponta dele pode ser apoiada no chão, movimentos de luta, etc. Mas os giros com o bastão (para frente, para trás, acima da cabeça, oito com o bastão) precisam ser feitos.

Passos típicos: pulos, chutes (à frente, atrás, cruzados), marcações de calcanhar, quadril soltinho, pose mais relaxada que a pose clássica. Também podem ser usados movimentos da dança do ventre, tais como shimmies, redondos, ondulações, secos e cadenciados, etc. Pode ser usada a meia ponta alta, mas a maior parte dos movimentos é com os pés no chão, por se tratar de uma dança folclórica.

Use todo o seu charme, mostre toda a sua alegria, e seja feliz! Dançar saidi é muito bom - para você e para o seu público, que vai ficar encantado, com certeza.

Fontes de pesquisa:







terça-feira, 22 de outubro de 2019

TRÊS EXCELENTES RAZÕES PARA FAZER DANÇA DO VENTRE

Nota: este texto, originalmente, foi postado em 17/02/2009. Fiz algumas atualizações e estou postando novamente. 

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Alguns anos atrás, comecei a fazer aulas de dança do ventre, porque precisava praticar alguma atividade física. De lá para cá, passaram-se mais de seis anos, e a dança do ventre ganhou mais uma admiradora. Há dois anos dando aulas, e convivendo com essas mulheres maravilhosas que são as minhas alunas, gostaria de citar três excelentes razões para se praticar a dança do ventre.

1) Como atividade física, a dança do ventre é completa, pois trabalha todos os músculos da dançarina. Além dos membros superiores e inferiores, geralmente usados na dança ocidental, a dança do ventre trabalha tronco, quadris, mãos, e até os músculos do pescoço. Como parte desta dança é feita em meia ponta alta, são fortalecidos os músculos das pernas e também os glúteos. Devido à necessidade de se manter os braços erguidos, em diversos momentos, os músculos desta região ficam mais firmes e torneados. A contínua contração da barriga ajuda a firmá-la e defini-la e, ao contrário do que se pensa, dança do ventre não dá barriga. Outro importante benefício é a correção postural, que deixa a mulher mais elegante... e até faz crescer alguns centímetros.

2) Além de trabalhar o corpo, a prática da dança do ventre envolve o aspecto emocional. A questão da autoestima da mulher é especialmente trabalhada, conforme relato de várias de minhas alunas. A mulher que faz dança do ventre se sente mais confiante e contente consigo mesma. Mulheres inseguras aprendem a confiar mais em si mesmas, e as tímidas, a se soltar mais. Como a dança do ventre não exige um determinado tipo físico, todas as mulheres podem praticá-la, sejam elas magras, gordas, altas ou baixas. Além disso, não existe uma idade máxima para se fazer dança do ventre, o que significa que as mulheres de meia-idade (ou melhor idade) podem usufruir de seus benefícios. Outro aspecto importante é que a mulher começa a se sentir mais feminina e sedutora, ou seja, este benefício acaba se estendendo para o seu parceiro.

3) Não podemos nos esquecer que a dança do ventre, além de atividade física, é uma arte muito antiga, e sua origem provavelmente está ligada ao culto da fertilidade. Além disso, a dança do ventre desenvolve a musicalidade, a coordenação motora, a criatividade e a sensibilidade da mulher. A praticante de dança do ventre não faz apenas exercício, ela entra no terreno sagrado da Arte (com A maiúsculo). E a Arte, todos sabem, é sinônimo de transcendência. O artista não é só humano, ele é uno com Deus e os elementos.

E então, o que você está esperando? Como diria o poeta, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

A IMPORTÂNCIA DE BADIA MASABNI

Você sabe quem foi Badia Masabni? Se você faz aulas de dança do ventre, ou se já é uma profissional da área, é imprescindível saber quem foi ela.

Badia Masabni nasceu provavelmente em 1894 em Damasco, na Síria. Era empresária, atriz, dançarina, cantora - e uma mulher extraordinária! A sua vida foi cheia de altos e baixos: pobreza, riqueza, sucesso, traições por familiares, inveja por parte de suas concorrentes... Embora tenha nascido na Síria, de mãe síria, era considerada libanesa, como seu pai:

"Em muitas partes do mundo, incluindo o Oriente Médio, a cidadania e a identidade das pessoas são baseadas em sua linhagem, e não nas fronteiras entre os estados-nações que podem estar em vigor no momento de seu nascimento." (ver http://www.shira.net/about/badia-lebanese-or-syrian.htm)



Aos sete anos de idade, um fato mudou radicalmente sua vida: ela foi estuprada. Para fugir à vergonha, sua família mudou-se para a Argentina, só voltando à Síria quando Badia já era uma adolescente. Como tinha sido estuprada na infância, não conseguiu se casar, devido ao preconceito vigente. Aos 17 anos, Badia vai com sua mãe (seu pai tinha falecido) para o Cairo, no Egito, à procura de um emprego para se sustentar. Às escondidas da mãe, trabalha em uma companhia teatral, pois amava representar, cantar e dançar. 

De acordo com o blog "Ventre da Dança":

"Em 1914, aos 20 anos, Badia estava atuando em Beirute, no famoso teatro da francesa Madame Jeanette, que empregava apenas artistas europeus, que se apresentavam para a elite libanesa. Mas Badia conseguiu convencer Madame a deixá-la atuar e cantar em árabe. Então, em setembro de 1914, Badia estreou acompanhada de duas mulheres austríacas, que tocavam alaúde e kanoun. Ela escolheu apresentar uma canção folclórica síria, dançando, cantando e tocando snujs, tudo ao mesmo tempo. Foi um grande sucesso, e ela ganhou uma apresentação fixa no teatro." 

Vejam só que menina atrevida!

Em 1921, entrou para o estúdio do diretor Nagib El Righany. Os dois se casaram, mas o relacionamento durou pouco tempo. Nesta companhia (que se estabelece no Cairo), todas as noites ela apresentava algo novo para o público, que ficava encantado e sempre retornava. Após se separar de Nagib, em 1926, ela abre sua primeira casa de espetáculos, a Sala Badia Masabni, no Cairo. Ela sofreu vários golpes financeiros e outros reveses, só deixando a carreira de empresária em 1950. 

Nestas casas de espetáculos, ela contratou diversos músicos, dançarinas, coreógrafos, atores e atrizes, etc. Foi responsável pela formação e desenvolvimento da carreira de diversas bailarinas famosas, tais como Tahia Carioca, Naima Akef, Nadia Gamal e Samia Gamal. Essas bailarinas atuaram em diversos filmes egípcios, e esta é considerada a Era de Ouro da dança do ventre. Badia também deu oportunidade a muitos músicos que ficaram famosos, tais como Farid El Atrache, Ibrahim Hammouda e Mohamed Abdel Wahab.

Após uma depressão severa, ela se matou em 1975, em Zahle, no Líbano.

Badia Masabni foi uma mulher muito à frente do seu tempo, enfrentou preconceitos, derrubou barreiras, abriu as portas para muitos artistas. O legado dela para a dança do ventre é impressionante, senão vejamos:

1 - Ela pegou uma dança espontânea e sem refinamento, levou-a para o palco, e transformou-a em arte. Fez uma verdadeira revolução na dança oriental;
2 - Trouxe classe à dança do ventre. Contratou coreógrafos profissionais, que introduziram o balé clássico na dança oriental. A dança, que antes era mais estática, passou a usar os deslocamentos e os desenhos no palco;
3 - Seus clubes serviram de cenário para diversos filmes da época, e ela e seus músicos e dançarinas participaram de diversos filmes;
4 - Misturou os instrumentos populares (derbake, riq, nay, etc.) aos clássicos (violino, acordeom, alaúde, etc.). Surgiu o "taqsim", ou solo melódico, e as músicas se tornaram mais complexas;
5 - Os famosos "braços de serpente" e os braços no alto foram ideias dela (na dança tradicional, os braços ficavam mais estáticos, abertos). Os movimentos de braços se tornaram mais fluidos. Também foram introduzidos os véus, como acessórios para ampliar os movimentos;
6 - A dança tradicional era improvisada, mas ela introduziu a coreografia nas apresentações. Também acrescentou elementos de diversas danças ocidentais;
7 - Provavelmente influenciada pelos filmes de Hollywood, introduziu o nosso figurino mais conhecido nos seus shows (top e cinturão).

Gostou da história da Badia? Então vamos dar, juntas, um aplauso para esta grande mestra!



Fonte: Biografia de Badia Masabni, autor Tarek Hashem. Esta biografia consta no site de Priscilla Adum, em http://www.shira.net/about/menu-middle-east.htm#BadiaMasabni.



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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

TIRANDO DÚVIDAS - TIPOS DE DANÇA

Quando falamos de dança do ventre, na verdade estamos englobando vários estilos de danças árabes. Você tem dúvidas a respeito? Então vamos lá! 

- Estilo clássico = ou rotina oriental. São as músicas geralmente orquestradas (embora às vezes possam ser cantadas), com introdução, mudanças de ritmos e humores, momentos folclóricos, finalização, etc. Para maiores informações, favor ler o texto "Definindo o que é a dança do ventre clássica", postado em 01 de outubro de 2019.

- Tradicionais = músicas conhecidas pelos povos árabes, em especial os egípcios. Podemos incluir neste item o baladi e o shaabi antigo, que são danças populares.

- Árabes modernas = em geral, são as músicas cantadas, em sua maioria alegres. Não têm muita variação de ritmos, geralmente elas começam e terminam no mesmo ritmo. Aqui estão as músicas cantadas, as eletrônicas, o shaabi moderno, o romântico árabe. 

- Solo de derbake = músicas tocadas por um instrumento percussivo, o derbake (ele pode estar acompanhado pelo pandeiro). É um estilo que exige bastante precisão técnica por parte da bailarina. 

- Tareb = originalmente, o tareb era apenas uma música para apreciação, jamais para ser dançada. Isso mudou quando a bailarina Souhair Zaki dançou um tareb cantado pela famosa cantora Oum Kalthoum. 

- Folclore = existem diversas danças folclóricas. Para cada uma delas, existem os passos, as músicas e os trajes próprios. Para fazer uma comparação com as danças folclóricas brasileiras, podemos citar o frevo: existem os trajes, os passos e as músicas de frevo. Não dá para dançar frevo com música gauchesca, com roupa de sambista, entendem? Algumas danças árabes folclóricas são: saidi (ou dança do bastão), khaleege, kawliya, meleah laff, dança núbia, dabke, ghawazee, etc. 

Espero ter esclarecido as dúvidas de vocês. É sempre bom lembrar que tudo é uma questão de estudo. Precisamos escutar músicas, aprender as diferenciar os ritmos árabes, distinguir quais músicas podem ser usadas para cada estilo, etc. Boa dança para todas nós!


DANÇA DO VENTRE É TUDO!

Nota = este texto foi originalmente postado em 22 de dezembro de 2007. Dei uma atualizada no texto e estou postando novamente, com as correções.

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Antes de falar sobre a dança do ventre, gostaria de acabar com o preconceito a respeito desta belíssima forma de arte. É aquela ideia de “dança mais sensual do planeta”. Não que a dança do ventre não seja sensual, mas é que ela não é apenas isso, senão vejamos:

- É uma atividade física completa, perfeitamente adaptada para o corpo da mulher, e que movimenta todos os músculos do corpo, da cabeça até a ponta dos pés;
- É uma atividade terapêutica, já que trabalha o aspecto emocional e com a autoestima;
- É uma forma de manter a saúde mental, pois desenvolve a memória, a concentração, a imaginação e a criatividade;
- É uma maneira de entreter e alegrar as pessoas, tanto em festas familiares e profissionais, quanto em espetáculos;
- É uma forma de arte, pois permite a dançarina expressar-se e trabalhar com a sua emoção, bem como com a emoção do espectador;
- É um resgate histórico-cultural, já que conserva viva a cultura árabe, bem como algumas danças folclóricas árabes;
- É uma forma de autoconhecimento, físico e emocional;

À vista do explicado acima, espero que o leitor compreenda o título desta postagem – Dança do Ventre é Tudo! Além disso tudo que foi mencionado, é bom lembrar que a dança do ventre é uma modalidade em que sempre há mais por aprender. Depois que a aluna aprende os passos básicos, vêm os passos intermediários e os acessórios: véu, snujs, espada, etc. É uma evolução, é uma jornada sem fim – mas muito prazerosa.

Para quem quiser aprofundar-se sobre o assunto, indico:
- BENCARDINI, Patrícia, "Dança do Ventre", Editora Novotexto.
- CENCI, Cláudia, "A dança da Libertação", Editora Vitória Régia.
- NÍJME ,"Ventre que Encanta", Edição do Autor.
- SHÂMS, Mayra, "Dança do Ventre e sua Face Terapêutica", Edição do Autor.

Para finalizar, gostaria de mandar, a todos os apreciadores da dança do ventre, muita luz e muita paz. Para as mulheres que estão começando a dançar, um conselho – não desistam! Pode parecer difícil no começo, mas com persistência tudo é possível. 

sábado, 12 de outubro de 2019

DANÇA DO VENTRE - PRINCIPAIS DÚVIDAS

Nota: este texto foi postado em 2007; atualizei algumas coisas e estou postando novamente.

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1) O que é dança do ventre?
Originalmente, a dança do ventre era dançada por mulheres. Sua origem é desconhecida, não se sabe ao certo onde nem quando surgiu. Provavelmente, era executada para ajudar as mulheres no trabalho de parto. Esta é uma das muitas hipóteses a respeito da origem da dança. 

2) Para que serve a dança do ventre?
A dança do ventre traz inúmeros benefícios, vamos citar apenas alguns:
Para o corpo: melhora a postura, enrijece a barriga e as pernas, define a cintura e melhora a flexibilidade.
Para a mente: aumenta a autoestima e a auto-confiança, desenvolve a disciplina e a musicalidade, diminui o stress e resgata a feminilidade e a sensualidade.

3) Qual a idade mínima e a máxima para a prática da dança do ventre?
Idade mínima ideal: 13 anos. Máxima: não tem, se a saúde for boa.
Existem aulas de dança do ventre para crianças, mas o ideal é não misturar com as turmas adultas. O plano de aulas para crianças precisa ser diferente. 

4) Qual o método de ensino de Aziza Mahaila?
Trabalhamos com plano de aulas, partindo do mais fácil para o mais difícil. Desta forma, a aluna tem condições de acompanhar a aula. Ensinamos, desde a primeira aula, a encaixar os passos aprendidos dentro do ritmo.

5) Que roupa a aluna deve usar?
Roupa normal de ginástica: camiseta ou top e calça comprida ou curta, de lycra ou moletom. Dançamos descalças.

6) Em quais horários posso fazer aula?
Obs.: veja a grade atualizada dos horários, no início do blog.

7) Qual o custo? São dadas aulas experimentais?
O investimento mensal, para aula uma vez por semana, é de R$ 130,00. Para duas aulas semanais, é de R$ 240,00. É cobrada taxa de matrícula de R$ 50,00, e na matrícula você ganha um xale de quadril e um CD. É possível fazer uma aula experimental, ou assistir à aula. Lembrete: este investimento é para a sua saúde, física e mental.

8) Estou acima do meu peso, devo praticar a dança do ventre?
Você pode, e deve, pois seu corpo irá se beneficiar com a dança, além de queimar calorias.

9) A dança do ventre dá barriga?
Não, pelo contrário, a dança do ventre deixa a barriga mais firme, pois são trabalhados todos os músculos abdominais.

10) Qual o endereço e telefone para contato?
A escola fica localizada na Rua Doutor Jaime França, 55, bairro São Cristóvão, em São José dos Pinhais. O telefone para contato é (41) 99125-9219, e o e-mail é azizamahaila@hotmail.com.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A EXPRESSIVIDADE NA DANÇA

Esta postagem foi sugerida pela Carol Bayer, espero que gostem.

Para início de conversa, gostaria de indicar o livro "Direção e preparação artística", de Jorge Sabongi e Débora Sabongi. É um livro muito bom, que trata de diversos assuntos interessantes para quem quer evoluir na dança. 

O livro diz que a dança do ventre está apoiada em três pilares: técnica, estética e emoção (eu já citei isso em outra postagem). Na página 40, consta a frase abaixo:

"A técnica aprumada concede ao artista simetria, coerência, destreza e habilidade incomum. A estética propicia o deleite, a formosura e o encanto para a apreciação do belo. Mas é somente a expressão facial que conecta, que cria o elo de ligação do artista com o público. Tudo isso combinado, configura, sem sombra de dúvida, uma obra de arte."

Em uma apresentação bem executada, existe uma troca de energias entre o público e o artista. Para que essa troca ocorra, é necessária a entrega, por parte do artista. E a primeira entrega da bailarina é em relação à música que está dançando.

Além disso, são necessários os seguintes conhecimentos (página 43):

" 1) a percepção musical;
  2) a familiaridade com diversas formas de expressão facial;
  3) a consciência corporal (percepção de suas limitações e ampliação das possibilidades);
  4) a criatividade apurada (quanto mais você a insere em sua vida, mais criativo você fica);
  5) o estímulo e equilíbrio dos sentimentos."

Vamos falar mais a respeito do item 2, que está acima em negrito. Vamos supor que você está dançando uma música muito emotiva, como por exemplo "Enta Omri". Esta música tem muitas versões, vamos imaginar que você está dançando a original, cantada pela Oum Kholtoum. Essa cantora foi muito famosa, e colocava uma carga muito dramática nas suas canções. A letra fala que ela não sabia o que era a vida, que a vida dela só começou quando conheceu o amor, a pessoa amada. Como deve ser a sua expressão facial, o movimento corporal? É expansivo ou introspectivo? É sorriso aberto ou expressão mais contida? É vibrante ou melódico? Respostas (caso você tenha alguma dúvida): introspectivo, expressão contida, melódico.

Agora vamos imaginar uma música completamente diferente, como por exemplo o shaabi "El Enab". Esta música tem um pouquinho de malícia, o cantor compara a mulher a uma fruta saborosa. É uma canção bem agitada, naturalmente ela pede uma energia, uma alegria, uma brejeirice. E você com cara de paisagem? Não vai pegar bem, concorda? Precisa mostrar, no seu rosto, a alegria e o charme que a música pede.

Algumas músicas são mais lineares, mas em geral existem mudanças de humor. Isto acontece, principalmente, nas músicas clássicas. Essas variações de humor precisam ser refletidas na sua expressão. Uma entrada clássica (pose de rainha), um momento baladi (mais sensual ou brejeiro, vai depender de como é este baladi), em seguida pode vir um trecho de saidi (enérgico, alegre) ou um solinho de derbake (expressão confiante de quem domina o corpo) e um taksim (introspectivo).

É sempre bom lembrar que a dança é um presente que você dá à plateia. Não dê o presente com cara de paisagem. Permita esta troca de energias.

Ficou alguma dúvida? Estou à disposição. Um abraço a todas!



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

DANÇA DO VENTRE E PRECONCEITO

Hoje vou falar sobre um aspecto na nossa dança que me deixa muito entristecida - o preconceito de algumas pessoas. E por que existe este preconceito? Vamos enumerar alguns motivos:

1 - Por falta de conhecimento, por ignorância de que a nossa dança é uma arte muito antiga, que merece respeito;
2 - Devido à massiva exposição, na mídia, de expressões como "a dança mais sensual do planeta";
3 - Ideia preconcebida da dançarina como "odalisca", mulher sedutora cuja única função era entreter o sultão com seu corpo e suas danças (a propósito, a Márcia Dib tem um texto muito esclarecedor a respeito, no qual ela diz que as odaliscas eram as empregadas do harém);
4 - Em alguns casos, por intolerância religiosa;
5 - A falsa ideia de que as bailarinas de dança do ventre estão dançando para os homens, quando na verdade, elas estão dançando para si mesmas, para se sentirem bem.
6 - Sem querer generalizar (e deixando bem claro que isso não é feito pelas verdadeiras profissionais), a dança às vezes é feita com o objetivo de apelar, de chocar, de ser vulgar. É raro, mas acontece. 

E o que podemos fazer para diminuir este preconceito?
1 - Esclareça as pessoas, sempre que necessário;
2 - Evite usar, em demasia, o aspecto sensual da dança. Nada de caras e bocas exageradas, movimentos vulgares, etc.;
3 - Explique que você não dança para seduzir ninguém, e sim para ser feliz;
4 - Estude sempre, pois nós mesmas às vezes temos ideias preconcebidas a respeito da nossa dança;
5 - E, mais uma vez, esclareça as pessoas, sempre que necessário.

Caso nada disso funcione, não perca seu tempo. Afinal, quem paga suas contas é você, não é? Seja feliz e dance!




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

VÍDEOS DE AUTO-MAQUIAGEM

Nota: este texto foi postado em 19 de agosto de 2009. Como a minha amiga (e irmã do coração) Maria Cecília pediu dicas sobre maquiagem, estou postando novamente. Se você gostar deste texto, aconselho procurar um outro, postado em 25 de abril de 2011, que fala como surgiu a maquiagem. 

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Toda dançarina de dança do ventre precisa saber se maquiar. Como algumas meninas tem um pouco de dificuldade neste quesito, selecionei alguns links sobre auto-maquiagem. É um material riquíssimo para estudo, e também uma chance de aprender novos truques. Espero que apreciem, beijos a todas!

http://www.youtube.com/watch?v=31iMqQO29EI

http://www.youtube.com/watch?v=rHI5UrvyQpA

http://www.youtube.com/watch?v=IB4YFxQwocY

http://www.youtube.com/watch?v=fYnEP7N2SMs

http://www.youtube.com/watch?v=jFv-ILXdS_M

http://www.youtube.com/watch?v=j9fzK86wDfQ

http://www.youtube.com/watch?v=RfwQKAppRaE

http://www.youtube.com/watch?v=Jo5p3gRPSKA

http://www.youtube.com/watch?v=msQ5BN1pNxc

http://www.youtube.com/watch?v=LgWF25BAbHw

http://www.youtube.com/watch?v=nTFeCIC2SWs

http://www.youtube.com/watch?v=cYbhsNTaAas

http://www.youtube.com/watch?v=-2pKa0eZjXI

http://www.youtube.com/watch?v=hLL7oZhgUQQ

http://www.youtube.com/watch?v=pkiMcRyLIFk

http://www.youtube.com/watch?v=bRekqvVdxh0

http://www.youtube.com/watch?v=LMFj4aMY-Lw

http://www.youtube.com/watch?v=awTnTEIzhQ0

http://www.youtube.com/watch?v=dijg7gT28g4

terça-feira, 1 de outubro de 2019

SOBRE MUSICALIDADE

O que é musicalidade? Segundo o dicionário, a palavra "musicalidade" tem dois significados:

1 - Caráter, qualidade ou estado do que é musical.
2 - Talento ou sensibilidade para criar ou executar música.

No nosso caso, que somos dançarinos, a musicalidade é muito importante. Não somos músicos, então não criamos nem executamos música, mas nossos corpos TRADUZEM os sons. Como dizia o músico Hossam Ramzy:

"O instrumento de quem dança é o corpo. A dançarina é o membro musical da orquestra."

Para que possamos fazer essa tradução, precisamos conhecer:

- os ritmos árabes;
- os instrumentos utilizados na música oriental;
- os tipos de músicas, para não cometer erros (exemplo: dançar um folclore com música árabe moderna);
- os elementos básicos da música (ritmo, melodia, harmonia, arranjos da orquestra);
- a estrutura da música oriental;
- e também, é óbvio, precisamos saber as técnicas de dança do ventre/folclore que podem ser aplicadas à música. 

O que falei acima envolve estudo, por muitos anos. Mas também existe uma outra questão, a da sensibilidade e da expressividade. Se duas bailarinas pegarem a mesma música, e cada uma fizer uma coreografia, o resultado será diferente. E por que isso acontece? Devido aos seguintes fatores:

- nível de conhecimento (quanto melhor é a técnica da bailarina, mais refinada será esta tradução);
- estilo da bailarina;
- e também uma questão bem subjetiva, que é o sentimento que aquela música desperta na bailarina. 

Para exemplificar o exposto acima, peguei três vídeos, um da Saida Helou, um da Antonella Rodriguez e outro da Aline Aragón. Todas dançam a mesma música, "Ana Fi Intizarak", tocada por Mario Kirlis e orquestra:




Espero que este texto tenha sido útil, desejo uma vida de muita dança para vocês!



DEFININDO O QUE É A DANÇA DO VENTRE CLÁSSICA

Este texto já tinha sido postado há alguns anos. Por sugestão da bailarina Camila Nickel, atualizei o texto e vou postar novamente. Também sugiro que leiam o texto "Composição coreográfica na dança do ventre", da bailarina Mellissa Mel, que foi repostado no meu blog em 06/11/2019. 

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Meninas, este texto saiu de 3 fontes - uma aula com a minha ex-professora, Camilla D`Amato, um workshop com a minha professora Linda Hathor, e mais uma pesquisa em um livro muito bom, da dançarina Nijme (recomendo!). Fala sobre como identificar a dança do ventre clássica, e espero que seja útil para vocês.
"A dança do ventre é a arte de dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto, transmitindo e expressando sentimentos em harmonia com a música oriental." (Livro "Ventre que encanta", Nijme, p. 21).
Existem 3 estilos em dança do ventre: clássico, folclórico e moderno.
"Através da fusão de muitos estilos regionais de grande parte do Oriente Médio, nasce uma forma clássica de dança chamada dança do ventre, que como manifestação artística é tida como a mais elaborada de todas." (Livro "Ventre que encanta", Nijme, p. 54).
Estrutura da música clássica:
1 - Abertura - geralmente não é dançada. Caso a bailarina faça questão de entrar neste momento, pode aproveitar para fazer um jogo de cena.
2 - Chamada da bailarina - ritmo puro, geralmente malfuf, falahi ou fox, seguido pela entrada da bailarina, quando o ritmo se soma à melodia.
Os elementos seguintes podem estar presentes, mas não necessariamente nesta ordem, e não necessariamente todos eles:
3 - Momento baladi.
4 - Momento folclórico, onde podem entrar ritmos como saidi, soudi, ayoubi. Neste momento, a bailarina deve fazer passos referentes àquele folclore que está sendo tocado.
5 - Solo de percussão.
6 - Taksim.
"O taksim é a música árabe em sua essência mais pura, onde instrumentos como o violino, o alaúde, a flauta ou o rabab, fazem um solo improvisado numa manifestação criativa das melodias orientais." (Livro "Ventre que encanta", Nijme, p. 92).
O taksim é o momento introspectivo da dançarina, onde cada instrumento pede um tipo específico de movimento. Algumas sugestões, embora a criatividade da bailarina pode e deve ser usada:
Flauta = movimentos com braços e mãos. 
Alaúde = shimmies grandes, soltos.
Kanum = shimmies pequenos, mais contidos. 
Violino = oitos, redondos. 
Acordeon = oitos, redondos mais rápidos e molinhos.
No taksim, alguns dos ritmos usados são: samaai, whado wo noz ou tschifititili. Como são usados ritmos lentos, é bom lembrar que esta não é a hora ideal para deslocamentos. 
7 - Em seguida, obrigatoriamente, vem o retorno da melodia da abertura.
8 - E a finalização.
Ficou alguma dúvida? Fico à disposição de todas para esclarecimentos. Boa dança para todas nós!