Pesquisar este blog

Seguidores

quarta-feira, 28 de julho de 2021

QUANDO O DISCÍPULO ESTÁ PRONTO, O MESTRE APARECE!

Há alguns dias atrás, me deparei com um antigo ditado hindu:

“Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”.

O que quer dizer isso? Significa que, quando estamos prontos para algum novo aprendizado, aparecerá um mestre para nos ajudar a trilhar esse caminho. Porém, às vezes, não estamos 100% prontos, e acabamos não dando o devido valor que o nosso mestre merece.

Eu, como professora de dança do ventre, de vez em quando fico um pouco entristecida com alguns comportamentos (tanto de alunas minhas, quanto de alunas de outras escolas). Não estou falando de ninguém em particular, mas são algumas situações pelas quais já passei, ou que já vi acontecerem com outras professoras de dança do ventre. Vejamos:

- A aluna que acha que sabe mais que a professora.

- A aluna que falta constantemente às aulas, ou sempre chega muito atrasada.

- A aluna que não estuda em casa, para reforçar os movimentos que aprendeu em sala de aula.

- A aluna que quer dançar no espetáculo, mas falta aos ensaios, o que impacta diretamente na performance do grupo.

- A aluna que não tem gratidão pelas suas antigas professoras, e “apaga” o nome delas do seu currículo.

- A aluna que só quer se apresentar, mas some da sala de aula após o espetáculo.

- A aluna que quer ensinar a sua própria professora, e tenta impor a ela como deve dar aula.

- A aluna que só vem à aula para falar mal da família, dos amigos, do cachorro, do papagaio...

- A aluna que chega atrasada ao espetáculo, deixando a professora com o coração na mão.

- A aluna que vive criticando as outras dançarinas, porque só ela dança bem.

Sabemos que ninguém é perfeito. Eu, como professora, não sou nem nunca fui perfeita. Porém, esses comportamentos, caso sejam frequentes, geram um clima ruim e também impedem o aprendizado. Para que possamos assimilar algo, precisamos estar 100% confiantes no trabalho da nossa professora, e fazer a nossa parte. Se não fizermos a nossa parte, é apenas desperdício de tempo e de dinheiro.  

Caso você tenha alguns desses comportamentos porque está insatisfeita com a sua professora, sugiro que mude de escola. O ensino exige confiança de ambas as partes (a aluna confia na capacidade da professora, e a professora confia na dedicação da aluna).

Mas se, por outro lado, você tem alguns desses comportamentos e nunca prestou atenção nisso, sugiro que você mude. Pode não ser fácil no primeiro momento, mas se você conseguir, é certo que vai crescer muito, tanto na vida pessoal, quanto na dança.

Para finalizar, peço desculpas se alguém se sentiu ofendido com a minha postagem, já que não era essa a minha intenção. Errar todo mundo erra, o que não podemos fazer é persistir no mesmo erro a vida inteira. Um abraço!




 

 

 

 

  

quinta-feira, 22 de julho de 2021

OS CIGANOS E A DANÇA DO VENTRE

Informações básicas sobre o povo cigano

Os ciganos geralmente (mas não necessariamente) são nômades, e por muito tempo não se sabia qual a sua origem. Mais tarde, confirmou-se que eles saíram do Noroeste da Índia, há aproximadamente 1500 anos, para fugir às invasões e à escravidão. A origem indiana foi confirmada pelo estudo linguístico, e posteriormente pela pesquisa genética. Ocorreram, pelo menos, três grandes ondas migratórias, feitas pelos ciganos, em direção à Europa, África, Oriente Médio e América. Foram muito perseguidos e estigmatizados, sendo inclusive exterminados em diversos países e épocas. Os ciganos são minoria em todos os países em que vivem, e subdividem-se em pelo menos quatro grupos étnicos: Rom, Sinti, Caló e Romnichals. Até hoje, sofrem muito com a pobreza e o preconceito, mas não podemos ignorar a sua contribuição, principalmente nas artes. Toda a tradição cultural dos ciganos é transmitida oralmente, de geração a geração.

Na página cujo link segue abaixo, tem um texto muito interessante sobre a cultura cigana em diversos países. Vale a pena ler o artigo todo, pois é uma verdadeira aula sobre os povos ciganos.

https://web.archive.org/web/20101018071911/http://www.vitsaramanush.com.br/cultura_cigana.htm#ixzz106Oqd2JW

Nesse texto, eles citam os Banjaras, os Kalibilias, os Nat e os Bopas (ciganos músicos e dançarinos), cuja função era cantar, dançar, fazer acrobacias e atuar nas cortes reais e para os soldados.

Ainda citando o texto acima, eles explicam que os ciganos tocam diversos instrumentos musicais que também são utilizados nas músicas orientais, tais como o acordeão, o bouzouki (tocado na dança do ventre grega), o saxofone, o violino e o pandeiro. Quanto aos ritmos tocados pelos ciganos, um deles é o baladi, que é de origem egípcia.

Dança  e música cigana
 

A arte de rua, o circo e o cinema no Egito

Quando os franceses invadiram o Egito em 1798, encontraram as ghawazee, dançarinas ciganas que se apresentavam profissionalmente. Essas mulheres são uma das bases da dança do ventre, tal qual a conhecemos hoje. Além das ghawazee, existiam os músicos ciganos, que tocavam para elas. 

Dançarinas e músicos ghawazee

Uma dessas dançarinas antigas, que é citada como sendo de origem cigana, foi Shafiqa El Copta. Eu fiz uma matéria sobre ela, o link segue abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/05/dancarinas-precursoras.html

Quanto ao circo, sua origem é muito antiga, e não se sabe exatamente onde nem quando surgiu. Porém, os ciganos e o circo estão indissoluvelmente conectados, já que muitos artistas ciganos eram artistas circenses. O primeiro circo egípcio foi fundado em 1889, por Mohamed El-Helw, e na década de 1950 a família El-Helw fundou o Circo Nacional, que foi nacionalizado em 1960.

Segundo o professor Anthar Lacerda, existiam várias famílias ciganas no Egito como, por exemplo, as famílias Ibrahim e Akef. O Anthar também falou que algumas das dançarinas que aparecem nos antigos filmes egípcios eram de origem ghawazee, ou seja, cigana.

Uma dessas bailarinas, que se tornou muito famosa, foi Naima Akef. A sua família tinha um circo, porém ele faliu, e Naima passou a dançar no Cassino de Badia Masabni. Mais tarde, Naima Akef participou de diversos filmes egípcios, e é considerada uma das divas da Era de Ouro da dança do ventre.

(Naima Akef)

Outra família cigana extremamente importante é a Mazin. O pai, Yusef Mazin, teve várias filhas artistas, que executavam a dança ghawazee tradicional, e participaram de alguns filmes egípcios. Atualmente, é praticamente apenas a filha Khairiyah que ainda tem uma carreira artística.

No vídeo abaixo, sobre as irmãs Mazin (ou Banat Mazin), pode-se ver como os ciganos surgiram no Egito, e como era a rotina dessas artistas:

https://www.youtube.com/watch?v=A8kOjzcM19w

E este outro vídeo é o mesmo, só que mais completo, mostra não só as irmãs Mazin, como outros artistas ciganos:

https://www.youtube.com/watch?v=jQRanm2iV48


(Banat Mazin)

Em uma antiga revista da Khan el Khalili, encontrei um texto intitulado “O vestígio cigano ligado à dança do ventre”, e na verdade foi este texto que me inspirou a criar a postagem de hoje. Vou citar um trecho da matéria da revista, pois considero que demonstra claramente a importância dos artistas ciganos:

“Apesar das reservas do povo, a dança permaneceu como meio indispensável de animação nas festas particulares. Viajando por todos os lugares e mesclando-se aos costumes locais, as formas de dança se modificam ao sabor da região onde são executados os movimentos. Apesar dessa diversidade, alguns elementos se mantém e aparecem similares em diversas partes do mundo, como se fossem uma só.

Braços sinuosos e o deslizar da cabeça, de um lado a outro, são movimentos comuns na dança indiana, persa, turca e árabe. O elaborado desenho com os dedos, tão característico da dança indiana, também aparece no Marrocos e na Algéria.

Na Andaluzia, Espanha, encontramos o flamenco, que é uma combinação da dança cigana e espanhola com forte aroma oriental. O trabalho dos pés, altamente elaborado, leva-nos à lembrança da dança indiana. Em algumas formas de flamenco, a semelhança com a dança árabe é bastante perceptível.”

Espero que o texto tenha sido útil, e uma feliz dança a todos nós!

  

Fontes utilizadas:

Revista Khan el Khalili ano 1 nº 03

YouTube

https://web.archive.org/web/20101018071911/http://www.vitsaramanush.com.br/cultura_cigana.htm#ixzz106Oqd2JW


sábado, 3 de julho de 2021

MERCADO PERSA/SÃO PAULO

Obs.: recomendo que você leia antes o texto abaixo, sobre a História da Dança do Ventre no Brasil:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/07/a-historia-da-danca-do-ventre-no-brasil.html

Na semana passada, estive na casa da minha querida ex-professora Yasmin Stevanovich, e ela me presenteou com algumas revistas de dança do ventre, além de alguns CDs. Você se lembra das revistas do Tony e do Mercado Persa? Pois bem, uma das revistas que ganhei era a “Oriente Encanto e Magia”, edição nº 12, de março/abril 2009. Neste ano, o Mercado Persa estava completando 15 anos de existência.

Desde já pedindo mil perdões à Shalimar, vou tomar a liberdade de copiar o texto, porque acho que é um registro histórico muito importante, e poucas pessoas ainda têm essa revista. Então, vamos lá! O nome do texto que consta na revista é “Mercado Persa – 15 anos de história”. Vou deixar na formatação original que consta na matéria. 

“Não há como falar da trajetória da dança oriental árabe no país sem mencionar o Mercado Persa cuja importância cultural e econômica é reconhecida em todo o segmento. Mas você conhece a história?

O primeiro festival de alunas

Até o início de 1990 existiam pouquíssimas dançarinas, professoras e alunas de dança do ventre no Brasil.

Em 1991 a Mestra Samira Samia realizou o primeiro festival de dança árabe do país. O sucesso foi tão grande que até hoje o formato deste tipo de evento é realizado por academias e professoras em todos os estados brasileiros.

O 1º Mercado Persa

Nos anos seguintes Samira começou a pensar na realização de uma festa maior que reunisse algumas de suas ex-alunas (já professoras) e outras colegas da área. Um evento para confraternizar, trocar informações, encontrar alguns produtos da área. E assim nasceu a primeira edição do Mercado Persa, em 13 de agosto de 1995, com cerca de 40 apresentações.

O 1º Desfile

Em 1996 Samira idealizou o primeiro desfile de trajes de dança do ventre do mundo.

Quem aceitou o desafio e colocou seus trajes na passarela pela primeira vez foi o Atelier Tony e Robby.

Em 1997 Tony Mouzayek foi a primeira pessoa a lançar um CD no Mercado Persa. Tratava-se do primeiro CD de sua extensa discografia.

O 1º Concurso realizado na América Latina

No mesmo ano, Shalimar idealizou o primeiro concurso de dança do ventre do país que contava com apenas uma categoria e 26 participantes. Com o sucesso do evento o concurso tornou-se parte integrante do Mercado Persa e é até hoje, um dos momentos mais esperados do evento.

Pelo País

A partir de 2000, o Mercado passou a ser realizado em Belo Horizonte, com o empenho da Carlla Sillveira, que durante quatro anos, levou para Minas Gerais toda a estrutura de um festival oriental.

Em seguida foi a vez do Rio de Janeiro, com Shaira Sayaad, que realizou duas grandiosas edições. A partir destes intercâmbios, outros estados começaram a desenvolver seus próprios eventos baseados nos moldes do MP, contribuindo para a propagação da arte pelo país.

Atualmente os eventos realizados com a qualidade e padrão do Mercado Persa recebem um selo de excelência.

Em 2001 o evento de São Paulo atingiu a marca de 1300 participantes.

Em 2002 através de uma iniciativa de Shalimar e com a participação de centenas de praticantes amadoras e profissionais, foi criado durante o MP, o “Código de ética da Dança do Ventre”.

Em 2003 o evento contou com 2800 participantes. No ano seguinte, buscando novas opções de espaço para a realização de atividades simultâneas, o MP mudou-se para o Esporte Clube Sírio.

No ano passado quase 6 mil pessoas estiveram presentes em dois dias de evento que contou com shows, workshops, feira, Mercado Persa e concurso.

O que mais podemos dizer? Estamos realizados com este trabalho. Como é bom ver os frutos coloridos e brilhantes! A cada ano novas sementes são espalhadas e com alegria, assistimos dezenas de outros eventos acontecendo em vários estados, inspirados no nosso MP.

Obrigado a todos pela credibilidade e por seguirem prestigiando este trabalho.

Bem-vindos ao MP 2009!”

Que história incrível, não é mesmo? São pessoas visionárias como a Mestra Samira e a Shalimar que não deixam a nossa arte morrer. Temos uma dívida muito grande com essas artistas tão generosas. A propósito, a Mestra Samira criou o evento, mas há alguns anos que ele é administrado pela Shalimar.

Mestra Samira
Nota: o primeiro MP, de 1995, foi no Clube Kolpinghaus. Se eu não estou enganada, foi em 2014 que o Mercado Persa passou a ser feito no WTC Events Center, devido ao crescimento do evento. Nos resultados do último MP com a presença de público, em 2019, dá para ver como o evento agora engloba diversas categorias: clássica, cigana, moderna/fusão, folclórica, livre, tribal, performático, infantil, pais e filhos, e até concurso de miss.

No Mercado Persa 2019, foram três dias de apresentações, mostras e competições (isso durante o dia inteiro, em três palcos simultâneos), espetáculos à noite, inúmeros expositores, workshops com profissionais do Brasil e do exterior, desfiles de trajes de dança e de miss. Muita coisa bonita para ver e admirar, muitas amizades para fazer e rever. Bom demais!

Infelizmente, com a pandemia da Covid-19, o Mercado Persa de 2020 precisou ser adiado. A edição de 2021 foi em formato online, para evitar aglomerações. No ano que vem, com a vacinação da população e o fim da Covid-19, o Mercado Persa vai voltar em formato presencial. É o que todos nós queremos!

Shalimar

Nota final: o professor Anthar Lacerda me deu uma super dica - todas as edições da Revista Oriente Encanto e Magio estão no link abaixo, é muito fácil para acessar. 

http://mercadopersa.com.br/revistaoriente.html