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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O PAPEL DO ARTISTA NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Aviso: o texto abaixo é polêmico, sei que muita gente não vai gostar, mas não posso terminar o ano com tudo isso engasgado. Caso alguém não fique satisfeito, peço que venha com argumentos válidos.

Esta postagem é uma reflexão sobre o ano que passou, e também como a pandemia teve reflexos na arte, na sociedade e no trabalho dos artistas. Para começar, gostaria de voltar para o ano de 2018, quando tive o desprazer de ver algumas pessoas conhecidas postarem frases infelizes como esta:

“Já precisei de médico, já precisei de engenheiro, mas nunca precisei de um artista.”

Traduzindo: o artista é um inútil e seu trabalho é irrelevante. Gente, como isso me irritava! Para quem acha que a arte é desnecessária, segue abaixo a frase do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900):

E o grande escritor francês Émile Zola (1840-1902) escreveu essa frase magistral:

“Se você me perguntar o que eu vim fazer neste mundo, eu, um artista, te responderei: estou aqui para viver em voz alta.”

Quero colocar em letras maiúsculas esta frase incrível: ESTOU AQUI PARA VIVER EM VOZ ALTA.

E o que aconteceu em 2018 e 2019? Os artistas, os professores, os profissionais de imprensa, os cientistas, foram atacados sem dó nem piedade. Os artistas, porque eram inúteis; os professores, porque estavam fazendo lavagem cerebral nos alunos; os profissionais de imprensa, porque criavam fake news; os cientistas, porque todo o conhecimento científico era suspeito, só tinham valor as ideias religiosas. Muitos brasileiros caíram nessa armadilha, e denegriram essas classes profissionais, replicando uma atitude lamentável.

Porém (mas, porém...), tudo tem retorno. Em 2020, o mundo conheceu os horrores da pandemia da Covid-19. As pessoas tiveram que ficar isoladas em casa. E quem veio em socorro? Vamos às palavras do humorista brasileiro Paulo Vieira:

E o escritor norte-americano Stephen King escreveu o seguinte:

“Se você acha que os artistas são inúteis, tente passar sua quarentena sem música, livros, poemas, filmes e pinturas.”

Quantas lives foram feitas na quarentena! Quantos artistas doaram seu tempo, alguns inclusive fizeram campanhas de doações que arrecadaram milhões para ajudar o próximo. O maior exemplo é a live da cantora norte-americana Lady Gaga, que arrecadou quase 128 milhões de dólares!

E quantos livros foram lidos? Quantos filmes foram assistidos? Quantas séries televisivas vimos? Quantas pessoas começaram a pintar, a desenhar, a escrever? Quantos artistas inovaram, e criaram espetáculos online belíssimos?

A minha pergunta é: QUEM VAI TER CORAGEM DE FALAR AGORA, NA MINHA CARA, QUE NUNCA PRECISOU DE UM ARTISTA???

Para finalizar, desejo a todos um Feliz 2021, que a vacina chegue logo para todos os brasileiros, e que a vida volte ao normal. Com muito respeito aos artistas, que são a alma de um povo.   

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

SAINDO DA ZONA DE CONFORTO

Você já deve ter ouvido a expressão “sair da zona de conforto”, não é mesmo? E o que vem a ser isso? Segundo o site www.significados.com.br:

 

“Zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não a causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. É uma região onde nenhum indivíduo se sente ameaçado.

Na zona de conforto, as pessoas realizam sempre um determinado tipo de comportamento que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança. Essa segurança é uma falsa segurança, uma vez que, quando ocorre uma grande mudança, quem está muito confortável leva um choque maior, e estará menos preparado para sobreviver do que os outros.

Os indivíduos em geral, necessitam saber operar fora de sua zona de conforto para realizar avanços, melhorar seu desempenho seja ele no trabalho, na vida pessoal etc. A zona de conforto é um tema sempre muito debatido na psicologia.”

Fonte: https://www.significados.com.br/zona-de-conforto/

 

Como é difícil sair da zona de conforto! E por que isso? É muito mais seguro, para o ser humano, evitar o desconhecido. O que não conhecemos pode ser perigoso, não é mesmo? Os nossos ancestrais sabiam que determinados frutos podiam ser consumidos, e que se comessem algum alimento novo, cujas propriedades não eram conhecidas, corriam até o risco de morrer. Ficar na zona de conforto é um instinto de segurança para o homem. Também é uma questão de controle. O que eu controlo, posso prever e até conduzir o resultado. O que eu não controlo, pode ter um resultado prejudicial.

Ao mesmo tempo, se não nos arriscamos com o novo, ficamos estagnados. Imagine a seguinte situação: se os seres humanos não fossem pessoas curiosas, dispostas a tentar coisas novas, não estaríamos no estágio evolutivo atual. Ainda viveríamos em cavernas, andaríamos a pé, usaríamos roupas feitas de peles de animais. A mudança constante é necessária para a própria preservação da espécie humana. Você lembra do famoso ditado "pedra que rola não cria limo"? Quer dizer que precisamos nos movimentar, para evitar a estagnação.

E o que isso tem a ver com a dança do ventre? Claro que tudo! Se nós queremos crescer na dança, precisamos sair da zona de conforto.  Cada aluna de dança do ventre, cada bailarina, cada professora, tem a sua própria zona de conforto. Eu sei que é difícil fugir dessa zona, por experiência própria. Vou citar três dificuldades minhas, que estou tentando vencer:

IMPROVISO - eu sempre tive muita dificuldade para improvisar. Por muitos anos, evitei ao máximo todo e qualquer improviso na dança e só dançava com coreografia. Só que a minha professora, Linda Hathor, há alguns anos começou a exigir que eu improvisasse. Eu faço aula personal com ela, e no final de cada aula, ela me pedia um improviso. Gente, eu suava de nervoso, travava quando não sabia o que eu “devia” fazer, chegava a bufar! Em 2018, decidi improvisar quase todos os dias, e comecei a gravar os improvisos. O que era tão difícil para mim, quase impossível, aos poucos começou a ficar mais fácil. E adivinha o que aconteceu? Estou ficando viciada no improviso – hehehehe. Está saindo coisa boa? Para mim, ainda não está bom, mas tenho certeza de que o processo está indo maravilhosamente bem.

SHIMMY – quem foi que inventou o shimmy, gente? Eita, movimento complicado! Para algumas pessoas, parece ser tão simples... Para mim, é um desafio constante, e eu sempre fugia do estudo sistemático dessa técnica. No dia 29 de outubro deste ano, decidi fazer o desafio dos 108 dias de shimmy, proposto pela Ju Marconato. E quando eu terminar os 108 dias, faço outros 108, se necessário. O shimmy vai ter que sair, nem que seja na marra!

MESMICE – na hora do improviso, parece que sempre saem os mesmos movimentos! E quando vou coreografar, parece que sempre penso da mesma forma costumeira. É a famosa “mesmice”. Confesso que essa dificuldade ainda está para ser enfrentada por mim. Não sei se isso acontece com toda bailarina ou professora de dança, apenas sei que cada uma tem seu estilo, e geralmente damos preferência a alguns movimentos e técnicas, criando uma linguagem própria.

Sobre a questão da zona de conforto, achei esta frase muito bonita:

Como funciona a zona de conforto, e como é o enfrentamento dela? É só olhar para a imagem abaixo, para ver que são quatro zonas (de conforto, do medo, de aprendizado e de crescimento):



Note que a única forma de realizarmos nossos sonhos é atravessando as zonas de conforto, do medo, de aprendizado, até chegar à zona do crescimento. É sofrido? Dá medo? O desânimo bate à porta? Claro que tudo isso é verdade. Mas também é verdade que os benefícios virão para quem topar esse desafio. E você, sabe qual é a sua zona de conforto? Está disposta a vencer essa barreira? Tenho uma sugestão para você: faça uma lista das suas dificuldades e do que quer conquistar, mesmo que isso signifique sair da zona de conforto. Força na peruca, foco e fé!

 

 

 

 

 

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sábado, 19 de dezembro de 2020

COMO ESTÁ O SEU PLANEJAMENTO PARA 2021?

Antes de começar a nossa postagem, peço que leia os textos abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/05/a-quarentena-e-os-estudos.html

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/04/voce-tem-uma-rotina-de-estudos.html

Você já fez o seu planejamento para o próximo ano, no que diz respeito à sua dança? Já estabeleceu metas para o seu progresso como bailarina e/ou estudante de dança? Sabemos que o ano de 2021 também será um ano de grandes desafios, pois o Corona vírus ainda está por aí, e não sabemos quando todos estarão imunizados. Porém, nada impede que você estabeleça suas metas a serem conquistadas, e a melhor forma de começar é fazendo uma lista.

No ano passado, eu já tinha feito um questionário (observação: esse questionário está à disposição, caso queiram utilizá-lo) para as minhas alunas, e neste ano de 2020 fiz as mesmas perguntas para as alunas novas. Eram apenas dois itens, e no final tinha uma recomendação:


“1 – Neste ano de 2020, quais as suas conquistas como aluna? O que você aprendeu? Quais conhecimentos novos você adquiriu? Participou de algum workshop?

2 – Para o ano de 2021, quais são seus objetivos/metas como aluna e/ou bailarina? O que você quer conquistar, aprender, realizar? Quais os aspectos técnicos que você quer melhorar/desenvolver? De quais cursos/eventos você pretende participar?

Mostre esta folha para a sua professora. Em seguida, deixe em lugar visível, e acompanhe seu progresso durante o ano de 2021.”


É claro que no ano de 2020 não tivemos evento, nem festivais, e eu organizei apenas um workshop. Como a escola precisou fechar por quatro meses, devido à pandemia, muitas eram alunas iniciantes, e a grande conquista, para a maioria delas, foi começar a aprender dança do ventre.

Vamos falar então, sobre as respostas da pergunta nº 2, no que se refere aos aspectos técnicos que elas querem melhorar/desenvolver. É lógico que cada aluna respondeu a essa pergunta de acordo com as suas dificuldades, mas muitas delas disseram as mesmas coisas:

- Melhorar os movimentos de braços: citado 7 vezes.

- Ter um melhor isolamento corporal / aprimorar as técnicas de shimmy: citados 6 vezes cada.

- Aperfeiçoar as ondulações abdominais: citado 4 vezes.

- Melhorar os movimentos de tronco / aperfeiçoar os giros / conseguir fazer as batidas secas: citados 3 vezes cada.

- Lapidar as técnicas do soldadinho, básico egípcio e dos movimentos com a cabeça / conseguir acompanhar os passos que a professora está fazendo / distinguir os ritmos / melhorar a postura: citados 2 vezes cada.

- Aperfeiçoar os movimentos lentos, bem como os movimentos com os ombros / trabalhar melhor a expressão facial / aprender a coordenar braços e pernas / ter mais leveza nos movimentos / corrigir os pés para dentro / aprimorar as trocas de peso: citados 1 vez cada.

Você se lembra das postagens que eu fiz sobre os movimentos desafiadores na dança do ventre? Pois bem, eles estão aí, entre os mais citados: braços, isolamento, ondulações e giros. E eu não direcionei as alunas, as respostas são delas mesmas.

Se você puder, faça o seu plano de metas para o ano que vem, é uma ferramenta muito válida e preciosa. Busque a sua bailarina! Descubra os seus pontos a desenvolver. Estabeleça desafios para o seu crescimento na dança, saia da zona de conforto. Quando tiver conseguido o que quer, passe para o próximo. Se você tiver foco e persistência, tenho certeza de que o resultado virá. Força na peruca e vamos que vamos!