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domingo, 30 de maio de 2021

DANÇA DO VENTRE E TIMIDEZ

Significado de timidez, segundo o dicionário:

1.   Estado, condição ou característica de tímido; acanhamento excessivo.

2.   Qualidade de quem é fraco, frouxo.

A matéria de hoje é sobre a timidez, e é claro que quero me referir ao item 1 do dicionário. A pessoa tímida, em geral, já nasce com a predisposição para a timidez, mas o papel dos pais pode atenuar (ou, nos casos contrários, intensificar) essa tendência. A timidez existe em vários graus de intensidade, desde um leve acanhamento, até os casos extremos, de fobia social.

Segundo o blog Vittude, as causas da timidez são:

- O medo de não ser aceito.

- A necessidade de receber atenção.

- A insegurança extrema.

- A ausência de algumas habilidades sociais.

- A necessidade de fazer tudo sempre de forma perfeita.

A timidez está diretamente ligada à baixa autoestima, e a dança do ventre é uma poderosa aliada para a pessoa tímida poder crescer e mostrar todas as suas possibilidades. Todas as pessoas têm um tesouro escondido dentro de si, e a arte é a chave para destrancar esse tesouro.

Em uma aula de dança, a aluna tímida:

- Tem a possibilidade de fazer novas amizades.

- Adquire o autoconhecimento necessário para lidar com sua timidez.

- Aumenta a sua autoestima. No meu entender, esta é a característica mais marcante da dança do ventre, e que a difere das demais atividades físicas.

- Tem a liberação dos hormônios do bem-estar, como a endorfina e a serotonina. Esses hormônios ajudam a diminuir os quadros de stress e de ansiedade.

Segundo a página do Instituto Brasileiro de Coaching, existem algumas possibilidades para lidar com a timidez, vou citar alguns deles:

- Aceite-se como você é!

- Enfrente seus medos.

- Aproxime-se, aos poucos, das pessoas.

- Evite se comparar.

- Acredite em si mesmo.

- Trabalhe o seu autoconhecimento.

- Cuidado com a opinião alheia.

- Não deixe que a timidez comande a sua vida.

Todas as dicas citadas acima podem ser utilizadas na sala de aula ou no palco. Qual bailarina nunca teve medo de se apresentar em um palco, e mesmo assim enfrentou esse temor? Qual dançarina nunca teve dúvidas a respeito da qualidade da sua dança, e precisou acreditar em si mesma, a despeito do que as outras pessoas diziam? Pode não parecer, mas mesmo as pessoas famosas podem ser tímidas, mas elas aprenderam a lidar com o acanhamento.

Achei um depoimento pessoal maravilhoso da bailarina Marcele Hannaan, no qual ela conta como venceu a timidez e fez a sua primeira apresentação de dança do ventre. O link segue abaixo, recomendo a leitura:

http://marcelehannaan.com.br/vergonha-de-dancar-timidez-virou-coragem/

Na minha trajetória pessoal, tenho uma história de superação para contar. Eu me formei na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Como aluna do curso de Gravura, eu carregava uma grande pasta de plástico, com os papéis de desenho. Eu sou muito baixinha (tenho 1,54m), e a pasta era tão grande que quase arrastava no chão. Eu me formei e muitos anos mais tarde, comecei a fazer dança do ventre, e finalmente me tornei professora de dança.

Um dia, encontrei uma conhecida, e ela contou que me via passar com aquela pasta enorme, olhando para o chão, toda tímida. Quando ela me viu dançando, sorrindo no palco, me disse o quanto ficou surpresa com a transformação pela qual eu passara. É claro que fiquei comovida com esse feedback tão bacana!

E você, também é uma pessoa tímida? Espero que esta matéria tenha servido para que você aprenda a lidar melhor com a sua timidez. Para terminar, gostaria de sugerir o vídeo abaixo, da maravilhosa Nilza Leão. Ela fala como lidar com a timidez nas apresentações de dança do ventre:

https://www.youtube.com/watch?v=KK8Qu3PPPgE

Com os desejos de uma feliz - e extrovertida - dança para todos nós!

Fontes utilizadas:

https://www.vittude.com/blog/timidez/

https://www.ibccoaching.com.br/portal/comportamento/como-superar-timidez-trabalho-dia-dia/

http://marcelehannaan.com.br/vergonha-de-dancar-timidez-virou-coragem/

https://www.youtube.com/watch?v=KK8Qu3PPPgE

 

  

terça-feira, 25 de maio de 2021

DANÇA DO VENTRE E GRAVIDEZ

O tema de hoje foi sugerido pela minha aluna Bruna Eloisy que está grávida. Parabéns, Bruna!

Será que a mulher pode praticar dança do ventre se estiver grávida? Na grande maioria dos casos pode sim, mas o correto é sempre perguntar ao médico. Se o médico liberar a gestante para a prática de dança, então está tudo bem. A não ser em casos de gravidez de risco, daquelas em que a mulher precisa evitar movimentos em excesso, fazer alguma atividade física é extremamente benéfico para as gestantes.

Como a dança do ventre não é uma atividade com impacto, geralmente as suas praticantes podem continuar normalmente com as aulas, bem como as professoras gestantes podem continuar a dar aulas. Eu até já tive uma professora que estava grávida, e ela continuou a dar aulas até pouco antes de dar à luz.  

Existe um texto interessantíssimo, da bailarina e pesquisadora Morocco, que explica que a dança do ventre originou-se de um ritual de preparação para o parto. Vale a pena ler, o link segue abaixo:

https://www.angelfire.com/co2/dventre/parto.html

A bailarina Níjme, que teve dois filhos, escreveu em seu livro “Ventre que encanta”:

“A dança, quando praticada com a orientação de uma profissional, traz autoestima, faz com que a mulher se sinta bela e maravilhosa, mesmo com aquela barriga e jeito de grávida. Por exercitar quase toda a musculatura, tendões e ligamentos, principalmente a do quadril e regiões perineal e vaginal, as mulheres que praticam a dança durante a gestação podem ter um parto mais feliz, tanto para ela como para o filho. “

E a dançarina Patrícia Bencardini, em seu livro “Dança do ventre – ciência e arte”, diz que as gestantes que fazem atividade física “costumam ter um parto mais tranquilo e retornam mais rapidamente à antiga forma.”

Ainda segundo Patrícia Bencardini, quem está grávida e nunca fez dança do ventre, não deve começar a estudar nesse período. Já as mulheres que praticam dança do ventre e engravidam, podem continuar a dançar se tiverem liberação médica, sempre adaptando as técnicas às mudanças que ocorrem em seu corpo. Ela sugere evitar e/ou tomar cuidado com as contrações no baixo ventre e os shimies de contração.

O ideal é que a aluna gestante e a professora conversem sobre as atividades que são feitas em sala de aula, e caso algum exercício cause desconforto à aluna, é bom que ela avise a professora imediatamente. O mais importante é que a saúde, tanto da futura mamãe quanto do bebê, seja preservada.

 


Fontes utilizadas:

Martins, Luciana Ferraz do Amaral. Ventre que encanta – São Paulo: Edição do Autor, 2005.

Bencardini, Patrícia. Dança do ventre: ciência e arte. São Paulo: Baraúna, 2009.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

ESTILO PRÓPRIO E LEITURA MUSICAL

Nota: antes de ler a postagem de hoje, favor acessar o texto abaixo, que ajudará em muito na compreensão do que iremos falar mais à frente.

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/08/os-instrumentos-orientais-e-como.html

Já leu o texto acima? Então, vamos lá!

Quando falamos em estilo na dança, podemos ter três significados diferentes:

1 ) A modalidade da dança (balé clássico ou contemporâneo, dança de salão, jazz, dança do ventre, samba, danças folclóricas, etc.).

2 ) Dentro de uma das modalidades acima listadas, podem ainda existir alguns subgrupos, com ligeiras variações de um para o outro. Na dança do ventre, por exemplo, as bailarinas turcas dançam de forma diferente das bailarinas egípcias. Já fiz uma postagem sobre isso, em 10 de junho de 2020.

3 ) E, finalmente, o estilo próprio de cada bailarina.

O estilo próprio só virá após anos de estudos. Algumas dançarinas serão mais suaves, outras mais marcantes. Algumas dançarão com muita energia e força, outras serão etéreas como as fadas. Umas serão mais sensuais, outras mais alegres. Tendo visto tanta diferença entre as bailarinas, você pode questionar: qual delas está certa? Todas elas, pois estão expressando a sua verdade interior. Elas estão mostrando ao público, através da sua dança, uma soma de fatores (resultado dos anos de estudos, das escolhas que fizeram no caminho da dança, dos gostos pessoais e da própria personalidade).

Às vezes, acontece de uma dançarina ter um estilo que chame tanto a atenção, que outras artistas queiram copiá-la. Quando a bailarina argentina Saida despontou para o sucesso, inúmeras dançarinas tentaram copiá-la. Hoje em dia, as dançarinas russas e ucranianas estão em evidência, e muitas bailarinas são cópia fiel delas.

Também pode ocorrer de uma professora influenciar toda uma geração de alunas, que irão inconscientemente adquirir o estilo da professora. No meu entender, a influência da professora é de extrema importância. Se a didática ou o estilo de dança de sua professora não for de seu agrado, sugiro que procure outra, se for possível. Não adianta ter aulas com quem você não se identifica. Mas isso é apenas minha opinião.

Voltando ao nosso tema, o que o estilo próprio tem a ver com o texto “Os instrumentos orientais e como interpretá-los na dança”, e por consequência com a leitura musical? Muita coisa, senão vejamos: embora existam algumas dicas de como fazer a leitura musical dos instrumentos, cada bailarina terá a liberdade de fazer as suas escolhas, de acordo com a sua técnica e sensibilidade artística.

Está tocando um trecho de solo de alaúde. Você pensa em shimmy, certo? Mas pense quantos tipos de shimmy podem ser usados. A bailarina A pode fazer um shimmy vertical, enquanto a bailarina B faz ondulação com shimmy. Uma pode fazer shimmy no lugar, e a outra pode fazer shimmy deslocando. E por aí vai...

E quando a dançarina tem um estilo tão único, que só ela mesma para dançar daquela forma? Uma das artistas mais diferenciadas, na minha opinião, é a Esmeralda Colabone. Quem não conhece a famosa música “Jomana”? Quem já não viu diversas leituras musicais desta música? Vamos ver a interpretação completamente diferente que a Esmeralda realiza em “Jomana”? O link está abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=lTinELYPeXI

Por que eu acho tão diferente o estilo da Esmeralda? Porque ela é minimalista, ao invés de ler todos os instrumentos ela escolhe qual detalhe quer ressaltar. Fica muito bonito e interessante. Sou fã dela, mesmo. Isso não quer dizer que as outras versões que já assisti de “Jomana” não tenham sido ótimas. Foram diferentes, apenas. E o bacana da arte é isso: cada artista tem a liberdade para fazer o que achar melhor. 

Se você quiser fazer uma experiência, escolha um trecho curto de uma música, e como tarefa de casa peça que cada aluna coreografe esse trecho. É lógico que essa tarefa só pode ser solicitada a quem já tenha um mínimo de noção de como coreografar. Na aula seguinte, as alunas apresentam as coreografias que criaram. Você verá que cada pessoa fará escolhas diferentes das outras. É bem interessante!

E daí, você entendeu o que é estilo próprio, e também o que é leitura musical? Se tiver alguma dúvida, estou à disposição. Um abraço, dance muito e seja feliz!



  

domingo, 9 de maio de 2021

UM MOMENTO SÓ SEU

Vocês já pararam para pensar no quanto as mulheres de hoje em dia estão sobrecarregadas? Boa parte das mulheres brasileiras trabalha fora, cuida da casa, dedica-se ao marido e aos filhos. Outras fazem tudo sozinhas, sem ajuda de marido ou de família. Algumas ainda conseguem estudar, trabalhar e cuidar da casa! Eu fico impressionada, de verdade.

A mulher, na maioria das vezes, pensa em todo mundo: nos filhos, no marido, no trabalho, no cuidado da casa, nos seus próprios pais e parentes. Isso é muito louvável, mas existe um pequeno problema: ela se esquece de cuidar de si mesma. Na sua escala de prioridades ela, muitas vezes, é a última das necessidades a serem atendidas.

Quantas mulheres não têm tempo para cuidar de sua saúde física e mental? Que, mesmo trabalhando, não têm dinheiro para gastar com elas mesmas, porque usam tudo na casa e com os filhos? Que se sentem culpadas de separar algumas horas para ir à academia, ao salão, ao parque, ou mesmo à casa das amigas e dos parentes? É importante que as mulheres aprendam a dizer não para essa necessidade de agradar a todos, em detrimento de si mesmas. E não, isso não é ser egoísta. É cuidar de si.

Na minha condição de professora de dança do ventre, já me deparei com inúmeras situações. Uma que acontece bastante é a mulher perguntar o preço, e soltar a frase “vou falar com o meu marido, e depois te dou um retorno”. Ou perguntar qual  dia da semana é a aula, e que vai conversar com o marido, para ver se ele pode ficar com os filhos! Ou o caso da mulher que fala para o marido que quer fazer aulas de dança do ventre, e o “presente de Deus” responde: “apenas se você dançar só para mim”.

Ao mesmo tempo, também na posição de professora, tive a possibilidade de ver o quanto a dança do ventre pode ser um elemento de cura física e mental na vida de muitas mulheres. E como isso acontece? Porque quando dançamos, o nosso corpo ganha flexibilidade, os músculos se fortalecem, fazemos novas amizades, o stress diminui, damos risadas, desenvolvemos a nossa autoestima e feminilidade. Na hora da aula de dança, o tempo fica suspenso. Não existe preocupação com o trabalho, com a casa, os filhos, o marido. É um momento só seu. Quando a aula acaba, a mulher sai renovada, pronta para enfrentar todas as suas responsabilidades.

Portanto, mulher, escute a “Tia” Aziza:

- Não tenha medo de dizer não, quando for preciso;

- Pense mais nas suas necessidades;

- Se você tem um sonho, faça o possível para realizá-lo;

- Você tem direito a um dia da semana (ou, pelo menos, algumas horas) só para você;

- Cuide de sua saúde física e mental, faça alguma atividade física que seja do seu agrado;

- Quando você está bem, as pessoas ao seu redor também são beneficiadas.

Para terminar, gostaria de citar uma frase de Carl Jung:

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda.” 




quinta-feira, 6 de maio de 2021

MOSTRAS E CONCURSOS

Você já participou de alguma mostra ou concurso de dança? Sabe a diferença entre uma coisa e outra?

Mostra = é a apresentação de dança, sem o objetivo de concorrer.

Concurso = é a apresentação, com o intuito de concorrer a algum tipo de  classificação e/ou prêmio.

Algumas pessoas são contra as competições nos festivais, porque são contra as disputas, elas acham que estarão concorrendo contra outras bailarinas. Na verdade, quando uma bailarina entra para uma competição de dança, eu penso que ela está concorrendo consigo mesma. Ela faz isso porque quer melhorar a sua dança, já que para competir ela terá que estudar e ensaiar mais. Já no caso dos grupos, existe o crescimento tanto para as alunas quanto para a professora que criou a coreografia. Além disso, nas competições existe um júri que vai analisar a dança e sugerir pontos a melhorar para as próximas apresentações.

Mas e a mostra, não é válida? E se você ou sua escola não querem concorrer, apenas mostrar uma coreografia? Claro que é válido! Só o fato de você se dispor a estar em um palco, já é um grande desafio. Mas neste caso, não haverá o feedback dos jurados. No meu caso de bailarina e professora de dança, já participei de várias competições, e sempre utilizei o feedback do júri para poder melhorar não só a minha dança, como o meu trabalho de coreógrafa.

Se você ou seu grupo competir em algum festival, é sempre válido analisar o feedback dos jurados, e ver quais os pontos a desenvolver. Eu sempre conversava com as alunas – quando a competição tinha sido com o grupo – e mostrava o feedback para elas, explicando o que era da minha responsabilidade e o que competia a elas.

A propósito, gostaria de fazer uma sugestão aos profissionais que participam de júri em festival: quanto mais detalhado for o feedback, melhor para os competidores. Avaliação apenas com nota não ajuda muito, sabe? Quando a/o jurada/o coloca diversas sugestões para melhoria, acho que a avaliação fica muito mais completa, e ajuda a/o bailarina/o no seu crescimento. Não sejam econômicos nas palavras, por favor.

No Brasil e no exterior existem diversos festivais de dança do ventre, alguns existem há décadas, como o Mercado Persa na cidade de São Paulo. Se você ainda não participou de nenhum festival, participe - nem que seja apenas para assistir. Quando estiver preparada, se apresente em alguma mostra ou competição, seja individualmente ou em grupo. Tenho certeza de que a sua dança irá crescer. E uma feliz dança para todos nós!