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sábado, 30 de novembro de 2019

MEDO DE SE APRESENTAR


Quem nunca teve medo de se apresentar no palco? Até as profissionais sentem aquele friozinho na barriga, quando pisam no palco. Por que com as alunas seria diferente?
A propósito, você já se apresentou? Ou ainda não quis fazer isso, por medo do público? Às vezes, pode acontecer que a aluna esteja num nível muito iniciante, e precisa aprender mais um pouco, antes de se apresentar. Mas, se a aluna está indo bem nas aulas, é bom que ela se participe dos espetáculos. Por que eu digo isso? Porque, na vida, precisamos de desafios. Se apenas fazemos aulas, e não nos desafiamos, com o passar do tempo a mesmice se instala.  
O medo é inerente ao ser humano, é uma estratégia de defesa. Se não temos medo nenhum, acabamos nos arriscando em excesso. Só que o medo também pode paralisar, e a pessoa acaba não fazendo nada. No seu livro “Direção e preparação artística”, páginas 157 e 158, Jorge Sabongi e Débora Sabongi escrevem:

“Sempre que houver uma situação que envolva algum tipo de confiança ou responsabilidade, sentiremos o ‘frio na barriga’. Nervosismo faz parte. A questão é como você reage, encara e resolve os seus ‘desafios’.
...
Sua autoconfiança está intimamente ligada a sua determinação em realizar.
...
Diversos conflitos atingem quem não possui autoconfiança. Só existe uma forma de superar: encarando os medos, vencendo-os aos poucos. Se virarmos as costas ou fingirmos que eles não estão ali, permitiremos que se tornem uma fobia. A primeira vez será difícil, a segunda um pouco menos, na terceira quase não sentiremos, até que chegará um momento em que o medo, em vez de ser um instrumento paralisante, será nosso aliado, avisando-nos sobre algo que pode nos causar problemas.
Procedendo dessa forma, as coisas não parecerão tão difíceis. Vença seus desafios. Ao encarar sua entrada em cena, respire e nem conte até três: aja.”

Além do medo, também receamos o julgamento das demais pessoas. Tememos a reação do público, as críticas dos parentes e amigos. Receamos as cobranças por parte da professora. Achamos que não seremos, jamais, capazes de enfrentar um palco. E quando a apresentação termina, vemos que todos esses medos foram em vão. É muito bom saber que nos dedicamos, aprendemos algo novo, realizamos uma coisa que muitas pessoas jamais teriam coragem.
Quando comecei a fazer dança do ventre, uma das minhas ex-colegas dizia que ela não se apresentava, pois dançava apenas para si. É óbvio que ela largou a dança logo em seguida...
Por outro lado, recentemente, fiz um questionário para minhas alunas, para que elas definissem suas metas para o próximo ano. Uma das alunas escreveu algo que me deixou muito contente:
“Quero participar dos eventos que for possível, porque ajudam no crescimento.”
Concordo com ela, pois quando saímos da nossa zona de conforto, com certeza aprendemos muito. Na minha experiência, quando alguém se recusa a dançar, o progresso é mínimo. Já quando vamos nos apresentar, precisamos estudar, ensaiar, passar e repassar as sequências coreográficas. Também estimulamos a criatividade, expressividade, musicalidade, diminuímos a timidez. Além disso, temos a oportunidade de expressar nossas emoções. É muito gratificante saber que somos capazes de fazer algo!
Citando novamente Jorge Sabongi e Débora Sabongi, na página 320 de seu livro, eles falam sobre os bloqueios limitadores, e explicam as bailarinas podem superar ou minimizar os bloqueios.

“Para as bailarinas, há os seguintes passos:
1 - determinar o que irá dançar e modo como irá fazê-lo;
2 - procurar melhorar cada vez mais os movimentos, estudando com afinco e não se contentando com o básico;
3 - querer fazer sempre bem feito e com qualidade;
4 - treinar com o diretor-sombra ou se filme para fazer correções;
5 - encontrar o ponto de equilíbrio do ‘tripé’;
6 - confiar que poderá fazer melhor depois de 24 horas.
Em sala de aula ou numa apresentação em que sua professora esteja presente, peça que ela seja sua diretora-sombra.
Tudo na vida é questão de (1) vontade, (2) treino, (3) determinação, (4) ação e (5) confiança. Veja que tudo se inicia pela vontade."

Resumindo: se você quer realmente aprender dança do ventre, estude na sala de aula e em casa, e participe das apresentações. Se arrisque! Saia da zona de conforto. Se alguém disser a você que não dançou bem, que não deveria ter se apresentado, olhe bem nos olhos dela/dele e diga: “Tô nem aí”. Dance e seja feliz!








segunda-feira, 25 de novembro de 2019

EMPECILHOS EXTERNOS

As origens da dança do ventre são nebulosas. Muito provavelmente, surgiu de um culto à fertilidade e como uma forma de preparar a mulher para o parto. De qualquer forma, surgiu como uma dança feminina. Sofreu e sofre, até hoje, de muito preconceito e empecilhos externos. Exemplos:

“Nos países árabes onde a religião ortodoxa, também chamada de Islã, prevalece sobre o Estado, as apresentações de bailarinas em público são proibidas. As mulheres são obrigadas a se vestirem de pesados mantos por cima de suas roupas, deixando apenas os olhos à mostra quando saem à rua. No Afeganistão, por exemplo, até os olhos ficam escondidos sob pesadas vestimentas, denominadas ‘burqas’. Quem ousar desrespeitar a lei, e sair à rua com o rosto à mostra, pode ser duramente penalizado, com açoites em público ou apedrejamento.
Bailarinas não são bem vistas e nem bem vindas nestes lugares. O governo religioso extremista acredita que tudo o que desvie os olhos e o pensamento do homem para Alah (Deus), deve ser eliminado.”
(Patrícia Bencardini, “Dança do Ventre – Ciência e Arte”, página 50. Editora Baraúna, São Paulo/SP, 2009).

Segundo Wendy Bonaventura, em seu livro “Serpent of Nile”, na época da expedição napoleônica pelo Egito, existiam dois tipos de dançarina: as awalim (“mulheres versadas em artes”) e as ghawazee (de origem cigana). Tanto as awalim quanto as ghawazee viviam de suas apresentações, cantando e dançando, mas as awalim tinham prestígio, ao contrário das ghawazee, que eram artistas de rua. Eu não tenho o livro da Wendy Bonaventura, mas na página 32 do seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume I, Brysa Mahaila fala sobre um trecho do livro da Wendy:
“Em determinado momento, os generais de Napoleão, temendo que a distração ocasionada pelas mulheres atrapalhasse o descanso dos soldados, decretaram que as dançarinas seriam severamente punidas se não se afastassem das barracas do exército. Em represália ao desacato, muitas foram decapitadas e tiveram seus corpos jogados ao Nilo.”
No mesmo livro, páginas 32 a 33, Brysa Mahaila diz:
“As dançarinas foram punidas também quando Mohammed Ali, em 1799, tomou o poder com o firme propósito de modernizar o Egito. Ele contava com a ajuda dos aliados europeus e, em função disso, sofreu pressões religiosas que o levaram a proibir a dança em vias públicas, banindo as dançarinas do Cairo. No entanto, as awalim, como sinal do prestígio de que gozavam, puderam ali permanecer. Com o banimento das dançarinas de rua, surgiram homens disfarçados de bailarinas, chamados de khawals. Muitos deles vinham da Turquia e faziam muito sucesso, até mais do que as ghawazee, com shows exóticos e cheios de malícia. Em 1866, as ghawazee foram autorizadas a voltar ao Cairo.”

Além das histórias citadas acima, sabemos de diversas bailarinas que foram proibidas e/ou estigmatizadas por fazerem dança do ventre como, por exemplo, Badia Masabni. Ainda hoje – estamos em 2019 -, a grande maioria das profissionais que dançam nos países árabes são de origem estrangeira. E nos países ocidentais? A situação pode não ser tão extrema quanto nos países de religião islâmica, mas mesmo assim as bailarinas enfrentam muitos preconceitos, senão vejamos:

- Falou “dança do ventre”? A grande maioria das pessoas associa com “dança de sedução”. Tenho escola há doze anos, e durante todo esse tempo, tentei explicar às pessoas que dança do ventre não é dança de sedução, é uma arte. De vez em quando, dá um desânimo, mas eu persisto.
- A bailarina é contratada para dançar em evento? Sempre tem uma mulher beliscando ou tapando os olhos do marido. Gente, ninguém está aí para seduzir marido de ninguém, não. A intenção da bailarina é dançar e trazer alegria à festa.
- Algumas pessoas muito religiosas acham que a dança do ventre é pecaminosa. Eu rejeito essa ideia preconceituosa, pois toda dança é uma celebração da vida. E a dança do ventre é uma celebração da vida, do nascimento, do parto. Isso pode ser pecado?
- E quando a família ou o marido (ou namorado) são empecilhos? Familiares que não apoiam? Maridos/namorados ciumentos ou que não compreendem que aulas e ensaios são necessários? Que não dão apoio na hora da apresentação, quando a aluna está mais nervosa?

Embora existam todos esses dificultadores externos, é bom lembrar que a dança faz bem para nós. Sua família, marido/namorado não te apoiam? A religião é contra? Deixe a cara feia desse povo para lá, dance e seja feliz! Você só precisa agradar a você mesma. Beijos e boa dança para todas nós!






segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O QUE É PRECISO PARA SER PROFESSORA DE DANÇA DO VENTRE?

Algumas mulheres querem ser professoras de dança do ventre, mal começam a fazer aulas. Mas, o que é necessário para isso? Em primeiro lugar, são necessários pelo menos três ou quatro anos de estudos. Quando digo estudos, quero dizer aulas regulares. Não adianta fazer uma aula por mês, ficar uns seis meses fora, voltar às aulas e parar novamente. É estudo contínuo, regular, pelo menos nas modalidades dança do ventre e folclore árabe. Se puder incluir outras aulas, como balé clássico por exemplo, melhor ainda.

Estude sempre, não se acomode nunca. Faça aulas regulares, participe de workshops, estude vídeos, procure livros sobre dança. Segundo a bailarina Níjme, no seu livro "Ventre que encanta", página 98:

"Quando falamos em 'universo da dança', estamos nos referindo à sua imensidão, coisa que provavelmente uma vida seja pouco para tudo aprender. Então, todas as praticantes, desde as iniciantes até as profissionais, devem estar conscientes da importância da humildade, já que o aprendizado é uma constante."

Bem, você já tem uma boa base em dança do ventre e folclore árabe, e continua a estudar regularmente. De repente, bate aquele desejo de dar aulas (ou, às vezes, aquele desejo sempre esteve presente). Você já se perguntou se tem vocação para o magistério? Não basta querer dar aulas, precisa ter amor pela profissão. Algumas pessoas chegam a comparar o magistério a um sacerdócio. Educar é um ato de amor e entrega.

Aconselho, antes de começar a dar aulas, que você faça um plano de aulas. Atualmente, existem diversos materiais de pesquisa: DVDs didáticos, livros, cursos online, vídeos didáticos no Youtube, etc. Muito diferente de quando eu comecei! Cada professora tem sua própria didática, busque a sua. É claro que isso não vai vir da noite para o dia. Você vai precisar ler muito, estudar muito, trocar muita ideia com suas colegas de profissão. Além disso, sempre que necessário, atualize seu plano de aulas.

Pelo exposto acima, deu para perceber que você precisa ter muito foco nos estudos. Também ajuda se for uma pessoa organizada, para poder administrar seus estudos e seu dia-a-dia. Se você for a dona da escola, além de ser organizada, também precisará ser uma boa administradora. Além disso, você necessita ter qualidade de liderança.

Outras coisas importantes: ética no trato com suas alunas e suas colegas de profissão; gratidão pelas suas professoras, bem como gratidão às suas alunas, por confiarem no seu trabalho; saber cobrar pelo seu trabalho de professora, mas sem ganância excessiva; por fim, entender que ninguém é dono da verdade, somos todos aprendizes.

Para terminar, seguem as palavras de Jorge e Débora Sabongi, do livro "Direção e preparação artística", página 102:

"É necessário compreender que uma professora é alguém que nasceu com um dom. Além de vocação, ela deve ter uma responsabilidade exemplar ao orientar suas alunas. Sua vida é uma missão, na qual descobre no dia-a-dia uma oportunidade de aprender com seus aprendizes. Despida de preconceitos, torna-se um elemento unificador, comprometida com o amanhã. Compartilha experiências e ideias sem temer um dia ser ultrapassada. Seus conhecimentos denotam sabedoria acima da média e advém dos inúmeros livros que leu, resumos, pesquisas, indagações, investigações, exames minuciosos, artigos escritos em sua literatura pessoal etc. Nunca se dá por satisfeita com o que já aprendeu, pois é consciente que nada sabe. É alguém que faz a grande diferença na vida de muitos."



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A DANÇA NUNCA VAI DECEPCIONAR VOCÊ

O nosso tema de hoje é resiliência. Segundo a Wikipédia:

"A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

Manter a imunidade mental é a base para criar resiliência emocional. O indivíduo condiciona a mente a tolerar os pensamentos assustadores e consegue esquivar-se do sofrimento ao entender que a dor fará, inevitavelmente, parte da trajetória de vida."

Falando da minha história pessoal: comecei a estudar dança do ventre há dezesseis anos, e tenho escola desde 2007, ou seja, doze anos. Já tive diversas professoras, alunas, colegas de turma e colegas de profissão. Passei por diversas situações, algumas bem chatas e traumáticas. Vi o mesmo ocorrer com várias colegas (de estudo e de profissão). 

Da mesma forma, sei que decepcionei algumas alunas. Fui muito rígida, principalmente no início da minha carreira de professora. Ninguém é perfeito, e só o tempo e a experiência para aprendermos. Ao mesmo tempo, quem tem escola sabe que as regras precisam ser estabelecidas, senão o caos toma conta.

Voltando às experiências desagradáveis pelas quais passamos - quais são? São as famosas puxadas de tapete, as disputas causadas pelos egos inflados, as fofocas, a falta de ética, a grosseria, os calotes. Infelizmente, algumas dançarinas se decepcionam de tal maneira com esses revezes, que chegam a abandonar a dança. Na minha opinião, isso é um erro. Se você larga a dança por uma decepção causada por outrem, essa pessoa venceu você. 

Não desanime! Essas crises, no fim das contas, deixarão você mais forte e preparada. Continue a estudar, se for aluna. Continue a dar aulas, se for professora. Mostre a sua verdade e, mais cedo ou mais tarde, tudo se resolverá. 

Tenha sempre em mente que não é a dança que decepciona, são algumas pessoas. A dança, na verdade, só traz bem estar físico e mental, ela é qualidade de vida. Se cerque de boas pessoas, cultive pensamentos positivos, e seja feliz - dançando, é claro!






quinta-feira, 7 de novembro de 2019

MAHMOUD REDA E A TRUPE REDA

Você já ouviu falar no bailarino e coreógrafo Mahmoud Reda? Pois bem, se você ama folclore árabe, precisa saber sobre a importância dele. Ele é o grande responsável por levar as danças egípcias folclóricas aos palcos, bem como ao cinema e à televisão. Também deu legitimidade à dança, que era malvista na sociedade egípcia. 

Mahmoud Reda nasceu em 1930 no Egito. Originalmente, Mahmoud era atleta, mas se apaixonou pela dança. Foi inspirado pelo seu irmão Ali, que era dançarino, bem como pelos grandes artistas Fred Astaire e Gene Kelly. Mahmoud se juntou a um grupo folclórico argentino e percorreu a Europa fazendo shows, mas em 1955 voltou ao Egito. Em 1959, Mahmoud, seu irmão Ali e Farida Fahmy, fundaram a Trupe Reda, um grupo totalmente voltado para a dança egípcia. 

Nota: Mahmoud se casou com Nadeeda, irmã de Farida. Nadeeda foi a primeira estilista do grupo, função depois exercida por Farida. Mais tarde, Ali Reda casou-se com Farida. Então, além de uma relação profissional, existia um parentesco devido ao casamento.

A Trupe Reda se inspirava nas danças egípcias folclóricas, combinadas com movimentos de dança ocidental. Após fazer a pesquisa de campo (dos passos básicos, da música  e dos trajes), a dança era levada aos palcos. Segundo Mahmoud Reda, essa mistura era necessária porque:

"... quando você os traz, os verdadeiros dançarinos folclóricos, os coloca no palco, eles parecem estranhos, eles parecem estranhos. Suas roupas, eles não sabem para onde olhar, eles não sei, e se eles fazem as coisas, é muito monótono. Então, o que eu chamo de coreografia não é folclórica. É inspirada na folclórica. Há 90% a mais de dança."

Geralmente, as danças folclóricas tem poucas variações de passos, e é isso que Mahmoud quer dizer quando fala que colocava "90% a mais de dança" nas suas coreografias. Segundo suas palavras:

"Então você tem um tesouro, mas ao mesmo tempo o material é pequeno. Você não pode dar um passo e coreografar uma dança por cinco minutos no palco. O público de palco e teatro é um público profissional."

Conforme testemunho de Farida em 1987:

"O objetivo de Mahmoud Reda era criar uma nova forma de dança de teatro... Seus trabalhos nunca foram imitações diretas ou reconstruções precisas. Eles eram sua própria visão das qualidades de movimento dos egípcios... a postura, a carruagem e o gesto dos homens e mulheres de seu país, seja na dança ou nas atividades cotidianas."

Em 1961, a Trupe Reda protagonizou seu primeiro filme. Neste mesmo ano, o Ministério da Cultura do Egito passou a patrocinar o grupo. A parceria de dança entre Mahmoud e Farida foi de importância vital:

"A ambição de Mahmoud Reda de apresentar um novo gênero de dança e o forte desejo de Farida Fahmy de dançar foram o catalisador de um empreendimento artístico bem-sucedido e gratificante. Mahmoud Reda foi dançarino principal até 1972. Ele ensinou os dançarinos, coreografou e dirigiu todas as performances de palco.  Com suas coreografias inovadoras, ele criou um gênero de dança que abrange muitos estilos. Farida Fahmy foi dançarina principal por vinte e cinco anos. Ela era um modelo para os dançarinos recrutados, e sua graça e elegância capturaram instantaneamente o coração dos egípcios."

Ali Reda era consultor artístico da Trupe Reda, e cuidava da parte administrativa e gerencial do grupo. Também dirigiu dois filmes com a Trupe Reda, filmes esses que são exibidos na TV egípcia até hoje. Outra pessoa de importância capital para o grupo foi o músico Ali Ismail, que compunha as músicas. O grupo começou com sete dançarinas, sete dançarinos e doze músicos. Em meados da década de 1970, eram cento e cinquenta membros, contando os artistas e os técnicos. A Trupe Reda se apresentou no Egito e visitou mais de cinquenta países, e ganhou diversos prêmios. 

O grande coreógrafo ainda vive, mas em 1990 ele foi aposentado devido à burocracia do governo. As coreografias e o método Reda são estudados até os dias de hoje, por artistas, professores e coreógrafos do mundo inteiro. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

EXISTE UM PADRÃO DE BELEZA PARA A DANÇARINA?

Segundo Jorge Sabongi, a dança do ventre está apoiada em três pilares: técnica, estética e emoção. Já falamos a respeito disso em 14 de setembro de 2019, na postagem intitulada "Os pilares da dança do ventre". 
Com referência à parte estética - existe um padrão de beleza obrigatório para quem faz dança do ventre? Para melhor discorrer sobre isso, vamos dividir as praticantes em três categorias:
1 - A aluna que apenas faz aulas e não se apresenta nos eventos da escola. Bem, como já dissemos anteriormente, qualquer mulher (e homem) pode fazer dança do ventre. Não importa a altura, o peso, a raça, a idade, etc. Qualquer pessoa pode fazer aulas e se beneficiar com a prática da dança. E pode fazer aulas de qualquer jeito, sem maquiagem, cabelo preso, etc.
2 - A aluna que participa das apresentações organizadas pela escola. 
3 - A profissional da dança. 
Nos casos 2 e 3, imagine que a aluna - ou a profissional - entra no palco assim (vou exagerar bastante):
- Roupa mal ajustada, com as franjas ou pedrarias se soltando;
- Sem maquiagem, ou com maquiagem mal feita;
- A depilação das sobrancelhas, axilas e pernas não está em dia;
- Mãos e pés com esmalte descascando;
- Cabelos em péssimo estado, com raízes brancas aparecendo; 
- Postura toda torta e deselegante;
- Cheiro ruim, ou perfume muito forte.
A imagem abaixo é só para dar risada (imagine que a dançarina é igual a ela):



E daí? Você, como público, vai pensar o que? "Quero meu dinheiro de volta", não é mesmo? Vale a pena lembrar que a dança do ventre é uma dança de atratividade, ou seja, uma dança que quer encantar pela beleza. Mas se a dançarina estiver desleixada, como descrito acima, o público vai se encantar? Sem chance!
Então, vamos deixar claro - embora não exista um padrão de beleza (exemplo: altas, loiras, magras, com rosto perfeito), precisamos estar lindas na hora da apresentação. Vamos por partes:
- O seu traje precisa ser bonito (isso não quer dizer caro) e estar em ótimas condições;
- Se não souber se maquiar, tente aprender em casa, existem ótimos tutoriais de maquiagem no Youtube. Não consegue aprender de jeito nenhum? Então pague a um profissional da área;
- Se depile (por favor - rs);
- Suas mãos e seus pés precisam estar com as cutículas feitas, e também esmaltados. Não saber fazer? Vá à manicure;
- Se tiver cabelos brancos, veja se não é hora de pintá-los novamente. Se faz luzes, veja se as raízes escuras não estão muito evidentes. O cabelo está com aparência saudável, com brilho? Se estiver, ótimo. Caso contrário, vá ao cabeleireiro. Sabe cuidar de seu cabelo em casa? Melhor ainda!
- Como é a sua postura na hora da dança? Sempre se corrija, veja se a postura está elegante;
- Bailarina não deve ter cheiro forte, use um desodorante. Um bom perfume, sem excesso, também faz parte do seu charme. 
Cada mulher tem sua beleza, bem como sua individualidade. Aprenda a ressaltar seus pontos positivos e a disfarçar os não tão positivos. Eu sei que muitas das coisas que citei envolvem gastos (trajes, manicure, cabeleireiro, etc.), mas algumas coisas podem ser feitas por você mesma. Como disse anteriormente, existem diversos tutoriais no Youtube, ensinando como se maquiar, cuidar do cabelo, das mãos e pés. Tudo isso é um investimento na sua autoestima. Afinal, você quer pisar no palco linda e plena, não é mesmo? 


A MÚSICA ÁRABE - TEXTO DE PATRÍCIA BENCARDINI

Nota: este texto foi postado em 05 de maio de 2013, estou repostando hoje. 

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Mais um texto muito bacana, que consta do livro "Dança do ventre - ciência e arte", de Patrícia Bencardini, Editora Baraúna, São Paulo, 2009. O texto abaixo esta nas folhas 71 a 73. Peço a todos a gentileza de não usar o texto sem citar a fonte.  Grata!


A MÚSICA ÁRABE - por Patrícia Bencardini 

"A característica mais marcante da música árabe é a combinação da melodia com o ritmo, onde é possível encontrar uma requintada forma de improvisação. As melodias são construídas com base nos `maqamat` (modos ou módulos), que formam uma complexa identidade musical. Sua aplicação caracteriza-se pelo uso de determinada escala, com pequenas unidades melódicas e rítmicas, seguindo as fórmulas típicas dentro de limites previamente determinados. E, recorrendo ainda à fixação de notas predominantes.
O músico tem a possibilidade de improvisar dentro da estrutura métrica de cada maqam (cujo plural é maqamat), dependendo de sua intenção, que pode ser artística, emocional, devocional ou puramente filosófica. Iqaat é um padrão cíclico de tempos fortes e fracos que organizar o ritmo. Tem a característica de ser uma música sempre monofônica, ou seja, compreende uma unica linha melódica.
Tradicionalmente é transmitida de forma oral, muito embora existam noção e teoria, compostos de forma semelhante aos antigos padrões gregos. A música árabe está intimamente ligada à poesia, e as formas musicais alternam solos vocais com interlúdios instrumentais.
Taqsim é o improviso do solista acompanhado por vários instrumentos e pode ser realizado pela flauta, pelo alaúde, pelo acordeão. Sempre dentro de uma estrutura de tempo marcada pelos instrumentos de percussão, principalmente o pandeiro.
A estrutura melódica forma o Bashraf que é composto por quatro partes mais o refrão.
Os instrumentos de corda tem especial importância dentro da estrutura da música árabe, entre eles destacam-se: oud - alaúde; Qanum; o saltério (instrumento antigo, precursor do teclado); o santur ou cítara; rabab ou rabeca, modernamente substituído pelo violino.
Gracas à expansão cultural proporcionada pelo mundo islâmico, a música árabe teve seus princípios assimilados por povos mouros, persas e berberes. Poucos países onde se introduziu o islamismo não absorveram o estilo musical árabe, entre esses podemos citar a Índia e a Indonésia, que conservaram seus estilos narrativos primitivos.
Na região do Rajastão - Índia, onde boa parte da população assimilou a cultura muçulmana, a música tocada em praças públicas lembra vagamente o estilo árabe. Embora os instrumentos sejam diferentes, existe uma  semelhança quanto à métrica. A dança das mulheres é quase igual à das "gawazi", ciganas egípcias que dançam na rua em troca de dinheiro, que também usam técnicas de malabarismo para impressionar turistas e aumentar o faturamento.
A estrutura da música clássica do Oriente Médio se assemelha às peças eruditas ocidentais e óperas. Possui uma apresentação inicial, que é quase um cumprimento dos musicos ao público; na sequência inicia-se o pré-tema que é um introdução ao tema musical. O tema já apresenta o bashraf em sua estrutura e pode ter o acompanhamento da voz humana através do canto. Depois de apresentada essa estrutura vem o improviso dos instrumentos, ou taksim, onde cada músico vai solar de forma improvisada. Existe então, uma volta ao tema e após uma repetição vem a finalização."


PARA O ARTISTA, DISCIPLINA É TUDO

Nota: o texto original tinha sido postado em 27 de março de 2012. Estou repostando hoje, junto com a imagem do livro, para quem tiver interesse em adquirir (é muito bom, recomendo!).




Meninas, este texto maravilhoso foi extraído das páginas 237 e 238 do livro "DIREÇÃO E PREPARAÇÃO ARTÍSTICA", de Jorge Sabongi e Débora Sabongi, Ed. dos Autores, São Paulo, 2010. Para quem trabalha com dança do ventre, aconselho a leitura deste livro. O Jorge Sabongi, para quem não sabe, é o proprietário do Khan el Khalili, uma casa de chá árabe que é referência no estudo das danças árabes. Segue abaixo o texto, espero que apreciem.

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Para o artista, disciplina é tudo

"Até uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo" (sabedoria oriental)

"Para aprender uma arte, não basta entrar numa escola. É necessário vivenciar sua cartilha e seu conteúdo todos os dias. Nesse intuito, a primeira questão é determinar-se a ter disciplina em tudo o que faz, definindo o que fazer e ir atrás para realizar.
Existem pessoas que querem realizar e outras que realmente realizam. A diferença entre elas é que estas, as que realmente realizam tomam a iniciativa de programar e começar as ações imediatamente. São os construtores. Por outro lado, os que querem realizar não tem data nem hora marcada, tem apenas a vontade superficial, mas não o desejo de realizar arraigado em seu interior. São os sonhadores.
Apesar de serem personalidades interessantes, os sonhadores não possuem a determinação da ação. Tem sim o efeito "procrastinação" dentro de si, isto é, tudo pode ser deixado para resolver depois. Esta é a melhor forma de se auto-sabotar.
Decidir dançar um determinado estilo, cantar, tocar um instrumento, atuar numa novela, teatro ou filme, requer disciplina na conduta do aprendizado. Ninguém aprende nada sem desenvolver os passos básicos que evoluirão para passos mais elaborados e sofisticados. Depois, tornar-se-ão sua marca pessoal que será admirada por todos. Todo um caminho precisa ser trilhado antes de se apresentar um trabalho com excelência e conteúdo.
Assim, deve-se organizar, física e mentalmente, para momentos de determinação, força de vontade, tolerância e perseverança. Estas são habilidades, que devem ser constantemente lapidadas a vida toda. Não apenas servem para a construção da sua carreira artística, mas para toda e qualquer área de sua vida. Não temos como optar por atalhos.
Um arte não se desenvolve da noite para o dia. Portanto, se desejar ser bem sucedida(o), a condição é começar a se organizar desde já."

COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA NA DANÇA DO VENTRE - Texto de Mellissa Mel

Nota: texto repostado. Tinha sido postado em 14/08/2011. Tem dicas muito boas para quem quer montar uma coreografia!

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Meninas, este texto é de autoria da professora e dançarina Mellissa Mel, e foi apresentado no V Encontro da Griffe Marilin. O texto é riquíssimo, um excelente material de estudo, imprescindível para quem está aprendendo a montar coreografias. Aconselho vocês a lerem antes o meu texto "O que é dança do ventre clássica", para se familiarizarem com alguns termos técnicos. A professora Mellissa gentilmente autorizou o uso deste texto no meu blog, e aqui vai o meu muito obrigada. Valeu, Mel!


COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA NA DANÇA DO VENTRE - por Mellissa Mel

Como montar sua coreografia

1) Escolha a música 

Escolha uma música curta e que tenha mudanças de ritmo. Caso planeje utilizar um instrumento, tenha certeza que ela é adequada a ele.

2) Estude a música 

- Qual a origem desta música? Egípcia, libanesa, turca, grega, americana (nota: as músicas egípcias geralmente são mais alegres e sonoras, as libanesas geralmente são dabkes).

- Qual o estilo? Moderna, clássica (tarab/sharky), solo derback, folclore, tribal, fusão (nota: sharky é a música do ventre clássica).
- Qual o artista? Pesquise sobre o seu trabalho.
- Qual o tema da música? Ache a letra dela e descubra seu significado.
- Quais os ritmos usados? O folclore aparece?
- Quais os instrumentos que aparecem? Nay, violino, alaúde, acordeon...
- Qual o figurino adequado.
- Assista a outras pessoas dançando a mesma música.

3) Divida a música em partes 

- Identifique a estrutura da música


Ex. Sharky: entrada - refrão - variação do refrão - folclore - takasim - refrão - final.
Pop: introdução - refrão - coro - takasim - refrão - final.

- Divisão por ritmos
Ex. Sharky: ayoub - maqsoum - saiidi/soudi - wahda u nos - malfouf.

- Aprenda a anotar todas essas informações

Ex.
0 - introdução
00:40 - entrada (malfouf)
01:05 - solinho de derbake e repete a entrada
01:48 - saiidi (melodia 2)
02:27 - masmoudi
02:58 - repete melodia 2 mas com acentos do derback
03:17 - saiidi - folclore
03:55 - solo de derback
04:09 - malfouf e violinos
04:25 - takasim de alaúde
04:50 - malfouf e violinos com acentos
05:13 - final (repete a entrada)
05:33 - solinho de derback e final

4) Planeje seus passos


- Como será sua entrada no palco
A primeira impressão é a que fica! O público gastará os primeiros momentos da sua dança prestando a atenção em você e seu figurino, se acostumando com a música e com sua presença. Não queime 457 movimentos já nos primeiros 20 segundos! Use movimentos simples de deslocamento aliados a giros, "cumprimente" sua platéia, estabeleça contato deixe que eles te vejam e coloque-se no centro do palco para passar para a próxima etapa.

- Centro do palco
Aqui é o lugar onde a platéia poderá enxergar bem você e todos os seus movimentos. Use-o em momento onde você quer usar seus movimentos especiais e sequências mais complexas. Procure finalizar sua coreografia aqui também.

- "Viajando" pelo palco
Use o palco das maneiras mais variadas que você possa imaginar. Utilize todas as direções, diagonais, deslocamento para frente e para trás, use os cantos do palco, desenhe círculos. Deixe sua coreografia dinâmica e variada.

- Momento dramático
Localize este momento na música e use-o como um desafio pessoal. Ele tornará sua coreografia mais interessante e longe de ser monótona.

- Folclore
Identifique o estilo e escolha alguns movimentos mais característicos do estilo em questão para serem trabalhados.

5) Identifique cada variação de "humor" da música 

Dê nomes que ajudem você a identificá-los - alegre, triste, suave, sexy, etc. Qual movimento te remete cada uma dessas características

6) Anote os passos para cada parte

Depois de todo o trabalho que já foi feito anteriormente essa parte deve ser mais fácil! Experimente colocar o corpo em ação, coloque a música e dance até que venha alguma coisa que te agrade.
Anote todos os passos e seus tempos. Comece simples e vá adicionando os detalhes: braços e molduras, cabeça e foco, direções e sentidos dos movimentos.

7) Deixe ela interessante

Toda a parte de mapeamento dos passos é muito importante mas não se esqueça do público. Faça algo que faça ele se divertir e seja interessante de assistir!
Não seja repetitiva. Caso você queira repetir alguma sequência, use outras direções, novos posicionamentos de braços, adicione shimmy, para evitar que sua repetição seja... repetitiva!
Trabalhe com vários ângulos de visão, diagonais, de costas, diagonais-fundo. Experimente novos posicionamentos.
Varie as velocidades. Dentro de um mesmo ritmo você poderá trabalhar mais rápido que ele (dobrando a velocidade), dentro do ritmo ou até mesmo na metade da contagem (ralentando).
Use o espaço ao redor do seu corpo. Não fique de frente, com os pés no chão e os braços em segunda posição como uma samambaia. Trabalhe com seu tronco, braços, pernas. Use os níveis alto, médio e baixo.

8) Enriqueça com detalhes


Braços e molduras. Não deixem eles largados à própria sorte. Eles devem acompanhar sua dança e emoldurar seus movimentos. Não deixem eles parados!
Cabeça e foco.
Para onde você olhar durante sua dança. Você consegue marcar foco durante seus deslocamentos e giros.

9) Coloque sua coreografia em ação


Agora que ela está pronta mexa seu corpo. Ensaie, ensaie e ensaie.
Durante os ensaios é que vão surgir dúvidas, novos movimentos e detalhes que você não tinha ouvido antes na música.
Grave sua dança e assista!





terça-feira, 5 de novembro de 2019

A DANÇA DO VENTRE É UMA DANÇA MILENAR?

Sempre ouvimos falar que a dança do ventre é uma dança milenar, que era dançada nos templos do Antigo Egito. Dá para acreditar nisso? Eu, particularmente, não acredito muito. 

Precisamos lembrar que o Antigo Egito era uma sociedade com muitos deuses, governada por uma pessoa (o Faraó) que também era considerada um deus. Os sacerdotes também tinham muito poder no período faraônico. Existem alguns registros das bailarinas e dos músicos desta época. Aparentemente, a dança executada nos palácios era uma dança acrobática, conforme a imagem abaixo:


Aqui temos algumas mulheres tocando instrumentos musicais:


Já o Egito atual é um país muçulmano, que após passar por diversas conquistas, foi dominado pelos islâmicos entre os anos 639 e 642. A partir deste momento, quase não existem imagens de seres vivos. É uma questão bastante controversa, já que os sunitas são bem rigorosos nesta proibição de se retratar pessoas e animais. Com isso, só vamos ter imagens de dançarinas "do ventre" com a chegada dos europeus ao Egito. Conforme consta no site da Biblioteca Digital Mundial:

"Quando Napoleão Bonaparte invadiu o Egito em 1798, ele trouxe consigo uma comitiva de mais de 160 estudiosos e cientistas. Conhecidos como a Comissão Francesa das Ciências e das Artes do Egito, estes peritos realizaram uma extensa pesquisa sobre a arqueologia, topografia e história natural do país. Um soldado que fazia parte da expedição encontrou a famosa Pedra de Roseta, a qual foi usada mais tarde pelo linguista e estudioso francês Jean-François Champollion (1790-1832) para desvendar muitos dos mistérios que há tempos cercavam a língua do antigo Egito. Em 1802, Napoleão autorizou a publicação das conclusões da comissão em uma obra monumental, em vários volumes, que incluía gravuras, mapas, textos acadêmicos e um índice detalhado. A publicação da edição imperial original começou em 1809. Esta mostrou-se tão popular que uma segunda edição foi publicada sob a Restauração Bourbon pós-napoleônica. A "Edição Real" (1821-1829), das coleções da Biblioteca de Alexandria, é apresentada aqui." (https://www.wdl.org/pt/item/2419/)

Os franceses já encontraram as dançarinas "do ventre", que podiam ser classificadas em:

- Almeh (dançarinas com mais prestígio, mulheres artistas).
- Ghawazee (ciganas árabes, cujo status era considerado inferior às da almeh).

Em um dos volumes de "Descrição do Egito", consta a seguinte imagem, com o título de "almés ou danseuses publiques":



Também consta a imagem abaixo, presumo que é de uma ghawazee:



Abaixo temos outra imagem de almeh, com o título "Almeh du Caire". Foi pintada pelo artista Frederic Goupil Fesquet (1806-1893):



É bom lembrar que o termo "dança do ventre", que foi criado pelos franceses, foi um jeito pejorativo de descrever a dança. Para os egípcios, ela é conhecida como "raqs sharqi", ou "dança do leste".

Gostou do texto? Caso tenha interesse em saber mais, acesse o site da Biblioteca Digital Mundial, e pesquise os volumes da obra "Descrição do Egito". Foi uma trabalho monumental, que abrangeu todos os aspectos do Egito (antiguidades, objetos, profissões, etc...). Impressionante, mesmo!

Fonte: https://www.wdl.org/pt/item/2419/

INFLUÊNCIAS ÁRABES NO BRASIL - Texto de Patrícia Bencardini

Nota: o texto original foi postado em 23 de abril de 2013. Foi um dos textos mais acessados (2.219 visualizações!). Estou postando novamente, o assunto é muito interessante.

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Meninas, este texto também foi tirado do livro "Dança do ventre - ciência e arte", da Patrícia Bencardini. O livro foi editado em 2009 em São Paulo, pela Editora Barauna. Se alguém for usar algum trecho deste texto, não esquecer de mencionar a fonte. 




INFLUÊNCIAS ÁRABES NO BRASIL (páginas 83 a 85)


"Os primeiros árabes chegaram ao Brasil por volta de 1880, a maioria vinda da Síria e do Líbano. Esses primeiros imigrantes eram cristãos e se concentraram na região Sudeste, onde buscavam trabalho nas áreas próximas às lavouras de café, e na região Norte, onde havia a extração da borracha. Sendo hábeis comerciantes, trabalharam como mascates, e sempre davam preferência às áreas que estavam se desenvolvendo, onde era melhor para o comércio.


A partir dos anos 50, uma grande população muçulmana entrou no Brasil, vinda de diferentes regiões do Oriente Médio. E nas décadas de setenta e oitenta, final do século vinte, novos imigrantes libaneses vieram para o Brasil, fugindo da guerra civil, quando muitos encontraram parentes distantes que vieram no começo do século.
Só a cidade de São Paulo e a região do ABCD, juntas, concentram mais libaneses e descendentes do que toda a população do Líbano. Sem contar outras áreas do Brasil que concentram grandes colônias árabes como o estado do Ceará. Em Foz do Iguaçu, a colônia muçulmana é enorme.
A presença árabe no Brasil trouxe diversas influências, além da língua como foi citado anteriormente. O setor de alimentação dá provas disso: multiplicam-se as redes de fast-food de comida árabe, a esfiha, o kibe, espetinhos de carne estão incorporados ao cardápio brasileiro. Sem falar no café, arroz, laranja, aspargo e açafrão, entre outros, que o mundo ocidental só conheceu graças às conquistas muçulmanas em séculos passados.


Os árabes que passaram pelo Ceará deixaram muita influência no plano musical, os repentistas nordestinos que se desafiam mutuamente lembram os trovadores orientais e suas gasidas. A arquitetura também mostra a presença árabe em diversos pontos como a existência de arcos ogivais, janelas e biombos em treliça, mosaicos e até azulejos, sem falar nas formas geométricas que caracterizam a arte islâmica. Como a religião proíbe representar qualquer figura de seres vivos, os artistas árabes desenvolveram desenhos refinados a partir das figuras dos triângulos, quadrados e círculos; utilizam também as letras do alfabeto árabe de forma bem rebuscada compondo os arabescos que dão vida à arte e expressão de origem islâmica.


A comunidade árabe no Brasil atual é estimada em 10 milhões de pessoas, a maioria é formada pelos libaneses e pelos sírios. Em menor número aparecem egípcios, jordanianos, palestinos, iraquianos e até sauditas.
O Brasil tem a característica de acolher diferentes culturas e permitir a convivência pacífica entre todas. A cidade de São Paulo é bom exemplo disso.
A presença de uma colônia árabe tão grande nesta cidade acabou por influenciar toda uma população, tanto que a maioria das professoras ou bailarinas profissionais de dança do ventre não tem ascendência árabe. São, em geral, mulheres que convivem ou conviveram em algum período de sua vida com essa cultura e acabaram sendo influenciadas por ela."

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

POR QUE FAZER DANÇA DO VENTRE? TEXTO DE MAYRA SHÃMS

Nota: texto postado em 20 de maio de 2011, repostado hoje. Segue imagem do livro, para quem tiver interesse em adquirir.

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Este texto foi extraído das páginas 32 a 35 do livro "A dança do ventre e sua face terapêutica", da professora e bailarina Mayra Shãms. Gostaria apenas de fazer uma ressalva - a parte mística citada no texto (chakras, kundaline, terceira visão, shakti, etc), eu vejo com muita cautela. Prefiro me atar aos benefícios mais palpáveis, ou seja, físicos e emocionais. Cada uma que faça a sua interpretação e escolha o que serve e o que não serve. Boa leitura!

"Por que fazer dança do ventre?

As respostas estão nos benefícios trazidos em pouco tempo de prática.
1 - Você se sente mais bonita porque resgata sua feminilidade. Seu poder de atração se amplia em função do magnetismo que é trabalhado.
2 - Você equilibra os hemisférios cerebrais, o que fará com que em seu campo energético o parceiro ideal chegue em sua vida, pois você equilibra a sua personalidade e atinge diretamente a autoestima (para as casadas nasce uma nova mulher que o marido tentara desvendar).
3 - Através do fluxo e refluxo da respiração você leva o poder curativo para o interior do seu corpo. A integração dos movimentos, sincronizada com a respiração, desbloqueia energias estagnadas que voltam a circular e, como já aconteceu em muitos casos, você dissolve cistos, miomas, endometriose. Já está sendo indicada, inclusive, por ginecologistas, angiologistas e outros profissionais, para que seja usada como tratamento paralelo (Bioenergia).
4 - Libera suas emoções mais densas como a raiva, agressividade, ciúme, etc.
5 - Você emagrece, afina sua cintura e modela o corpo, reeducando sua postura e enrijecendo toda a musculatura. Sente-se e torna-se realmente rejuvenescida, pois cria mais resistência, auxilia as cólicas menstruais, liberando o fluxo, TPM, hormônios, artrite, artrose, hosteopenia, etc.
6 - Realizando os movimentos da cabeça, similares aos da serpente, alonga-se pescoço e cervical. Trabalha-se também a glândula tireóide. A terceira visão é ampliada, o que acarreta no aumento da quantidade de micro cristais existentes dentro da glândula pineal que tem o tamanho de um caroço de azeitona e fica localizada no cérebro, na direção dos olhos e é responsável pela intuição, independente da sua idade. Ocorre então, a ativação do chakra ajna.
7 - Devido à liberaçãao dos bloqueios de energia você desenvolve maior flexibilidade e elasticidade no corpo em geral, em especial a cintura pélvica e escapular, massageando também a coluna (com exercícios corretos de compensação).
8 - Em uma hora de aula de dança do ventre (com um bom ritmo de aula), perde-se até 500 calorias, o equivalente a uma hora de esteira.
9 - Define o abdome, sem aumentar a barriga. Não é a dança do ventre que aumenta a barriga, e sim a sua alimentação.
10 - Aumenta seu ritmo, coordenação, reflexo e postura.
11 - Ocorre uma tomada de consciência (libertação de apegos escravagistas).
12 - Ativa a circulação e trabalha a parte cardiorrespiratória.
13 - Aumenta a suavidade, percepção e concentração da mulher.
14 - Ativa na aura da mulher um brilho de juventude e alegria.
15 - Trabalha a autoestima, confiança, segurança, alegria e vontade de viver.
16 - Permite que, no seu caminhar, a mulher adquira serenidade, sabedoria e amor fraterno. Isso se deve à tônica que se trava entre a fêmea com a natureza de sua shakti (que seria a manutençao, fixação e exaustão da energia feminina, que a transforma na sacerdotisa).
17 - Descongestiona e alinha os chakras, ativando e equilibrando os nossos centros energéticos.
18 - Ativa a kundaline (dependendo de como você conduz a energia espiritual e de como são os seus valores dentro da dança e sua visão de vida), desenvolvendo o fogo espiritual que serpenteia do cóccix a atlas, subindo pela base da coluna gradativamente.
19 - Descarrega as tensões e dissolve os bloqueios emocionais, as inseguranças e a timidez.
20 - Através da dança os músculos pélvicos ganham mais forca, fornecendo maior prazer sexual.
21 - Trabalha as articulações e todo o sistema nervoso central.
22 - O fortalecimento dos músculos do ventre facilita as contrações e aumenta a dilatação durante o parto.
23 - Equilibra os hormônios do aparelho reprodutor.
24 - As batidas aceleradas do quadril, fazem com que o fluxo menstrual desça normalmente, trazendo alivio às cólicas menstruais. Isso ocorre por causa da irrigação sanguínea, que também regula os intestinos e oferece maior flexibilidade à mulher.
25 - O trabalho de respiração e movimento já solucionou casos onde a cirurgia não resolveu. Como, por exemplo, deslocamento de aderência na parede abdominal que se colou ao intestino (lesão no músculo da parede)."

TODAS DIZEM A MESMA COISA: "EU SOU MUITO DURA"

Nota: texto repostado; originalmente foi postado em 10 de setembro de 2012. 

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Por várias vezes, eu ouvi estas frases das nossas alunas iniciantes:
- Professora, eu sou muito dura;
- Não tenho coordenação motora;
- Não tenho molejo;
- Sou mais dura que um pedaço de pau;
- etc...

Em primeiro lugar, ninguém nasce sabendo. Todos nós, desde o momento em que somos lançados no mundo, passamos por diversos aprendizados. O aprendizado da dança é apenas mais um dos inúmeros aprendizados pelos quais passamos.

Segundo - trabalhamos com técnicas de dança do ventre, e qualquer técnica pode ser ensinada e aprendida. Se o professor tiver um plano de aulas consistente, e a aluna for assídua e pontual nas aulas, ela vai aprender. 

Terceiro - algumas pessoas tem facilidade para lidar com o próprio corpo, enquanto outras tem mais dificuldade - mas isso não quer dizer que essas pessoas não possam aprender! Pode levar um pouco mais de tempo, mas com persistência, tudo é possível. Quero frisar isso: COM PERSISTÊNCIA, TUDO É POSSÍVEL. A minha sugestão para as alunas que tem dificuldade é - estude em casa. Não conseguiu fazer aquele movimento em sala de aula? Peça à professora para gravar o movimento, e estude, até aprender. 

Quarto - a soltura dos movimentos, a melhora na coordenação motora, a flexibilidade - tudo isso se consegue após algumas aulas de dança do ventre. Além disso, quanto mais praticamos os movimentos, mais naturais eles se tornam.

O que deduzir de tudo isso que falamos? Que a dança do ventre pode ser praticada por qualquer mulher, DESDE QUE ELA SE DISPONHA. Mas lembre-se de uma coisa: para ser um bom dançarino, são anos de estudos. Não existe fórmula mágica! 

Algumas recomendações importantes para quem quer aprender dança do ventre:
- escolha uma boa professora;
- estude em casa, além de fazer as aulas na escola;
- tire toda e qualquer dúvida com sua professora, não tenha vergonha de perguntar;
- comemore os resultados conquistados;
- use o computador como seu aliado (principalmente o Youtube);
- se possível, faca anotações ou grave as aulas;
- assista apresentações ao vivo, em vídeo, na internet, etc.;
- pesquise, questione, seja curiosa.

Espero que você se junte a nós, e faça parte do fascinante mundo da dança do ventre! Abaixo, uma imagem para darmos um pouco de risadas - hehehe.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

COMPORTAMENTO EM SALA DE AULA

Quando falamos em aulas de dança, é bom ter em mente que existe um comportamento adequado ao ambiente. Isso vale tanto para a aluna quanto para a professora. Sabemos que ninguém é perfeito, mas podemos melhorar, se quisermos. Abaixo vão algumas dicas, mas quero deixar bem claro que não sou dona da verdade. É apenas a minha opinião, com base nas minhas experiências como aluna e como professora. Já fiz muita coisa errada? Claro que sim. Mas o tempo e a experiência ensinam...

SE VOCÊ É ALUNA:

- Em primeiro lugar, procure uma boa professora, com a qual você tenha afinidade e confiança no trabalho. Não procure pelo preço das aulas, pois o barato pode sair caro. Escolha a professora pela sua capacidade e conhecimento, jamais pelo preço. 
- Quer, realmente, aprender a dançar? Então evite faltar às aulas. Seja assídua e pontual. Se for faltar, avise a professora, é uma gentileza que você faz a ela. Estude em casa, quem faz isso tem melhor rendimento. Se tiver dúvidas, peça ajuda à professora, ela está aí para isso mesmo. 
- Aceite as correções feitas pela sua professora. Essas correções são primordiais para que você faça o movimento da forma correta, bem como para melhorar a sua técnica. Entenda que a professora não está criticando você como pessoa, mas está corrigindo um aspecto técnico da sua dança.
- As suas colegas podem se tornar as suas melhores amigas. Afinal, vocês tem em comum o amor pela dança do ventre. Porém, se você não tiver afinidade com uma colega, não deixe que isso interfira na sua aula. Precisamos aprender a conviver com todos os tipos de pessoas. 
- Qualquer coisinha à toa na dança te decepciona? Tudo te magoa? Pois saiba que, em todas as profissões e atividades, sempre tem alguma pedra no caminho. Aprenda a passar por cima das pedras, isso vai servir para te fortalecer. 
- Está com problemas particulares? Tudo bem se precisar desabafar de vez em quando. Mas precisa fazer isso em todas as aulas? Você está na aula de dança para esquecer os problemas, não para remoê-los. O horário da aula é feito para tirar o stress do dia-a-dia, é um momento seu, então precisa ser um momento de paz.



SE VOCÊ É PROFESSORA:

- Continue a estudar. Não pense que sabe tudo, pois a dança do ventre é muito complexa. Ninguém consegue ser excelente em clássico, moderno, folclore, estudo de ritmos, acessórios, etc. Faça aulas regulares, nunca deixe de ser uma eterna aprendiz. 
- A aluna não é sua propriedade. Quem está fazendo aulas com você é quem está na mesma vibração sua. Não critique a aluna que mudou de escola. Porém, ao mesmo tempo, não roube aluna ou profissional de outra escola, isso é falta de ética. 
- A aluna nova já chega criticando uma professora de outra escola? Não entre na conversa dela. Respeite a sua colega. Ela também está fazendo o seu trabalho. 
- Você não é a dona da verdade, nem a proprietária da dança do ventre. Tenha em mente que está apenas aprendendo, um pouquinho a cada dia. 
- Ame a sua profissão, pois ela é muito digna. Faça tudo com amor à arte e seja grata às suas alunas, pois elas são o seu sustento. Tente sempre melhorar a sua escola e o seu método de dar aulas. Procure sempre o melhor para as suas alunas. O crescimento delas é a sua maior recompensa. 
- Seja grata às professoras que possibilitaram a sua formação. A gratidão é poderosa. As pessoas ingratas não vão para frente, pois estão sempre cuspindo no prato que comeram. Agradeça, sempre. 

Espero que tenham gostado, e podem deixar seus comentário . Quero ressaltar, mais uma vez, que são opiniões minhas. Não é crítica a ninguém, nem aluna e nem professora.  Feliz dança a todas!


O QUE É A DANÇA DO VENTRE? Texto de Patrícia Bencardini

Nota: este texto foi publicado originalmente em 17 de abril de 2013. Segue a capa do livro, para quem tiver interesse em adquirir o mesmo.

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Meninas, comprei um livro muito bacana, chamado "Dança do ventre - ciência e arte", da Patrícia Bencardini, Editora Baruna, São Paulo, editado em 2009. Tem muita coisa interessante nele, e selecionei alguns trechos da introdução, folhas 18 a 21. A frase que eu mais gostei foi a seguinte: "de que adianta conquistar espaço no mercado de trabalho, tornar-se independente, e não conquistar a si mesma?". Por favor, se alguém for utilizar o mesmo texto, não esquecer de citar a fonte.


O QUE É A DANÇA DO VENTRE? - Patrícia Bencardini

"Quanto ao aspecto corporal, é uma técnica milenar de intenso condicionamento físico que vai trabalhar de forma completa todos os grupos musculares que formam o corpo humano. Apresenta um elaborado conjunto de movimentos para estimular o comando neuromotor. Pode ser uma alternativa segura à ginástica ocidental, a partir do momento em que tonifica e modela o corpo feminino. Traz inúmeros benefícios fisiológicos e psicológicos para suas praticantes.
Trata-se também de uma forma de expressão artística, individual e feminina que privilegia tanto a forma (coreografia) quanto o conteúdo (o corpo e suas atitudes). Possui harmonia perfeita e estética personalizada. É uma arte precisa e muito técnica; quando a bailarina trabalha corretamente dentro dos limites estéticos, proporciona momentos de pura beleza e encantamento para quem assiste.
...
O estudo da dança do ventre é uma fonte segura de autoconhecimento e crescimento pessoal.
...
Dançar também é um ato de livre expressão, em que a mulher pode aprender a se conhecer e também a lidar com suas próprias emoções. Isso gera consequências no indivíduo e suas relações interpessoais, levando a respostas sociais, que acontecem como numa reação em cadeia.
...
A dança é um instrumento de libertação feminina. É uma conquista pessoal. De que adianta conquistar espaço no mercado de trabalho, tornar-se independente, e não conquistar a si mesma?
O estudo da dança leva a mulher a um profundo conhecimento de si mesma, em que as consequências finais levam à conquista da liberdade. O que deve ser considerado agora é a liberdade pessoal, individual e intransferível, que nada tem a ver com as conquistas sociais das ultimas décadas.
A arte de dominar o corpo traz profundos reflexos ao espírito. Torna-se uma condicionamento que propicia o autoconhecimento, conduzindo à autoconfiança. Produz um estado de relaxamento interior, ajudando a mulher a viver com mais tranquilidade, qualquer que seja seu modo de vida.
...
A dança também tem um aspecto lúdico inerente: torna-se pura diversão social, dando livre expressão ao prazer de soltar o corpo na cadência do ritmo. Em diversas regiões do Oriente, passa de mãe para filha, tradicionalmente, ajudando a formar o folclore e a cultura nesses locais.
Ainda é utilizada por algumas mulheres como uma forma de preparar o corpo para a primeira relação sexual, a gravidez e também para o momento do parto. Dançando, a mulher vai fortalecendo e alongando todos os músculos envolvidos nesse processo. Vai aprendendo a lidar com o seu corpo, sob vários aspectos."