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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

EMPECILHOS EXTERNOS

As origens da dança do ventre são nebulosas. Muito provavelmente, surgiu de um culto à fertilidade e como uma forma de preparar a mulher para o parto. De qualquer forma, surgiu como uma dança feminina. Sofreu e sofre, até hoje, de muito preconceito e empecilhos externos. Exemplos:

“Nos países árabes onde a religião ortodoxa, também chamada de Islã, prevalece sobre o Estado, as apresentações de bailarinas em público são proibidas. As mulheres são obrigadas a se vestirem de pesados mantos por cima de suas roupas, deixando apenas os olhos à mostra quando saem à rua. No Afeganistão, por exemplo, até os olhos ficam escondidos sob pesadas vestimentas, denominadas ‘burqas’. Quem ousar desrespeitar a lei, e sair à rua com o rosto à mostra, pode ser duramente penalizado, com açoites em público ou apedrejamento.
Bailarinas não são bem vistas e nem bem vindas nestes lugares. O governo religioso extremista acredita que tudo o que desvie os olhos e o pensamento do homem para Alah (Deus), deve ser eliminado.”
(Patrícia Bencardini, “Dança do Ventre – Ciência e Arte”, página 50. Editora Baraúna, São Paulo/SP, 2009).

Segundo Wendy Bonaventura, em seu livro “Serpent of Nile”, na época da expedição napoleônica pelo Egito, existiam dois tipos de dançarina: as awalim (“mulheres versadas em artes”) e as ghawazee (de origem cigana). Tanto as awalim quanto as ghawazee viviam de suas apresentações, cantando e dançando, mas as awalim tinham prestígio, ao contrário das ghawazee, que eram artistas de rua. Eu não tenho o livro da Wendy Bonaventura, mas na página 32 do seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume I, Brysa Mahaila fala sobre um trecho do livro da Wendy:
“Em determinado momento, os generais de Napoleão, temendo que a distração ocasionada pelas mulheres atrapalhasse o descanso dos soldados, decretaram que as dançarinas seriam severamente punidas se não se afastassem das barracas do exército. Em represália ao desacato, muitas foram decapitadas e tiveram seus corpos jogados ao Nilo.”
No mesmo livro, páginas 32 a 33, Brysa Mahaila diz:
“As dançarinas foram punidas também quando Mohammed Ali, em 1799, tomou o poder com o firme propósito de modernizar o Egito. Ele contava com a ajuda dos aliados europeus e, em função disso, sofreu pressões religiosas que o levaram a proibir a dança em vias públicas, banindo as dançarinas do Cairo. No entanto, as awalim, como sinal do prestígio de que gozavam, puderam ali permanecer. Com o banimento das dançarinas de rua, surgiram homens disfarçados de bailarinas, chamados de khawals. Muitos deles vinham da Turquia e faziam muito sucesso, até mais do que as ghawazee, com shows exóticos e cheios de malícia. Em 1866, as ghawazee foram autorizadas a voltar ao Cairo.”

Além das histórias citadas acima, sabemos de diversas bailarinas que foram proibidas e/ou estigmatizadas por fazerem dança do ventre como, por exemplo, Badia Masabni. Ainda hoje – estamos em 2019 -, a grande maioria das profissionais que dançam nos países árabes são de origem estrangeira. E nos países ocidentais? A situação pode não ser tão extrema quanto nos países de religião islâmica, mas mesmo assim as bailarinas enfrentam muitos preconceitos, senão vejamos:

- Falou “dança do ventre”? A grande maioria das pessoas associa com “dança de sedução”. Tenho escola há doze anos, e durante todo esse tempo, tentei explicar às pessoas que dança do ventre não é dança de sedução, é uma arte. De vez em quando, dá um desânimo, mas eu persisto.
- A bailarina é contratada para dançar em evento? Sempre tem uma mulher beliscando ou tapando os olhos do marido. Gente, ninguém está aí para seduzir marido de ninguém, não. A intenção da bailarina é dançar e trazer alegria à festa.
- Algumas pessoas muito religiosas acham que a dança do ventre é pecaminosa. Eu rejeito essa ideia preconceituosa, pois toda dança é uma celebração da vida. E a dança do ventre é uma celebração da vida, do nascimento, do parto. Isso pode ser pecado?
- E quando a família ou o marido (ou namorado) são empecilhos? Familiares que não apoiam? Maridos/namorados ciumentos ou que não compreendem que aulas e ensaios são necessários? Que não dão apoio na hora da apresentação, quando a aluna está mais nervosa?

Embora existam todos esses dificultadores externos, é bom lembrar que a dança faz bem para nós. Sua família, marido/namorado não te apoiam? A religião é contra? Deixe a cara feia desse povo para lá, dance e seja feliz! Você só precisa agradar a você mesma. Beijos e boa dança para todas nós!






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