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sábado, 28 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 3

Para finalizar as nossas postagens sobre os movimentos desafiadores na dança do ventre (relembrando: dissociação corporal, braços e mãos, giros e shimmies), hoje vou falar sobre os shimmies. Existem várias formas de grafia desta palavra, e alguns movimentos com batidas secas também podem ter o nome “shimmy” como, por exemplo, o Shimmy Mona Said. Para este texto, vou considerar apenas os movimentos com efeitos vibratórios, tudo bem?

Vamos à definição de shimmy, conforme a bailarina Suheil:

“Shime: conhecido popularmente como ‘tremido’. O shime é um dos movimentos mais importantes desta dança porque dele derivarão inúmeros outros movimentos. A origem do nome shime vem dos Estados Unidos. Refere-se ao momento em que a lua ou o sol reflete sobre a água, causando um efeito trêmulo. Esse efeito, que em inglês chamamos de ‘shimmering’, deu origem ao nome deste passo.”

Existem inúmeros tipos de shimmy, que podem ser feitos com os ombros, a região do abdômen e, mais frequentemente, com os quadris. Não vou falar sobre cada shimmy específico, pois para isso existem inúmeros vídeos didáticos, além das aulas presenciais que todos nós podemos fazer. Falarei apenas sobre as dificuldades de realização da técnica. E por que para algumas pessoas (eu, inclusive) o shimmy é um passo tão difícil? Vamos a alguns empecilhos:

1 ) No caso do shimmy de ombros, eu diria que a coisa que mais atrapalha é a tensão dos ombros. Eles precisam estar relaxados, porque senão o movimento não sai. Se os braços estiverem na diagonal também fica mais fácil de fazer, ao invés de deixar os braços excessivamente abertos. Comece lentamente, vá para uma velocidade média, e aos poucos acelere. Os quadris devem estar encaixados, para que não se movimentem durante a execução do shimmy de ombros. A dissociação corporal é muito importante para este movimento.

2 ) O shimmy abdominal é, no meu entender, bem difícil de se fazer. A bailarina precisa ter muito controle dos músculos abdominais, bem como o controle da respiração. É uma questão de praticar muito, até conseguir fazer o shimmy abdominal. Achei uns vídeos que ensinam a técnica, os links seguem abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=vMKaSOzdkko

https://www.youtube.com/watch?v=00krVFB6t9g

https://www.youtube.com/watch?v=sWmCh0Q-nFI

3 ) Quanto aos shimmies com o quadril - que são a maioria - existem inúmeros obstáculos: tensão / postura incorreta / peso nos calcanhares, ao invés de jogar o peso para a parte frontal dos pés / contração muscular, o que trava o movimento / geralmente, uma das pernas tem menos amplitude que a outra, na hora de alternar os joelhos / falta de isolamento do tronco, o que faz com que o corpo todo se chacoalhe / dificuldade de sustentar o movimento contínuo / hiperextensão dos joelhos, .

Serei sincera com vocês – eu tenho muita, mais muita dificuldade mesmo com o shimmy. Por isso, comecei a fazer o Desafio 108 Dias de Shimmy, que a Ju Marconato criou. A premissa do desafio é que o shimmy poderá ser dominado através do treino diário. Vou deixar o link em que ela explica o processo, vale a pena assistir e, claro, praticar:

https://www.youtube.com/watch?v=YbeR9NLuZ-k

No livro da Brysa Mahaila, volume III, página 48, tem uma dica bem interessante para o shimmy egípcio:

“Dica: para treinamento desse movimento, a aluna pode apoiar as mãos alongadas numa parede, soltando o peso para frente e realizando o movimento de alternância das pernas e batendo os pés livres do seu peso. Aos poucos, pode diminuir a projeção contra a parede até ficar no eixo (manter o peso no eixo anterior)”.

Nota: quando ela diz “eixo anterior”, está querendo dizer que o peso deve ficar na parte frontal dos pés.

Outra dica bacana é começar lentamente, até entender como funciona o movimento. Quando o seu corpo assimilar a técnica, escolha uma música um pouquinho mais rápida, e assim por diante. Para facilitar, vou deixar o link com o ritmo Saidi, em três velocidades diferentes, para o seu treino de shimmy:

https://www.youtube.com/watch?v=FVFTadXGO-A

https://www.youtube.com/watch?v=RpEFf4x5HW8

https://www.youtube.com/watch?v=Ccl5m61YLSI

Espero, de todo coração, que esta postagem tenha sido útil para você. Saiba que eu também estou no árduo caminho da busca pelo shimmy perfeito. Vamos treinar, então? Força na peruca, digo, no quadril, e um dia venceremos esta batalha. Beijos de luz para todo mundo que ama a dança!

Fontes utilizadas:

Suheil, “Glossário de Dança do Ventre”. 1ª edição. Editora Kaleidoscópio de Ideias.

Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume III, Corporeidade, Técnica e Carreira. 1ª edição. São Paulo. Kaleidoscópio de Ideias, 2018.

 

 

 

  

terça-feira, 24 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 2

Relembrando a postagem anterior, existem quatro tipos de movimentos que são um pouco mais difíceis, quando falamos de dança do ventre:

1 – Dissociação corporal;

2 – Braços e mãos;

3 – Shimmies;

4 – Giros.

Sobre os itens 1 (dissociação corporal) e 4 (giros), peço que leiam as matérias cujos links seguem abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/11/que-danca-do-ventre-nao-euma-modalidade.html

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/06/os-giros-na-danca-do-ventre.html

Hoje eu vou falar sobre braços e mãos, uma das partes mais desafiadoras do  corpo, no que diz respeito à nossa dança. Em primeiro lugar, para que utilizamos os braços e mãos na dança? Vamos citar as palavras de algumas bailarinas:

Linda Hathor: “Os braços são condutores de emoção.”

Brysa Mahaila diz que o uso das mãos, dos braços e a expressão facial: “é o elemento que ajuda a bailarina a demonstrar sentimentos, tornando efetiva sua expressividade”.

Níjme: “As mãos guardam enorme poder de comunicação não-verbal e expressão mímica. Elas possuem um potencial inigualável de expressão das emoções, demonstram alegria, mistério, suavidade, turbulência, etc...

Trazem energia para dentro do corpo da dançarina, e transmitem sua energia para fora. São como um portal de recepção e doação de energia. O simbolismo das mãos é extremamente variado. São folhas ao vento, plumas pairando no ar, reproduzem o vôo das borboletas e dos pássaros, sinuosas como as serpentes em movimentos coleados, flui de forma espontânea, tal qual a corrente abundante das águas do rio Nilo.”

Originalmente, os braços nas danças que deram origem à dança do ventre eram bem simples. Com o surgimento do Raqs Sharqi, que já incluía alguns elementos do balé clássico, os braços começaram a ter uma maior variedade de posições e desenhos. Por exemplo, a criação dos “braços de serpente”, ou “serpente alternada”, é atribuída a Badia Masabni, famosa dançarina e empresária do setor de entretenimento do início do século XX.

A primeira dificuldade com que a aluna iniciante vai se deparar, nas primeiras aulas, é manter os braços na posição correta. Geralmente, a nossa tendência é adotarmos uma posição meio largada, mas é lógico que na aula de dança todo o nosso corpo precisa estar na postura correta, inclusive os braços. A professora precisará corrigir a aluna iniciante, para que ela lembre-se do seguinte:

1 – Os ombros precisam estar relaxados, para não deixar tensa a musculatura;

2 – Do mesmo modo, os cotovelos não podem esticar ao máximo, porque também ficam tensos;

3 – As axilas sempre permanecem abertas, mesmo quando os braços apontam para baixo;

4 – Existe uma linha imaginária que vem do ombro, passa pelo cotovelo, o punho e chega até as pontas dos dedos. É uma linha contínua e orgânica.

5 – Os punhos não são “quebrados”, nem para cima, nem para baixo.

6 – Os braços não devem ficar encolhidos, e sim alongados, de forma que quando a aluna for dançar em um palco, seus movimentos de braços apareçam para todo o público.

7 – Embora a tensão dos ombros, cotovelos, punhos e mãos deva ser evitada, é necessário que haja tônus muscular, ou seja, não pode haver frouxidão dos músculos.

8 – As mãos precisam estar relaxadas, e os polegares ficam ligeiramente escondidos.

Ufa! Tudo isso, só para começar. A partir daí, começa o estudo das posições dos braços durante a dança. Os braços podem estar ambos na mesma altura (exemplo: os dois braços abertos), ou em alturas diferentes (exemplo: braços em L). E vamos em seguida para o que é o pesadelo de muitas alunas iniciantes: coordenar braços e pernas. É normal que, nos primeiros dias ou meses, haja dificuldade com a coordenação motora dos movimentos feitos na parte inferior do corpo com aqueles feitos pelos braços. Geralmente, nas primeiras aulas, os braços são mais estáticos, eles servem mais para marcar as posições básicas.

Os braços também podem ser usados para conduzir movimentos. Alguns exemplos: utilizar o impulso dos braços para girar, para deslocar, para transferir o peso, etc. Nesta hora, já começamos a usar os braços de forma mais dinâmica.

Com o passar do tempo, as alunas começam a aprender a movimentar os braços enquanto estão dançando. Parece fácil quando vemos uma bailarina fazendo isso, mas não é. Imaginem só: os quadris fazem batidas aceleradas, enquanto os braços e mãos ondulam suavemente. Exige muito controle e estudo, além de coordenação motora, é claro. E fazer improviso sem se esquecer da posição dos braços? E improvisar lembrando-se de movimentar os braços e mãos durante a dança? Confesso que esqueço os braços em casa quando vou improvisar – rs.

Gostaria de fazer uma observação: existe uma diferença entre os braços das danças árabes folclóricas, que são mais relaxados e baixos, e os que utilizamos na dança clássica, que são mais alongados e altos. Por exemplo: em uma dança baladi tradicional, podemos deixar os nossos cotovelos mais dobrados, e até com uma “quebra” nos punhos, de forma que as mãos apontem para cima. Já uma dança do ventre clássica exige coluna reta, bem como o alongamento dos braços e das pernas.

É lógico que não se trata de apenas mexer os braços de forma mecânica, de levar os braços para lá e para cá. Os braços precisam ter poesia, devem levar o público a um estado emocional. Conforme as palavras da grande bailarina e mestra Farida Fahmy:

“Cada passo deve ter o seu valor... o público sente e entende isso.”

Para terminar, gostaria de indicar dois DVDs didáticos muito bons, são excelentes para estudos: um da Mahaila El Helwa, e outro da Aziza Mor. Gosto particularmente do DVD da Mahaila. Espero que esta postagem tenha sido útil, e desejo uma feliz dança para todos nós!



 


 Fontes utilizadas:

Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume II – Música, dramaticidade e expressão”, 1ª edição, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias.

Luciana Ferraz do Amaral Martins, “Ventre que encanta”. São Paulo, Edição do autor, 2005. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 1

Que a dança do ventre não é uma modalidade fácil, a maioria de vocês já deve saber. É claro que cada aluna ou professora de dança do ventre está em um degrau diferente na escada do conhecimento, mas existem alguns movimentos que são extremamente desafiadores. Vejam se vocês concordam com a lista abaixo:

1 – Dissociação corporal;

2 – Braços e mãos;

3 – Shimmies;

4 – Giros.

E aí, o que acharam da lista? Eu sei que, para cada uma de nós, algumas coisas são mais fáceis e outras mais difíceis, mas pela minha experiência como professora e dançarina, penso que esses são os movimentos mais complicados, tanto para fazer, quanto para ensinar.

Vou dividir esta matéria em três partes, para poder falar calmamente sobre cada um dos itens. O único que vou deixar de fora são os giros, pois já tratei sobre isso em uma postagem intitulada “Os giros na dança do ventre”, em 1º de junho de 2020. O link segue abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/06/os-giros-na-danca-do-ventre.html

A dissociação corporal é uma das características mais marcantes da dança do ventre, conforme a definição da bailarina Níjme, à página 21 do seu livro “Ventre que encanta”:

“A Dança do Ventre é a arte de dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto, transmitindo e expressando sentimentos em harmonia com a música oriental.”

Vamos reforçar a expressão dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto. Quando a aluna vem para fazer as primeiras aulas, eu explico que, se ela for movimentar a parte inferior do corpo, o tronco precisa ficar estável, e vice-versa. Visualizem o seguinte: nós temos um eixo vertical, que vem do alto da cabeça, passa pelo meio do corpo e vai até o chão. Também temos um eixo horizontal, que podemos conferir através do alinhamento dos nossos ombros, por exemplo. Abaixo estão duas ilustrações dos eixos citados:



Se estamos fazendo batida lateral com os nossos quadris, mas os nossos ombros estão desalinhados, e/ou o nosso tronco fica indo para frente e para trás, é porque não isolamos corretamente a parte superior do corpo. Da mesma forma, se estamos fazendo um círculo vertical com o tronco, e os quadris estão se mexendo, é porque a parte inferior do corpo não foi isolada.

Como podemos trabalhar a dissociação corporal? Vamos a alguns exercícios práticos:

1 ) Sente-se em uma cadeira ou banqueta, e segure o assento com as duas mãos. As costas não devem estar encostadas na cadeira. Deslize a parte superior do tronco para as laterais direita e esquerda, sempre lembrando-se de manter os ombros na mesma altura. Em seguida, leve o tronco para frente e para trás, mas não deixe o peito subir ou descer.

2 ) Fique em pé, coloque as mãos na cintura e mantenha o peso nos dois pés, de preferência na parte interna dos pés. Contraia os glúteos. Faça o deslizamento da parte superior do tronco para as laterais, e depois para frente e para trás. Os quadris não se movimentam. Evite que o peso seja transferido de uma perna para a outra, o peso deve ficar distribuído entre as duas pernas. Cuide para que os ombros permaneçam alinhados, e que o peito não suba nem desça.

3 ) Este exercício foi ensinado pelo Jonathan Lanna, e você vai precisar de uma porta da casa para servir de apoio. Se posicione dentro do batente da porta, e coloque os antebraços e as mãos, um de cada lado do batente. Isso vai servir para você isolar a parte superior do corpo. A partir desta posição, faça o deslizamento lateral de quadril. Sempre um joelho estará relaxado, e o outro mais alongado. Não deixe a parte superior do corpo se movimentar.

4 ) Em pé, faça o exercício anterior, mas sem o apoio do batente da porta. Os ombros devem estar na mesma altura, e cuide para não fechar as costelas nas laterais.

5 ) Fique em pé, coloque as mãos na cintura e mantenha o peso nos dois pés. Leve os quadris para frente, contraindo ligeiramente os glúteos e em seguida para trás, relaxando os glúteos. Não movimente o tronco, e evite o desencaixe dos quadris.

6 ) Em pé, com os quadris encaixados, os glúteos contraídos, as mãos na cintura, suba e depois desça o peito. Evite a movimentação dos ombros e das omoplatas, é apenas o tronco que sobe e desce.

7 ) Batida lateral + deslizamento lateral de tronco - com os dois pés no chão, os quadris encaixados, faça um batida lateral com o quadril direito. Leve o tronco para a direita. Leve o tronco para a esquerda. Para terminar, faça uma batida lateral com o quadril esquerdo.

8 ) Batida lateral + subida e descida do peito - com os dois pés no chão, os quadris encaixados, faça um batida lateral com o quadril direito. Suba o tronco. Faça uma batida lateral com o quadril esquerdo. Desça o tronco.

Espero que estes exercícios sejam úteis, e fico à disposição caso tenham alguma dúvida. Lembrem-se de que a prática leva à perfeição. Uma feliz dança para todos nós!

 

 

 

 

sábado, 21 de novembro de 2020

PANDEIRO, SNUJS, DERBAKE E A DANÇA

Alguém uma vez me disse que achava que a dança do ventre era só uma “dancinha”, de fácil aprendizado e execução. Esse alguém estava muito enganado, assim como algumas pessoas leigas, em relação à dança do ventre, e não é culpa delas. Eu penso que o nosso papel, como bailarinas e professoras de dança, é esclarecer essas dúvidas. E por que eu falei tudo isso? É porque, além de dançar, usamos acessórios, o que a nossa dança muito mais complexa. É lógico que o uso desses acessórios não é obrigatório, mas se queremos ser dançarinas mais completas, teremos que aprender a trabalhar com eles. E quais são esses acessórios?

- os diversos tipos de véu (de seda tradicional, wings tradicional, wings de seda, leque, poi, flag, etc.).

- folclóricos (bastão, bastão duplo, véu de meleah laff, jarro, etc.).

- instrumentos musicais, que podem, ou não, ser usados em algumas danças folclóricas (pandeiro, snujs, derbake).

Hoje, eu gostaria de falar mais especificamente sobre a relação entre os instrumentos musicais e a dança do ventre. A bailarina pode aprender a tocá-los, ou utilizá-los durante a dança. Exemplos de danças com instrumentos musicais:

- O pandeiro pode ser utilizado em diversos tipos de música, de preferência as mais alegres. Neste caso, a dançarina não vai tocar o pandeiro no tempo todo, como um músico, e sim fazer as marcações principais da música. É um instrumento muito antigo. Quando os europeus chegaram ao Egito, viram que as dançarinas ghawazee, de origem cigana, dançavam tocando o duff:

- Os snujs são acessórios que exigem grande habilidade por parte da dançarina, pois é um pouco difícil dançar e tocar ao mesmo tempo. Servem tanto para marcações simples (um exemplo é o famoso “ta-ka-tá”, que também é conhecido como “galope”), como para acompanhar integralmente os ritmos. Eles também são utilizados há séculos, e os europeus desenharam e pintaram diversas dançarinas com snujs:

É muito interessante para a bailarina que ela aprenda a tocar esses instrumentos, mesmo que sem o acompanhamento da dança. O fato de tocar um instrumento musical árabe vai possibilitar que você, entre outras coisas, aprenda a diferenciar os ritmos árabes, que são bem complexos, já que possuem muitas variações. O fato de tocar um ou mais instrumentos árabes vai ajudar você a ser uma bailarina melhor e mais completa. A propósito disso, gostaria de contar a minha experiência.

A primeira professora que me ensinou a dança com o pandeiro e a tocar snujs foi a Yasmin Stevanovich. Só que, com o passar dos tempos, deixei o instrumento de lado, e perdi a habilidade. O pandeiro é fácil de ser tocado durante a dança, mas os snujs exigem dedicação e constância. Neste ano de 2020, coloquei o item “tocar snujs” como meta para mim, bem como para as alunas do intermediário e do avançado. Isso foi muito bom, tanto para mim quanto para as alunas.

Eu não me lembro em que ano fiz uma aula de ritmos com o percussionista Guilherme Gul, mas na época eu só tinha pandeiro, então não pude aproveitar muito bem. Em 2017, fiz um curso de imersão com famoso percussionista (excelente músico, mas de personalidade horrível), e desta vez eu tinha comprado uma darbuka. Para quem não sabe, a darbuka é ligeiramente diferente do derbake, o corpo é de cerâmica e ela é feita com couro de animal. Bem, acontece que eu saí do curso traumatizada com as atitudes do famoso percussionista – rs. Mesmo assim, não desisti de aprender a tocar derbake.

Como estava com dificuldade para conseguir tirar os sons da darbuka, decidi comprar um derbake. O meu derbake é de alumínio, e com pele sintética. O som é bem mais fácil de ser extraído, pelo menos para mim. Uma das minhas ex-colegas do curso de imersão, a Anne, me recomendou os DVDs didáticos do Ruka, e por um tempo estudei através deles (obrigada, Anne!). Também aproveitei para incluir, no meu blog, uma seção totalmente dedicada aos ritmos árabes, com suas variações.

Neste ano, achei que estava na hora de ter um professor de derbake, para me ajudar a melhorar mais. A minha professora, a Linda Hathor, me sugeriu o querido amigo e mestre Anthar Lacerda, e estou aprendendo bastante com ele. A propósito, vai aqui a propaganda: o curso com o Mestre Anthar é muito bom, recomendo mesmo. Sei que estou no começo de uma trajetória, mas fico muito contente quando escuto a frase “quando você toca, dá vontade de sair dançando”. É muito gratificante isso!!!

E você, ainda acha que a dança do ventre é apenas uma “dancinha”? Não mesmo, não é? Para terminar, fica aqui a minha foto com meu derbake lindão, meu companheiro que me acompanha há três anos. Dança do ventre é tudo (e não é uma "dancinha" - hehehehe)!



 

 

  

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

EM BUSCA DOS SEUS SONHOS

Há alguns dias atrás, eu estava lendo a Revista Veja, e havia um texto muito bonito da Lucília Diniz. Separei um trecho do texto para vocês (está na edição de 03 de novembro de 2020):

“Não se trata de vidência, mas de lógica. Nossas conquistas, na maioria das vezes, dependem menos do acaso do que da determinação. Se você quiser se aperfeiçoar na arte da culinária, por exemplo, deve cozinhar hoje. Se deseja um dia cantar sem espantar os amigos, cante hoje. Se almeja chegar firme e sacudido aos 80, malhe hoje. E assim por diante. Varia o objetivo, não o dia de começar a concretizá-lo – é sempre hoje. Portanto, incorpore à rotina tudo aquilo que fará você uma pessoa parecida com seus melhores anseios. Se preciso, saia de sua zona de conforto, mesmo que seja para criar outra, mais consciente.”

Eu acho que toda professora de dança do ventre escuta muito esta frase: "eu acho tão linda a dança do ventre, gostaria muito de saber dançar". Eu ouço isso constantemente, e quase sempre alguém faz um comentário assim nas minhas postagens nas redes sociais. Neste caso, o que a pessoa deve fazer? Procurar um professor ou uma professora de dança do ventre, é lógico! É muito difícil – para não dizer quase impossível – começar a aprender algo tão complexo quanto dança do ventre, sem o auxílio de alguém qualificado.

E voltando ao texto da Lucília Diniz, quando a gente deve fazer isso? HOJE! Nós temos a tendência de viver remoendo o passado, ou jogar tudo para o futuro, e frequentemente nos esquecemos do momento presente. Se eu quero, para o fim do ano, me apresentar em um evento de dança do ventre, preciso começar a fazer aulas no início do ano. Eu planejo o meu sonho futuro, mas utilizo o meu momento presente, para que isso realmente aconteça.

E a preguiça? Ai, a preguiça... Ela nos impede de realizarmos os nossos sonhos. A propósito, neste domingo, no programa Fantástico, foi apresentada uma matéria incrivelmente inspiradora:

Um moço norte-americano, portador de Síndrome de Down, era um rapaz muito desmotivado, só ficava no sofá da casa. Seu nome era Chris Nikic, e ele tinha 18 anos de idade. O pai dele, então, para motivá-lo, pediu que ele escrevesse em um quadro as três coisas que ele mais queria na vida. O rapaz escreveu:

- um carro

- uma casa

- uma namorada

O pai dele explicou que, se ele continuasse sentado no sofá, nunca conseguiria realizar os seus sonhos. O rapaz começou, então, a fazer atividades físicas, e isso foi muito bom para ele, tanto no aspecto físico quanto no mental. Além disso, seus objetivos começaram a aumentar, e ele foi executando um por um. Com o passar do tempo, ele aprendeu várias modalidades: corrida, natação, musculação, ciclismo. Com 21 anos de idade, decidiu se inscrever para o Iron Man - são 3,8 km nadando, 180 km pedalando e 42 km correndo, tudo isso dentro do prazo máximo de 17 horas. Ele é o primeiro atleta com Síndrome de Down a realizar um Iron Man. Que história incrível!

E você, quais são os seus sonhos? Aprender a dançar? Melhorar os seus movimentos? Aprender a coreografar? Ter mais segurança na hora de improvisar? Conquistar uma certificação na dança, ou vencer um concurso? Relembrando as palavras da Lucília Diniz: “incorpore à rotina tudo aquilo que fará você uma pessoa parecida com seus melhores anseios”. O dia é hoje, a hora é agora. Força na peruca, e vamos lá!

Nota: para você se inspirar, vou deixar dois links com a história do Chris Nikic:

https://globoplay.globo.com/v/9026151/

https://www.youtube.com/watch?v=A7UPO5G462g



 

 

 

 

 

  

terça-feira, 10 de novembro de 2020

DANÇA DO VENTRE "DÁ BARRIGA"?

Antes de ler esta matéria, recomendo a leitura da postagem abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/05/beneficios-da-danca-do-ventre.html

Já leu a matéria? Então vamos lá! Este tema é importante, porque é um dos grandes mitos da dança do ventre. Ultimamente não escuto tanto quanto antigamente, mas de vez em quando alguém aparece com essa dúvida.

A dança do ventre é uma atividade aeróbica. O que é atividade aeróbica? Quais são as atividades aeróbicas? Selecionei alguns trechos do site www.significados.com.br:

“Aeróbica ou Ginástica Aeróbica, é todo tipo de atividade física que através de movimentos rápidos e ritmados provoca a oxigenação das células musculares e elevado gasto calórico.

O termo ‘aeróbico’ significa ‘com oxigênio’ e está relacionado com o uso de oxigênio do ar, na produção de energia do músculo. Uma grande quantidade de grupos musculares são trabalhados com a prática de aeróbica.

São considerados exercícios aeróbicos: caminhada, corrida, remo, natação, ciclismo, patinação, dança.”

Com a prática da dança do ventre, temos o gasto calórico, conforme explicado acima. Se a atividade é aeróbica, certamente não “dá barriga”, pelo contrário, ajuda a queimar as gordurinhas. E quantas calorias são eliminadas em cada aula? Depende de pelo menos dois fatores: se a aula é mais intensa ou não (depende do assunto abordado no dia, geralmente), bem como duração da aula (na minha escola, as aulas têm duas horas de duração, mas as aulas nas demais escolas têm, normalmente, uma hora e meia de duração). Geralmente, quando a mulher me pergunta se a dança do ventre ajuda a perder peso, eu explico que nas primeiras aulas o ritmo é mais suave, e aos poucos a gente vai puxando um pouco mais. Porém, mesmo que o gasto calórico não seja intenso no início, sempre será melhor do que ficar em casa, assistindo tevê e comendo – rs.

A dança do ventre também tem um grande diferencial em relação a outras danças: ela realmente trabalha os músculos abdominais! Isso não “dá barriga”, como algumas pessoas pensam. Na realidade, através da contração contínua dos músculos abdominais, eles são fortalecidos, e ocorre uma definição do abdômen. A bailarina de dança do ventre não tem uma barriga de “tanquinho”, cheia de gominhos, mas sim uma barriga definida, com a cintura afinada. Um fato é digno de nota: se a dança do ventre estimulasse o aumento do abdômen, ela com toda certeza não seria indicada por nutricionistas, ginecologistas, psicólogos e outros profissionais da área médica.

E por que algumas pessoas não conseguem emagrecer, mesmo dançando? Como todo mundo sabe, existem quatro fatores básicos que fazem com que nós ganhemos peso:

1 - Comer demais;

2 - Ser sedentário ou não fazer atividades físicas na quantidade suficiente;

3 - Tendências genéticas;

4 – A desaceleração metabólica que ocorre com o passar dos anos.

Se nós estamos acima do peso e queremos emagrecer, precisamos da reeducação alimentar e do aumento do gasto calórico. Com dedicação e persistência, os resultados aparecerão no nosso corpo, e a nossa saúde será beneficiada, pois o excesso de peso pode levar a doenças sérias.

Se você está fazendo aulas de dança do ventre, já deve ter notado os benefícios para o seu corpo, já nas primeiras aulas. Caso queira ter um melhor aproveitamento nas aulas, bem como aumentar o gasto calórico, recomendo que dance em casa. Escolha algumas músicas bem animadas, e se solte. Você vai suar, queimar calorias, esquecer os problemas e se divertir. Bora dançar e ser feliz!

 

Fontes utilizadas nesta postagem:

https://www.significados.com.br/aerobica/




 

domingo, 1 de novembro de 2020

DEPRESSÃO, STRESS E PANDEMIA VERSUS DANÇA

Segundo a OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde, a depressão é:

“um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas.”

Ainda segundo a OPAS, as pessoas depressivas:

“normalmente apresentam vários dos seguintes sintomas: perda de energia; mudanças no apetite; aumento ou redução do sono; ansiedade; perda de concentração; indecisão; inquietude; sensação de que não valem nada, culpa ou desesperança; e pensamentos de suicídio ou de causas danos a si mesmas.”

No mundo todo, milhões de pessoas sofrem de depressão. Mas existe uma coisa positiva: a depressão pode ser tratada, e quanto antes, melhor. Para isso, existem os especialistas, bem como medicação própria. Além disso, existe um grande aliado no combate à depressão – a atividade física! Abaixo, está o link de uma reportagem sobre o assunto, vale a pena ler:

https://www.doutoragora.com.br/blog/cuidados-saude/como-vencer-a-depressao-com-atividade-fisica/

A dança é excelente para ajudar no combate à depressão, pois é uma atividade aeróbica, intensa, agradável, e que permite fazer novas amizades. Ajuda no controle da ansiedade e também diminui o stress do dia-a-dia. Durante as aulas, a aluna precisa se concentrar nas sequências e passos ensinados pela professora, e consequentemente esquece seus problemas. O momento da aula é um instante só seu.

Para que os resultados esperados sejam alcançados, a aluna precisa estar consciente de que a dança pode ajudar no processo de cura, e fazer a sua parte. E qual é a sua parte? Vir sempre às aulas, evitar a todo custo faltar, estudar em casa para fixar o que aprendeu em sala de aula. Não desanimar nunca, pois os benefícios são garantidos para quem persiste.

Quero ressaltar isso: a dança pode realmente curar uma pessoa de seus problemas mentais e físicos. Inclusive a dança é indicada por psicólogos, psiquiatras, ginecologistas, endocrinologistas e nutricionistas.

O momento pelo qual estamos passando é bem delicado, pois a pandemia de Covid-19 colocou o mundo de cabeça para baixo. Fomos forçados, para nossa própria segurança, a nos isolar. Isso aumentou o número de pessoas deprimidas, ansiosas e estressadas. Agora, já podemos voltar – com todas as medidas de segurança, é claro – às atividades físicas em sala de aula. Por que não aproveitar, então, para eliminar os nossos problemas através da dança? É muito melhor dançar do que remoer as tristezas.

Para quem está sofrendo de depressão, ansiedade ou stress, gostaria de citar as palavras da grande Hellen Keller:

“O otimismo é a fé em ação. Nada se pode levar a efeito sem otimismo.”

Para quem não sabe, Hellen Keller era cega e surda. Mesmo assim, com o precioso auxílio da professora Anne Sullivan, aprendeu a se comunicar, se formou e veio a ser uma famosa escritora e conferencista. Seja, pois, otimista de que irá vencer os seus problemas, e lembre-se de que tudo passa. E uma feliz dança para todos nós!

 

Fontes:

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5372:depressao-o-que-voce-precisa-saber&Itemid=822#:~:text=A%20depress%C3%A3o%20%C3%A9%20um%20transtorno,durante%20pelo%20menos%20duas%20semanas.

https://www.doutoragora.com.br/blog/cuidados-saude/como-vencer-a-depressao-com-atividade-fisica/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Helen_Keller