Alguém
uma vez me disse que achava que a dança do ventre era só uma “dancinha”, de
fácil aprendizado e execução. Esse alguém estava muito enganado, assim como algumas
pessoas leigas, em relação à dança do ventre, e não é culpa delas. Eu penso que
o nosso papel, como bailarinas e professoras de dança, é esclarecer essas
dúvidas. E por que eu falei tudo isso? É porque, além de dançar, usamos acessórios, o que a nossa dança muito mais
complexa. É lógico que o uso desses acessórios não é obrigatório, mas se
queremos ser dançarinas mais completas, teremos que aprender a trabalhar com eles. E quais são esses acessórios?
-
os diversos tipos de véu (de seda tradicional, wings tradicional, wings de
seda, leque, poi, flag, etc.).
-
folclóricos (bastão, bastão duplo, véu de meleah laff, jarro, etc.).
-
instrumentos musicais, que podem, ou não, ser usados em algumas danças
folclóricas (pandeiro, snujs, derbake).
Hoje,
eu gostaria de falar mais especificamente sobre a relação entre os instrumentos
musicais e a dança do ventre. A bailarina pode aprender a tocá-los, ou
utilizá-los durante a dança. Exemplos de danças com instrumentos musicais:
- O pandeiro pode ser utilizado em diversos tipos de música, de preferência as
mais alegres. Neste caso, a dançarina não vai tocar o pandeiro no tempo todo, como
um músico, e sim fazer as marcações principais da música. É um instrumento
muito antigo. Quando os europeus chegaram ao Egito, viram que as dançarinas
ghawazee, de origem cigana, dançavam tocando o duff:
A
primeira professora que me ensinou a dança com o pandeiro e a tocar snujs foi a
Yasmin Stevanovich. Só que, com o passar dos tempos, deixei o instrumento de
lado, e perdi a habilidade. O pandeiro é fácil de ser tocado durante a dança,
mas os snujs exigem dedicação e constância. Neste ano de 2020, coloquei o item
“tocar snujs” como meta para mim, bem como para as alunas do intermediário e do
avançado. Isso foi muito bom, tanto para mim quanto para as alunas.
Eu
não me lembro em que ano fiz uma aula de ritmos com o percussionista Guilherme
Gul, mas na época eu só tinha pandeiro, então não pude aproveitar muito bem. Em
2017, fiz um curso de imersão com famoso percussionista (excelente músico, mas
de personalidade horrível), e desta vez eu tinha comprado uma darbuka. Para
quem não sabe, a darbuka é ligeiramente diferente do derbake, o corpo é de
cerâmica e ela é feita com couro de animal. Bem, acontece que eu saí do curso
traumatizada com as atitudes do famoso percussionista – rs. Mesmo assim, não
desisti de aprender a tocar derbake.
Como
estava com dificuldade para conseguir tirar os sons da darbuka, decidi comprar
um derbake. O meu derbake é de alumínio, e com pele sintética. O som é bem mais
fácil de ser extraído, pelo menos para mim. Uma das minhas ex-colegas do curso
de imersão, a Anne, me recomendou os DVDs didáticos do Ruka, e por um tempo
estudei através deles (obrigada, Anne!). Também aproveitei para incluir, no meu blog, uma seção
totalmente dedicada aos ritmos árabes, com suas variações.
Neste
ano, achei que estava na hora de ter um professor de derbake, para me ajudar a
melhorar mais. A minha professora, a Linda Hathor, me sugeriu o querido amigo e
mestre Anthar Lacerda, e estou aprendendo bastante com ele. A propósito, vai
aqui a propaganda: o curso com o Mestre Anthar é muito bom, recomendo mesmo. Sei
que estou no começo de uma trajetória, mas fico muito contente quando escuto a
frase “quando você toca, dá vontade de sair dançando”. É muito gratificante
isso!!!
E
você, ainda acha que a dança do ventre é apenas uma “dancinha”? Não mesmo, não é? Para terminar, fica aqui a minha foto com meu derbake lindão, meu companheiro que me acompanha há três anos. Dança do ventre é tudo (e não é uma "dancinha" - hehehehe)!



Nenhum comentário:
Postar um comentário