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sábado, 21 de novembro de 2020

PANDEIRO, SNUJS, DERBAKE E A DANÇA

Alguém uma vez me disse que achava que a dança do ventre era só uma “dancinha”, de fácil aprendizado e execução. Esse alguém estava muito enganado, assim como algumas pessoas leigas, em relação à dança do ventre, e não é culpa delas. Eu penso que o nosso papel, como bailarinas e professoras de dança, é esclarecer essas dúvidas. E por que eu falei tudo isso? É porque, além de dançar, usamos acessórios, o que a nossa dança muito mais complexa. É lógico que o uso desses acessórios não é obrigatório, mas se queremos ser dançarinas mais completas, teremos que aprender a trabalhar com eles. E quais são esses acessórios?

- os diversos tipos de véu (de seda tradicional, wings tradicional, wings de seda, leque, poi, flag, etc.).

- folclóricos (bastão, bastão duplo, véu de meleah laff, jarro, etc.).

- instrumentos musicais, que podem, ou não, ser usados em algumas danças folclóricas (pandeiro, snujs, derbake).

Hoje, eu gostaria de falar mais especificamente sobre a relação entre os instrumentos musicais e a dança do ventre. A bailarina pode aprender a tocá-los, ou utilizá-los durante a dança. Exemplos de danças com instrumentos musicais:

- O pandeiro pode ser utilizado em diversos tipos de música, de preferência as mais alegres. Neste caso, a dançarina não vai tocar o pandeiro no tempo todo, como um músico, e sim fazer as marcações principais da música. É um instrumento muito antigo. Quando os europeus chegaram ao Egito, viram que as dançarinas ghawazee, de origem cigana, dançavam tocando o duff:

- Os snujs são acessórios que exigem grande habilidade por parte da dançarina, pois é um pouco difícil dançar e tocar ao mesmo tempo. Servem tanto para marcações simples (um exemplo é o famoso “ta-ka-tá”, que também é conhecido como “galope”), como para acompanhar integralmente os ritmos. Eles também são utilizados há séculos, e os europeus desenharam e pintaram diversas dançarinas com snujs:

É muito interessante para a bailarina que ela aprenda a tocar esses instrumentos, mesmo que sem o acompanhamento da dança. O fato de tocar um instrumento musical árabe vai possibilitar que você, entre outras coisas, aprenda a diferenciar os ritmos árabes, que são bem complexos, já que possuem muitas variações. O fato de tocar um ou mais instrumentos árabes vai ajudar você a ser uma bailarina melhor e mais completa. A propósito disso, gostaria de contar a minha experiência.

A primeira professora que me ensinou a dança com o pandeiro e a tocar snujs foi a Yasmin Stevanovich. Só que, com o passar dos tempos, deixei o instrumento de lado, e perdi a habilidade. O pandeiro é fácil de ser tocado durante a dança, mas os snujs exigem dedicação e constância. Neste ano de 2020, coloquei o item “tocar snujs” como meta para mim, bem como para as alunas do intermediário e do avançado. Isso foi muito bom, tanto para mim quanto para as alunas.

Eu não me lembro em que ano fiz uma aula de ritmos com o percussionista Guilherme Gul, mas na época eu só tinha pandeiro, então não pude aproveitar muito bem. Em 2017, fiz um curso de imersão com famoso percussionista (excelente músico, mas de personalidade horrível), e desta vez eu tinha comprado uma darbuka. Para quem não sabe, a darbuka é ligeiramente diferente do derbake, o corpo é de cerâmica e ela é feita com couro de animal. Bem, acontece que eu saí do curso traumatizada com as atitudes do famoso percussionista – rs. Mesmo assim, não desisti de aprender a tocar derbake.

Como estava com dificuldade para conseguir tirar os sons da darbuka, decidi comprar um derbake. O meu derbake é de alumínio, e com pele sintética. O som é bem mais fácil de ser extraído, pelo menos para mim. Uma das minhas ex-colegas do curso de imersão, a Anne, me recomendou os DVDs didáticos do Ruka, e por um tempo estudei através deles (obrigada, Anne!). Também aproveitei para incluir, no meu blog, uma seção totalmente dedicada aos ritmos árabes, com suas variações.

Neste ano, achei que estava na hora de ter um professor de derbake, para me ajudar a melhorar mais. A minha professora, a Linda Hathor, me sugeriu o querido amigo e mestre Anthar Lacerda, e estou aprendendo bastante com ele. A propósito, vai aqui a propaganda: o curso com o Mestre Anthar é muito bom, recomendo mesmo. Sei que estou no começo de uma trajetória, mas fico muito contente quando escuto a frase “quando você toca, dá vontade de sair dançando”. É muito gratificante isso!!!

E você, ainda acha que a dança do ventre é apenas uma “dancinha”? Não mesmo, não é? Para terminar, fica aqui a minha foto com meu derbake lindão, meu companheiro que me acompanha há três anos. Dança do ventre é tudo (e não é uma "dancinha" - hehehehe)!



 

 

  

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