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terça-feira, 24 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 2

Relembrando a postagem anterior, existem quatro tipos de movimentos que são um pouco mais difíceis, quando falamos de dança do ventre:

1 – Dissociação corporal;

2 – Braços e mãos;

3 – Shimmies;

4 – Giros.

Sobre os itens 1 (dissociação corporal) e 4 (giros), peço que leiam as matérias cujos links seguem abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/11/que-danca-do-ventre-nao-euma-modalidade.html

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/06/os-giros-na-danca-do-ventre.html

Hoje eu vou falar sobre braços e mãos, uma das partes mais desafiadoras do  corpo, no que diz respeito à nossa dança. Em primeiro lugar, para que utilizamos os braços e mãos na dança? Vamos citar as palavras de algumas bailarinas:

Linda Hathor: “Os braços são condutores de emoção.”

Brysa Mahaila diz que o uso das mãos, dos braços e a expressão facial: “é o elemento que ajuda a bailarina a demonstrar sentimentos, tornando efetiva sua expressividade”.

Níjme: “As mãos guardam enorme poder de comunicação não-verbal e expressão mímica. Elas possuem um potencial inigualável de expressão das emoções, demonstram alegria, mistério, suavidade, turbulência, etc...

Trazem energia para dentro do corpo da dançarina, e transmitem sua energia para fora. São como um portal de recepção e doação de energia. O simbolismo das mãos é extremamente variado. São folhas ao vento, plumas pairando no ar, reproduzem o vôo das borboletas e dos pássaros, sinuosas como as serpentes em movimentos coleados, flui de forma espontânea, tal qual a corrente abundante das águas do rio Nilo.”

Originalmente, os braços nas danças que deram origem à dança do ventre eram bem simples. Com o surgimento do Raqs Sharqi, que já incluía alguns elementos do balé clássico, os braços começaram a ter uma maior variedade de posições e desenhos. Por exemplo, a criação dos “braços de serpente”, ou “serpente alternada”, é atribuída a Badia Masabni, famosa dançarina e empresária do setor de entretenimento do início do século XX.

A primeira dificuldade com que a aluna iniciante vai se deparar, nas primeiras aulas, é manter os braços na posição correta. Geralmente, a nossa tendência é adotarmos uma posição meio largada, mas é lógico que na aula de dança todo o nosso corpo precisa estar na postura correta, inclusive os braços. A professora precisará corrigir a aluna iniciante, para que ela lembre-se do seguinte:

1 – Os ombros precisam estar relaxados, para não deixar tensa a musculatura;

2 – Do mesmo modo, os cotovelos não podem esticar ao máximo, porque também ficam tensos;

3 – As axilas sempre permanecem abertas, mesmo quando os braços apontam para baixo;

4 – Existe uma linha imaginária que vem do ombro, passa pelo cotovelo, o punho e chega até as pontas dos dedos. É uma linha contínua e orgânica.

5 – Os punhos não são “quebrados”, nem para cima, nem para baixo.

6 – Os braços não devem ficar encolhidos, e sim alongados, de forma que quando a aluna for dançar em um palco, seus movimentos de braços apareçam para todo o público.

7 – Embora a tensão dos ombros, cotovelos, punhos e mãos deva ser evitada, é necessário que haja tônus muscular, ou seja, não pode haver frouxidão dos músculos.

8 – As mãos precisam estar relaxadas, e os polegares ficam ligeiramente escondidos.

Ufa! Tudo isso, só para começar. A partir daí, começa o estudo das posições dos braços durante a dança. Os braços podem estar ambos na mesma altura (exemplo: os dois braços abertos), ou em alturas diferentes (exemplo: braços em L). E vamos em seguida para o que é o pesadelo de muitas alunas iniciantes: coordenar braços e pernas. É normal que, nos primeiros dias ou meses, haja dificuldade com a coordenação motora dos movimentos feitos na parte inferior do corpo com aqueles feitos pelos braços. Geralmente, nas primeiras aulas, os braços são mais estáticos, eles servem mais para marcar as posições básicas.

Os braços também podem ser usados para conduzir movimentos. Alguns exemplos: utilizar o impulso dos braços para girar, para deslocar, para transferir o peso, etc. Nesta hora, já começamos a usar os braços de forma mais dinâmica.

Com o passar do tempo, as alunas começam a aprender a movimentar os braços enquanto estão dançando. Parece fácil quando vemos uma bailarina fazendo isso, mas não é. Imaginem só: os quadris fazem batidas aceleradas, enquanto os braços e mãos ondulam suavemente. Exige muito controle e estudo, além de coordenação motora, é claro. E fazer improviso sem se esquecer da posição dos braços? E improvisar lembrando-se de movimentar os braços e mãos durante a dança? Confesso que esqueço os braços em casa quando vou improvisar – rs.

Gostaria de fazer uma observação: existe uma diferença entre os braços das danças árabes folclóricas, que são mais relaxados e baixos, e os que utilizamos na dança clássica, que são mais alongados e altos. Por exemplo: em uma dança baladi tradicional, podemos deixar os nossos cotovelos mais dobrados, e até com uma “quebra” nos punhos, de forma que as mãos apontem para cima. Já uma dança do ventre clássica exige coluna reta, bem como o alongamento dos braços e das pernas.

É lógico que não se trata de apenas mexer os braços de forma mecânica, de levar os braços para lá e para cá. Os braços precisam ter poesia, devem levar o público a um estado emocional. Conforme as palavras da grande bailarina e mestra Farida Fahmy:

“Cada passo deve ter o seu valor... o público sente e entende isso.”

Para terminar, gostaria de indicar dois DVDs didáticos muito bons, são excelentes para estudos: um da Mahaila El Helwa, e outro da Aziza Mor. Gosto particularmente do DVD da Mahaila. Espero que esta postagem tenha sido útil, e desejo uma feliz dança para todos nós!



 


 Fontes utilizadas:

Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume II – Música, dramaticidade e expressão”, 1ª edição, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias.

Luciana Ferraz do Amaral Martins, “Ventre que encanta”. São Paulo, Edição do autor, 2005. 

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