Quem
nunca teve medo de se apresentar no palco? Até as profissionais sentem aquele
friozinho na barriga, quando pisam no palco. Por que com as alunas seria
diferente?
A
propósito, você já se apresentou? Ou ainda não quis fazer isso, por medo do
público? Às vezes, pode acontecer que a aluna esteja num nível muito iniciante,
e precisa aprender mais um pouco, antes de se apresentar. Mas, se a aluna está indo
bem nas aulas, é bom que ela se participe dos espetáculos. Por que eu digo isso? Porque, na vida,
precisamos de desafios. Se apenas fazemos aulas, e não nos desafiamos, com o
passar do tempo a mesmice se instala.
O
medo é inerente ao ser humano, é uma estratégia de defesa. Se não temos medo
nenhum, acabamos nos arriscando em excesso. Só que o medo também pode
paralisar, e a pessoa acaba não fazendo nada. No seu livro “Direção e
preparação artística”, páginas 157 e 158, Jorge Sabongi e Débora Sabongi escrevem:
“Sempre
que houver uma situação que envolva algum tipo de confiança ou
responsabilidade, sentiremos o ‘frio na barriga’. Nervosismo faz parte. A
questão é como você reage, encara e resolve os seus ‘desafios’.
...
Sua
autoconfiança está intimamente ligada a sua determinação em realizar.
...
Diversos
conflitos atingem quem não possui autoconfiança. Só existe uma forma de
superar: encarando os medos, vencendo-os aos poucos. Se virarmos as costas ou
fingirmos que eles não estão ali, permitiremos que se tornem uma fobia. A
primeira vez será difícil, a segunda um pouco menos, na terceira quase não
sentiremos, até que chegará um momento em que o medo, em vez de ser um
instrumento paralisante, será nosso aliado, avisando-nos sobre algo que pode
nos causar problemas.
Procedendo
dessa forma, as coisas não parecerão tão difíceis. Vença seus desafios. Ao
encarar sua entrada em cena, respire e nem conte até três: aja.”
Além
do medo, também receamos o julgamento das demais pessoas. Tememos a reação do
público, as críticas dos parentes e amigos. Receamos as cobranças por parte da
professora. Achamos que não seremos, jamais, capazes de enfrentar um palco. E
quando a apresentação termina, vemos que todos esses medos foram em vão. É
muito bom saber que nos dedicamos, aprendemos algo novo, realizamos uma coisa
que muitas pessoas jamais teriam coragem.
Quando
comecei a fazer dança do ventre, uma das minhas ex-colegas dizia que ela não se
apresentava, pois dançava apenas para si. É óbvio que ela largou a dança logo
em seguida...
Por
outro lado, recentemente, fiz um questionário para minhas alunas, para que elas
definissem suas metas para o próximo ano. Uma das alunas escreveu algo que me
deixou muito contente:
“Quero
participar dos eventos que for possível, porque ajudam no crescimento.”
Concordo
com ela, pois quando saímos da nossa zona de conforto, com certeza aprendemos
muito. Na minha experiência, quando alguém se recusa a dançar, o progresso é
mínimo. Já quando vamos nos apresentar, precisamos estudar, ensaiar, passar e
repassar as sequências coreográficas. Também estimulamos a criatividade,
expressividade, musicalidade, diminuímos a timidez. Além disso, temos a oportunidade
de expressar nossas emoções. É muito gratificante saber que somos capazes de
fazer algo!
Citando
novamente Jorge Sabongi e Débora Sabongi, na página 320 de seu livro, eles
falam sobre os bloqueios limitadores, e explicam as bailarinas podem superar ou
minimizar os bloqueios.
“Para
as bailarinas, há os seguintes passos:
1
- determinar o que irá dançar e modo como irá fazê-lo;
2
- procurar melhorar cada vez mais os movimentos, estudando com afinco e não se
contentando com o básico;
3
- querer fazer sempre bem feito e com qualidade;
4
- treinar com o diretor-sombra ou se filme para fazer correções;
5
- encontrar o ponto de equilíbrio do ‘tripé’;
6
- confiar que poderá fazer melhor depois de 24 horas.
Em
sala de aula ou numa apresentação em que sua professora esteja presente, peça
que ela seja sua diretora-sombra.
Tudo
na vida é questão de (1) vontade, (2) treino, (3) determinação, (4) ação e (5)
confiança. Veja que tudo se inicia pela vontade."
Resumindo:
se você quer realmente aprender dança do ventre, estude na sala de aula e em
casa, e participe das apresentações. Se arrisque! Saia da zona de conforto. Se
alguém disser a você que não dançou bem, que não deveria ter se apresentado,
olhe bem nos olhos dela/dele e diga: “Tô nem aí”. Dance e seja feliz!

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