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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

MAHMOUD REDA E A TRUPE REDA

Você já ouviu falar no bailarino e coreógrafo Mahmoud Reda? Pois bem, se você ama folclore árabe, precisa saber sobre a importância dele. Ele é o grande responsável por levar as danças egípcias folclóricas aos palcos, bem como ao cinema e à televisão. Também deu legitimidade à dança, que era malvista na sociedade egípcia. 

Mahmoud Reda nasceu em 1930 no Egito. Originalmente, Mahmoud era atleta, mas se apaixonou pela dança. Foi inspirado pelo seu irmão Ali, que era dançarino, bem como pelos grandes artistas Fred Astaire e Gene Kelly. Mahmoud se juntou a um grupo folclórico argentino e percorreu a Europa fazendo shows, mas em 1955 voltou ao Egito. Em 1959, Mahmoud, seu irmão Ali e Farida Fahmy, fundaram a Trupe Reda, um grupo totalmente voltado para a dança egípcia. 

Nota: Mahmoud se casou com Nadeeda, irmã de Farida. Nadeeda foi a primeira estilista do grupo, função depois exercida por Farida. Mais tarde, Ali Reda casou-se com Farida. Então, além de uma relação profissional, existia um parentesco devido ao casamento.

A Trupe Reda se inspirava nas danças egípcias folclóricas, combinadas com movimentos de dança ocidental. Após fazer a pesquisa de campo (dos passos básicos, da música  e dos trajes), a dança era levada aos palcos. Segundo Mahmoud Reda, essa mistura era necessária porque:

"... quando você os traz, os verdadeiros dançarinos folclóricos, os coloca no palco, eles parecem estranhos, eles parecem estranhos. Suas roupas, eles não sabem para onde olhar, eles não sei, e se eles fazem as coisas, é muito monótono. Então, o que eu chamo de coreografia não é folclórica. É inspirada na folclórica. Há 90% a mais de dança."

Geralmente, as danças folclóricas tem poucas variações de passos, e é isso que Mahmoud quer dizer quando fala que colocava "90% a mais de dança" nas suas coreografias. Segundo suas palavras:

"Então você tem um tesouro, mas ao mesmo tempo o material é pequeno. Você não pode dar um passo e coreografar uma dança por cinco minutos no palco. O público de palco e teatro é um público profissional."

Conforme testemunho de Farida em 1987:

"O objetivo de Mahmoud Reda era criar uma nova forma de dança de teatro... Seus trabalhos nunca foram imitações diretas ou reconstruções precisas. Eles eram sua própria visão das qualidades de movimento dos egípcios... a postura, a carruagem e o gesto dos homens e mulheres de seu país, seja na dança ou nas atividades cotidianas."

Em 1961, a Trupe Reda protagonizou seu primeiro filme. Neste mesmo ano, o Ministério da Cultura do Egito passou a patrocinar o grupo. A parceria de dança entre Mahmoud e Farida foi de importância vital:

"A ambição de Mahmoud Reda de apresentar um novo gênero de dança e o forte desejo de Farida Fahmy de dançar foram o catalisador de um empreendimento artístico bem-sucedido e gratificante. Mahmoud Reda foi dançarino principal até 1972. Ele ensinou os dançarinos, coreografou e dirigiu todas as performances de palco.  Com suas coreografias inovadoras, ele criou um gênero de dança que abrange muitos estilos. Farida Fahmy foi dançarina principal por vinte e cinco anos. Ela era um modelo para os dançarinos recrutados, e sua graça e elegância capturaram instantaneamente o coração dos egípcios."

Ali Reda era consultor artístico da Trupe Reda, e cuidava da parte administrativa e gerencial do grupo. Também dirigiu dois filmes com a Trupe Reda, filmes esses que são exibidos na TV egípcia até hoje. Outra pessoa de importância capital para o grupo foi o músico Ali Ismail, que compunha as músicas. O grupo começou com sete dançarinas, sete dançarinos e doze músicos. Em meados da década de 1970, eram cento e cinquenta membros, contando os artistas e os técnicos. A Trupe Reda se apresentou no Egito e visitou mais de cinquenta países, e ganhou diversos prêmios. 

O grande coreógrafo ainda vive, mas em 1990 ele foi aposentado devido à burocracia do governo. As coreografias e o método Reda são estudados até os dias de hoje, por artistas, professores e coreógrafos do mundo inteiro. 

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