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quarta-feira, 6 de novembro de 2019

COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA NA DANÇA DO VENTRE - Texto de Mellissa Mel

Nota: texto repostado. Tinha sido postado em 14/08/2011. Tem dicas muito boas para quem quer montar uma coreografia!

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Meninas, este texto é de autoria da professora e dançarina Mellissa Mel, e foi apresentado no V Encontro da Griffe Marilin. O texto é riquíssimo, um excelente material de estudo, imprescindível para quem está aprendendo a montar coreografias. Aconselho vocês a lerem antes o meu texto "O que é dança do ventre clássica", para se familiarizarem com alguns termos técnicos. A professora Mellissa gentilmente autorizou o uso deste texto no meu blog, e aqui vai o meu muito obrigada. Valeu, Mel!


COMPOSIÇÃO COREOGRÁFICA NA DANÇA DO VENTRE - por Mellissa Mel

Como montar sua coreografia

1) Escolha a música 

Escolha uma música curta e que tenha mudanças de ritmo. Caso planeje utilizar um instrumento, tenha certeza que ela é adequada a ele.

2) Estude a música 

- Qual a origem desta música? Egípcia, libanesa, turca, grega, americana (nota: as músicas egípcias geralmente são mais alegres e sonoras, as libanesas geralmente são dabkes).

- Qual o estilo? Moderna, clássica (tarab/sharky), solo derback, folclore, tribal, fusão (nota: sharky é a música do ventre clássica).
- Qual o artista? Pesquise sobre o seu trabalho.
- Qual o tema da música? Ache a letra dela e descubra seu significado.
- Quais os ritmos usados? O folclore aparece?
- Quais os instrumentos que aparecem? Nay, violino, alaúde, acordeon...
- Qual o figurino adequado.
- Assista a outras pessoas dançando a mesma música.

3) Divida a música em partes 

- Identifique a estrutura da música


Ex. Sharky: entrada - refrão - variação do refrão - folclore - takasim - refrão - final.
Pop: introdução - refrão - coro - takasim - refrão - final.

- Divisão por ritmos
Ex. Sharky: ayoub - maqsoum - saiidi/soudi - wahda u nos - malfouf.

- Aprenda a anotar todas essas informações

Ex.
0 - introdução
00:40 - entrada (malfouf)
01:05 - solinho de derbake e repete a entrada
01:48 - saiidi (melodia 2)
02:27 - masmoudi
02:58 - repete melodia 2 mas com acentos do derback
03:17 - saiidi - folclore
03:55 - solo de derback
04:09 - malfouf e violinos
04:25 - takasim de alaúde
04:50 - malfouf e violinos com acentos
05:13 - final (repete a entrada)
05:33 - solinho de derback e final

4) Planeje seus passos


- Como será sua entrada no palco
A primeira impressão é a que fica! O público gastará os primeiros momentos da sua dança prestando a atenção em você e seu figurino, se acostumando com a música e com sua presença. Não queime 457 movimentos já nos primeiros 20 segundos! Use movimentos simples de deslocamento aliados a giros, "cumprimente" sua platéia, estabeleça contato deixe que eles te vejam e coloque-se no centro do palco para passar para a próxima etapa.

- Centro do palco
Aqui é o lugar onde a platéia poderá enxergar bem você e todos os seus movimentos. Use-o em momento onde você quer usar seus movimentos especiais e sequências mais complexas. Procure finalizar sua coreografia aqui também.

- "Viajando" pelo palco
Use o palco das maneiras mais variadas que você possa imaginar. Utilize todas as direções, diagonais, deslocamento para frente e para trás, use os cantos do palco, desenhe círculos. Deixe sua coreografia dinâmica e variada.

- Momento dramático
Localize este momento na música e use-o como um desafio pessoal. Ele tornará sua coreografia mais interessante e longe de ser monótona.

- Folclore
Identifique o estilo e escolha alguns movimentos mais característicos do estilo em questão para serem trabalhados.

5) Identifique cada variação de "humor" da música 

Dê nomes que ajudem você a identificá-los - alegre, triste, suave, sexy, etc. Qual movimento te remete cada uma dessas características

6) Anote os passos para cada parte

Depois de todo o trabalho que já foi feito anteriormente essa parte deve ser mais fácil! Experimente colocar o corpo em ação, coloque a música e dance até que venha alguma coisa que te agrade.
Anote todos os passos e seus tempos. Comece simples e vá adicionando os detalhes: braços e molduras, cabeça e foco, direções e sentidos dos movimentos.

7) Deixe ela interessante

Toda a parte de mapeamento dos passos é muito importante mas não se esqueça do público. Faça algo que faça ele se divertir e seja interessante de assistir!
Não seja repetitiva. Caso você queira repetir alguma sequência, use outras direções, novos posicionamentos de braços, adicione shimmy, para evitar que sua repetição seja... repetitiva!
Trabalhe com vários ângulos de visão, diagonais, de costas, diagonais-fundo. Experimente novos posicionamentos.
Varie as velocidades. Dentro de um mesmo ritmo você poderá trabalhar mais rápido que ele (dobrando a velocidade), dentro do ritmo ou até mesmo na metade da contagem (ralentando).
Use o espaço ao redor do seu corpo. Não fique de frente, com os pés no chão e os braços em segunda posição como uma samambaia. Trabalhe com seu tronco, braços, pernas. Use os níveis alto, médio e baixo.

8) Enriqueça com detalhes


Braços e molduras. Não deixem eles largados à própria sorte. Eles devem acompanhar sua dança e emoldurar seus movimentos. Não deixem eles parados!
Cabeça e foco.
Para onde você olhar durante sua dança. Você consegue marcar foco durante seus deslocamentos e giros.

9) Coloque sua coreografia em ação


Agora que ela está pronta mexa seu corpo. Ensaie, ensaie e ensaie.
Durante os ensaios é que vão surgir dúvidas, novos movimentos e detalhes que você não tinha ouvido antes na música.
Grave sua dança e assista!





terça-feira, 5 de novembro de 2019

A DANÇA DO VENTRE É UMA DANÇA MILENAR?

Sempre ouvimos falar que a dança do ventre é uma dança milenar, que era dançada nos templos do Antigo Egito. Dá para acreditar nisso? Eu, particularmente, não acredito muito. 

Precisamos lembrar que o Antigo Egito era uma sociedade com muitos deuses, governada por uma pessoa (o Faraó) que também era considerada um deus. Os sacerdotes também tinham muito poder no período faraônico. Existem alguns registros das bailarinas e dos músicos desta época. Aparentemente, a dança executada nos palácios era uma dança acrobática, conforme a imagem abaixo:


Aqui temos algumas mulheres tocando instrumentos musicais:


Já o Egito atual é um país muçulmano, que após passar por diversas conquistas, foi dominado pelos islâmicos entre os anos 639 e 642. A partir deste momento, quase não existem imagens de seres vivos. É uma questão bastante controversa, já que os sunitas são bem rigorosos nesta proibição de se retratar pessoas e animais. Com isso, só vamos ter imagens de dançarinas "do ventre" com a chegada dos europeus ao Egito. Conforme consta no site da Biblioteca Digital Mundial:

"Quando Napoleão Bonaparte invadiu o Egito em 1798, ele trouxe consigo uma comitiva de mais de 160 estudiosos e cientistas. Conhecidos como a Comissão Francesa das Ciências e das Artes do Egito, estes peritos realizaram uma extensa pesquisa sobre a arqueologia, topografia e história natural do país. Um soldado que fazia parte da expedição encontrou a famosa Pedra de Roseta, a qual foi usada mais tarde pelo linguista e estudioso francês Jean-François Champollion (1790-1832) para desvendar muitos dos mistérios que há tempos cercavam a língua do antigo Egito. Em 1802, Napoleão autorizou a publicação das conclusões da comissão em uma obra monumental, em vários volumes, que incluía gravuras, mapas, textos acadêmicos e um índice detalhado. A publicação da edição imperial original começou em 1809. Esta mostrou-se tão popular que uma segunda edição foi publicada sob a Restauração Bourbon pós-napoleônica. A "Edição Real" (1821-1829), das coleções da Biblioteca de Alexandria, é apresentada aqui." (https://www.wdl.org/pt/item/2419/)

Os franceses já encontraram as dançarinas "do ventre", que podiam ser classificadas em:

- Almeh (dançarinas com mais prestígio, mulheres artistas).
- Ghawazee (ciganas árabes, cujo status era considerado inferior às da almeh).

Em um dos volumes de "Descrição do Egito", consta a seguinte imagem, com o título de "almés ou danseuses publiques":



Também consta a imagem abaixo, presumo que é de uma ghawazee:



Abaixo temos outra imagem de almeh, com o título "Almeh du Caire". Foi pintada pelo artista Frederic Goupil Fesquet (1806-1893):



É bom lembrar que o termo "dança do ventre", que foi criado pelos franceses, foi um jeito pejorativo de descrever a dança. Para os egípcios, ela é conhecida como "raqs sharqi", ou "dança do leste".

Gostou do texto? Caso tenha interesse em saber mais, acesse o site da Biblioteca Digital Mundial, e pesquise os volumes da obra "Descrição do Egito". Foi uma trabalho monumental, que abrangeu todos os aspectos do Egito (antiguidades, objetos, profissões, etc...). Impressionante, mesmo!

Fonte: https://www.wdl.org/pt/item/2419/

INFLUÊNCIAS ÁRABES NO BRASIL - Texto de Patrícia Bencardini

Nota: o texto original foi postado em 23 de abril de 2013. Foi um dos textos mais acessados (2.219 visualizações!). Estou postando novamente, o assunto é muito interessante.

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Meninas, este texto também foi tirado do livro "Dança do ventre - ciência e arte", da Patrícia Bencardini. O livro foi editado em 2009 em São Paulo, pela Editora Barauna. Se alguém for usar algum trecho deste texto, não esquecer de mencionar a fonte. 




INFLUÊNCIAS ÁRABES NO BRASIL (páginas 83 a 85)


"Os primeiros árabes chegaram ao Brasil por volta de 1880, a maioria vinda da Síria e do Líbano. Esses primeiros imigrantes eram cristãos e se concentraram na região Sudeste, onde buscavam trabalho nas áreas próximas às lavouras de café, e na região Norte, onde havia a extração da borracha. Sendo hábeis comerciantes, trabalharam como mascates, e sempre davam preferência às áreas que estavam se desenvolvendo, onde era melhor para o comércio.


A partir dos anos 50, uma grande população muçulmana entrou no Brasil, vinda de diferentes regiões do Oriente Médio. E nas décadas de setenta e oitenta, final do século vinte, novos imigrantes libaneses vieram para o Brasil, fugindo da guerra civil, quando muitos encontraram parentes distantes que vieram no começo do século.
Só a cidade de São Paulo e a região do ABCD, juntas, concentram mais libaneses e descendentes do que toda a população do Líbano. Sem contar outras áreas do Brasil que concentram grandes colônias árabes como o estado do Ceará. Em Foz do Iguaçu, a colônia muçulmana é enorme.
A presença árabe no Brasil trouxe diversas influências, além da língua como foi citado anteriormente. O setor de alimentação dá provas disso: multiplicam-se as redes de fast-food de comida árabe, a esfiha, o kibe, espetinhos de carne estão incorporados ao cardápio brasileiro. Sem falar no café, arroz, laranja, aspargo e açafrão, entre outros, que o mundo ocidental só conheceu graças às conquistas muçulmanas em séculos passados.


Os árabes que passaram pelo Ceará deixaram muita influência no plano musical, os repentistas nordestinos que se desafiam mutuamente lembram os trovadores orientais e suas gasidas. A arquitetura também mostra a presença árabe em diversos pontos como a existência de arcos ogivais, janelas e biombos em treliça, mosaicos e até azulejos, sem falar nas formas geométricas que caracterizam a arte islâmica. Como a religião proíbe representar qualquer figura de seres vivos, os artistas árabes desenvolveram desenhos refinados a partir das figuras dos triângulos, quadrados e círculos; utilizam também as letras do alfabeto árabe de forma bem rebuscada compondo os arabescos que dão vida à arte e expressão de origem islâmica.


A comunidade árabe no Brasil atual é estimada em 10 milhões de pessoas, a maioria é formada pelos libaneses e pelos sírios. Em menor número aparecem egípcios, jordanianos, palestinos, iraquianos e até sauditas.
O Brasil tem a característica de acolher diferentes culturas e permitir a convivência pacífica entre todas. A cidade de São Paulo é bom exemplo disso.
A presença de uma colônia árabe tão grande nesta cidade acabou por influenciar toda uma população, tanto que a maioria das professoras ou bailarinas profissionais de dança do ventre não tem ascendência árabe. São, em geral, mulheres que convivem ou conviveram em algum período de sua vida com essa cultura e acabaram sendo influenciadas por ela."

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

POR QUE FAZER DANÇA DO VENTRE? TEXTO DE MAYRA SHÃMS

Nota: texto postado em 20 de maio de 2011, repostado hoje. Segue imagem do livro, para quem tiver interesse em adquirir.

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Este texto foi extraído das páginas 32 a 35 do livro "A dança do ventre e sua face terapêutica", da professora e bailarina Mayra Shãms. Gostaria apenas de fazer uma ressalva - a parte mística citada no texto (chakras, kundaline, terceira visão, shakti, etc), eu vejo com muita cautela. Prefiro me atar aos benefícios mais palpáveis, ou seja, físicos e emocionais. Cada uma que faça a sua interpretação e escolha o que serve e o que não serve. Boa leitura!

"Por que fazer dança do ventre?

As respostas estão nos benefícios trazidos em pouco tempo de prática.
1 - Você se sente mais bonita porque resgata sua feminilidade. Seu poder de atração se amplia em função do magnetismo que é trabalhado.
2 - Você equilibra os hemisférios cerebrais, o que fará com que em seu campo energético o parceiro ideal chegue em sua vida, pois você equilibra a sua personalidade e atinge diretamente a autoestima (para as casadas nasce uma nova mulher que o marido tentara desvendar).
3 - Através do fluxo e refluxo da respiração você leva o poder curativo para o interior do seu corpo. A integração dos movimentos, sincronizada com a respiração, desbloqueia energias estagnadas que voltam a circular e, como já aconteceu em muitos casos, você dissolve cistos, miomas, endometriose. Já está sendo indicada, inclusive, por ginecologistas, angiologistas e outros profissionais, para que seja usada como tratamento paralelo (Bioenergia).
4 - Libera suas emoções mais densas como a raiva, agressividade, ciúme, etc.
5 - Você emagrece, afina sua cintura e modela o corpo, reeducando sua postura e enrijecendo toda a musculatura. Sente-se e torna-se realmente rejuvenescida, pois cria mais resistência, auxilia as cólicas menstruais, liberando o fluxo, TPM, hormônios, artrite, artrose, hosteopenia, etc.
6 - Realizando os movimentos da cabeça, similares aos da serpente, alonga-se pescoço e cervical. Trabalha-se também a glândula tireóide. A terceira visão é ampliada, o que acarreta no aumento da quantidade de micro cristais existentes dentro da glândula pineal que tem o tamanho de um caroço de azeitona e fica localizada no cérebro, na direção dos olhos e é responsável pela intuição, independente da sua idade. Ocorre então, a ativação do chakra ajna.
7 - Devido à liberaçãao dos bloqueios de energia você desenvolve maior flexibilidade e elasticidade no corpo em geral, em especial a cintura pélvica e escapular, massageando também a coluna (com exercícios corretos de compensação).
8 - Em uma hora de aula de dança do ventre (com um bom ritmo de aula), perde-se até 500 calorias, o equivalente a uma hora de esteira.
9 - Define o abdome, sem aumentar a barriga. Não é a dança do ventre que aumenta a barriga, e sim a sua alimentação.
10 - Aumenta seu ritmo, coordenação, reflexo e postura.
11 - Ocorre uma tomada de consciência (libertação de apegos escravagistas).
12 - Ativa a circulação e trabalha a parte cardiorrespiratória.
13 - Aumenta a suavidade, percepção e concentração da mulher.
14 - Ativa na aura da mulher um brilho de juventude e alegria.
15 - Trabalha a autoestima, confiança, segurança, alegria e vontade de viver.
16 - Permite que, no seu caminhar, a mulher adquira serenidade, sabedoria e amor fraterno. Isso se deve à tônica que se trava entre a fêmea com a natureza de sua shakti (que seria a manutençao, fixação e exaustão da energia feminina, que a transforma na sacerdotisa).
17 - Descongestiona e alinha os chakras, ativando e equilibrando os nossos centros energéticos.
18 - Ativa a kundaline (dependendo de como você conduz a energia espiritual e de como são os seus valores dentro da dança e sua visão de vida), desenvolvendo o fogo espiritual que serpenteia do cóccix a atlas, subindo pela base da coluna gradativamente.
19 - Descarrega as tensões e dissolve os bloqueios emocionais, as inseguranças e a timidez.
20 - Através da dança os músculos pélvicos ganham mais forca, fornecendo maior prazer sexual.
21 - Trabalha as articulações e todo o sistema nervoso central.
22 - O fortalecimento dos músculos do ventre facilita as contrações e aumenta a dilatação durante o parto.
23 - Equilibra os hormônios do aparelho reprodutor.
24 - As batidas aceleradas do quadril, fazem com que o fluxo menstrual desça normalmente, trazendo alivio às cólicas menstruais. Isso ocorre por causa da irrigação sanguínea, que também regula os intestinos e oferece maior flexibilidade à mulher.
25 - O trabalho de respiração e movimento já solucionou casos onde a cirurgia não resolveu. Como, por exemplo, deslocamento de aderência na parede abdominal que se colou ao intestino (lesão no músculo da parede)."

TODAS DIZEM A MESMA COISA: "EU SOU MUITO DURA"

Nota: texto repostado; originalmente foi postado em 10 de setembro de 2012. 

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Por várias vezes, eu ouvi estas frases das nossas alunas iniciantes:
- Professora, eu sou muito dura;
- Não tenho coordenação motora;
- Não tenho molejo;
- Sou mais dura que um pedaço de pau;
- etc...

Em primeiro lugar, ninguém nasce sabendo. Todos nós, desde o momento em que somos lançados no mundo, passamos por diversos aprendizados. O aprendizado da dança é apenas mais um dos inúmeros aprendizados pelos quais passamos.

Segundo - trabalhamos com técnicas de dança do ventre, e qualquer técnica pode ser ensinada e aprendida. Se o professor tiver um plano de aulas consistente, e a aluna for assídua e pontual nas aulas, ela vai aprender. 

Terceiro - algumas pessoas tem facilidade para lidar com o próprio corpo, enquanto outras tem mais dificuldade - mas isso não quer dizer que essas pessoas não possam aprender! Pode levar um pouco mais de tempo, mas com persistência, tudo é possível. Quero frisar isso: COM PERSISTÊNCIA, TUDO É POSSÍVEL. A minha sugestão para as alunas que tem dificuldade é - estude em casa. Não conseguiu fazer aquele movimento em sala de aula? Peça à professora para gravar o movimento, e estude, até aprender. 

Quarto - a soltura dos movimentos, a melhora na coordenação motora, a flexibilidade - tudo isso se consegue após algumas aulas de dança do ventre. Além disso, quanto mais praticamos os movimentos, mais naturais eles se tornam.

O que deduzir de tudo isso que falamos? Que a dança do ventre pode ser praticada por qualquer mulher, DESDE QUE ELA SE DISPONHA. Mas lembre-se de uma coisa: para ser um bom dançarino, são anos de estudos. Não existe fórmula mágica! 

Algumas recomendações importantes para quem quer aprender dança do ventre:
- escolha uma boa professora;
- estude em casa, além de fazer as aulas na escola;
- tire toda e qualquer dúvida com sua professora, não tenha vergonha de perguntar;
- comemore os resultados conquistados;
- use o computador como seu aliado (principalmente o Youtube);
- se possível, faca anotações ou grave as aulas;
- assista apresentações ao vivo, em vídeo, na internet, etc.;
- pesquise, questione, seja curiosa.

Espero que você se junte a nós, e faça parte do fascinante mundo da dança do ventre! Abaixo, uma imagem para darmos um pouco de risadas - hehehe.


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

COMPORTAMENTO EM SALA DE AULA

Quando falamos em aulas de dança, é bom ter em mente que existe um comportamento adequado ao ambiente. Isso vale tanto para a aluna quanto para a professora. Sabemos que ninguém é perfeito, mas podemos melhorar, se quisermos. Abaixo vão algumas dicas, mas quero deixar bem claro que não sou dona da verdade. É apenas a minha opinião, com base nas minhas experiências como aluna e como professora. Já fiz muita coisa errada? Claro que sim. Mas o tempo e a experiência ensinam...

SE VOCÊ É ALUNA:

- Em primeiro lugar, procure uma boa professora, com a qual você tenha afinidade e confiança no trabalho. Não procure pelo preço das aulas, pois o barato pode sair caro. Escolha a professora pela sua capacidade e conhecimento, jamais pelo preço. 
- Quer, realmente, aprender a dançar? Então evite faltar às aulas. Seja assídua e pontual. Se for faltar, avise a professora, é uma gentileza que você faz a ela. Estude em casa, quem faz isso tem melhor rendimento. Se tiver dúvidas, peça ajuda à professora, ela está aí para isso mesmo. 
- Aceite as correções feitas pela sua professora. Essas correções são primordiais para que você faça o movimento da forma correta, bem como para melhorar a sua técnica. Entenda que a professora não está criticando você como pessoa, mas está corrigindo um aspecto técnico da sua dança.
- As suas colegas podem se tornar as suas melhores amigas. Afinal, vocês tem em comum o amor pela dança do ventre. Porém, se você não tiver afinidade com uma colega, não deixe que isso interfira na sua aula. Precisamos aprender a conviver com todos os tipos de pessoas. 
- Qualquer coisinha à toa na dança te decepciona? Tudo te magoa? Pois saiba que, em todas as profissões e atividades, sempre tem alguma pedra no caminho. Aprenda a passar por cima das pedras, isso vai servir para te fortalecer. 
- Está com problemas particulares? Tudo bem se precisar desabafar de vez em quando. Mas precisa fazer isso em todas as aulas? Você está na aula de dança para esquecer os problemas, não para remoê-los. O horário da aula é feito para tirar o stress do dia-a-dia, é um momento seu, então precisa ser um momento de paz.



SE VOCÊ É PROFESSORA:

- Continue a estudar. Não pense que sabe tudo, pois a dança do ventre é muito complexa. Ninguém consegue ser excelente em clássico, moderno, folclore, estudo de ritmos, acessórios, etc. Faça aulas regulares, nunca deixe de ser uma eterna aprendiz. 
- A aluna não é sua propriedade. Quem está fazendo aulas com você é quem está na mesma vibração sua. Não critique a aluna que mudou de escola. Porém, ao mesmo tempo, não roube aluna ou profissional de outra escola, isso é falta de ética. 
- A aluna nova já chega criticando uma professora de outra escola? Não entre na conversa dela. Respeite a sua colega. Ela também está fazendo o seu trabalho. 
- Você não é a dona da verdade, nem a proprietária da dança do ventre. Tenha em mente que está apenas aprendendo, um pouquinho a cada dia. 
- Ame a sua profissão, pois ela é muito digna. Faça tudo com amor à arte e seja grata às suas alunas, pois elas são o seu sustento. Tente sempre melhorar a sua escola e o seu método de dar aulas. Procure sempre o melhor para as suas alunas. O crescimento delas é a sua maior recompensa. 
- Seja grata às professoras que possibilitaram a sua formação. A gratidão é poderosa. As pessoas ingratas não vão para frente, pois estão sempre cuspindo no prato que comeram. Agradeça, sempre. 

Espero que tenham gostado, e podem deixar seus comentário . Quero ressaltar, mais uma vez, que são opiniões minhas. Não é crítica a ninguém, nem aluna e nem professora.  Feliz dança a todas!


O QUE É A DANÇA DO VENTRE? Texto de Patrícia Bencardini

Nota: este texto foi publicado originalmente em 17 de abril de 2013. Segue a capa do livro, para quem tiver interesse em adquirir o mesmo.

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Meninas, comprei um livro muito bacana, chamado "Dança do ventre - ciência e arte", da Patrícia Bencardini, Editora Baruna, São Paulo, editado em 2009. Tem muita coisa interessante nele, e selecionei alguns trechos da introdução, folhas 18 a 21. A frase que eu mais gostei foi a seguinte: "de que adianta conquistar espaço no mercado de trabalho, tornar-se independente, e não conquistar a si mesma?". Por favor, se alguém for utilizar o mesmo texto, não esquecer de citar a fonte.


O QUE É A DANÇA DO VENTRE? - Patrícia Bencardini

"Quanto ao aspecto corporal, é uma técnica milenar de intenso condicionamento físico que vai trabalhar de forma completa todos os grupos musculares que formam o corpo humano. Apresenta um elaborado conjunto de movimentos para estimular o comando neuromotor. Pode ser uma alternativa segura à ginástica ocidental, a partir do momento em que tonifica e modela o corpo feminino. Traz inúmeros benefícios fisiológicos e psicológicos para suas praticantes.
Trata-se também de uma forma de expressão artística, individual e feminina que privilegia tanto a forma (coreografia) quanto o conteúdo (o corpo e suas atitudes). Possui harmonia perfeita e estética personalizada. É uma arte precisa e muito técnica; quando a bailarina trabalha corretamente dentro dos limites estéticos, proporciona momentos de pura beleza e encantamento para quem assiste.
...
O estudo da dança do ventre é uma fonte segura de autoconhecimento e crescimento pessoal.
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Dançar também é um ato de livre expressão, em que a mulher pode aprender a se conhecer e também a lidar com suas próprias emoções. Isso gera consequências no indivíduo e suas relações interpessoais, levando a respostas sociais, que acontecem como numa reação em cadeia.
...
A dança é um instrumento de libertação feminina. É uma conquista pessoal. De que adianta conquistar espaço no mercado de trabalho, tornar-se independente, e não conquistar a si mesma?
O estudo da dança leva a mulher a um profundo conhecimento de si mesma, em que as consequências finais levam à conquista da liberdade. O que deve ser considerado agora é a liberdade pessoal, individual e intransferível, que nada tem a ver com as conquistas sociais das ultimas décadas.
A arte de dominar o corpo traz profundos reflexos ao espírito. Torna-se uma condicionamento que propicia o autoconhecimento, conduzindo à autoconfiança. Produz um estado de relaxamento interior, ajudando a mulher a viver com mais tranquilidade, qualquer que seja seu modo de vida.
...
A dança também tem um aspecto lúdico inerente: torna-se pura diversão social, dando livre expressão ao prazer de soltar o corpo na cadência do ritmo. Em diversas regiões do Oriente, passa de mãe para filha, tradicionalmente, ajudando a formar o folclore e a cultura nesses locais.
Ainda é utilizada por algumas mulheres como uma forma de preparar o corpo para a primeira relação sexual, a gravidez e também para o momento do parto. Dançando, a mulher vai fortalecendo e alongando todos os músculos envolvidos nesse processo. Vai aprendendo a lidar com o seu corpo, sob vários aspectos."