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segunda-feira, 20 de maio de 2013

ENTREVISTA COM A PROFESSORA LINDA HATHOR

No dia 18/05/2013, entrevistei a minha professora, Linda Hathor. Querida professora, quero aproveitar esse espaco para agradecer toda a sua dedicacao. A minha danca tem melhorado muito, gracas a voce. Obrigada!

Linda, conte como tudo comecou...
Na minha infancia e adolescencia, estudei jazz e bale no colegio, quando eu morava em Sao Paulo. Tambem fui patinadora artistica, dos 3 aos 11 anos de idade. Participei tambem de muitos grupos de teatro. Quando eu me mudei para Curitiba, em 1998, eu fui procurar alguma atividade fisica que fosse perto da minha casa, por dois motivos: eu estava um pouco gordinha e tambem me sentia muito soh, apos a mudanca de cidade. A minha madrasta fazia aulas de danca do ventre, e ela tinha uma fita de video da Lulu Sabongi, intitulada `A arte da danca do ventre`. Minha primeira aula foi atraves dessa fita, depois eu encontrei uma academia perto de casa que tinha aulas de danca do ventre, e a minha primeira professora foi a Sueli Latenek.

Quais as suas maiores conquistas na danca?
Para mim, a maior conquista foi o meu desenvolvimento como ser humano. Eu tinha um grande complexo da minha barriga, e eu precisei expor ela para um monte de gente, para comecar a aceita-la. Era muito timida e hoje nao tenho o menor problema em me expor em publico, e tambem de falar para muitas pessoas.
Outras conquistas importantes sao as amizades que fiz atraves da danca, e as historias de vida dessas pessoas, que eu pude conhecer. Tambem tive a oportunidade de conhecer lugares que eu nunca imaginei que ia conhecer, e tambem de poder dar algum retorno a sociedade, atraves de trabalhos voluntarios.
Eh logico que os concursos tambem fazem parte dessa historia, foram marcos importantes. Ter o seu trabalho reconhecido eh importante para qualquer profissional.

A danca eh uma mae, ou uma madrasta?
Ela eh sempre uma mae, nao tenho duvida nenhuma. Soh que ela te testa. Ela vai te dar exatamente o que voce precisa, na hora que voce precisa. E como um processo de desenvolvimento humano, voce vai se ver em momentos de duvida, de dificuldade, de incerteza. Nessa hora, eh indispensavel que voce busque um referencial, que mantenha viva a sua chama, a sua vontade de aprender.

Este ano tem uma comemoracao muito especial. Conte para a gente o que voce estah preparando.
Este ano estarei comemorando 15 anos de danca do ventre. Espero que seja um momento de celebracao, e que eu possa compartilhar o palco com alunas, amigos e pessoas que foram importantes nessa minha trajetoria.

Para se dar aulas de danca do ventre, o que eh preciso?
Respeito ao ser humano, pois  cada pessoa tem uma necessidade. Nem toda boa bailarina eh boa professora, e vice-versa. Eh indispensavel que ela seja uma pessoa com sede de aprendizado, inclusive teorico. Que busque ler muito a respeito da danca, de relacoes humanas, de metodologia de ensino, de estetica, de filosofia, de historia da danca, etc. Se tiver alguma formacao academica na area artistica, de educacao fisica, de fisioterapia ou de educacao, seria o ideal.

Na sua trajetoria, o que veio de presente, e o que foi planejado?
Para ser bem sincera, nao foi nada planejado, foi tudo acontecendo, e uma coisa puxa a outra. Sempre vai ter alguem que vai abrir a porta para voce, mas tudo tem a sua hora. Como um exemplo mais pratico, tem a questao do concurso Mercado Persa. A primeira vez que participei, em 2007, eu nao tinha a menor ideia de como seria, e de repente sai de lah com o segundo lugar. Depois disso, mais do que um planejamento, surgiu o desejo de um dia chegar ao primeiro lugar.

Conte para nos o acontecimento mais tocante que voce presenciou, relacionado a danca do ventre.
Eu ja vivi varios momentos marcantes, se eu citar apenas um vai ficar dificil. Uma coisa que me vem muito na mente eh quando eu fazia alguma pergunta a respeito da danca para a Lulu, e ela me dar uma resposta que era uma licao de vida. Outro momento que me vem a mente agora, eh de estar no barco, no meio do Rio Amazonas, com grandes nomes da danca, me sentindo em plena conexao com a natureza, e feliz de ver onde a danca podia me levar. E eu acho que o momento mais transformador eh o mais dificil de descrever em palavras. Foi durante o workshop `Dancar a vida`, ministrado pela minha professora Dunia. Durante um exercicio, eu entrei num processo de catarse muito forte. Depois desse exercicio, eu chorei muito, lavei a alma, e apos isso se deu um processo de transformacao muito forte na minha vida, um renascimento.

Deixe aqui suas palavras para as amantes da danca do ventre.
Lembre-se que para voce hoje estar dancando, muitas mulheres, ao longo da historia, tiveram que abdicar da sua vida em detrimento da arte. A danca eh um ato de celebracao da vida, e nao do ego. Entao, vamos respeitar a nossa arte e todas as suas praticantes. A danca jah existia antes de voce e vai continuar existindo sem voce, seja entao uma construtora, uma colaboradora da danca, como arte e como caminho de desenvolvimento humano.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

ENTREVISTA COM DEBORA LILIAN

Segue a entrevista que fiz com a querida Debora Lilian, aluna do Estudio ha 5 anos. Manda ver, Debora!

Quando voce procurou a escola, qual foi a tua motivacao?
Eu ja estudava danca do ventre pela internet, e depois de uns 6 meses de estudos on-line, procurei, pela internet mesmo, uma escola que pudesse me passar mais fundamentos tecnicos, porque pela internet nao existem acompanhamento profissional.

Voce estudou bale, nao eh mesmo? Por quanto tempo? Essas aulas te ajudaram com a danca do ventre?
Eu fiz bale classico dos 9 aos 13 anos, quando morava em Cascavel, com a Professora Regina Muller. Essas aulas me ajudaram a ter disciplina na danca, alem de melhorar a postura, ajudar no alongamento, dar firmeza muscular e a delicadeza e leveza dos movimentos.

Para voce, como pessoa, qual o maior beneficio da danca do ventre? E para voce, como mulher?
Como pessoa - me deixou mais alegre, a danca me completa. Eu nao consigo mais viver sem a danca do ventre, virou um vicio. Como mulher - comecei a me cuidar melhor (maquiagem, roupas, cuidados com os cabelos e as unhas), a vaidade aumentou. Alem disso, para mim, a danca do ventre eh uma danca sagrada, e como eu tenho uma ligacao muito forte com a cultura e a historia egipcias, eu fui atraida por essa danca em especial.

Voce ficou um tempo sem fazer aulas. Como foi isso para  voce?
Foi horrivel! Eu sentia falta, eu queria voltar, mas naquele momento eu nao podia. Eu tinha saudades das amigas, porque as amizades que a gente faz na danca do ventre sao duradouras, porque a gente tem as mesmas afinidades. Eu dancava em casa, mas nao era a mesma coisa, faltava aquela alegria que tem aqui, porque a gente se diverte fazendo aula.

No comeco, voce era muito timida, e eu senti uma grande mudanca em voce, como o decorrer das aulas. Pode nos contar como foi esse processo?
Foi dificil, porque voce sempre falou para mim que eu tinha de sorrir, e eu nao conseguia. Eu tinha que imaginar que tinha passado Super Bonder no rosto (risos), para eu segurar o sorriso no lugar. Hoje eh natural, eu nao consigo mais dancar sem sorrir. O sorriso eh importante, porque traz alegria, vivacidade e boas vibracoes, para quem danca e para quem assiste a danca.

Qual a sua preferencia: musicas classicas, modernas ou folcloricas? Tem algum acessorio de danca favorito?
Eu gosto de todas, porque a musica arabe me atrai muito. A maioria das vezes, eu soh escuto musica arabe. Eu nao gosto muito das musicas repetitivas e lineares, prefiro as que tenham mudancas de ritmo e de velocidade. Quanto aos acessorios, o meu preferido eh o veu, especialmente o duplo. Gosto tambem dos snjus.

Por favor, deixe o seu recado para as mulheres que querem comecar a estudar danca do ventre.
Que elas comecem com paciencia, porque aprender nao eh da noite para o dia/ que tenham persistencia e nao desistam no comeco; que estudem bastante e nao tenham medo dos obstaculos, porque as dificuldades sempre vao existir, mas que depois de bastante treino e persistencia, com certeza elas vao alcancar seus objetivos.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

ENTREVISTA COM TAIS PROENCA

Hoje, 18/04/2013, entrevistei a minha querida aluna Tais Proenca. A Tais eh a minha aluna mais antiga, esta conosco ha quase 6 anos. Exemplo de dedicacao e persistencia - alem de ser uma figuraca!!! Segue a entrevista, que me emocionou muito (neh, Tais?). Obrigada, minha linda!

O que te motivou a fazer danca do ventre?
Porque eu nasci brasileira com espirito egipcio. Desde que eu me conheco por gente, gosto da danca do ventre e da musica arabe. Muito ouro, muito brilho, muito glamour!

O que a danca trouxe de positivo para a sua vida? Quem era a Tais antes da danca, e quem eh a Tais agora?
A Tais, antes, era sem movimento e sem brilho, agora eu tenho a suavidade feminina, que aparece nos meus movimentos, porque querendo ou nao, a danca esta na  vida.

Voce passou por uma situacao muito triste no seu primeiro ano de aula, a morte do seu marido. A danca te ajudou?
Me ajudou muito, me tirou da depressao para a qual eu estava me encaminhando. Foi um momento tragico, no qual a danca de mostrou o lado positivo da vida.

Voce eh uma das pessoas mais persistentes que eu conheco. Muitas alunas que largaram a danca deveriam ter se espelhado em voce. O que voce tem a dizer sobre persistencia?
Se voce gosta muito de determinada coisa, voce vai em frente. Eu tenho dois amores hoje - a danca do ventre e a enfermagem. Um eh respeito pela vida, o outro eh respeito pela arte. Nao largo nenhum dos dois.

Voce eh uma apaixonada pela danca do ventre?
Sim, muito, assim como a gente tem que ser apaixonada pela vida. Acho que tudo que voce fizer, tem de ser bem feito, como fibra, com amor, com paixao.

Muitas meninas e mulheres alegam ter vergonha de fazer danca do ventre, porque estao acima do peso. O que voce tem a dizer a elas?
Isso eh bobagem. Eu tambem tinha esse pensamento. Muitos dos meus amigos de sites de relacionamento me elogiam e me respeitam pela arte da danca. Nao temos que ter vergonha do nosso corpo. Precisamos apenas fazer o que temos de melhor. A sociedade cobra corpos perfeitos, mas onde eh que esta escrito isso?

Agora fale sobre a tua paixao pelo ouro - rs.
Muito ouro! Sei lah, tenho heranca cigana, pelo ouro, pelo luxo. Eh preciso muito ouro, muita maquiagem perfeita e cheiro bom. Porque nao atrativos femininos.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Entrevista com a Professora Lena Hage

Segue abaixo uma entrevista que fiz hoje, 04/04/2013, com a minha amiga Lena Hage, professora no Estudio Aziza Mahaila. Obrigada, Lena!

Ha quanto tempo voce faz danca do ventre?
Ha 09 anos.

Por que comecou a dancar?
Para fazer uma surpresa para um namorado, mas quem acabou seduzida fui eu - pela danca! Eu achava que a danca do ventre era soh uma maneira de seduzir, mas vi que por tras dela existia toda uma cultura e uma historia. Descobri tambem que nao era apenas mexer os quadris e balancar um veu, existe uma tecnica para se aprender a danca do ventre.

Quais foram as suas professoras?
De danca do ventre, Shara Kadosh, com quem fiz formacao integral, e tambem com Linda Hathor. Tambem fiz aulas de danca tribal com Shaide Halim e Bety Damballah.

Quais os beneficios que voce sentiu no seu corpo, no emocional, na autoestima?
No corpo - minha postura melhorou e me sinto mais alta; eu nao tinha cintura, ela ficou mais delineada; a musculatura das minhas pernas e bracos ficou mais definida; eu tinha intestino preguicoso, melhorou bastante; ate a minha mao ficou mais bonita, os dedos ficaram mais alongados.
No emocional - fiquei mais carinhosa, calma e relaxada; me tornei mais feminina; quando eu danco, o stress vai embora.
Na autoestima - comecei a me cuidar mais, a me maquiar, corrigir as sobrancelhas, cuidar do cabelo; eu nao usava salto alto, passei a usa-los; comecei a usar roupas mais femininas, como vestidos e saias. Camiseta de politico, chinelo de dedo e calca de moleton, nunca mais usei. Soh me visto bem, estou sempre produzida.

Quando voce esta dancando, como se sente?
Eu me sinto em outro pais, como se estivesse na Arabia ou no Egito. Sinto prazer em dancar, pena que acaba rapido. Me sinto uma mulher bonita e admirada quando estou dancando. Enfim, me sinto feliz.

O que eh para voce dar aulas de danca do ventre?
Eh conseguir um retorno financeiro de uma coisa que me dah prazer, ou seja, unir o util ao agradavel. Eu sinto o maior carinho pelas minhas alunas, quero que elas facam mais do que imaginam ser capazes. Eu quero que elas aprendam, e que futuramente possam ensinar a danca do ventre a outras mulheres, e que facam isso com amor e humildade, dando o melhor de si.

O que voce tem a dizer as mocas/mulheres que querem comecar a fazer danca do ventre?
Eu diria o seguinte - querem se amar? Querem se gostar? Entao venham fazer danca do ventre. Porque para amar alguem, a gente tem que se amar primeiro, e o amor eh a solucao para todos os problemas.

domingo, 27 de maio de 2012

A ATIVIDADE FISICA NA EPOCA DO FRIO

Estamos naquela época do ano em que a única coisa que a gente quer é se enfiar debaixo das cobertas, não é verdade? Afinal, trabalhamos ou estudamos o dia inteiro, às vezes até tomamos chuva depois de sair do trabalho ou da escola... dá um desânimo de fazer atividade física... além disso, para que?

Em primeiro lugar, devemos nos exercitar para uma melhor condição física e mais saúde. O alongamento e a postura melhoram, e acabam as dores musculares causadas pela má postura e pela rigidez da falta de alongamento. Nossos movimentos ficam mais bonitos e perdem aquele peso que as pessoas sem coordenação motora têm. Vocês já perceberam isso? As pessoas com problemas de coordenação motora têm uns movimentos bruscos e pesados. Já quem faz atividade física, especialmente quem dança, tem movimentos leves e graciosos.

Em segundo lugar, devemos fazer atividade física porque nos dá prazer. O fato de nos exercitarmos libera endorfinas, que nos dão bem-estar. Segue abaixo uma definição retirada da Wikipedia, vejam que interessante:

A endorfina é um neurotransmissor, assim como a noradrenalina, a acetilcolina e a dopamina, e é uma substância química utilizada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. É um hormônio, uma substância química que, transportada pelo sangue, faz comunicação com outras células, ela é o hormônio do prazer.
Sua denominação se origina das palavras "endo" (interno) e "morfina" (analgésico).
As endorfinas foram descobertas em 1975. Foram encontradas 20 tipos diferentes de endorfinas no sistema nervoso, sendo a beta-endorfina a mais eficiente pois é a qual dá o efeito mais eufórico ao cérebro. Ela é composta por 31 aminoácidos. A endorfina é produzida em resposta à atividade física, visando relaxar e dar prazer, despertando uma sensação de euforia e bem-estar.
Efeitos principais das endorfinas:
Melhoram a memória;
Melhoram o estado de espírito (bom humor);
Aumentam a resistência;
Aumentam a disposição física e mental;
Melhoram o nosso sistema imunológico;
Bloqueiam as lesões dos vasos sanguíneos;
Têm efeito antienvelhecimento, pois removem superóxidos (radicais livres);
Aliviam as dores;
Melhoram a concentração.

Em terceiro lugar, a atividade física, se feita em ambientes próprios para isso, como academias e escolas de dança, tem a vantagem de promover a socialização. Não existe nenhum problema nas demais atividades que podemos fazer sozinhos, como caminhadas, corridas, esteira, etc. Mas fica mais difícil manter uma rotina de atividade, a não ser que a pessoa seja muito disciplinada. Além disso, nessas atividades solitárias, não saímos do nosso mundinho fechado, e deixamos de conhecer pessoas muito interessantes. Eu vejo por mim e por minhas alunas, quantas pessoas excelentes tivemos a oportunidade de conhecer, simplesmente por termos decidido fazer aulas de dança.

Em quarto lugar, é muito bom fazer atividade física no tempo do frio, porque... esquenta! Fazendo atividade física, mexemos com a nossa circulação, e isso é muito bom. Chegamos com frio, todas cheias de casacos, e depois de nos mexermos um pouco, o frio vai embora. Além disso, no frio tendemos a nos encolher, e isto pode causar dores, especialmente na região cervical. O alongamento causado pela atividade acaba com essas dores.

E por último, fazer exercícios queima calorias, o que é muito importante, especialmente no inverno, quando comemos mais. Você pode notar: no inverno, geralmente ganhamos uns quilinhos. Por que isso? Porque o nosso corpo precisa de mais alimentos, pois gasta mais energia nessa época,  para manter a temperatura corporal. O resultado disso? Geralmente, na primavera as pessoas (especialmente as mulheres) estão desesperadas com o aumento de peso, e correm para as academias. Mas é importante ressaltar que a atividade física é para ser feita o ano inteiro, não apenas na primavera e no verão. Devemos cuidar do nosso corpo o ano inteiro, não apenas em metade do ano.

Para as pessoas interessadas em cuidar da sua saúde, a nossa escola oferece aulas de dança do ventre desde o ano de 2007. Esperamos a sua visita!

terça-feira, 12 de julho de 2011

A ORIGEM DA DANCA DO VENTRE E SUA EVOLUCAO ATRAVES DOS TEMPOS

Meninas, este texto eu tirei da Revista Orient Express, ano I, edição 5, de dezembro/1997. O texto é da Mestra Samira Samia e da Simone Bomentre. Muito elucidativo, vale a pena ler!

A ORIGEM DA DANÇA DO VENTRE E SUA EVOLUÇÃO ATRAVÉS DOS TEMPOS

Ninguém pode afirmar com exatidão onde e quando esta dança nasceu, sabe-se porém, que seu surgimento é datado de período tão remoto que antecede até mesmo à época dos faraós no antigo Egito. Tal constatação ocorreu com a descoberta de petróglifos (inscrições em rochas e cavernas) que foram feitos há pelo menos 5.000 anos. Essas inscrições associavam a dança do ventre aos rituais de fertilidade feminina e cultos à deusa mãe. Foi com essa simbologia que atravessou o tempo e chegou aos templos do Egito onde foi imortalizada, inicialmente pelas sacerdotisas que em cerimônias secretas homenageavam as deusas Ísis, Bast e Hathor. Estendeu-se posteriormente às outras deusas como Hórus, Osíris, Rá, Ptah, Amon e Thoth. O verdadeiro nome desta dança é "Raks El Chark" e significa a Dança do Leste, também conhecida como a dança do Sol ou do deus Rá. Segundo a simbologia do Cosmos, o ventre descoberto das bailarinas, em especial o umbigo, captava durante a dança a energia do deus Rá que era representado pelo disco solar. Dançava-se ainda durante a primeira noite de lua cheia em clareiras, florestas e locais considerados sagrados em meio aos fortes odores dos incensos em rituais que preservassem e aumentassem a fertilidade e saúde femininas. Considerada sagrada passou a ser executada em palácios e logo depois popularizou-se pelas ruas e mercados. Com as invasões frequentes ao Egito por outros povos, a dança do ventre difundiu-se entre os romanos, gregos, babilônios, hititas, turcos, marroquinos, sudaneses, etc. Assim sendo, sofreu varias alterações conforme a cultura de cada povo, o que enriqueceu ainda mais esta arte.
Os escritores Horácio e Juvenal, desde o ano 100 d.C., já faziam referências em seus escritos às bailarinas de dança do ventre profissionais e amadoras.
O poeta romano Horácio, nos conta que todas as jovens romanas estavam aprendendo a dança oriental, muito popular naquela época.
A dança do ventre ganha atenção mundial depois da expedição de Napoleão Bonaparte ao Egito.
As "Ghawazee" (Ciganas) despertavam a curiosidade de vários artistas europeus chamados orientalistas, foram os primeiros ocidentais a designar a Raks El Chark como dança do ventre. E assim imortalizaram cenas de dança em suas obras.
Os públicos europeu e americano tiveram contato com bailarinas quando empresários as traziam do meio oriente para as grandes exposições mundiais do século XIX. Em decorrência disso, a dança árabe se popularizou e foi inserida até nas produções cinematográficas de Hollywood nas décadas de 40 e 50. Através destes filmes e registros podemos observar o desenvolvimento e a evolução técnica da dança do ventre. Devido às apresentações em filmes, shows na TV e grandes espetáculos, criaram-se coreografias mais elaboradas trazendo acabamento e sofisticação a essa arte popular.
Através destas transformações a dança do ventre acabou sendo assimilada e apreciada por outras audiências e se internacionalizou.
Ate hoje não existem escolas oficiais de dança do ventre no Egito ou nos países árabes. Professoras que outrora foram grandes bailarinas profissionais, passam sua arte às futuras gerações. Atualmente a dança do ventre está presente nas festas familiares e é executada informalmente por qualquer mulher árabe.