O assunto de hoje foi sugerido pela minha aluna Michelle Kayser, e é sobre os homens que fazem dança do ventre. Nas palavras dela, Michelle:
“Os bailarinos são muitos
respeitados no meio da dança, mas a maioria das pessoas tem uma ideia muito
errada deles.”
“Sinto uma desinformação
total sobre o que eles representam como desbravadores e como ajudaram a dança
do ventre a evoluir.”
“Quebraram inúmeros tabus e
trouxeram muitos movimentos novos. São uns maravilhosos!”
Eu concordo plenamente com a
Michelle. Os bailarinos são maravilhosos, tanto dançando, quanto ensinando. Já
assisti a diversas apresentações masculinas, fiz muitos workshops com
professores do sexo masculino, e aprendi muito com eles. Mas antes de
começarmos a nossa postagem, gostaria que vocês lessem a matéria cujo link
segue abaixo, que é sobre o grande dançarino e coreógrafo Mahmoud Reda:
http://azizamahaila.blogspot.com/2019/11/a-importancia-de-mahmoud-reda-e-sua.html
Também
achei um texto maravilhoso na página da Lulu from Brazil, o link segue aqui:
http://www.lulufrombrazil.com.br/homens-na-danca-oriental-verdades-e-mentiras-2/
Bem, já falei inúmeras vezes
que ninguém sabe ao certo quando e onde exatamente a dança do ventre surgiu. Os
europeus, quando chegaram ao Egito, acharam dançarinas “do ventre”. No final do
século XVIII, as dançarinas ghawazee, que se apresentavam profissionalmente,
foram expulsas do Cairo. No lugar delas, apareceram os homens dançarinos, eles
eram conhecidos como “khawal”, no plural “khawalat”. Eles se vestiam como
mulher, e dançavam no estilo ghawazee. Mais tarde, eles também foram impedidos
de se apresentar. Aqui temos alguns registros fotográficos destes artistas:
Então, se formos falar em dança do ventre, nos primórdios de tudo podemos citar os khawalat. Nos anos 1950, temos Mahmoud Reda, que introduziu elementos de balé clássico e moderno no folclore egípcio. Quase todas as danças folclóricas egípcias, como nós as conhecemos nos palcos, têm forte influência do trabalho do Reda.
Eu penso que podemos dividir
os dançarinos em três estilos básicos, sempre lembrando que alguns deles dominam
mais de um estilo (por exemplo, o Tarik dança folclore e também estilo
clássico):
1 ) Dançarinos de folclore
árabe, como o precursor Mahmoud Reda. No Brasil, podemos citar Anthar Lacerda e
Téo Versiani, que conhecem diversas danças folclóricas, e são excelentes
professores, além de dançar muito bem. Abaixo seguem dois links de
apresentação, o primeiro do Anthar e o segundo do Téo.
https://www.youtube.com/watch?v=u5SlYgViBT8
https://www.youtube.com/watch?v=pI6a_3V2Ag0
2 ) Dançarinos do estilo
clássico, como Yamil Annum (Argentina) e Tarik (Brasil). A dança deles é fortemente baseada no balé clássico, e também em técnicas tais como os
deslocamentos, chassés, giros, arabesques e braços grandiosos. Às vezes, eles
podem colocar alguns elementos da dança do ventre (como, por exemplo, o básico
egípcio), bem como técnicas do folclore árabe, se a música pedir. O figurino utilizado por eles é geralmente
composto de blusa bordada com brilhos, de mangas compridas, às vezes um colete bordado, calças e botas. São os príncipes da dança oriental! Abaixo
seguem vídeos do Yamil e do Tarik.
https://www.youtube.com/watch?v=xLhu31bovJE
https://www.youtube.com/watch?v=uE_c2U03WTc
3 ) Dançarinos de
bellydance, como por exemplo Igor Kischka (Brasil) e Rachid Alexander (nascido
em Curaçao, atualmente radicado na Holanda). A dança executada por estes
artistas é igual ao estilo feminino, com ondulações abdominais, shimmies,
oitos, braços ondulatórios, em suma, tudo idêntico ao que nós, mulheres,
fazemos. O figurino varia bastante, podem usar calça ou saia, usar colete curto
ou não, com o ventre à mostra ou não,
etc. Vamos a dois vídeos do Igor e do Rachid:
https://www.youtube.com/watch?v=82jO6vMRtrA
https://www.youtube.com/watch?v=Y2fUbld3x9I
É claro que existem muitos
outros artistas, citei apenas estes porque fica quase impossível falar de
todos. Vou comentar agora sobre as frases da Michelle, que foram citadas no
início da matéria. Em primeiro lugar, os bailarinos são muito respeitados por
quem é da área (quem faz ou dá aulas de dança do ventre ou folclore árabe), mas
o público leigo geralmente tem um certo preconceito em relação aos dançarinos
homens. Esse preconceito quase não existe em relação aos bailarinos de folclore
árabe, mas aparece quando se trata dos dançarinos do estilo clássico, e é
especialmente forte no caso dos bailarinos bellydance.
Gente, vamos deixar uma
coisa bem clara: o artista é uma pessoa que se expressa através da arte, e isso
não tem nada a ver com sexo ou gênero. Se o bailarino quer se expressar através
do estilo de dança do ventre considerado “feminino”, por que ele deveria ser
impedido? É arte, e a arte independe de sexo.
A Michelle também falou
sobre o papel de desbravadores desses artistas, especialmente os dos estilos
clássico e bellydance. Vejam bem, a dança do ventre originalmente surgiu de uma
dança local, e modificou-se com a introdução dos elementos do balé clássico. E
o que veio a seguir? Foram acrescentados passos do balé moderno, jazz e outras
danças. Tudo isso veio somar à dança do ventre. Eu já falei sobre isso em outra
postagem: a dança do ventre é uma dança em eterna evolução.
Vamos ser gratos a esses
artistas incríveis, que nos presenteiam com suas maravilhosas performances, e
são mestres que tem muito a nos ensinar. Gostaria de pedir desculpas por não
citar os inúmeros bailarinos que existem, mas realmente são muitos, e a gente
sempre acaba esquecendo de algum. Quero também agradecer à minha aluna Michelle
pela sugestão de assunto, e também à minha professora Linda Hathor, por me
ajudar com a revisão desta postagem. Gratidão!



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