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sexta-feira, 26 de março de 2021

E QUANDO ACONTECE ALGUM PROBLEMA?

A postagem de hoje foi sugerida pela minha aluna Juceane Kaminski, que quer saber o seguinte:

“O que acontece quando a bailarina cai, tropeça na saia, no véu, etc.?”

Quem nunca passou por uma dessas situações, não é mesmo? Só não erra quem nunca faz, concorda comigo? Quando executamos algo, sempre existe o risco de surgir algum imprevisto. Vamos à lista das situações que toda bailarina tem medo – rs:

Esquecer a coreografia; cair no palco; tropeçar na saia; se embolar no véu;  aparecer um pedaço dos seios; o cinturão se soltar; aparecer a calcinha; derrubar a espada; quebrar a taça, durante a dança das taças; durante a dança saidi, o bastão sair voando; torcer o pé na hora da apresentação; e por aí vai.

Ufa! Dá até medo, não é mesmo? Para quem nunca marcou pelo menos um ponto nessa lista macabra, meus parabéns! E existe alguma coisa que podemos fazer para não acontecer alguma dessas coisas conosco? Bem, em primeiro lugar, não devemos deixar que o medo nos impeça de fazer o que amamos. Em segundo lugar, existem algumas coisas que diminuem os riscos de acidentes, como por exemplo:

- Ensaiar bastante, até ter certeza de que a coreografia está completamente decorada. Não se esquecer de ensaiar sem o espelho;

- Procurar se acalmar na hora da apresentação. O nervosismo só atrapalha;

- Ensaiar com o traje completo, para ver se a saia não está muito comprida (o que pode fazer com que você tropece nela) ou muito aberta (o que pode fazer com que a calcinha apareça) e também se o top e o cinturão estão bem ajustados (para você não “pagar peito” nem perder o cinturão durante a sua apresentação);

- No caso das danças com espada, saidi, taças e qualquer outra dança com acessórios, praticar bastante, para evitar erros, e também só fazer no palco o que você tem domínio total. Se, por exemplo, você ainda não domina o ato de jogar e pegar o bastão, por que vai colocar isso na sua coreografia? Só faça o que tem segurança.

E se algo acontecer? Vamos às palavras de Jorge Sabongi, que fala sobre o efeito compadecimento:

“Quando o artista sofre um escorregão durante um espetáculo, esse incidente o tira momentaneamente do prumo e o coloca em situação constrangedora, afinal essas ‘calamidades’ podem acontecer em qualquer área. Imediatamente algo é ligado dentro de cada um dos espectadores, fazendo com que eles se sintam no lugar do acidentado. Automaticamente, há o sentimento geral de compaixão e a parte da crueldade inicial se esvai. O público se compadece com o artista, pois agora o espectador está no lugar daquele que sofreu o infortúnio. Ocorre um fator ainda mais interessante: se o artista consegue dar a volta por cima e retomar o ritmo com maestria, sobressair-se sem se abalar, somos tomados por uma felicidade interior, uma sensação de vitória. Nestas ocasiões podemos chegar às raias do delírio que presenciamos sentimos, como se a vitória fosse também nossa.”

(Fonte: Jorge Sabongi e Débora Sabongi, “Direção e preparação artística”. São Paulo: Edição dos autores, 2010.)

Como eu escrevi no início desta postagem, só não erra quem não faz. Se você estudou, ensaiou, se arriscou para estar em um palco, já é uma pessoa vitoriosa. Caso aconteça alguma dessas situações, não se deixe abalar. Na maioria das vezes, o que acontece é tão rápido, que poucas pessoas percebem. O fato que mais "entrega" o erro é a expressão que a bailarina faz na hora. Mais tarde, com mais calma, veja se poderia ter feito alguma coisa para impedir que o fato acontecesse.

- Se não havia nada que você pudesse ter feito para prevenir, fique tranquila, já passou;

- Se havia algo que poderia ter sido feito para impedir, veja onde você pode melhorar para a próxima dança.

E, por fim, não deixe um acontecimento momentâneo tirar o seu prazer de dançar. Força na peruca, dance e seja feliz!



 

 

 

 

 

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