A postagem de hoje foi sugerida pela minha aluna Juceane Kaminski, que quer saber o seguinte:
“O que acontece quando a
bailarina cai, tropeça na saia, no véu, etc.?”
Quem nunca passou por uma
dessas situações, não é mesmo? Só não erra quem nunca faz, concorda comigo?
Quando executamos algo, sempre existe o risco de surgir algum imprevisto. Vamos
à lista das situações que toda bailarina tem medo – rs:
Esquecer a coreografia; cair
no palco; tropeçar na saia; se embolar no véu; aparecer um pedaço dos seios; o cinturão se
soltar; aparecer a calcinha; derrubar a espada; quebrar a taça, durante a dança
das taças; durante a dança saidi, o bastão sair voando; torcer o pé na hora da
apresentação; e por aí vai.
Ufa! Dá até medo, não é
mesmo? Para quem nunca marcou pelo menos um ponto nessa lista macabra, meus
parabéns! E existe alguma coisa que podemos fazer para não acontecer alguma
dessas coisas conosco? Bem, em primeiro lugar, não devemos deixar que o medo
nos impeça de fazer o que amamos. Em segundo lugar, existem algumas coisas que
diminuem os riscos de acidentes, como por exemplo:
- Ensaiar bastante, até ter
certeza de que a coreografia está completamente decorada. Não se esquecer de
ensaiar sem o espelho;
- Procurar se acalmar na
hora da apresentação. O nervosismo só atrapalha;
- Ensaiar com o traje
completo, para ver se a saia não está muito comprida (o que pode fazer com que
você tropece nela) ou muito aberta (o que pode fazer com que a calcinha apareça)
e também se o top e o cinturão estão bem ajustados (para você não “pagar peito”
nem perder o cinturão durante a sua apresentação);
- No caso das danças com
espada, saidi, taças e qualquer outra dança com acessórios, praticar bastante,
para evitar erros, e também só fazer no palco o que você tem domínio total. Se,
por exemplo, você ainda não domina o ato de jogar e pegar o bastão, por que vai
colocar isso na sua coreografia? Só faça o que tem segurança.
E se algo acontecer? Vamos
às palavras de Jorge Sabongi, que fala sobre o efeito compadecimento:
“Quando o artista sofre um
escorregão durante um espetáculo, esse incidente o tira momentaneamente do
prumo e o coloca em situação constrangedora, afinal essas ‘calamidades’ podem
acontecer em qualquer área. Imediatamente algo é ligado dentro de cada um dos
espectadores, fazendo com que eles se sintam no lugar do acidentado.
Automaticamente, há o sentimento geral de compaixão e a parte da crueldade
inicial se esvai. O público se compadece com o artista, pois agora o espectador
está no lugar daquele que sofreu o infortúnio. Ocorre um fator ainda mais
interessante: se o artista consegue dar a volta por cima e retomar o ritmo com
maestria, sobressair-se sem se abalar, somos tomados por uma felicidade
interior, uma sensação de vitória. Nestas ocasiões podemos chegar às raias do
delírio que presenciamos sentimos, como se a vitória fosse também nossa.”
(Fonte: Jorge Sabongi e
Débora Sabongi, “Direção e preparação artística”. São Paulo: Edição dos
autores, 2010.)
Como eu escrevi no início
desta postagem, só não erra quem não faz. Se você estudou, ensaiou, se arriscou
para estar em um palco, já é uma pessoa vitoriosa. Caso aconteça alguma dessas
situações, não se deixe abalar. Na maioria das vezes, o que acontece é tão rápido, que poucas pessoas percebem. O fato que mais "entrega" o erro é a expressão que a bailarina faz na hora. Mais tarde, com mais calma, veja se poderia ter
feito alguma coisa para impedir que o fato acontecesse.
- Se não havia nada que você
pudesse ter feito para prevenir, fique tranquila, já passou;
- Se havia algo que poderia
ter sido feito para impedir, veja onde você pode melhorar para a próxima dança.
E, por fim, não deixe um
acontecimento momentâneo tirar o seu prazer de dançar. Força na peruca, dance e
seja feliz!

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