Hoje eu vou falar sobre as
minhas bailarinas preferidas da Era de Ouro da dança do ventre: Tahia Carioca e
Nagwa Fouad. Existem diversas dançarinas atuais que são maravilhosas, mas as
bailarinas antigas são uma referência muito importante para todas nós. O
critério desta postagem é puramente afetivo: eu simplesmente adoro as duas!
TAHIA CARIOCA nasceu no
Egito em 1919, com o nome de Badaweya Mohamed Kareem Al Nirani. Tahia queria
ser dançarina, mas como sua família não deixava, ela foi para o Cairo, onde
estudou dança na escola Ivanova.
Na década de 1930, ela
conheceu Badia Masabni, a proprietária do Casino Opera. Badia treinou-a e no
início colocou-a como dançarina do coro, mas mais tarde ela se tornou solista.
No Casino de Badia, executavam-se diversas danças, não apenas a dança oriental,
e Tahia aprendeu o samba, vindo daí o nome “Carioca”.
Ela atuou em 120 filmes
egípcios, e para nossa sorte existem muitos registros da sua dança. Era uma
artista completa: dançava, cantava e atuava. Foi muito famosa na sua época, e
até hoje é considerada uma das maiores bailarinas de todos os tempos. A partir
de 1963, dedicou-se ao teatro. Teve uma vida pessoal agitada: casou-se 14
vezes, envolveu-se em protestos políticos, foi presa, converteu-se ao
Islamismo. Faleceu em 1999.
Segundo o blog Cadernos de
Dança, a dança dela é delicada e graciosa, e tem as seguintes características
técnicas:
“Tahia Carioca utilizava
passos pequenos, sem as marcações fortes que estamos acostumadas a ver nas
bailarinas modernas. O material de estudo desta bailarina é de relativo fácil
acesso, já que participou de inúmeros filmes e muitos são encontrados na
internet.
Trabalhava oitos e camelos,
além de meia lua para frente com o quadril. Os braços ficam posicionados na
altura do busto ou juntos, acima da cabeça – nunca extremamente alongados, sempre
em uma posição bastante natural. Um detalhe interessante: usava variações de
altura, explorando muito as alternâncias de plano (baixo e médio) com o recurso
de flexão de joelhos.
Desta forma, sua dança não
fica apenas concentrada na altura dos quadris, como é comum ver por aí.”
Por que eu adoro a Tahia:
além de sua dança ser linda e impecável, eu acho a expressão dela de uma doçura
incrível. A Tahia era extremamente feminina, e tinha um olhar meio tímido que
me encanta. Era também uma mulher belíssima.
NAGWA FOUAD também era
egípcia e nasceu em 1943, com o nome de Awatef Mohammed El Agamy. Aos 16 já
dançava em festas de família, e sua carreira vai das décadas de 50 a 90. Estudou
na Mazloum Dance School e dançou no grupo de folclore ocidental National Dance
Troupe. Nagwa dançava não apenas dança do ventre e folclore árabe, mas também
balé, jazz e dança contemporânea, e usava seus conhecimentos nessas danças para
fazer fusões muito criativas.
Assim como Tahia Carioca,
era uma artista de múltiplos talentos: dançava, cantava e atuava, e existem
diversos vídeos seus no Youtube. Participou de mais de 350 filmes, e também foi
produtora de cinema. Tinha sua banda e grupo próprio, todos da melhor
qualidade, e eles excursionam pelo Egito, mostrando a sua arte. Além disso,
Nagwa Fouad se apresentou na Europa, Estados Unidos e Ásia e fundou uma escola
de dança do ventre em Nova Iorque.
Segundo o blog da Shaina
Nur, sua dança caracterizava-se pela:
“... postura alongada,
embora com braços relaxados e como prefere as ondulações como oitos e redondos
emendados com pivôs. Apesar disso, quando utiliza batidas prefere fazê-las com
muita intensidade.”
Por que eu adoro a Nagwa:
ela era uma mulher lindíssima, carismática, empoderada e quando dançava
mostrava o seu sorriso mais alegre. Eu acho as apresentações dela muito
glamurosas, era a bailarina que “chegava para brilhar”.
E quanto a você, quais são
as suas bailarinas preferidas?
.
Fontes:
“Os pilares da
profissionalização em dança do ventre”, volume I, História e Folclore, Brysa
Mahaila, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias, 2016.




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