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segunda-feira, 22 de junho de 2020

RESPONDENDO A TRÊS PERGUNTAS

A postagem de hoje é uma sugestão da Paula Oliveira. Ela me pediu para falar sobre três coisas:

1 ) O início da carreira das bailarinas.
2 ) O medo de não aprender.
3 ) Quando elas descobriram que dançavam bem. 

Bastante coisa, não é mesmo? Bem, para responder a um assunto tão vasto, conversei bastante com a minha professora, Linda Hathor, e ela me deu vários esclarecimentos importantes. Obrigada, Linda, pela ajuda! E agradeço à Paula pela sugestão.

Antes de tudo, peço a você que leia as postagens abaixo, pois elas têm muito a ver com o assunto:

- “O que te limita?” – de 24/10/2019.
- “Todas dizem a mesma coisa: ‘eu sou muito dura’” – de 04/11/2019.
- “Você quer resultados? Então dedique-se” – de 01/03/2020.
- “Desafio é igual a crescimento” – de 19/03/2020.
- “A dança após os 40” – de 06/06/2020.

Já leu as postagens? Então, vamos lá. Vou falar rapidamente sobre as duas primeiras perguntas, e explicar mais detalhadamente a terceira. 

1 ) O início da carreira das bailarinas - Se conversarmos com as profissionais da dança do ventre, veremos que elas começaram a fazer aulas por diversos motivos: pelo amor à dança do ventre, pela busca da saúde e qualidade de vida, para resgatar a autoestima e a feminilidade, e muitas outras razões. No meu caso em particular, eu fui aconselhada a fazer uma atividade física, e optei pela dança, pois não tinha interesse em fazer musculação. Ao lado do meu trabalho, existia uma academia, e fui atraída pela faixa “aulas de dança do ventre”. E tudo começou assim...

2 ) O medo de não aprender - Quem nunca passou por isso? Todo mundo!!! Eu tenho uma frase que falo sempre para as minhas alunas:

“Técnica pode ser ensinada e aprendida”. A técnica é um dos tripés da dança do ventre. Se a professora conhece a técnica e sabe transmitir, e a aluna está disposta a aprender, o resultado virá, com certeza. Cada aluna aprende no seu ritmo, isso é normal, e não adianta tentar queimar etapas. Enquanto você aprende, curta o caminho que está traçando na dança.

3 ) Quando elas descobriram que dançavam bem - Como se faz para saber se alguém dança bem? Bem, uma bailarina perfeita é aquela que se destaca nas três áreas cruciais:

- Qualidade técnica;
- Expressividade;
- Leitura musical.

(Nota: preste atenção que eu não falei que a boa bailarina é aquela mais linda, mais jovem ou mais magra. Isso é aparência exterior. O artista é pura essência interior.)

Bem, não é toda bailarina que se destaca na qualidade, expressividade e leitura musical. Às vezes, ela é mais expressiva que possuidora de uma técnica apurada. Mesmo assim, você pode gostar daquela dançarina. É aí que entram duas coisas interessantes:

A ) O estilo pessoal da dançarina – Às vezes você gosta de determinada bailarina, porque aprecia o estilo dela. Na minha opinião, existem duas bailarinas brasileiras com um estilo único. Uma é Esmeralda Colabone, a outra é Maíse Ribeiro. Elas criaram seus estilos próprios, e isso é muito bacana.

B ) O gosto de cada um – Todas as pessoas têm suas preferências e suas aversões. Uma disputa bem acirrada, atualmente, no mundo bellydance, é aquela questão da “verdadeira dança do ventre”. Tem bailarina (e  até mesmo músico) criticando algumas dançarinas, com o argumento de que elas não dançam, só batem cabelo e fazem cambrês violentos. Eu acho que tem espaço para todo mundo, desde quem busca as raízes da dança do ventre, através de uma pesquisa bem fundamentada (aqui vale a pena citar o trabalho muito bonito da Luciana Midlej e da Melinda James), até quem traz algo novo para a nossa dança.

Ainda sobre o conceito de “dançar bem”. Dançar bem para quem? Para quem você dança, afinal?

- Se for só para você, para o seu bem-estar, para o seu crescimento pessoal: então fique tranquila. A única pessoa a quem você deve satisfação é você mesma. Agora, se você quer verdadeiramente que a sua dança evolua, vai ter de aceitar feedback da sua professora.

- Você dança para sua família, amigos: provavelmente, eles vão achar tudo lindo e maravilhoso.

- Seu interesse é a profissionalização, dançar em eventos, se apresentar em festivais, conseguir um certificado, etc. Isso significa que você vai precisar estudar muito, por vários anos. E é muito bom, porque a sua dança vai crescer bastante. Quanto mais a gente estuda, melhor ficam a nossa técnica, expressividade e leitura musical. Você vai ter de aceitar inúmeros feedbacks, alguns podem até magoar um pouco, mas pense que os profissionais que irão avaliar você fazem isso com o objetivo de ajudar no seu crescimento como artista.

- Você quer uma carreira internacional? A exigência será ainda maior, e você vai precisar lutar mais para se manter em evidência.

Qualquer que seja o seu objetivo (ser dançarina amadora ou profissional), nunca deixe de se divertir e se encantar com a dança que você escolheu. Isso não quer dizer que tudo vai ser do seu jeito. A professora chamou a sua atenção na aula? Ela está fazendo o trabalho dela. Você participou de um campeonato e não se classificou? Calma, haverá uma próxima vez. As pessoas criticam você por não seguir um padrão artístico ou estético? Mostre a sua verdade, independente do que as outras pessoas possam dizer. O seu caminho não precisa necessariamente ser igual ao caminho do outro. 

Para finalizar, quero citar duas frases de Louis L’Amour:

“A melhor de todas as coisas é aprender. O dinheiro pode ser perdido ou roubado, a saúde e força podem falhar, mas o que você dedicou à mente é seu para sempre.”

“O caminho é o que importa, não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar.”


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