A postagem de hoje é uma
sugestão da Paula Oliveira. Ela me pediu para falar sobre três coisas:
1 ) O início da carreira
das bailarinas.
2 ) O medo de não aprender.
3 ) Quando elas descobriram que dançavam bem.
Bastante coisa, não é mesmo? Bem, para responder a um assunto tão vasto, conversei
bastante com a minha professora, Linda Hathor, e ela me deu vários
esclarecimentos importantes. Obrigada, Linda, pela ajuda! E agradeço à Paula
pela sugestão.
Antes de tudo, peço a você
que leia as postagens abaixo, pois elas têm muito a ver com o assunto:
- “O que te limita?” – de
24/10/2019.
- “Todas dizem a mesma
coisa: ‘eu sou muito dura’” – de 04/11/2019.
- “Você quer resultados?
Então dedique-se” – de 01/03/2020.
- “Desafio é igual a
crescimento” – de 19/03/2020.
- “A dança após os 40” – de
06/06/2020.
Já leu as postagens? Então,
vamos lá. Vou falar rapidamente sobre as duas primeiras perguntas, e explicar mais detalhadamente a terceira.
1 ) O início da carreira das bailarinas - Se conversarmos com as profissionais da dança do ventre, veremos que
elas começaram a fazer aulas por diversos motivos: pelo amor à dança do ventre,
pela busca da saúde e qualidade de vida, para resgatar a autoestima e a
feminilidade, e muitas outras razões. No meu caso em particular, eu fui aconselhada a fazer uma
atividade física, e optei pela dança, pois não tinha interesse em fazer
musculação. Ao lado do meu trabalho, existia uma academia, e fui atraída pela
faixa “aulas de dança do ventre”. E tudo começou assim...
2 ) O medo de não aprender - Quem nunca passou por isso? Todo mundo!!! Eu tenho uma frase que falo
sempre para as minhas alunas:
“Técnica pode ser ensinada e
aprendida”. A técnica é um dos tripés da dança do ventre. Se a professora
conhece a técnica e sabe transmitir, e a aluna está disposta a aprender, o
resultado virá, com certeza. Cada aluna aprende no seu ritmo, isso é normal, e
não adianta tentar queimar etapas. Enquanto você aprende, curta o caminho que
está traçando na dança.
3 ) Quando elas descobriram que dançavam bem - Como se faz para saber se alguém dança
bem? Bem, uma bailarina perfeita é aquela que se destaca nas três áreas
cruciais:
- Qualidade técnica;
- Expressividade;
- Leitura musical.
(Nota: preste atenção que eu
não falei que a boa bailarina é aquela mais linda, mais jovem ou mais magra.
Isso é aparência exterior. O artista é pura essência interior.)
Bem, não é toda bailarina
que se destaca na qualidade, expressividade e leitura musical. Às vezes, ela é
mais expressiva que possuidora de uma técnica apurada. Mesmo assim, você pode
gostar daquela dançarina. É aí que entram duas coisas interessantes:
A ) O estilo pessoal da
dançarina – Às vezes você gosta de determinada bailarina, porque aprecia o
estilo dela. Na minha opinião, existem duas bailarinas brasileiras com um
estilo único. Uma é Esmeralda Colabone, a outra é Maíse Ribeiro. Elas criaram
seus estilos próprios, e isso é muito bacana.
B ) O gosto de cada
um – Todas as pessoas têm suas preferências e suas aversões. Uma disputa bem
acirrada, atualmente, no mundo bellydance, é aquela questão da “verdadeira
dança do ventre”. Tem bailarina (e até mesmo
músico) criticando algumas dançarinas, com o argumento de que elas não dançam,
só batem cabelo e fazem cambrês violentos. Eu acho que tem espaço para todo
mundo, desde quem busca as raízes da dança do ventre, através de uma pesquisa
bem fundamentada (aqui vale a pena citar o trabalho muito bonito da Luciana
Midlej e da Melinda James), até quem traz algo novo para a nossa dança.
Ainda sobre o conceito de
“dançar bem”. Dançar bem para quem? Para quem você dança, afinal?
- Se for só para você, para
o seu bem-estar, para o seu crescimento pessoal: então fique tranquila. A única
pessoa a quem você deve satisfação é você mesma. Agora, se você quer verdadeiramente
que a sua dança evolua, vai ter de aceitar feedback da sua professora.
- Você dança para sua família,
amigos: provavelmente, eles vão achar tudo lindo e maravilhoso.
- Seu interesse é a profissionalização,
dançar em eventos, se apresentar em festivais, conseguir um certificado, etc.
Isso significa que você vai precisar estudar muito, por vários anos. E é muito
bom, porque a sua dança vai crescer bastante. Quanto mais a gente estuda,
melhor ficam a nossa técnica, expressividade e leitura musical. Você vai ter de
aceitar inúmeros feedbacks, alguns podem até magoar um pouco, mas pense que os
profissionais que irão avaliar você fazem isso com o objetivo de ajudar no seu
crescimento como artista.
- Você quer uma carreira
internacional? A exigência será ainda maior, e você vai precisar lutar mais
para se manter em evidência.
Qualquer que seja o seu
objetivo (ser dançarina amadora ou profissional), nunca deixe de se divertir e
se encantar com a dança que você escolheu. Isso não quer dizer que tudo vai ser
do seu jeito. A professora chamou a sua atenção na aula? Ela está fazendo o
trabalho dela. Você participou de um campeonato e não se classificou? Calma,
haverá uma próxima vez. As pessoas criticam você por não seguir um padrão artístico
ou estético? Mostre a sua verdade, independente do que as outras pessoas
possam dizer. O seu caminho não precisa necessariamente ser igual ao caminho do outro.
Para finalizar, quero citar duas
frases de Louis L’Amour:
“A melhor de todas as coisas
é aprender. O dinheiro pode ser perdido ou roubado, a saúde e força podem
falhar, mas o que você dedicou à mente é seu para sempre.”
“O caminho é o que importa,
não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar.”

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