Nota: antes de ler a
postagem abaixo, favor ler o texto “Não se estuda a civilização sem topar com
árabes”, que também está no meu blog.
Você faz ideia da influência
dos povos orientais na cultura brasileira? Pensa que não existe nada de
influência? Pois você está enganado, quer ver?
Na região onde ficam
atualmente o Egito, a Síria, o Iraque, o Líbano, etc., existiram muitas
civilizações antigas e com alto grau de desenvolvimento. Povos como os que
viviam na região da Mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates), os persas, os
fenícios, os antigos egípcios... Vejamos algumas das contribuições deles, que foram
usadas ou são utilizadas até hoje.
(Mapa da Mesopotâmia)
Na
nossa escrita: no ano 2.000 a.C, no Egito, já surgiu um
primeiro alfabeto, que evoluiu para o alfabeto fenício (esses dois alfabetos
não tinham vogais, apenas consoantes). Os fenícios eram mercadores que viviam
no atual Líbano e que viajam por todo o Mar Mediterrâneo, e acabaram espalhando
seu alfabeto por toda a região. Os gregos apenas pegaram o alfabeto fenício e
acrescentaram as vogais, e dele surgiram os alfabetos europeus. O alfabeto
latino (que nós usamos) é uma das variações do alfabeto grego.
A
nossa “descoberta”: somos um País que foi colonizado pelos
portugueses, que aqui chegaram em 1.500. Um dos instrumentos utilizados pelos
navegadores portugueses era o astrolábio, que tinha sido imaginado pelos
gregos, criado pelos árabes e aperfeiçoado por um judeu chamado Abraão Zacuto. No
site do Festival da Cultura Árabe, eles escrevem que:
“Durante a Idade Média, a
Europa deixou um pouco de lado uma série de estudos e tratados científicos
produzidos na Grécia Antiga. Os árabes recuperaram esse conhecimento e
aperfeiçoaram cálculos, teses e técnicas. Foi o que aconteceu com o astrolábio.
Os cientistas árabes utilizaram as teorias gregas e montaram equipamentos que
podiam medir a posição do Sol, das estrelas, as horas do dia... A novidade
serviu para vários objetivos: com o astrolábio, era possível melhorar a
navegação, calcular com maior exatidão a orientação em relação a Meca e os
horários e oração do Islã.”
(Astrolábio)
Na
matemática: você sabia que um dos três povos que conceberam
a noção de zero eram os babilônios, que viviam na região mesopotâmica? Os
outros dois povos eram os hindus e os maias. Nós utilizamos o sistema decimal,
então devemos a esses povos a possibilidade de ter o número zero para os nossos
cálculos. E a contagem do tempo, é feita em contagem de 60, não é mesmo? Dessa
forma, 60 segundos são iguais a um minutos, e 60 minutos são iguais a uma hora.
Pois bem, esse é o sistema sexagimal, que foi criado pelos assírios, que viviam
onde ficam atualmente a Síria e o Iraque.
Na
herança cultural dos portugueses: basicamente, o Brasil foi
formado por três povos: os indígenas, os portugueses e os negros. Esses três
povos deram suas contribuições e formaram a nossa cultura, mas a influência
portuguesa foi maior, pois Portugal dominou os indígenas e os negros. Tanto
isso é verdade que a nossa língua oficial é o português. Acontece que os
portugueses, bem como os espanhóis, também foram dominados pelos povos árabes,
que eram conhecidos como mouros. Em 711, os mouros iniciam a invasão da Península
Ibérica, área que engloba Portugal e Espanha, e que nessa época era dominada
pelos visigodos. Segundo o historiador espanhol José Manuel González Vesga,
autor de “Breve História de Espanha”:
“Quando chegaram à Espanha,
os árabes encontraram o reino visigodo no caos. Entre 707 e 709, houve uma seca
sem precedentes, que arrasou as colheitas e espalhou a fome. Além disso, a
enorme colônia judaica estava sendo perseguida. Assim, camponeses e judeus
receberam os mouros de braços abertos”.
(Fonte: Aventuras na
História)
(A invasão moura)
Os portugueses e os
espanhóis pertenciam à religião católica, e os mouros eram muçulmanos. Mesmo
sendo de outra religião, os mouros eram bem mais tolerantes em matéria de
religião do que os católicos. Vale a pena lembrar que essa era a época da
Inquisição, em que os chamados “hereges” eram queimados vivos. Na época da invasão
moura, os judeus tiveram um melhor tratamento, devido a essa tolerância
religiosa dos mouros.
Por centenas de anos, os
portugueses e espanhóis tentaram se libertar, mas os mouros só foram definitivamente
expulsos em 1492. Foram quase 800 anos de ocupação, e é claro que isso deixou
uma enorme influência na cultura ibérica. O domínio muçulmano “deixou um grande
legado, no qual se destaca a introdução de novas técnicas e novas culturas,
como sistemas de irrigação (azenhas e noras), introdução de plantas (limoeiro,
laranjeira, alfarrobeira, amendoeira e provavelmente o arroz). No domínio da
ciência são valiosos os conhecimentos transmitidos: matemática, astronomia e
náutica, para além do enriquecimento que os conquistadores proporcionaram à
língua peninsular, com vários novos vocábulos.”
(Fonte: Info Escola)
Na
língua portuguesa: segundo o Dicionário Houaiss, na língua
portuguesa existem aproximadamente 700 palavras de origem árabe. Você sabia que
“al” em árabe é o artigo “o”, “a”? Pois bem, muitas das palavras em português
que começam com "a" ou "al" são de origem árabe. Exemplos: açúcar, alcaide,
almirante, açafrão, alface, acelga, azeitona, azulejo, alfazema, alcachofra,
alfarrábio, álgebra, álcool. Outras palavras: chafariz, lima, limão, laranja,
cenoura, elixir, xarope, zero...
(Fontes: Wikipedia e Mundo
Lusíada)
Na
arquitetura colonial: quando os portugueses colonizaram o
Brasil, trouxeram para cá o seu conhecimento de construção, que se utilizava de muitas técnicas árabes. Essas técnicas eram ideias para o clima quente do
Brasil, segundo Maria Heloísa Paes de Souza:
“Essas soluções foram
inspiradas naquelas já utilizadas em outras cidades do mundo islâmico e
consistiram no uso de pequenas aberturas com elementos vazados, como o
muxarabi, facilitando a entrada de luz e ar; pátios internos com fonte de água,
com as mesmas funções hidrotérmicas encontradas nas casas orientais; paredes de
taipa e adobe, espessas para isolamento do calor; coberturas com telhas
(telhado mourisco) e terraços (açoteias), que eram aproveitados para usos
domésticos, sobretudo no verão; revestimento em azulejo e caiação.”
Atualmente, no Brasil quase todas as casas
ainda usam azulejo, um elemento que já era utilizado no Antigo Egito e na
Mesopotâmia! Abaixo, uma foto de alguns sobrados de São Luís do Maranhão, que em 1997 teve parte de seu casario declarado Patrimônio Mundial da Humanidade:
Na
música: a música árabe teve grande influência na
música do nordeste brasileiro. O lamento nordestino veio do mawal, que é o
lamento árabe. Aliás, o lamento árabe também deu origem ao fado em Portugal e
ao flamenco na Espanha. O repente nordestino também tem origem árabe, o zajal. Além
disso, alguns instrumentos árabes foram modificados no Brasil, e se tornaram a
base da música nordestina. Exemplos: a rabeca é originária do rebab, o pandeiro
veio do riqq, e a zabumba surgiu do davul. Além dos instrumentos utilizados no Nordeste, houve influência árabe por toda a música brasileira. Você sabia que o alaúde, instrumento árabe de cordas, deu origem ao violão e à viola caipira? Esses dois instrumentos são tocados no Brasil inteiro.
“Outro elemento árabe
onipresente na música nordestina e brasileira de uma forma geral que chegou até
nós via Península Ibérica é o pandeiro. Redondo ou retangular, geralmente tocado
por mulheres, o pandeiro, adufe ou tamboril é imprescindível nos cantos e
danças mouros. Pero Vaz de Caminha já fazia referência a esses instrumentos na
sua “Carta do Achamento” ao rei de Portugal em 1500, tocados pelos marinheiros
ao chegarem nas praias de Porto Seguro e encontrarem os primeiros indígenas.”
(Fonte: Overmundo)
Além disso, segundo o
Instituto da Cultura Árabe:
“Os ritmos orientais
chegaram ao Nordeste por vários meios e um deles foi pelos escravos islâmicos
que promoveram a Revolta dos Malês, na Bahia, no século 19. Vieram também pela
Europa, que já estava influenciada pelos árabes dominantes da Península Ibérica
na Idade Média.”
Na
dança: algumas danças nordestinas, como o côco e o baião usam
ritmos de origem árabe. E voltando a falar dos escravos malês, que eram da
religião muçulmana, uma teoria diz que após a Revolta dos Malês, alguns deles
teriam fugido para o Rio de Janeiro, e se instalado nos morros cariocas. Esses
negros teriam, utilizando o adufe (pandeiro) e outros instrumentos percussivos
de origem africana, ajudado a criar o samba. E qual é a dança mais brasileira
de todas? O samba, é claro!
Então, toda vez que você usar a palavra “açúcar”, colocar azulejos novos na sua casa, dançar um samba ou um baião, comprar laranjas ou limões, contar os 60 minutos que formam um hora, lembre-se: devemos muitos aos povos orientais.
Fontes:
Wikipedia
1981 -






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