Hoje vou falar sobre a maior
cantora que o Egito já teve. Imagine juntar Frank Sinatra, Elvis Presley,
Roberto Carlos e Michael Jackson em um só artista, mas em uma versão feminina?
Pois foi esta a importância de Oum Kalthoum, a eterna rainha da música
oriental. Ela era conhecida como a “Estrela do Oriente”, a “Artista do Povo”, a
“Dama da Música”, o “Nobre Sol”, a “Voz do Egito”, a “Quarta Pirâmide do
Egito”, e muitos outros adjetivos que demonstravam a admiração de seus fãs.
Além de cantar, Oum Kalthoum
também tocava, compunha e atuava. Segundo Khaled Emam:
“Se definíssemos Oum
Kalthoum em uma palavra, essa palavra seria eternidade.”
Seu nome verdadeiro era Fatima
Ibrahim as-Sayyid al-Biltaji, e nasceu em uma família pobre, entre 1898 e 1904,
na pequena aldeia de Tamay El Zahayra, no Egito. Seu pai fazia o chamado às orações na mesquita, e também cantava nas festas religiosas. A história conta que Fatima aprendeu a cantar vendo seu pai ensinar ao seu irmão mais velho, e que logo seu pai notou que a filha tinha talento. Aos 12 anos, ela já cantava junto com a família em eventos, mas vestida como menino, para não atrair reprovação para o seu pai.
(Oum Kalthoum e seu pai)
No início da década de 1920,
ela foi para o Cairo, a capital do país, e começou sua carreira profissional.
Logo em seguida, sua família se juntou a ela, e seu pai contratou diversos
professores de música, para aperfeiçoar o canto da filha.
(Oum Kalthoum no início da carreira)
(Cartaz de apresentação)
Essa grande artista
trabalhou com outros grandes compositores e poetas, tais como Mohamed Abdel
Wahab, Ahmed Rami, Zakareya Ahmed, Mohamed El Qasabgi e Riyad El Sombati.
(Da esquerda para a direita: Riyad El Sombati, Oum Kalthoum, Mohamed El Qasabgi, Farid Al-Atrash e Zakareya Ahmed)
Oum Kalthoum fez sucesso no
Egito e também por todo o Oriente Médio. Foi recebida por reis, e em 1944
recebeu uma condecoração das mãos do Rei Farouk I. Como ela veio de uma família
simples, e tinha orgulho de suas raízes, nunca deixou que a fama subisse à
cabeça.
A música mais famosa, pela
qual Oum Kalthoum é reconhecida, é “Enta Omri”, composta em 1964 por Mohamed
Abdel Wahab. “Enta Omri” é uma das muitas músicas de amor que Oum Kalthoum
interpretou, mas ela também cantava músicas religiosas, nacionalistas e de
elogio às classes trabalhadoras. Uma das suas marcas era o uso de um lenço na
mão, enquanto cantava.
Oum Khaltoum começou a ter
problemas de saúde em 1971, procurou tratamentos na Europa e nos Estados
Unidos, e veio a falecer no Cairo em 03 de fevereiro de 1975. Para o seu
funeral, além dos seus compatriotas, vieram fãs de diversos países árabes.
(Monumento a Oum Kalthoum)
Até hoje, mais de 100 anos
após o seu nascimento, as suas músicas continuam a ser apreciadas. Oum Kalthoum
é referência para inúmeros cantores e cantoras de todo o mundo. Além disso, diversas
bailarinas dançam as suas maravilhosas canções. No site da Central Dança do
Ventre, explicam que:
“Seus shows costumavam durar entre três e quatro horas, durante as quais
eram cantadas duas ou três canções. As músicas que dançamos hoje e que
foram cantadas por ela são versões modernas e resumidas das obras, adaptadas
para a dança oriental e arranjadas de forma a evidenciar mais os instrumentos
de percussão.”
(Oum Kalthoum, a "Quarta Pirâmide do Egito")
Por que Oum Kalthoum era tão
famosa:
- tinha uma voz poderosa, e
controle absoluto sobre essa voz;
- era contralto, e sua voz
era tão potente que precisava cantar longe dos microfones;
- pronúncia perfeita;
- flexibilidade vocal;
- tinha a marca dos grandes
cantores, uma grande expressividade transmitida pela voz;
- tocava instrumentos e
compunha;
- fazia apresentações
abertas ao público em geral e aparições em musicais;
- na primeira quinta-feira
de cada mês, fazia a transmissão ao vivo de seus shows.
E você, também gosta desta maravilhosa artista?
Fontes:
“Egito – tradição e arte”,
Khaled Emam, Maringá, Editora Viseu, 2018.








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