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domingo, 2 de agosto de 2020

OUM KALTHOUM


Hoje vou falar sobre a maior cantora que o Egito já teve. Imagine juntar Frank Sinatra, Elvis Presley, Roberto Carlos e Michael Jackson em um só artista, mas em uma versão feminina? Pois foi esta a importância de Oum Kalthoum, a eterna rainha da música oriental. Ela era conhecida como a “Estrela do Oriente”, a “Artista do Povo”, a “Dama da Música”, o “Nobre Sol”, a “Voz do Egito”, a “Quarta Pirâmide do Egito”, e muitos outros adjetivos que demonstravam a admiração de seus fãs.


Além de cantar, Oum Kalthoum também tocava, compunha e atuava. Segundo Khaled Emam:

“Se definíssemos Oum Kalthoum em uma palavra, essa palavra seria eternidade.”

Seu nome verdadeiro era Fatima Ibrahim as-Sayyid al-Biltaji, e nasceu em uma família pobre, entre 1898 e 1904, na pequena aldeia de Tamay El Zahayra, no Egito. Seu pai fazia o chamado às orações na mesquita, e também cantava nas festas religiosas. A história conta que Fatima aprendeu a cantar vendo seu pai ensinar ao seu irmão mais velho, e que logo seu pai notou que a filha tinha talento. Aos 12 anos, ela já cantava junto com a família em eventos, mas vestida como menino, para não atrair reprovação para o seu pai.

    (Oum Kalthoum e seu pai)

No início da década de 1920, ela foi para o Cairo, a capital do país, e começou sua carreira profissional. Logo em seguida, sua família se juntou a ela, e seu pai contratou diversos professores de música, para aperfeiçoar o canto da filha.

               (Oum Kalthoum no início da carreira)

                         (Cartaz de apresentação)

Essa grande artista trabalhou com outros grandes compositores e poetas, tais como Mohamed Abdel Wahab, Ahmed Rami, Zakareya Ahmed, Mohamed El Qasabgi e Riyad El Sombati.

   (Da esquerda para a direita: Riyad El Sombati, Oum Kalthoum, Mohamed El Qasabgi, Farid Al-Atrash e Zakareya Ahmed)

Oum Kalthoum fez sucesso no Egito e também por todo o Oriente Médio. Foi recebida por reis, e em 1944 recebeu uma condecoração das mãos do Rei Farouk I. Como ela veio de uma família simples, e tinha orgulho de suas raízes, nunca deixou que a fama subisse à cabeça.

A música mais famosa, pela qual Oum Kalthoum é reconhecida, é “Enta Omri”, composta em 1964 por Mohamed Abdel Wahab. “Enta Omri” é uma das muitas músicas de amor que Oum Kalthoum interpretou, mas ela também cantava músicas religiosas, nacionalistas e de elogio às classes trabalhadoras. Uma das suas marcas era o uso de um lenço na mão, enquanto cantava.


Oum Khaltoum começou a ter problemas de saúde em 1971, procurou tratamentos na Europa e nos Estados Unidos, e veio a falecer no Cairo em 03 de fevereiro de 1975. Para o seu funeral, além dos seus compatriotas, vieram fãs de diversos países árabes.

    (Monumento a Oum Kalthoum)

Até hoje, mais de 100 anos após o seu nascimento, as suas músicas continuam a ser apreciadas. Oum Kalthoum é referência para inúmeros cantores e cantoras de todo o mundo. Além disso, diversas bailarinas dançam as suas maravilhosas canções. No site da Central Dança do Ventre, explicam que:

Seus shows costumavam durar entre três e quatro horas, durante as quais eram cantadas duas ou três canções. As músicas que dançamos hoje e que foram cantadas por ela são versões modernas e resumidas das obras, adaptadas para a dança oriental e arranjadas de forma a evidenciar mais os instrumentos de percussão.”

   (Oum Kalthoum, a "Quarta Pirâmide do Egito")

Por que Oum Kalthoum era tão famosa:
- tinha uma voz poderosa, e controle absoluto sobre essa voz;
- era contralto, e sua voz era tão potente que precisava cantar longe dos microfones;
- pronúncia perfeita;
- flexibilidade vocal;
- tinha a marca dos grandes cantores, uma grande expressividade transmitida pela voz;
- tocava instrumentos e compunha;
- fazia apresentações abertas ao público em geral e aparições em musicais;
- na primeira quinta-feira de cada mês, fazia a transmissão ao vivo de seus shows.

E você, também gosta desta maravilhosa artista? 


Fontes:
“Egito – tradição e arte”, Khaled Emam, Maringá, Editora Viseu, 2018.


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