Esta é mais uma postagem
sugerida pela professora Camila Nickel, e juro que não é um assunto fácil de pesquisar, por
dois motivos:
1 - Falta de informações (nenhum dos livros que tenho cita esse estilo de dança, e tive que me
limitar a pesquisas na internet).
2 – Quando a gente acha uma informação na
internet, já é a cópia de um texto anterior. E o mais grave é que as pessoas
vão copiando o texto e não citam a fonte.
Além do mais, eu sou sincera
em dizer que não sei nada sobre a dança do ventre grega, pois é um estilo que
poucas pessoas executam no Brasil. A maior referência que temos no Brasil é a
bailarina Cristina Antoniadis. Ela tem um blog, cujo endereço é
cristina.antoniadis.blogspot.com. Lá, vocês vão achar muitas informações
detalhadas sobre a dança do ventre grega.
Antes de falarmos sobre o
assunto, peço que leiam a postagem “Diferenças entre os estilos egípcio e
turco”, de 10 de junho de 2020. Vocês verão que existe muita similaridade entre
os estilos turco e grego. Vamos a um pouquinho de História e Geografia, para começar:
Neste primeiro mapa, vocês
verão que tanto o Egito quanto os países árabes (prováveis berços da dança do
ventre) são banhados pelo Mar Mediterrâneo:
No segundo mapa, veremos a
Grécia, que está localizada à esquerda da Turquia, sendo também banhada pelo
Mar Mediterrâneo:
Dá para constatar que é tudo
muito próximo, e essa proximidade facilitou o intercâmbio comercial e cultural,
desde a Antiguidade. Segundo Cristina Antoniadis:
“A troca cultural entre gregos e árabes é também algo milenar, os gregos
sempre tiveram grande fascínio pelo Oriente, tanto que levou Alexandre, o
Grande até a Índia, e é muito comum nas letras de músicas gregas serem
mencionadas as belezas e riquezas do povo árabe. Desde a antiguidade a Grécia
importava cantoras do Egito, pois eram consideradas as melhores vozes, faziam
comércio com os Fenícios e adotaram seu alfabeto, estudavam o povo persa,
podemos dizer que naquela época havia uma real globalização cultural e o que
conhecemos hoje por cultura helênica, na verdade é a intersecção da cultura
grega clássica com a cultura oriental.”
Os gregos davam valor às artes, e amavam a música e a dança. No seu
texto “Árabes e gregos – a semelhança não é mera coincidência”, Cristina
Antoniadis fala sobre as semelhanças entre as culturas árabe e grega, e
escreve:
“Sendo assim, eu concluo que o que realmente une esses povos são fatores
culturais, principalmente a música e a dança. A música árabe, assim como os
cantos dos ritos islâmicos, tiveram sua raiz e grande influência da música
bizantina, cuja origem é helênica. Não há diferença entre a música clássica
árabe e a música clássica grega. São os mesmos instrumentos, os mesmos ritmos,
os mesmos modos. Algumas danças de roda são idênticas, sem contar a dança do
ventre, que também faz parte da cultura grega.”
Em 1453, a cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) foi
invadida pelos turcos otomanos. Essa data também simboliza o fim da Idade Média
(476 a 1453) e o início da Idade Moderna (1453 a 1789). A partir deste momento,
os turcos otomanos começam o seu domínio na Grécia, que tentou por diversas
vezes se libertar, só vindo a ter êxito em 1922, após a Guerra Greco-Turca
(1919-1922). Essa guerra foi marcada por muitas atrocidades. No ano seguinte, a
Turquia teve suas fronteiras demarcadas, que são as mesmas de hoje. Os gregos,
em sua maioria, eram cristãos ortodoxos, e os turcos geralmente eram muçulmanos.
Alguns gregos viviam onde hoje é a Turquia, e alguns turcos viviam na parte
pertencente à Grécia. Segundo a Wikipedia:
“O fim da guerra ficou ainda marcado pela primeira transferência
populacional compulsiva em larga escala do século XX, que envolveu a troca
entre os cidadãos cristãos da Turquia (na sua maioria gregos ortodoxos) e os
muçulmanos da Grécia, acordada em conversações paralelas às que desembocaram no
Tratado de Lausana. As deportações em massa e fugas de populações gregas da
Anatólia e de turcas da Grécia já tinham começado antes da Primeira Guerra
Mundial e intensificaram-se durante a Guerra Greco-Turca. Calcula-se que cerca
de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancentrais – um milhão
e meio de gregos e turcos cristãos da Anatólia e meio milhão de turcos e gregos
muçulmanos da Grécia.”
Esses gregos expulsos da região da Anatólia - que passara a ser parte da
Turquia moderna - levaram a sua herança musical para a Grécia. Essas pessoas
sofreram muito, tanto devido à guerra que culminou com a sua expulsão, quanto
pelas situações precárias que encontraram na Grécia. Por isso, suas músicas
eram muito tristes, porque falavam sobre as dificuldades pelas quais estavam
passando. Segundo o site “Mundo da Dança”, a música grega misturava os sons
gregos, turcos, armênios e árabes. Surge o estilo chamado Tsifteteli (existem
outras formas de grafia), que pode ser definido como:
1 ) a dança do ventre grega;
2 ) uma dança de casal;
3) uma dança de grupo.
Sobre o Tsifteteli como dança do ventre, Cristina Antoniadis escreve:
“O estilo grego de Dança Oriental se difere do egípcio e do árabe em
diversos aspectos. O principal deles está na ênfase em movimentos pélvicos e na
postura da bailarina que executa a dança quase inteira numa posição com um leve
cambrê e a pélvis à frente. Os oitos e redondos são muito comuns também e são
executados com um “arrastamento” dos pés com os calcanhares bem apoiados no
chão. Outra característica muito comum é a acentuação das batidas quase sempre
para cima e também a dança executada no chão.”
Se lembrarmos dos estilos turco e libanês, veremos que eles também
utilizam o cambrê e a projeção da pélvis. O estilo turco também tem como
característica a marcação para cima com os quadris. No blog da Isis Zahara, ela
diz que o estilo grego utiliza os ritmos Maksum, Malfuf e Tsifteteli, e tem
como características:
“Os movimentos característicos do estilo grego, além da influência
folclórica, são os oitos e ondulações como redondos e camelos, giros cuja
intenção parte de um redondo grande, belly rolls (ondulações abdominais), suave
shimmy de busto. Braços em postura Alladin (uma das mãos pousa sobre a cabeça
enquanto a outra mantém-se alongada na lateral).”
Segundo Cristina Antoniadis, a música clássica grega também se vale dos instrumentos utilizados na música clássica árabe, tais como o kanoon, o duff, o violino... A grande diferença no som da música grega é que eles usam o bouzouki,
um instrumento da família do alaúde. O som do bouzouki dá uma sonoridade bem
distinta à música grega, e é bem fácil distinguir o som desse instrumento.
No tocante à dança do ventre grega, uma referência famosa é a bailarina Boubouka
Pappas, que fez muito sucesso entre os anos 1950 e 1970. No Youtube, você
encontra alguns vídeos dela, já que ela participou de vários filmes. Ela tem um
controle absoluto dos quadris e as ondulações abdominais dela são simplesmente
fantásticas! Só que o estilo é um pouquinho chocante (pernas muitos abertas,
seios muito expostos, etc.). Mesmo assim, fiquei encantada com essa bailarina
que eu não conhecia.
E isso foi tudo que consegui descobrir a respeito do estilo grego. Espero que a postagem tenha sido útil. Se alguém tiver mais informações sobre esse assunto, e puder compartilhar, agradeço de coração. Para finalizar, separei os links de dois vídeos para vocês assistirem, um da bailarina Athena Najat, ou da Natasa:
Fontes:
https://www.mundodadanca.art.br/2016/06/danca-grega-tsifteteli.htmlhttps://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Turquia





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