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terça-feira, 7 de julho de 2020

O ESTILO GREGO - ORIGENS


Esta é mais uma postagem sugerida pela professora Camila Nickel, e juro que não é um assunto fácil  de pesquisar, por dois motivos:

1 - Falta de informações (nenhum dos livros que tenho cita esse estilo de dança, e tive que me limitar a pesquisas na internet).

 2 – Quando a gente acha uma informação na internet, já é a cópia de um texto anterior. E o mais grave é que as pessoas vão copiando o texto e não citam a fonte.

Além do mais, eu sou sincera em dizer que não sei nada sobre a dança do ventre grega, pois é um estilo que poucas pessoas executam no Brasil. A maior referência que temos no Brasil é a bailarina Cristina Antoniadis. Ela tem um blog, cujo endereço é cristina.antoniadis.blogspot.com. Lá, vocês vão achar muitas informações detalhadas sobre a dança do ventre grega.

Antes de falarmos sobre o assunto, peço que leiam a postagem “Diferenças entre os estilos egípcio e turco”, de 10 de junho de 2020. Vocês verão que existe muita similaridade entre os estilos turco e grego. Vamos a um pouquinho de História e Geografia, para começar:

Neste primeiro mapa, vocês verão que tanto o Egito quanto os países árabes (prováveis berços da dança do ventre) são banhados pelo Mar Mediterrâneo:


No segundo mapa, veremos a Grécia, que está localizada à esquerda da Turquia, sendo também banhada pelo Mar Mediterrâneo:


Dá para constatar que é tudo muito próximo, e essa proximidade facilitou o intercâmbio comercial e cultural, desde a Antiguidade. Segundo Cristina Antoniadis:

“A troca cultural entre gregos e árabes é também algo milenar, os gregos sempre tiveram grande fascínio pelo Oriente, tanto que levou Alexandre, o Grande até a Índia, e é muito comum nas letras de músicas gregas serem mencionadas as belezas e riquezas do povo árabe. Desde a antiguidade a Grécia importava cantoras do Egito, pois eram consideradas as melhores vozes, faziam comércio com os Fenícios e adotaram seu alfabeto, estudavam o povo persa, podemos dizer que naquela época havia uma real globalização cultural e o que conhecemos hoje por cultura helênica, na verdade é a intersecção da cultura grega clássica com a cultura oriental.”

Os gregos davam valor às artes, e amavam a música e a dança. No seu texto “Árabes e gregos – a semelhança não é mera coincidência”, Cristina Antoniadis fala sobre as semelhanças entre as culturas árabe e grega, e escreve:

“Sendo assim, eu concluo que o que realmente une esses povos são fatores culturais, principalmente a música e a dança. A música árabe, assim como os cantos dos ritos islâmicos, tiveram sua raiz e grande influência da música bizantina, cuja origem é helênica. Não há diferença entre a música clássica árabe e a música clássica grega. São os mesmos instrumentos, os mesmos ritmos, os mesmos modos. Algumas danças de roda são idênticas, sem contar a dança do ventre, que também faz parte da cultura grega.”

Em 1453, a cidade de Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) foi invadida pelos turcos otomanos. Essa data também simboliza o fim da Idade Média (476 a 1453) e o início da Idade Moderna (1453 a 1789). A partir deste momento, os turcos otomanos começam o seu domínio na Grécia, que tentou por diversas vezes se libertar, só vindo a ter êxito em 1922, após a Guerra Greco-Turca (1919-1922). Essa guerra foi marcada por muitas atrocidades. No ano seguinte, a Turquia teve suas fronteiras demarcadas, que são as mesmas de hoje. Os gregos, em sua maioria, eram cristãos ortodoxos, e os turcos geralmente eram muçulmanos. Alguns gregos viviam onde hoje é a Turquia, e alguns turcos viviam na parte pertencente à Grécia. Segundo a Wikipedia:

“O fim da guerra ficou ainda marcado pela primeira transferência populacional compulsiva em larga escala do século XX, que envolveu a troca entre os cidadãos cristãos da Turquia (na sua maioria gregos ortodoxos) e os muçulmanos da Grécia, acordada em conversações paralelas às que desembocaram no Tratado de Lausana. As deportações em massa e fugas de populações gregas da Anatólia e de turcas da Grécia já tinham começado antes da Primeira Guerra Mundial e intensificaram-se durante a Guerra Greco-Turca. Calcula-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancentrais – um milhão e meio de gregos e turcos cristãos da Anatólia e meio milhão de turcos e gregos muçulmanos da Grécia.”

Atualmente, esse é o mapa da Grécia e de parte da Turquia:

Esses gregos expulsos da região da Anatólia - que passara a ser parte da Turquia moderna - levaram a sua herança musical para a Grécia. Essas pessoas sofreram muito, tanto devido à guerra que culminou com a sua expulsão, quanto pelas situações precárias que encontraram na Grécia. Por isso, suas músicas eram muito tristes, porque falavam sobre as dificuldades pelas quais estavam passando. Segundo o site “Mundo da Dança”, a música grega misturava os sons gregos, turcos, armênios e árabes. Surge o estilo chamado Tsifteteli (existem outras formas de grafia), que pode ser definido como:

1 ) a dança do ventre grega;
2 ) uma dança de casal;
3) uma dança de grupo.

Sobre o Tsifteteli como dança do ventre, Cristina Antoniadis escreve:

“O estilo grego de Dança Oriental se difere do egípcio e do árabe em diversos aspectos. O principal deles está na ênfase em movimentos pélvicos e na postura da bailarina que executa a dança quase inteira numa posição com um leve cambrê e a pélvis à frente. Os oitos e redondos são muito comuns também e são executados com um “arrastamento” dos pés com os calcanhares bem apoiados no chão. Outra característica muito comum é a acentuação das batidas quase sempre para cima e também a dança executada no chão.”

Se lembrarmos dos estilos turco e libanês, veremos que eles também utilizam o cambrê e a projeção da pélvis. O estilo turco também tem como característica a marcação para cima com os quadris. No blog da Isis Zahara, ela diz que o estilo grego utiliza os ritmos Maksum, Malfuf e Tsifteteli, e tem como características:

“Os movimentos característicos do estilo grego, além da influência folclórica, são os oitos e ondulações como redondos e camelos, giros cuja intenção parte de um redondo grande, belly rolls (ondulações abdominais), suave shimmy de busto. Braços em postura Alladin (uma das mãos pousa sobre a cabeça enquanto a outra mantém-se alongada na lateral).”

Segundo Cristina Antoniadis, a música clássica grega também se vale dos instrumentos utilizados na música clássica árabe, tais como o kanoon, o duff, o violino... A grande diferença no som da música grega é que eles usam o bouzouki, um instrumento da família do alaúde. O som do bouzouki dá uma sonoridade bem distinta à música grega, e é bem fácil distinguir o som desse instrumento.


No tocante à dança do ventre grega, uma referência famosa é a bailarina Boubouka Pappas, que fez muito sucesso entre os anos 1950 e 1970. No Youtube, você encontra alguns vídeos dela, já que ela participou de vários filmes. Ela tem um controle absoluto dos quadris e as ondulações abdominais dela são simplesmente fantásticas! Só que o estilo é um pouquinho chocante (pernas muitos abertas, seios muito expostos, etc.). Mesmo assim, fiquei encantada com essa bailarina que eu não conhecia.

                                (Boubouka)

E isso foi tudo que consegui descobrir a respeito do estilo grego. Espero que a postagem tenha sido útil. Se alguém tiver mais informações sobre esse assunto, e puder compartilhar, agradeço de coração. Para finalizar, separei os links de dois vídeos para vocês assistirem, um da bailarina Athena Najat, ou da Natasa:

Fontes:






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