Hoje vou falar sobre um
assunto muito importante, que envolve intenção, motivação e objetivos a curto e
longo prazo. É sobre aquele estereótipo de que a dançarina do ventre é uma
mulher sedutora e fatal. De acordo com o dicionário, a sedução pode ser
definida como:
“1. Conjunto de qualidades e
características que despertam simpatia, desejo, amor, interesse, etc.
2 . Capacidade ou processo
de persuadir ou perverter.”
Quase sempre que alguma
revista não especializada fala sobre a dança do ventre, ela é definida como “a
dança mais sensual do planeta”. Vejam bem a situação, não é a dança mais
sensual de uma cidade ou país, é do planeta inteiro! Não é sensualidade demais
para uma dança? Neste caso, a dança do ventre é vinculada à atração sexual. Mas
será que a dança do ventre é isso mesmo, ela deve ser utilizada para atrair
alguém sexualmente? Particularmente, eu prefiro que a dança do ventre seja
vinculada à ideia de encantar, de atrair pela beleza da dança. O que você
prefere, seduzir com a sua dança, ou encantar?
Já falei bastante sobre a origem nebulosa da dança do ventre. Ninguém sabe ao certo quando nem onde surgiu, nem qual o objetivo dessa dança. Era religiosa, uma dança em honra à Deusa Mãe? Era uma forma de preparar o corpo para o parto? Era uma dança para celebrar as festas importantes? Não existem provas documentais sobre a origem da dança. De qualquer forma, quando os europeus chegaram ao Egito, viram danças diferentes de tudo que eles conheciam. Além de verem, eles também imaginaram muitas coisas, e essa imaginação nem sempre condizia com a realidade. Surgem aí os mitos da mulher oriental como exótica e sedutora, o mito das odaliscas, dos haréns, etc.
Você, que é aluna ou
professora de dança do ventre, já deve ter passado por essa situação: quando
diz que pratica essa arte, as outras pessoas arregalam os olhos, como se disse
“Oh!”, como se estivessem na frente de uma mulher fatal. Isso não aconteceria, por exemplo, se você falasse que era praticante de
danças gauchescas. Existe um estigma, um estereótipo das bailarinas de dança do
ventre. Em alguns casos, esse estereótipo pode vir da sua própria forma de
abordar o tema, senão vejamos:
Motivação - Quando você começou a
fazer dança do ventre, a sua única intenção era seduzir um namorado ou marido?
Veja bem, não estou julgando, só perguntando. Geralmente, a maioria das
mulheres que começa a fazer a dança do ventre é porque se encantou com essa
arte, mas de vez em quando alguma interessada vem com o intuito de seduzir o
companheiro. Esse perfil de aluna não fica mais do que poucas aulas.
Intenção - Agora, se você começou a
fazer aulas de dança do ventre para cuidar de seu corpo e sua mente, aumentar a
sua autoestima, se conhecer melhor, está no caminho certo. Na minha opinião,
devemos dançar para nós, não para agradar fulano, beltrano ou sicrano. Se você
está fazendo aulas de dança para agradar o namorado/marido, e ele não gostar,
você vai largar a dança, mesmo que estiver gostando? E no caso contrário, se o
seu namorado/marido gosta, mas você odeia dançar, vai continuar com as aulas, apenas
para agradá-lo? Faça as coisas porque você quer, senão não tem sentido.
A dança do ventre não é
fórmula de sedução! Para isso, existem outras técnicas e outros cursos. Vale a
pena lembrar a definição do que é dança do ventre, segundo a bailarina Níjme:
“A dança do ventre é a arte
de dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto, transmitindo e
expressando sentimentos em harmonia com a música oriental.”
Observem que a Níjme escreve
“arte”, “sentimento”. Ela não escreve “sedução”.
Objetivos a curto e longo prazo - Se você está fazendo
aulas pelos motivos certos e com as intenções certas, com certeza verá que a
dança do ventre é uma arte, que requer estudo contínuo. Isso tem a ver com os
objetivos a curto e longo prazo. Se você apenas quer aprender o básico, seus
objetivos serão a curto prazo, mas seu aprendizado será pequeno. Porém, se quiser se aperfeiçoar nessa arte
maravilhosa, terá que traçar objetivos a longo prazo, sabendo que terá que
estudar sempre, pois sempre temos algo novo a aprender.
E daí, qual a sua opinião?
Fique à vontade para postar seus comentários! E uma feliz (e encantadora) dança
para todas nós! Que as bailarinas de dança do ventre continuem a encantar, alegrar e inspirar as pessoas de todo o mundo. Yalla!

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