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domingo, 28 de março de 2021

A IMPORTÂNCIA DO OLHAR

O tema de hoje foi uma sugestão do fotógrafo Moacir Chiarello, que pede que eu escreva sobre 

"a importância do olhar da bailarina, para onde olhar, como criar uma relação de cumplicidade entre a bailarina e os espectadores. Ou  seja, como incluir as expressões faciais, sorrisos e olhares na coreografia.”

A propósito, que tema excelente!!! Para início de conversar, vamos estabelecer o seguinte:

1º Embora algumas poucas mulheres façam dança do ventre com intuito de agradar o companheiro, a grande maioria começa a fazer aulas de dança para seu próprio benefício (englobando os aspectos físico, emocional e mental). É por isso que quando você pergunta a uma mulher para quem ela faz dança do ventre, geralmente a resposta é que ela dança para si mesma, ou seja, ela está se dando um presente através dos benefícios da dança. E isso está certíssimo, no meu entender.

2º Ao mesmo tempo, o que acontece na hora de uma apresentação? A dançarina vai dançar para si mesma? Com certeza não. Em uma apresentação, precisa haver uma troca de energias e de sentimentos entre a dançarina e o público. Esta é a função do artista. Vamos relembrar a definição de dança do ventre, conforme as palavras da dançarina Níjme? Ela diz o seguinte:

“A dança do ventre é a arte de dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto, transmitindo e expressando sentimentos em harmonia com a música oriental.”

Reforçando as palavras da Níjme - transmitindo sentimentos. E, segundo Jorge Sabongi, um dos três pilares da dança do ventre é a emoção. Daí, você me pergunta: e como eu faço essa troca de energias e sentimentos com o público? Existem três elementos que você pode utilizar:

1º Os braços e as mãos (já falei sobre isso, nas postagens “Movimentos desafiadores – parte 2” e “As mãos na dança do ventre”).

2º Os movimentos com o tronco como, por exemplo, no sentido da expansão ou da contração (prometo que farei uma matéria sobre este assunto).

3º A expressão facial (nosso assunto de hoje).

Vamos a exemplos práticos. Imagine que você está dançando uma música muito alegre e animada. Qual será a sua expressão? É claro que uma diversidade de expressões que combinem com a música: alegre, animada, brejeira, expansiva, extrovertida, etc. E se a música for triste? Obviamente que você não vai fazer cara de paisagem, existe uma gama de expressões, tais como: triste, melancólica, sonhadora, introvertida, introspectiva, etc. E se a música passar por momentos diferentes (alegre, triste, nostálgica, misteriosa, enérgica...), as suas expressões faciais vão acompanhando essas mudanças.

Com as dicas acima, você consegue expressar os sentimentos que sente quando escuta aquela música, bem como consegue transmitir esses sentimentos a quem está lhe assistindo. É lógico que isso geralmente só vem com muito treino, porque a expressão facial também precisa ser treinada, exatamente como treinamos nosso corpo para dançar. Algumas pessoas têm mais facilidade com isso, outras têm mais dificuldade – mas não é impossível.

Tudo bem, mas e o olhar? A direção do seu olhar é muito importante, porque ele conduz o olhar do espectador para onde você quiser. Vamos a alguns exemplos:

1 – A música tem um trecho de solo melódico de kanoon, e você decide fazer um shimmy de quadril. Só que não dá para expressão sentimento com o quadril, concorda? Então você pode, neste caso, emoldurar o quadril com as duas mãos, enquanto olha para o quadril. O espectador também vai olhar para lá, com certeza.

2 – De repente, surge um solo melódico de flauta, e você faz uma serpente com o braço direito. Você quer ressaltar esse movimento? Então siga o braço, durante a execução do movimento.

3 – E um trecho da música que sugira mistério e sedução? Que tal posicionar uma mão acima e outra abaixo dos olhos, e dar aquela olhada fatal para o público?

4 – E na hora dos giros? Você pode fazer com foco no público, no ombro, no  cotovelo, na mão, no teto, no chão. Cada ponto de seu corpo que você escolher como foco será seguido pelo espectador.

5 – E os redondos e infinitos com o tronco? Experimente fazê-los olhando para essa parte do seu corpo. Isso serve também para as ondulações, os redondos de quadril, as rotações com os ombros, etc.

6 – A música tem uma batida bem forte, que você quer deixar bem marcante? Que tal uma batida lateral, junto com uma olhada para o mesmo lado da batida?

7 – A música é bem alegre e acelerada? Que tal olhar para o público, com um sorriso bem aberto? Convide os seus espectadores a celebrar com você esse momento alegre da música, através do seu sorriso. A propósito de sorrisos, lembre-se que o verdadeiro sorriso “aberto” chega até os olhos, que devem “cintilar”.

A propósito da importância do olhar na dança, gosto muito das expressões da dançarina Esmeralda Colabone. Ela tem um olhar muito magnético, na minha opinião – além de dançar muito bem, obviamente.

Lembre-se, sempre, de uma questão muito importante: uma apresentação é um presente que você dá a seu público. Esse presente, essa dádiva, não vai conquistar o espectador apenas pela técnica, mas principalmente pela carga emocional que você consegue transmitir. Você tem o dom de transportar o público para onde quiser!



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