Hoje vou falar sobre uma grande dançarina – Farida Fahmy, a primeira bailarina da Trupe Reda. Por gentileza, para começar, leia a postagem abaixo:
http://azizamahaila.blogspot.com/2019/11/a-importancia-de-mahmoud-reda-e-sua.html
Nascida em 1940 no Egito, Farida foi - junto com Mahmoud
Reda e Ali Reda – uma das figuras principais da Trupe Reda. Era filha de pai
egípcio e mãe britânica, e desde criança quis ser bailarina:
“De alguma maneira eu sabia que seria bailarina, desde que
tinha 7 anos. Eu não entendia o que era a dança e o seu contexto social no
Egito. Nesse tempo a dança não era arte, os egípcios tinham uma relação de amor
e ódio com a dança, havia uma ambivalência a respeito da dança e eu não sabia
nada disso, eu só queria dançar. “
Farida Fahmy e suas irmãs tiveram sorte de ter um pai que
incentivou as filhas nas atividades artísticas e esportivas. Nesta época (anos 1950),
havia um preconceito no Egito em relação às dançarinas, e foi isso que Farida quis
dizer com a expressão “nesse tempo a dança não era arte”. Ela estudou balé clássico,
e com 19 anos passou a integrar a Trupe Reda.
Segundo a bailarina Brysa Mahaila, à página 71 de seu livro
“Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume I:
“A The Reda Troup,
fundada em 1959 por Mahmoud Reda, foi
a primeira companhia de dança folclórica egípcia. The Reda Troup, no início, era composta por quinze bailarinos. Ela
chegou a ter mais de 150 membros, incluindo bailarinos, músicos e técnicos.
Essa companhia apresentou mais de 300 shows
e participou de dois filmes musicais: Mid
year vacation e Love in Elkarnak.
Muitos membros da companhia de Reda tornaram-se famosos, como os professores
mestres Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo
Geddawi e Yousry Sharif.
A lendária Farida
Fahmy foi co-fundadora e primeira dançarina da Reda Troup. Por 25 anos, teve a sua história vinculada a essa
companhia de dança folclórica. Ela atuou no papel principal da trupe e elevou a
dança ao patamar de fina arte. O estilo, a elegância e a graça originais ainda
inspiram gerações de dançarinos que acompanham as suas audiências e
apresentações no Egito e no exterior. A dedicação, disciplina e o compromisso
serviram de exemplo a bailarinos que integraram a companhia posteriormente.”
Além de bailarina, a partir de 1970 ela também assumiu a
função de figurinista do grupo. Vale a pena lembrar que, além do trabalho de
pesquisa das danças folclóricas, também era necessário uma pesquisa dos trajes
apropriados às danças em questão. A respeito do trabalho como figurinista,
existe um texto da própria Farida, cujo link segue abaixo:
http://www.faridafahmy.com/costumes.html
No link acima, consta este desenho de alguns figurinos
criados por ela:
Ainda segundo a bailarina Brysa Mahaila, à página 72 do seu livro:
“Junto a Reda, Farida
Fahmy viajou por mais de 60 países, atuou em festivais internacionais de
dança nos quais a trupe foi premiada. A bailarina dançou para chefes de estado,
inúmeras vezes, no Egito e no exterior. Ela estrelou inúmeros filmes egípcios e
em dois grandes musicais dirigidos por seu último marido, Ali Reda, e Mahmoud Reda.
Farida continuou sempre aperfeiçoando seus conhecimentos, formou-se
Bacharel em Artes na Literatura Inglesa, na Universidade do Cairo, em 1967, e
em Etnologia da Dança, na Universidade de Los Angeles. O status social, a carreira artística e as realizações acadêmicas
realçam a grandeza de Farida,
considerada uma das maiores bailarinas de seu tempo.
Financiada pelo governo egípcio por ser encarada como
representante do folclore egípcio tanto no nível da música como da dança, a Reda Troup viaja por todo o país, a fim
de, após investigar e analisar as danças folclóricas, organizar tournée mundiais para promover essas
danças como arte digna de respeito. Mahmoud
Reda sempre ressaltou que as suas danças eram inspiradas no folclore, mas,
através do público, descobriu que elas, apesar de serem adaptações, não foram
descaracterizadas, pois o povo via-se (sentia-se representado) no palco.”
Aqui, uma foto belíssima de Mahmoud Reda e Farida Fahmy:
Em 1983, Farida encerrou a carreira de bailarina. Existe
uma entrevista ela, que está disponível da internet, e vale muito a pena ler!
Ela dá várias dicas de elementos importantes na dança do ventre. O link da
entrevista segue abaixo:
http://www.faridafahmy.com/EgyptianDance.html
Nessa entrevista, a Farida diz uma coisa muito bacana:
“Cada passo deve ter o seu valor... o público sente e
entende isso.”
Fontes de pesquisa utilizadas:
Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança
do ventre” – volume I, História e folclore. Kaleidoscópio de Ideias, São Paulo,
2016.
https://www.shainanur.com.br/farida-fahmy
https://blognuriyahabdo.wordpress.com/2011/04/11/farida-fahmy-bailarina-lendaria/
https://lisdecastro.wordpress.com/2012/07/15/egito-a-era-de-ouro-parte-7/
https://lisdecastro.wordpress.com/2018/03/21/conta-farida/




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