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quinta-feira, 24 de junho de 2021

RUDOLF LABAN (1879-1958)

Rudolf Laban

Coreógrafo, bailarino, teatrólogo, considerado o maior teórico da dança do século XX, criador da “dança-teatro”. Era formado em Arquitetura, mas dedicou sua vida à dança. Pessoalmente, foi influenciado pela Teosofia, Sufismo e Hermetismo, e essas influências espirituais foram repassadas à sua teoria da dança. Laban procurava a forma natural como as pessoas se movem, e a sua dança tinha como objetivo a expressão das emoções humanas.

Segundo a Wikipedia, a importância da obra de Laban vai muito além da dança:

“As concepções expressas por Laban sobre o movimento humano causaram grande impacto e passaram a influenciar os trabalhos desenvolvidos em áreas tão diversas como Educação, Psicologia, Fonoaudiologia, Teatro, Dança, Música, Artes e Educação Física.”

E mais uma vez citando as palavras da Wikipedia:

“Suas teorias sobre o movimento e a coreografia estão entre os fundamentos principais da Dança Moderna e fazem parte de todas as abordagens contemporâneas da dança.

De acordo com o site Dança Movimento Terapia, mais uma vez constatamos a importância do trabalho de Laban:

“Todos os trabalhos que desenvolveu foram sobre os elementos que constituem o movimento e a sua utilização, dando ênfase aos aspectos psíquicos e fisiológicos que levam o ser humano ao movimento. A metodologia e a profundidade do seu estudo ajuda-nos a perceber o ser humano através do movimento nos mais diversos aspectos e pode ser aplicada nos diferentes setores da atividade humana, artes, educação, trabalho, psicologia, sociologia, etc.

Foi através do seu sistema de Análise do Movimento que muitos dos seus seguidores começaram a introduzir a Dança em contextos terapêuticos e Dança Educativa.”

Laban foi o autor de diversos livros: “Domínio do movimento”, “Corêutica” e “Dança educativa moderna”, e muitos outros. Conforme o site Slide Share, no livro Corêutica, Laban falou sobre a:

“... teoria da harmonia do espaço, uso do movimento/tempo no espaço, uso das dinâmicas do movimento. Na Corêutica, desenvolveu uma espécie de escala de movimentos. Nos exercícios da Corêutica, o dançarino pode praticar o movimento em 12 direções, assim como músicos praticam as notas musicais. As doze direções são definidas ao se dividir o espaço ao redor do dançarino em três planos: o plano vertical (ou plano da porta), o plano horizontal (ou plano da mesa) e o plano sagital (plano da roda). Quando os doze ângulos desses 3 planos imaginários são conectados com linhas, outros 20 pequenos triângulos são formados. Eles formam o Icosaedro.”

Os planos e as direções

Outro conceito importante na teoria de Laban é a Kinesfera. Conforme o Site da Secretaria de Educação do Paraná, a Kinesfera:

“... é tudo que podemos alcançar com todas as partes do corpo, perto ou longe, grande ou pequeno, com movimentos rápidos ou lentos etc. A Kinesfera ou Cinesfera é a esfera que delimita o limite natural do espaço pessoal, no entorno do corpo do ser movente. Esta esfera cerca o corpo esteja ele em movimento ou em imobilidade, e se mantém constante em relação ao corpo, sendo ‘carregada’ pelo corpo quando este se move.”

Segundo a Wikipedia:

“Laban utiliza as figuras geométricas para dar suporte à movimentação do ator-dançarino. Ele propõe a escala dimensional, respeitando a relação entre altura, largura e comprimento das figuras geométricas como o cubo, o tetraedro, o octaedro, o icosaedro e o dodecaedro; tais representações geométricas viabilizavam movimentos pl (vertical), (horizontal), (sagital)e nos níveis alto, médio e baixo. Dessa forma, ações dramáticas podem ser realizadas nas posições das vértices dessas figuras, bem como em suas diagonais, de forma que o ator atua ampliando a sua kinesfera, buscando uma limpeza gestual e organicidade, assim, ele também amplia seu espaço cênico.

Laban e a Kinesfera

Laban foi o criador da “Labonotação”, um método de notação coreográfica, utilizado até hoje no mundo inteiro. Segundo ele, o movimento era formado por quatro fatores: peso, fluxo, tempo e espaço. Nas palavras de Ciane Fernandes, a Labonotação:

“Descreve padrões de colocação de peso, mudanças em nível e direção no espaço, duração do movimento (tempo e ritmo), padrões de toque, orientação e padrões desenhados no chão. Em outras palavras, a Labonotação registra Jane colocando seus pés à sua frente no chão, gradualmente transferindo seu peso de sua pélvis para seus pés, colocando suas mãos na cadeira, elevando o torso, e as direções espaciais exatas e a duração de seu movimento.”

Além da Labonotação, outra contribuição da Laban foi a Labanálise, abaixo explicada por Ciane Fernandes:

“Expressividade/Forma é um método sistemático de observação, registro e análise dos aspectos qualitativos do movimento corporal. A qualidade do movimento pode ser pensada em termos de ‘como’ um movimento é realizado. Responde a questões do tipo: Como Jane saiu da cadeira? Ela foi rápida e forte em sua qualidade de movimento? Talvez ela tenha se jogado para  fora da cadeira com uma qualidade pesada? Veio de um impulso central ou com contratensões espaciais nos membros?(...) O movimento começou no torso que é a área central do corpo? O movimento começou nas mãos que é uma área periférica do corpo?”

Laban ensinando

Ainda sobre a Labanálise, a bailarina Brysa Mahaila, em seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume II – Música, dramaticidade e expressão”, às páginas 98 e 99, cita os elementos da composição coreográfica:

“Espaço (onde)

A partir da noção de amplitude máxima do espaço cênico, ou global, a bailarina pode trazer linhas para a execução de figuras impressas nos movimentos. A noção de centro permite que sejam explorados diferentes direcionamentos (frente e trás, laterais direita e esquerda, diagonais frente e trás) e trajetórias (retilíneas ou curvilíneas). Ciente disso, a bailarina consegue explorar as possibilidades de espaço cênico de forma a melhor adaptar-se a ele. Isso propicia, por sua vez, a criação de figuras interessantes que valorizam o estilo de dança e a coreografia.

Corpo (que)

O corpo é a ferramenta em que as técnicas e as práticas corporais específicas se dão mediante treinamento na construção de um determinado vocabulário escolhido ou múltiplo. Portanto, pensar corpo sugere a aplicação dos mecanismos físico-funcionais e de expressividade que devem atuar juntos no estilo de dança ao qual a bailarina está se dedicando. Laban sugere empregar múltiplas possibilidades do movimento locomotor (simétricos e assimétricos, variações de eixos e poses) e, assim, explorar ao máximo o espaço cênico, movidos pela percepção da amplitude dos movimentos se dá pela cinesfera, assim como as trajetórias partem do corpo para o espaço.

Dinâmica (como)

A dinâmica está associada à qualidade do movimento, expressividade e fluência. Ela trata da energia, do esforço, dos impulsos para o mover-se em cena e subdivide-se, segundo estudos de laboanálise, em peso, foco, tempo, fluência. Esses elementos, por sua vez, possuem dois contrastes, forte e fraco. Importante também é lembrar que entre opostos existem infinidades de graduações.”

As direções que podem ser utilizadas no palco

Para finalizar esta postagem, deixo as palavras de Laban:

“Enquanto que os movimentos dos animais são instintivos e basicamente realizados em resposta à estimulação exterior, os do homem encontram-se caracterizados por qualidades humanas; por intermédio deles o homem se expressa e comunica algo de seu interior. Tem ele a faculdade de tomar consciência dos padrões que seus impulsos criam e de aprender a desenvolvê-los, remodela-los e usá-los.”

Laban e sua teoria


  

Fontes utilizadas:

Mahaila, Brysa. Os pilares da profissionalização em dança do ventre: música, dramaticidade e expressão, volume 2, 1ª edição. São Paulo: Kaleidoscópio de Ideias, 2017.

http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/Rudolf_von_Laban

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Laban

https://dancoterapia.wordpress.com/dancoterapeutas/rudolf-laban/

https://pt.slideshare.net/tollens/rudolf-von-laban

http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=262

http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/Sistema_Laban/Bartenieff

 

  

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