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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

COMO ACEITAR AS CRÍTICAS E CORREÇÕES


Esta postagem foi uma sugestão da Anelise Konradt, que pediu um texto sobre “saber aceitar críticas construtivas das professoras”. Para começar, vamos esquecer aquele conceito negativo que vem às nossas mentes, quando escutamos a palavra crítica. Parece uma coisa tão pesada, não é mesmo? Segundo o dicionário, crítica é:

1 – Arte, capacidade e habilidade de julgar, de criticar; juízo crítico.
2 – Atividade de examinar e avaliar minuciosamente uma produção artística, literária ou científica, bem como costumes e comportamentos.

Segundo a Wikipédia, crítica é uma expressão que provém do grego kritiké, que significa “a arte de julgar”.

Em teoria, quem tem a arte de julgar é quem conhece o assunto. No caso da dança, quem pode julgar é o professor ou o estudioso da dança. A crítica do leigo, devido à sua falta de conhecimento técnico, não tem o mesmo valor do julgamento de quem estudou a dança por anos a fio.

Na minha humilde opinião (ninguém é obrigado a concordar), o professor tem o DEVER de corrigir as suas alunas. Eu penso que a aluna é nossa cliente, e MERECE o melhor retorno pelo seu dinheiro e tempo. Se a aluna faz um movimento errado, e a professora não conserta o movimento, não explica qual é a forma correta de se executar – eu penso que a aluna está sendo prejudicada.

Se a professora precisa corrigir as alunas, o que elas devem fazer? Escutar e fazer as correções sugeridas pela professora. E o que acontece quando a professora precisa corrigir uma aluna por diversas vezes? Isso quer dizer que a professora está de implicância com a aluna?  Pelo contrário! Significa que a professora está tentando deixar a dança da aluna a mais bonita possível. No trabalho do professor de dança, principalmente na hora das coreografias, procura-se sempre uma uniformidade, e as correções são necessárias.

Sabemos que existem as críticas ditas “positivas” e as “negativas”. Todas são críticas, a diferença está na intenção com que são feitas. É bom ressaltar que só são criticadas as pessoas que FAZEM alguma coisa. Se você está sofrendo críticas, então está de parabéns, pois é uma pessoa de ação! Quanto às críticas, tanto “positivas” quanto “negativas”, existem algumas coisas importantes que precisamos saber:

1 – Você pediu a crítica? Se não pediu, não é obrigada a aceitar.
2 - Quem está te criticando tem condições (conhecimento da área) para fazer isso? Se não tem, desconsidere.
3 – A crítica foi feita em tom agressivo? Sai de perto.
4 – Você está sendo avaliada em um concurso de dança, e existem dançarinos/professores/coreógrafos para dar um feedback aos inscritos? Aproveite todas as dicas e correções que eles fizerem. Esta é a melhor forma de fazer a sua dança crescer.

Além das críticas feitas pela nossa professora e por terceiros, existe a autocrítica, que também pode ser usada como um instrumento de crescimento. Como fazer isso? Filme as suas apresentações e/ou estudos e veja como está. O que você pode melhorar? O que já está bom? Faça isso e verá que a sua dança ficará cada vez melhor. Força na peruca e seja feliz dançando!









sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A INTERPRETAÇÃO E O FIGURINO NO FOLCLORE ÁRABE

Esta postagem foi uma sugestão da Regiane Leandry. Ela me pediu para falar sobre interpretações e figurinos apropriados para os diversos tipos de folclore. Um assunto muito vasto e complexo. Vamos ver  se consigo dar conta da empreitada – rs.

Como já falei anteriormente, quando falamos em folclore árabe, o primeiro nome que vem à mente é o coreógrafo Mahmoud Reda. Se você gosta de folclore, estude muito o trabalho dele. Existem, no YouTube, diversos vídeos de coreografias criadas pelo Reda. Além disso, alguns vídeos didáticos explicam as sequências coreográficas criadas por ele. Por favor, leia também a minha postagem do dia 07 de novembro de 2019, intitulada “MAHMOUD REDA E A TROUPE REDA”.

Para começar, é sempre bom fazer uma pesquisa sobre o folclore que vamos dançar. Atualmente, existem muitos DVDs didáticos nacionais excelentes, ensinando os passos específicos de cada folclore. Além dos DVDs, existem os vídeos didáticos no YouTube e os cursos on-line. Lembre-se sempre: cada folclore tem sua história, seus passos característicos, seu traje apropriado e sua música e/ou ritmo certos. Não adianta dançar saidi com música eletrônica, de minissaia e top. Se você estiver em uma competição na categoria folclore, e errar feio em um desses itens, é certeza de desclassificação.Tendo explicado tudo isso, vou falar sobre três modalidades de folclore. Vou falar apenas sobre os figurinos femininos, tudo bem?

DANÇA SAIDI (também chamada de dança do bastão ou da bengala) – já falei sobre este assunto em uma postagem do dia 23 de outubro de 2019, intitulada “DANÇA SAIDI”. As músicas são no ritmo saidi, tanto o saidi tradicional quanto o moderno. É só atentar para o fato de que algumas músicas, embora sejam no ritmo saidi, não são próprias para a dança do bastão. Na dúvida, escolha um saidi tradicional. Sabe aquelas músicas que tem aquele som de corneta? É um instrumento chamado Mizmar. Procure no YouTube, para se familiarizar com o som do Mizmar. Quando for dançar saidi, lembre-se que o bastão (ou bengala) não deve ficar imóvel nas suas mãos, ele precisa ser girado para frente, para trás, em oito, etc. Também existem os movimentos de ataque, que remetem à origem desta dança. Outra coisa bem característica são os pulos e as marcações de calcanhar. É uma dança alegre e cheia de energia, então demonstre isso em sua expressão. A dança saidi não é triste, nem introspectiva. O figurino próprio é a galabia, com xale de moedas nos quadris, e faixa ou lenço na cabeça.




DANÇA MELEAH LAFF – na verdade, este não é um folclore no sentido correto da palavra, é uma criação do Mahmoud Reda. Porém, nas apresentações e competições, é classificado na categoria folclore. Música própria para dançar meleah laff é mais difícil de achar. De preferência, procure músicas nos ritmos Malfuf (mais acelerado) ou Fallahi. Essa dança faz alusão ao charme das mulheres egípcias, e requer alegria, graciosidade, feminilidade, uma pitada de malícia e muito charme. Evite exagerar nas expressões, para não ficar caricato e vulgar. Existem dois tipos de meleah laff, a do Cairo e a da Alexandria, e é bom pesquisar a qual deles a sua música pertence. Ambas são dançadas de vestido, e usa-se, é claro, o meleah, que é um véu de cor preta, e nunca transparente. Além disso, no rosto a bailarina usa um véu de crochê, chamado buró ou chador. Tanto o meleah quanto o buró são usados para fazer um jogo de cobrir e descobrir o corpo e o rosto.




KHALEEGE – dança originária da região do Golfo Pérsico. Uma das suas características mais marcantes é o uso dos cabelos, que desenham círculos, oitos, etc. Não existe quase movimentação de quadril, o trabalho principal é com os pés. Ao contrário da pose básica da dança do ventre (com um pé em ½ ponta à frente), no khaleege a pose original é um pé à frente, e o outro em ½ ponta atrás. Shimmies de peito, marcações de ombros, deslocamentos de cabeça também são usados. A música para esta dança é no ritmo Soudi, e às vezes também é difícil de achar uma música própria. É uma dança alegre, mas de uma alegria daquelas de sorriso, não de gargalhada, entendem? Muito feminina, também. Também não é sedutora ou provocante. Para o khaleege, usa-se uma bata (comprida, larga, transparente e toda bordada), chamada “Tobe al Nashar”. Essa bata é colocada sobre a roupa de dança do ventre, ou sobre um vestido que vai até os pés. Ela também serve como um elemento na dança, fazendo desenhos de círculos, oitos, etc.




Espero que esta postagem tenha sido útil para vocês. Gostaria de relembrar que, quando vamos dançar folclore, precisamos pesquisar muito. Procure textos confiáveis (cuidado com a Internet), livros sobre o assunto, vídeos didáticos, cursos on-line, etc. Veja se a música que escolheu é apropriada para a modalidade. Folclore é tudo de bom, divirta-se!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

TIPOS DE VÉUS USADOS NA DANÇA DO VENTRE

Nota: antes de ler esta postagem, favor ler o meu texto "O véu na dança do ventre e a dança dos sete véus", postado em 27 de outubro de 2019. 

Um dos primeiros acessórios usados na dança do ventre é o véu. Ele enriquece muito as apresentações de dança, sendo muito apreciado pelo público. Mas você sabe quando usar e quando não usar o véu? E os tipos de véu que existem? 

Em primeiro lugar, não se usa véu para solo de derbake, bem como para a maioria dos folclores. A única exceção, no caso do folclore, é o meleah laff (dança do lenço enrolado). O meleah é um véu geralmente na cor preta, de um tecido bem fechado e sem transparência, e pode ou não ter pastilhas de enfeite. As mulheres do Cairo e da Alexandria usavam este véu para se cobrirem quando saíam às ruas, e o coreógrafo Mahmoud Reda transformou isso em uma dança muito graciosa. 

Meleah:


O véu mais utilizado é o véu de seda, que geralmente é pintado à mão. Pode ser em diversos tamanhos e estampas. No Brasil, temos muitos ateliês especializados na confecção de véus de seda. Eles devem ser usados, preferencialmente, para a dança do ventre clássica. Evite usá-los em músicas modernas, pois é um acessório clássico. 

Véu de seda tradicional:


A partir de agora, vamos falar sobre os véus que podem ser usados para as músicas mais modernas, especialmente as instrumentais e eletrônicas. Podem ser utilizados em músicas árabes e ocidentais, evitando usá-los nos baladi, shaabi, árabes modernas (aquelas cantadas) e, obviamente, em solo de derbake. 

O véu wings pode ser em material brilhante, plissado, ou em seda pintada à mão. Cada um deles tem um efeito diferente. O plissado é mais duro, já o de seda é leve. Ambos são belíssimos, e dão um efeito maravilhoso nas entradas em palco. Eles lembram as asas da Deusa Ísis, e foi criado nos Estados Unidos. Nota: favor assistir a algum vídeo da bailarina Loie Fuller, que provavelmente foi a criadora desse acessório.

Wings tradicional:


Wings de seda:


O véu leque também é feito em seda pintada à mão, e pode ser feito de duas maneiras: o par de leques, ou apenas um véu leque em tamanho grande. Também podem ser pintados em diversas cores e estampas. Esse não é um acessório original da dança do ventre, é de origem coreana ou japonesa. 

Véu leque tradicional:


Véu leque grande:


O véu poi é composto de uma bola presa a um fio, e foi criado pelo povo Maori, da Nova Zelândia. É um instrumento de malabares. Na dança do ventre, foi colocado um véu de seda junto com essa bola. São feitos em par, um para cada mão.

Véu poi:



Outro véu moderno é o flag, que também é feito em seda pintada à mão. Do mesmo modo que o véu leque tradicional, é feito em pares. Não consegui descobrir quem inventou este véu.

Véu flag:



Para finalizar, vamos às novas criações - os véus com LED. Eles dão um efeito muito bonito no palco, com as luzes apagadas ou à meia luz. Temos o véu tradicional, wings, poi e leque - tudo com LED! Para escolher as músicas, vale a mesma regra utilizada para os véus modernos. 

Véu tradicional com LED:


Véu wings com LED:


Véu leque com LED:



Véu poi com LED:


A propósito, estou aceitando qualquer destes véus com LED, como presente de Natal - kkkkkk. Chorar não custa nada! Brincadeiras à parte, boa dança para todas nós, e que nunca nos falte dinheiro para comprar todos os acessórios lindos que desejarmos. 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

MÚSICA MODAL - A BASE DA MÚSICA ORIENTAL


Gente, só para início de conversa – para mim, este é um assunto complicadíssimo. Não tenho formação musical, e confesso que tenho bastante dificuldade em entender várias coisas referentes à teoria musical. Confessar ignorância não é pecado, errado é fingir que sabe – rs.

Observação: quando estou falando em música oriental, quero me referir especificamente à música árabe. A música ocidental é tonal, já a música oriental é modal, ou seja, baseada em Maqams (modos melódicos). Segundo George Sawa:

“A escala é a representação mais básica de um maqam. O maqam, deve-se salientar, é um conceito complexo que inclui não apenas a escala mas também os motivos melódicos (frases curtas) e cadências (finais).”

A grande pesquisadora Márcia Dib nos explica as diferenças entre a música modal e a tonal, conforme consta na página 83 do seu livro “Música árabe – expressividade e sutileza”:

Modal
Tonal
1 – Tônica e escala fixam um território sonoro, permanecendo por um tempo
1 – Tensões e repousos na frase melódica, procura permanente
2 – Circularidade – sutileza e complexidade em torno de uma tônica fixa
2 – Busca – movimento progressivo, caminhar
3 – Linha melódica única (homofonia) gira em torno da escala
3 – Uso de acordes (polifonia) e da dinâmica
4 – Centenas de modos melódicos, inclusive com variações regionais
4 – Número reduzido de escalas
5 – Variação rítmica: acompanham movimentos e voz humana
5 – Pulso constante: suporte métrico para as mudanças das tônicas
6 – Afinação natural, segundo a vibração das cordas
6 – Afinação artificial: temperamento permite tocar acordes sucessivos em tonalidades diferentes
                                                                                                                                            
A propósito, o livro da Márcia Dib é muito completo, embora um pouco difícil para quem, como eu, não tem formação musical. Ela também tem um DVD didático, é o DVD nº 30 da Revista Shimmie, e chama-se “Musicalidade – linha melódica”. Indico tanto o livro quanto o DVD.    
     
A intenção da música modal é criar um estado de espírito. Nas páginas 11 e 12 de seu livro, Márcia Dib escreve:

“Nos países árabes, a música é vista como algo muito além do entretenimento; ela pode, através de suas vibrações, aliviar sofrimentos do corpo e da alma, curando-os, pode trazer alegria e estimular a nobreza, deprimir e acalmar. O Oriente ‘depositava grande confiança na doutrina do Ta’thir (influência) da música, um dogma denominado pelos gregos de Ethos (FARMER, 1986). Neste sentido, o alcance da música vai muito além da estética, no seu sentido mais usual do estudo do belo: como está ligada a aspectos cósmicos, toca as regiões corporais, psíquicas e espirituais, e estabelece um diálogo com a Estética, aquela que trata da harmonia da criação artística.”

No seu livro + CDs + DVDs, George Sawa cita 8 modos melódicos, segundo ele são os mais populares. Vou deixar os links abaixo, para que vocês possam escutá-los. O George Sawa aconselha as bailarinas a escutar até fixar o conhecimento.


Espero que esta postagem tenha sido útil. E vamos continuar os estudos, para ver se um dia a gente aprende!


Fontes:

“Música egípcia – apreciação e prática para bailarinas de dança oriental”, George Dimitri Sawa, Editora Kaleidoscópio de Ideias, São Paulo, 2015, 1ª edição.
“Música árabe – expressividade e sutileza”, Márcia Dib, São Paulo, Edição do Autor, 2013.



sábado, 30 de novembro de 2019

MEDO DE SE APRESENTAR


Quem nunca teve medo de se apresentar no palco? Até as profissionais sentem aquele friozinho na barriga, quando pisam no palco. Por que com as alunas seria diferente?
A propósito, você já se apresentou? Ou ainda não quis fazer isso, por medo do público? Às vezes, pode acontecer que a aluna esteja num nível muito iniciante, e precisa aprender mais um pouco, antes de se apresentar. Mas, se a aluna está indo bem nas aulas, é bom que ela se participe dos espetáculos. Por que eu digo isso? Porque, na vida, precisamos de desafios. Se apenas fazemos aulas, e não nos desafiamos, com o passar do tempo a mesmice se instala.  
O medo é inerente ao ser humano, é uma estratégia de defesa. Se não temos medo nenhum, acabamos nos arriscando em excesso. Só que o medo também pode paralisar, e a pessoa acaba não fazendo nada. No seu livro “Direção e preparação artística”, páginas 157 e 158, Jorge Sabongi e Débora Sabongi escrevem:

“Sempre que houver uma situação que envolva algum tipo de confiança ou responsabilidade, sentiremos o ‘frio na barriga’. Nervosismo faz parte. A questão é como você reage, encara e resolve os seus ‘desafios’.
...
Sua autoconfiança está intimamente ligada a sua determinação em realizar.
...
Diversos conflitos atingem quem não possui autoconfiança. Só existe uma forma de superar: encarando os medos, vencendo-os aos poucos. Se virarmos as costas ou fingirmos que eles não estão ali, permitiremos que se tornem uma fobia. A primeira vez será difícil, a segunda um pouco menos, na terceira quase não sentiremos, até que chegará um momento em que o medo, em vez de ser um instrumento paralisante, será nosso aliado, avisando-nos sobre algo que pode nos causar problemas.
Procedendo dessa forma, as coisas não parecerão tão difíceis. Vença seus desafios. Ao encarar sua entrada em cena, respire e nem conte até três: aja.”

Além do medo, também receamos o julgamento das demais pessoas. Tememos a reação do público, as críticas dos parentes e amigos. Receamos as cobranças por parte da professora. Achamos que não seremos, jamais, capazes de enfrentar um palco. E quando a apresentação termina, vemos que todos esses medos foram em vão. É muito bom saber que nos dedicamos, aprendemos algo novo, realizamos uma coisa que muitas pessoas jamais teriam coragem.
Quando comecei a fazer dança do ventre, uma das minhas ex-colegas dizia que ela não se apresentava, pois dançava apenas para si. É óbvio que ela largou a dança logo em seguida...
Por outro lado, recentemente, fiz um questionário para minhas alunas, para que elas definissem suas metas para o próximo ano. Uma das alunas escreveu algo que me deixou muito contente:
“Quero participar dos eventos que for possível, porque ajudam no crescimento.”
Concordo com ela, pois quando saímos da nossa zona de conforto, com certeza aprendemos muito. Na minha experiência, quando alguém se recusa a dançar, o progresso é mínimo. Já quando vamos nos apresentar, precisamos estudar, ensaiar, passar e repassar as sequências coreográficas. Também estimulamos a criatividade, expressividade, musicalidade, diminuímos a timidez. Além disso, temos a oportunidade de expressar nossas emoções. É muito gratificante saber que somos capazes de fazer algo!
Citando novamente Jorge Sabongi e Débora Sabongi, na página 320 de seu livro, eles falam sobre os bloqueios limitadores, e explicam as bailarinas podem superar ou minimizar os bloqueios.

“Para as bailarinas, há os seguintes passos:
1 - determinar o que irá dançar e modo como irá fazê-lo;
2 - procurar melhorar cada vez mais os movimentos, estudando com afinco e não se contentando com o básico;
3 - querer fazer sempre bem feito e com qualidade;
4 - treinar com o diretor-sombra ou se filme para fazer correções;
5 - encontrar o ponto de equilíbrio do ‘tripé’;
6 - confiar que poderá fazer melhor depois de 24 horas.
Em sala de aula ou numa apresentação em que sua professora esteja presente, peça que ela seja sua diretora-sombra.
Tudo na vida é questão de (1) vontade, (2) treino, (3) determinação, (4) ação e (5) confiança. Veja que tudo se inicia pela vontade."

Resumindo: se você quer realmente aprender dança do ventre, estude na sala de aula e em casa, e participe das apresentações. Se arrisque! Saia da zona de conforto. Se alguém disser a você que não dançou bem, que não deveria ter se apresentado, olhe bem nos olhos dela/dele e diga: “Tô nem aí”. Dance e seja feliz!








segunda-feira, 25 de novembro de 2019

EMPECILHOS EXTERNOS

As origens da dança do ventre são nebulosas. Muito provavelmente, surgiu de um culto à fertilidade e como uma forma de preparar a mulher para o parto. De qualquer forma, surgiu como uma dança feminina. Sofreu e sofre, até hoje, de muito preconceito e empecilhos externos. Exemplos:

“Nos países árabes onde a religião ortodoxa, também chamada de Islã, prevalece sobre o Estado, as apresentações de bailarinas em público são proibidas. As mulheres são obrigadas a se vestirem de pesados mantos por cima de suas roupas, deixando apenas os olhos à mostra quando saem à rua. No Afeganistão, por exemplo, até os olhos ficam escondidos sob pesadas vestimentas, denominadas ‘burqas’. Quem ousar desrespeitar a lei, e sair à rua com o rosto à mostra, pode ser duramente penalizado, com açoites em público ou apedrejamento.
Bailarinas não são bem vistas e nem bem vindas nestes lugares. O governo religioso extremista acredita que tudo o que desvie os olhos e o pensamento do homem para Alah (Deus), deve ser eliminado.”
(Patrícia Bencardini, “Dança do Ventre – Ciência e Arte”, página 50. Editora Baraúna, São Paulo/SP, 2009).

Segundo Wendy Bonaventura, em seu livro “Serpent of Nile”, na época da expedição napoleônica pelo Egito, existiam dois tipos de dançarina: as awalim (“mulheres versadas em artes”) e as ghawazee (de origem cigana). Tanto as awalim quanto as ghawazee viviam de suas apresentações, cantando e dançando, mas as awalim tinham prestígio, ao contrário das ghawazee, que eram artistas de rua. Eu não tenho o livro da Wendy Bonaventura, mas na página 32 do seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume I, Brysa Mahaila fala sobre um trecho do livro da Wendy:
“Em determinado momento, os generais de Napoleão, temendo que a distração ocasionada pelas mulheres atrapalhasse o descanso dos soldados, decretaram que as dançarinas seriam severamente punidas se não se afastassem das barracas do exército. Em represália ao desacato, muitas foram decapitadas e tiveram seus corpos jogados ao Nilo.”
No mesmo livro, páginas 32 a 33, Brysa Mahaila diz:
“As dançarinas foram punidas também quando Mohammed Ali, em 1799, tomou o poder com o firme propósito de modernizar o Egito. Ele contava com a ajuda dos aliados europeus e, em função disso, sofreu pressões religiosas que o levaram a proibir a dança em vias públicas, banindo as dançarinas do Cairo. No entanto, as awalim, como sinal do prestígio de que gozavam, puderam ali permanecer. Com o banimento das dançarinas de rua, surgiram homens disfarçados de bailarinas, chamados de khawals. Muitos deles vinham da Turquia e faziam muito sucesso, até mais do que as ghawazee, com shows exóticos e cheios de malícia. Em 1866, as ghawazee foram autorizadas a voltar ao Cairo.”

Além das histórias citadas acima, sabemos de diversas bailarinas que foram proibidas e/ou estigmatizadas por fazerem dança do ventre como, por exemplo, Badia Masabni. Ainda hoje – estamos em 2019 -, a grande maioria das profissionais que dançam nos países árabes são de origem estrangeira. E nos países ocidentais? A situação pode não ser tão extrema quanto nos países de religião islâmica, mas mesmo assim as bailarinas enfrentam muitos preconceitos, senão vejamos:

- Falou “dança do ventre”? A grande maioria das pessoas associa com “dança de sedução”. Tenho escola há doze anos, e durante todo esse tempo, tentei explicar às pessoas que dança do ventre não é dança de sedução, é uma arte. De vez em quando, dá um desânimo, mas eu persisto.
- A bailarina é contratada para dançar em evento? Sempre tem uma mulher beliscando ou tapando os olhos do marido. Gente, ninguém está aí para seduzir marido de ninguém, não. A intenção da bailarina é dançar e trazer alegria à festa.
- Algumas pessoas muito religiosas acham que a dança do ventre é pecaminosa. Eu rejeito essa ideia preconceituosa, pois toda dança é uma celebração da vida. E a dança do ventre é uma celebração da vida, do nascimento, do parto. Isso pode ser pecado?
- E quando a família ou o marido (ou namorado) são empecilhos? Familiares que não apoiam? Maridos/namorados ciumentos ou que não compreendem que aulas e ensaios são necessários? Que não dão apoio na hora da apresentação, quando a aluna está mais nervosa?

Embora existam todos esses dificultadores externos, é bom lembrar que a dança faz bem para nós. Sua família, marido/namorado não te apoiam? A religião é contra? Deixe a cara feia desse povo para lá, dance e seja feliz! Você só precisa agradar a você mesma. Beijos e boa dança para todas nós!






segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O QUE É PRECISO PARA SER PROFESSORA DE DANÇA DO VENTRE?

Algumas mulheres querem ser professoras de dança do ventre, mal começam a fazer aulas. Mas, o que é necessário para isso? Em primeiro lugar, são necessários pelo menos três ou quatro anos de estudos. Quando digo estudos, quero dizer aulas regulares. Não adianta fazer uma aula por mês, ficar uns seis meses fora, voltar às aulas e parar novamente. É estudo contínuo, regular, pelo menos nas modalidades dança do ventre e folclore árabe. Se puder incluir outras aulas, como balé clássico por exemplo, melhor ainda.

Estude sempre, não se acomode nunca. Faça aulas regulares, participe de workshops, estude vídeos, procure livros sobre dança. Segundo a bailarina Níjme, no seu livro "Ventre que encanta", página 98:

"Quando falamos em 'universo da dança', estamos nos referindo à sua imensidão, coisa que provavelmente uma vida seja pouco para tudo aprender. Então, todas as praticantes, desde as iniciantes até as profissionais, devem estar conscientes da importância da humildade, já que o aprendizado é uma constante."

Bem, você já tem uma boa base em dança do ventre e folclore árabe, e continua a estudar regularmente. De repente, bate aquele desejo de dar aulas (ou, às vezes, aquele desejo sempre esteve presente). Você já se perguntou se tem vocação para o magistério? Não basta querer dar aulas, precisa ter amor pela profissão. Algumas pessoas chegam a comparar o magistério a um sacerdócio. Educar é um ato de amor e entrega.

Aconselho, antes de começar a dar aulas, que você faça um plano de aulas. Atualmente, existem diversos materiais de pesquisa: DVDs didáticos, livros, cursos online, vídeos didáticos no Youtube, etc. Muito diferente de quando eu comecei! Cada professora tem sua própria didática, busque a sua. É claro que isso não vai vir da noite para o dia. Você vai precisar ler muito, estudar muito, trocar muita ideia com suas colegas de profissão. Além disso, sempre que necessário, atualize seu plano de aulas.

Pelo exposto acima, deu para perceber que você precisa ter muito foco nos estudos. Também ajuda se for uma pessoa organizada, para poder administrar seus estudos e seu dia-a-dia. Se você for a dona da escola, além de ser organizada, também precisará ser uma boa administradora. Além disso, você necessita ter qualidade de liderança.

Outras coisas importantes: ética no trato com suas alunas e suas colegas de profissão; gratidão pelas suas professoras, bem como gratidão às suas alunas, por confiarem no seu trabalho; saber cobrar pelo seu trabalho de professora, mas sem ganância excessiva; por fim, entender que ninguém é dono da verdade, somos todos aprendizes.

Para terminar, seguem as palavras de Jorge e Débora Sabongi, do livro "Direção e preparação artística", página 102:

"É necessário compreender que uma professora é alguém que nasceu com um dom. Além de vocação, ela deve ter uma responsabilidade exemplar ao orientar suas alunas. Sua vida é uma missão, na qual descobre no dia-a-dia uma oportunidade de aprender com seus aprendizes. Despida de preconceitos, torna-se um elemento unificador, comprometida com o amanhã. Compartilha experiências e ideias sem temer um dia ser ultrapassada. Seus conhecimentos denotam sabedoria acima da média e advém dos inúmeros livros que leu, resumos, pesquisas, indagações, investigações, exames minuciosos, artigos escritos em sua literatura pessoal etc. Nunca se dá por satisfeita com o que já aprendeu, pois é consciente que nada sabe. É alguém que faz a grande diferença na vida de muitos."