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terça-feira, 2 de março de 2021

O USO DO ABEY

A postagem de hoje é decorrente de uma dúvida da Cláudia Futz, que pergunta:

“Após uma apresentação, a bailarina pode retornar ao salão com o figurino ou deve estar sempre com o abey?”

Para quem não sabe, o abey é uma capa que serve para cobrir o corpo da bailarina, por dois motivos: não deixar os braços e o tronco da dançarina à mostra, e também para não tirar a surpresa do traje de dança. Segue abaixo uma foto de um abey, que tirei da internet:


O abey pode ser comprado pela internet, ou você pode pedir a uma costureira para fazer. Pode ser utilizado qualquer tecido, o importante é que ele não seja transparente. Acabamentos bordados e pedrarias podem ser usados, a critério da bailarina. Existem as opções de abey com ou sem capuz (o capuz é útil, porque protege os nossos cabelos, caso o tempo esteja um pouco úmido).

Agora, vou responder à pergunta da Cláudia (sempre ressaltando que eu não sou dona da verdade, estou dando a minha opinião, e as pessoas são livres para concordar ou não): vamos supor que você seja contratada para dançar em uma festa de aniversário, de casamento, ou mesmo um evento empresarial. Se não for possível se trocar no lugar da festa, você já chegará trajada, é lógico – mas com o abey cobrindo seu corpo.

Na hora de dançar, você entra sem o abey, e faz sua apresentação. Evite entrar com o abey, tirar ele na frente do público, e em seguida dançar (dá uma impressão de striptease - rs). Existem duas possibilidades após a apresentação, e elas devem ser combinadas antes com o contratante:

1 – saída “à francesa”, ou seja, você dança e vai embora;

2 – após a apresentação, você coloca o seu abey e vai tirar fotos com as pessoas. No momento da foto, caso seja solicitado, você pode tirar o seu abey, mas se permanecer na festa, esteja sempre com o corpo coberto.

Um exemplo: há alguns anos, eu organizava jantares árabes em um restaurante da minha cidade. As bailarinas – tanto as alunas quanto as convidadas – chamavam seus amigos e parentes para prestigiarem a apresentação. Após as danças, vinha o jantar, e como as alunas circulavam pelo salão, elas colocavam o abey por cima do traje de dança.

E se a apresentação acontecer em um teatro? Enquanto a dançarina estiver no palco ou nos bastidores, não existe necessidade de colocar o abey. Porém, se ela precisar sair do teatro, é preciso vestir o abey. Um exemplo: a minha professora faz um festival em um shopping de Curitiba. O teatro do shopping fica ao lado da praça de alimentação. Neste caso, se a dançarina estiver trajada, indo em direção ao teatro, ou saindo do teatro, o uso do abey é necessário.

É sempre bom lembrar que a dança do ventre é uma modalidade que sofre de preconceito por parte da nossa sociedade. Algumas pessoas vêm as bailarinas de dança do ventre como mulheres cujo único objetivo na vida é seduzir os homens (e nada mais falso que isso, não é mesmo?). Se tiver mulher ciumenta por perto, a coisa fica pior. Para evitar situações desagradáveis, usem o abey, e na hora de dançar, mostrem todo o esplendor da sua roupa... e da sua dança. 

Espero que a pergunta tenha sido respondida, Cláudia. E aí, leitor, você gostou desta postagem? Ou não concorda? Fique à vontade para colocar o seu comentário, todas as opiniões são bemvindas. Um grande abraço, e uma feliz dança para todos!

 

 

  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PEQUENO TEXTO SOBRE OS RITMOS ÁRABES

Esta postagem foi sugerida pelo meu ex-colega Wellington, que disse o seguinte:

“Sou baterista (ou tento rsrs) e acompanho seus vídeos de treino de percussão. Não sabia que cada frase rítmica usada tinha nome e significado próprios. Um texto de referência sobre o tema, mesmo introdutório, seria bem legal!”

A sugestão é muito boa. Vou fazer um texto simplificado sobre o assunto, e peço a quem tiver interesse em se aprofundar no tema, que acesse a aba “Ritmos Árabes” do meu blog, cujo link segue abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/p/ritmos-arabes-para-estudo.html

A música que utilizamos para a dança do ventre é chamada música oriental. Ela engloba ritmos de diversos países, tais como Egito, Líbano, países do Golfo Pérsico, Sudão, Síria, Paquistão, Turquia, Grécia... Eu li, uma vez, que existem de 300 a 400 ritmos árabes! Quem faz dança do ventre não precisa conhecer todos, obviamente, mas alguns ritmos são muito importantes e aparecem com mais frequência nas músicas orientais. Exemplos de ritmos constantemente utilizados, especialmente nas músicas árabes modernas (aquelas que geralmente são mais alegres e cantadas): Maksum, Masmoudi Saghir e Saidi.

Existem os ritmos rápidos, os cadenciados e os lentos. Vou citar alguns ritmos rápidos mais usados: Malfuf, Ayoub e Falahi. E também existem os ritmos lentos, alguns dos mais utilizados são: Masmoudi Kebir, Chifiteteli, Whada Wo Noss e Samai. Como saber se o ritmo é rápido, cadenciado ou lento? O músico Mario Kirlis dá uma dica muito simples: bata palmas, enquanto o ritmo está tocando. Se, durante a execução de cada sequência do ritmo, você conseguiu bater 4 palmas, a velocidade do ritmo é 4/4.

Alguns ritmos são específicos para as danças folclóricas. Exemplos: para a dança do bastão = Saidi. Para o dabke = Gandara, Jabalee e Nawari. Para a dança khaleege = Soudi. Quando vamos executar uma das inúmeras danças folclóricas, tanto as do Egito quanto a dos outros países árabes, é muito importante saber se a música é apropriada para aquele folclore, e também se está no ritmo correto.

Eu falei que os ritmos utilizados na música oriental são originários de diversos países árabes e africanos, mas existem alguns ritmos que são de origem ocidental. Exemplos: Bolero e Rumba Masri.

Vamos complicar mais um pouco? Os ritmos podem ser tocados em sua forma básica, ou seja, com os sons básicos que distinguem aquele ritmo de outros. Mas eles também podem ser tocados com recheio. Esse recheio é colocado nas pausas entre as notas, e às vezes essas pausas são quase imperceptíveis. Vamos a um exemplo prático:

Ritmo Malfuf 2/4 (ritmo rápido)

Forma básica – Dum Tá Tá

Variação 1 – Dum kaTá kaTá

Variação 2 – Dum kaTá kaTáka

E assim por diante. Além desses recheios, o derbakista pode colocar os floreios, que são os sons diferentes que ele pode extrair do derbake. É claro que os ritmos também podem ser tocados com os snujs e os pandeiros árabes (duff e riqq).

O aprendizado dos ritmos árabes não é uma coisa simples, devido às divergências de nomenclatura, de formas básicas, de variações, entre outras coisas. Ao mesmo tempo, é um aprendizado essencial para quem quer ensinar dança do ventre e folclore árabe. E se você for aluna de dança, também verá que aprender a distinguir os ritmos vai ajudar na sua dança.

E aí, o texto ficou claro? Espero que sim. Quer saber mais? Entre na aba "Ritmos árabes" (cujo link eu coloquei no início do texto) e navegue por ela. Você vai ver que lá está a explicação sobre o ritmo, a forma básica, as variações, as versões de cada derbakista. Ao final de cada explicação, você pode acessar o link do Youtube que tem o ritmo sendo tocado. Foi tudo feito da maneira mais clara que consegui. Bons estudos!



 

 

 

  

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

QUE ROUPA USAR NAS AULAS DE DANÇA?

Esta postagem foi sugerida pela professora Dih Raizel, e é uma dúvida muito comum para quem vai iniciar as aulas de dança do ventre – que roupa usar?

Em geral, não fazemos aulas com o traje específico para as apresentações, que é composto de top, cinturão e saia. Como essas roupas são todas bordadas - e inclusive algumas são bem caras - é um pouco complicado fazer aulas exclusivamente com elas. Ao mesmo tempo, é bem bacana quando a professora e as alunas fazem aula com figurino de dança do ventre, pois dá a impressão de incorporar um personagem. Uma das minhas professoras, a Yasmin Stevanovich, só dava aulas maquiada e trajada, e todas nós também fazíamos aulas com trajes de dança. Caso você faça aulas com figurino, aconselho que, ao chegar em casa, coloque para ventilar, para que o suor não fique impregnado. A propósito, é bem complicado de higienizar esse tipo de roupa, devido aos bordados e aplicações. Cuide com carinho do seu figurino de dança.

E como, normalmente, são feitas as aulas de dança do ventre? Na minha escola (bem como na maioria das escolas) usamos roupa normal de ginástica: top ou camiseta, legging ou bermuda, meia ou sapatilha, e também um xale de moedas nos quadris. São roupas que praticamente todas as pessoas têm em casa.

Com relação ao uso de top de ginástica ou camiseta, eu acho que você deve optar por qual dessas peças você se sente melhor. Para a professora, é sempre bom quando ela pode ver o abdômen da aluna, já que trabalhamos com dança do ventre, mas se ela se sente desconfortável com isso, penso que ela pode usar camiseta. O que importa é que a aluna se sinta bem.

Outra opção para as aulas de dança, e que fica mais bonita, é usar as roupas denominadas “de prática”. São os macacões, os conjuntos de saia e blusa, os vestidos (curtos ou longos) e os conjuntos de calça e blusa. Todos eles podem ser comprados pela internet, ou até mesmo serem mandados fazer na costureira. Existem várias marcas brasileiras e estrangeiras que fazem roupas de prática. No fim desta postagem, vou incluir algumas fotos de roupas de prática, que tirei da internet.

De qualquer forma, o primordial é fazer aulas, não importando se é de camiseta e legging, macacão de dança ou figurino completo. Vá a todas as aulas, evite faltar, estude em casa para reforçar o que aprendeu em sala. Curta o processo de aprendizado, faça novas amizades. E que você seja feliz dançando!

 


 


 



 

  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O PULO DO GATO DA DANÇA DO VENTRE

Nós já sabemos que todas as atividades físicas são benéficas para o nosso corpo e a nossa mente. Quem faz alguma atividade física tem mais saúde física e mental, e isso já foi comprovado por inúmeros estudos. Vou fazer um resumo dos benefícios, listados no Site Brasil Escola (o link segue no fim desta postagem):

- previne o desenvolvimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;

- controla o colesterol;

- é uma aliada no tratamento da depressão e da ansiedade;

- melhora o condicionamento muscular e cardiorrespiratório;

- ajuda no ganho de massa muscular e no controle de peso;

- diminui dores;

- melhora a qualidade do sono;

- melhora o desempenho cognitivo;

- reduz o stress e aumenta o bem-estar;

- ajuda no convívio social;

- dá mais disposição para as atividades diárias.

A dança do ventre, por ser uma atividade física aeróbica, tem todos esses e outros benefícios. Já falei sobre isso em uma postagem de 26 de maio de 2020, intitulada “Benefícios da dança do ventre”. O link da postagem segue abaixo, aconselho a leitura, antes de continuarmos a nossa conversa:

http://azizamahaila.blogspot.com/search?q=benef%C3%ADcios+da+dan%C3%A7a+do+ventre

Você viu que o primeiro benefício listado é o desenvolvimento da autoestima da mulher. Eu já falei nisso em um vídeo sobre os benefícios da dança, nesse vídeo eu digo que o resgate da autoestima é o que diferencia a dança do ventre das demais atividades físicas. Junto com o resgate da autoestima, vem o resgate da nossa feminilidade. Sentimo-nos mais confiantes como mulheres, nosso carisma aumenta.

Quando estamos em paz com a nossa autoestima e a nossa feminilidade, tudo corre melhor na nossa vida, bem como na vida das pessoas ao nosso redor. Pessoas com baixa autoestima são infelizes, se sentem mal consigo mesmas, e podem criar infelicidade para outras pessoas que convivem com elas, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.

Em relação ao resgate da feminilidade, não estou falando do resgate de características que algumas pessoas acham próprias das mulheres, como a submissão, a fraqueza, o descontrole emocional. Ser mulher não é isso.

Já no extremo oposto, com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, competindo por vagas de trabalho diretamente com os homens, elas precisaram, às vezes, ter certa dureza de caráter, para poderem se afirmar profissionalmente. Com isso, aconteceu o fenômeno de algumas mulheres passarem a ter um comportamento muito masculino, já que em alguns ambientes de trabalho as atitudes femininas eram consideradas como um sinal de fraqueza.

E aí que vem o resgate da feminilidade, que pode ser atingido através da prática da dança do ventre. Quando dançamos, não estamos apenas mexendo com nosso corpo, mas também com as nossas emoções mais profundas. Com o passar do tempo, as couraças que criamos para nos proteger emocionalmente das situações difíceis da vida, vão se desfazendo. E é muito fácil viver sem as couraças, não é mesmo?

Tenho completa convicção, resultante de tudo que vi e vivi na dança do ventre como aluna e professora, de que essa maravilhosa arte tem muitos benefícios, mas o principal é o resgate da autoestima e da feminilidade. É o pulo do gato da dança do ventre! 

Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/saude-na-escola/importancia-das-atividades-fisicas.htm#:~:text=A%20atividade%20f%C3%ADsica%20%C3%A9%20importante,f%C3%ADsicas%20melhoram%20o%20desempenho%20cognitivo.

 

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

PORQUE ESTUDAR FOLCLORE ÁRABE

Nota: antes de ler a postagem de hoje, veja os textos abaixo listados:

http://azizamahaila.blogspot.com/search?q=a+import%C3%A2ncia+de+badia+masabni

http://azizamahaila.blogspot.com/2019/11/a-importancia-de-mahmoud-reda-e-sua.html

Você, assim como eu, é uma apaixonada pela dança do ventre, e estuda essa arte maravilhosa? Seu corpo e mente são beneficiados com tudo que a dança do ventre tem a oferecer? Então, quero lhe dar os parabéns! Ao mesmo tempo, quero fazer uma pergunta: e o folclore árabe, você também estuda? Se você nunca estudou o folclore, eu vou demonstrar porque ele é um assunto tão fascinante, e porque o seu estudo é tão primordial para que você se torne uma boa bailarina.

1º, Porque a dança do ventre se originou de danças folclóricas como, por exemplo, as danças das ghawazee, o baladi, o falahi... Essas danças do povo egípcio, que eram espontâneas e não coreografadas, foram “refinadas” com elementos do balé clássico, com o objetivo de que fossem apresentadas em casas de espetáculos. As postagens sobre Badia Masabni e Mahmoud Reda, cujos links estão acima, são bem claras a esse respeito.

2º, Por mais que você queira focar apenas em dança do ventre, se não estudar o folclore árabe você não irá longe. Um exemplo muito simples: suponha que você quer coreografar uma música de dança do ventre clássica, para uma competição ou uma apresentação. O que sempre estará presente em uma rotina clássica oriental? Um momento folclórico, claro! Sempre vai ter um momento baladi, e em diversas músicas clássicas o ritmo saidi vai aparecer, o que vai exigir conhecimento da dança saidi. Também podem aparecer outros trechos folclóricos, é óbvio.

3º, Quando você aprende folclore árabe, você amplia seus conhecimentos. Por que se limitar, se existe tanta coisa bonita a aprender? É como se você fizesse aulas de canto, mas só quisesse cantar músicas de um artista. E as outras músicas? Será que não seriam tão agradáveis de cantar quanto as músicas do seu artista preferido?

4º, Para terminar, vou dar o melhor motivo para você estudar folclore árabe: porque é bom demais! O folclore é animado, divertido, vigoroso, alegre, e muito mais. Não tem como ficarmos triste quando estamos fazendo uma dança khaleege, por exemplo. E a reação do público, então? Eles adoram! Eu, particularmente, adoro praticamente todos os tipos de folclore (árabe, brasileiro, italiano, ucraniano, espanhol, alemão, etc.). O folclore é a riqueza de um povo.

E agora, você está convencida da importância de estudar folclore? E como você pode fazer isso?

1º, O ideal é que você faça aulas regularmente, e nesse caso você pode pedir à sua professora para ensinar. Pelo menos algum folclore ela deve conhecer, provavelmente ela sabe vários.

2º, Se não está fazendo aulas atualmente, pode se beneficiar com os muitos workshops disponíveis, tanto em formato presencial quanto on-line. Recomendo muito o curso on-line “Folclore a Base de Tudo”, do Téo Versiani, o material é excelente.

3º, Outra opção é estudar através de DVDs, caso você ainda tenha um aparelho de DVD. Existem inúmeros DVDs didáticos de folclore disponíveis para venda, a maioria deles é de ótima qualidade. Eu estudo muito através dos DVDs didáticos da Revista Shimmie, e aprendo muito com eles.

4º, Aproveite os festivais de dança para fazer workshops de folclore, não se limite apenas aos workshops de dança do ventre clássica. Enriqueça sua dança com o folclore.

E aí, está pronta para se encantar com o folclore árabe? Coloque a sua galabia mais bonita e força na peruca!




 

 

  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O PAPEL DO ARTISTA NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Aviso: o texto abaixo é polêmico, sei que muita gente não vai gostar, mas não posso terminar o ano com tudo isso engasgado. Caso alguém não fique satisfeito, peço que venha com argumentos válidos.

Esta postagem é uma reflexão sobre o ano que passou, e também como a pandemia teve reflexos na arte, na sociedade e no trabalho dos artistas. Para começar, gostaria de voltar para o ano de 2018, quando tive o desprazer de ver algumas pessoas conhecidas postarem frases infelizes como esta:

“Já precisei de médico, já precisei de engenheiro, mas nunca precisei de um artista.”

Traduzindo: o artista é um inútil e seu trabalho é irrelevante. Gente, como isso me irritava! Para quem acha que a arte é desnecessária, segue abaixo a frase do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900):

E o grande escritor francês Émile Zola (1840-1902) escreveu essa frase magistral:

“Se você me perguntar o que eu vim fazer neste mundo, eu, um artista, te responderei: estou aqui para viver em voz alta.”

Quero colocar em letras maiúsculas esta frase incrível: ESTOU AQUI PARA VIVER EM VOZ ALTA.

E o que aconteceu em 2018 e 2019? Os artistas, os professores, os profissionais de imprensa, os cientistas, foram atacados sem dó nem piedade. Os artistas, porque eram inúteis; os professores, porque estavam fazendo lavagem cerebral nos alunos; os profissionais de imprensa, porque criavam fake news; os cientistas, porque todo o conhecimento científico era suspeito, só tinham valor as ideias religiosas. Muitos brasileiros caíram nessa armadilha, e denegriram essas classes profissionais, replicando uma atitude lamentável.

Porém (mas, porém...), tudo tem retorno. Em 2020, o mundo conheceu os horrores da pandemia da Covid-19. As pessoas tiveram que ficar isoladas em casa. E quem veio em socorro? Vamos às palavras do humorista brasileiro Paulo Vieira:

E o escritor norte-americano Stephen King escreveu o seguinte:

“Se você acha que os artistas são inúteis, tente passar sua quarentena sem música, livros, poemas, filmes e pinturas.”

Quantas lives foram feitas na quarentena! Quantos artistas doaram seu tempo, alguns inclusive fizeram campanhas de doações que arrecadaram milhões para ajudar o próximo. O maior exemplo é a live da cantora norte-americana Lady Gaga, que arrecadou quase 128 milhões de dólares!

E quantos livros foram lidos? Quantos filmes foram assistidos? Quantas séries televisivas vimos? Quantas pessoas começaram a pintar, a desenhar, a escrever? Quantos artistas inovaram, e criaram espetáculos online belíssimos?

A minha pergunta é: QUEM VAI TER CORAGEM DE FALAR AGORA, NA MINHA CARA, QUE NUNCA PRECISOU DE UM ARTISTA???

Para finalizar, desejo a todos um Feliz 2021, que a vacina chegue logo para todos os brasileiros, e que a vida volte ao normal. Com muito respeito aos artistas, que são a alma de um povo.   

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

SAINDO DA ZONA DE CONFORTO

Você já deve ter ouvido a expressão “sair da zona de conforto”, não é mesmo? E o que vem a ser isso? Segundo o site www.significados.com.br:

 

“Zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não a causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. É uma região onde nenhum indivíduo se sente ameaçado.

Na zona de conforto, as pessoas realizam sempre um determinado tipo de comportamento que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança. Essa segurança é uma falsa segurança, uma vez que, quando ocorre uma grande mudança, quem está muito confortável leva um choque maior, e estará menos preparado para sobreviver do que os outros.

Os indivíduos em geral, necessitam saber operar fora de sua zona de conforto para realizar avanços, melhorar seu desempenho seja ele no trabalho, na vida pessoal etc. A zona de conforto é um tema sempre muito debatido na psicologia.”

Fonte: https://www.significados.com.br/zona-de-conforto/

 

Como é difícil sair da zona de conforto! E por que isso? É muito mais seguro, para o ser humano, evitar o desconhecido. O que não conhecemos pode ser perigoso, não é mesmo? Os nossos ancestrais sabiam que determinados frutos podiam ser consumidos, e que se comessem algum alimento novo, cujas propriedades não eram conhecidas, corriam até o risco de morrer. Ficar na zona de conforto é um instinto de segurança para o homem. Também é uma questão de controle. O que eu controlo, posso prever e até conduzir o resultado. O que eu não controlo, pode ter um resultado prejudicial.

Ao mesmo tempo, se não nos arriscamos com o novo, ficamos estagnados. Imagine a seguinte situação: se os seres humanos não fossem pessoas curiosas, dispostas a tentar coisas novas, não estaríamos no estágio evolutivo atual. Ainda viveríamos em cavernas, andaríamos a pé, usaríamos roupas feitas de peles de animais. A mudança constante é necessária para a própria preservação da espécie humana. Você lembra do famoso ditado "pedra que rola não cria limo"? Quer dizer que precisamos nos movimentar, para evitar a estagnação.

E o que isso tem a ver com a dança do ventre? Claro que tudo! Se nós queremos crescer na dança, precisamos sair da zona de conforto.  Cada aluna de dança do ventre, cada bailarina, cada professora, tem a sua própria zona de conforto. Eu sei que é difícil fugir dessa zona, por experiência própria. Vou citar três dificuldades minhas, que estou tentando vencer:

IMPROVISO - eu sempre tive muita dificuldade para improvisar. Por muitos anos, evitei ao máximo todo e qualquer improviso na dança e só dançava com coreografia. Só que a minha professora, Linda Hathor, há alguns anos começou a exigir que eu improvisasse. Eu faço aula personal com ela, e no final de cada aula, ela me pedia um improviso. Gente, eu suava de nervoso, travava quando não sabia o que eu “devia” fazer, chegava a bufar! Em 2018, decidi improvisar quase todos os dias, e comecei a gravar os improvisos. O que era tão difícil para mim, quase impossível, aos poucos começou a ficar mais fácil. E adivinha o que aconteceu? Estou ficando viciada no improviso – hehehehe. Está saindo coisa boa? Para mim, ainda não está bom, mas tenho certeza de que o processo está indo maravilhosamente bem.

SHIMMY – quem foi que inventou o shimmy, gente? Eita, movimento complicado! Para algumas pessoas, parece ser tão simples... Para mim, é um desafio constante, e eu sempre fugia do estudo sistemático dessa técnica. No dia 29 de outubro deste ano, decidi fazer o desafio dos 108 dias de shimmy, proposto pela Ju Marconato. E quando eu terminar os 108 dias, faço outros 108, se necessário. O shimmy vai ter que sair, nem que seja na marra!

MESMICE – na hora do improviso, parece que sempre saem os mesmos movimentos! E quando vou coreografar, parece que sempre penso da mesma forma costumeira. É a famosa “mesmice”. Confesso que essa dificuldade ainda está para ser enfrentada por mim. Não sei se isso acontece com toda bailarina ou professora de dança, apenas sei que cada uma tem seu estilo, e geralmente damos preferência a alguns movimentos e técnicas, criando uma linguagem própria.

Sobre a questão da zona de conforto, achei esta frase muito bonita:

Como funciona a zona de conforto, e como é o enfrentamento dela? É só olhar para a imagem abaixo, para ver que são quatro zonas (de conforto, do medo, de aprendizado e de crescimento):



Note que a única forma de realizarmos nossos sonhos é atravessando as zonas de conforto, do medo, de aprendizado, até chegar à zona do crescimento. É sofrido? Dá medo? O desânimo bate à porta? Claro que tudo isso é verdade. Mas também é verdade que os benefícios virão para quem topar esse desafio. E você, sabe qual é a sua zona de conforto? Está disposta a vencer essa barreira? Tenho uma sugestão para você: faça uma lista das suas dificuldades e do que quer conquistar, mesmo que isso signifique sair da zona de conforto. Força na peruca, foco e fé!

 

 

 

 

 

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