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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

PESQUISAS DE SATISFAÇÃO

Em agosto, compilamos o resultado da pesquisa de satisfação feita com as alunas. Foram 18 questionários respondidos, conforme consta abaixo:

1 ) O espaço físico da escola foi considerado de aparência bonita e também limpo e cheiroso por todas as alunas.

2 ) O estúdio foi considerado bem localizado por todas.

3 ) Todas as 18 alunas anotaram que se sentem acolhidas pela professora.

4 ) O método didático utilizado na escola foi considerado bom de conteúdo e com coerência por 17 alunas.

5 ) Para 17 alunas, a professora conhece muito sobre dança do ventre.

6 ) Para todas as alunas, no que se refere à didática da professora, ela consegue ensinar com excelência. 

7 ) Com relação às correções em sala de aula feitas pela professora, todas as alunas gostam, pois ajuda a melhorar a técnica de dança. 

8 ) A respeito da energia encontrada no ambiente da escola, todas as alunas anotaram que se sentem bem quando vão à aula. 

Ficamos muito contentes com as respostas das alunas, pois sentimos que estamos no caminho certo. E você, o que está esperando? Venha conhecer a nossa escola, aprender dança do ventre, fazer novas amizades e usufruir de todos os benefícios que esta arte maravilhosa nos proporciona. Quem dança é mais feliz! 



quarta-feira, 28 de julho de 2021

QUANDO O DISCÍPULO ESTÁ PRONTO, O MESTRE APARECE!

Há alguns dias atrás, me deparei com um antigo ditado hindu:

“Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”.

O que quer dizer isso? Significa que, quando estamos prontos para algum novo aprendizado, aparecerá um mestre para nos ajudar a trilhar esse caminho. Porém, às vezes, não estamos 100% prontos, e acabamos não dando o devido valor que o nosso mestre merece.

Eu, como professora de dança do ventre, de vez em quando fico um pouco entristecida com alguns comportamentos (tanto de alunas minhas, quanto de alunas de outras escolas). Não estou falando de ninguém em particular, mas são algumas situações pelas quais já passei, ou que já vi acontecerem com outras professoras de dança do ventre. Vejamos:

- A aluna que acha que sabe mais que a professora.

- A aluna que falta constantemente às aulas, ou sempre chega muito atrasada.

- A aluna que não estuda em casa, para reforçar os movimentos que aprendeu em sala de aula.

- A aluna que quer dançar no espetáculo, mas falta aos ensaios, o que impacta diretamente na performance do grupo.

- A aluna que não tem gratidão pelas suas antigas professoras, e “apaga” o nome delas do seu currículo.

- A aluna que só quer se apresentar, mas some da sala de aula após o espetáculo.

- A aluna que quer ensinar a sua própria professora, e tenta impor a ela como deve dar aula.

- A aluna que só vem à aula para falar mal da família, dos amigos, do cachorro, do papagaio...

- A aluna que chega atrasada ao espetáculo, deixando a professora com o coração na mão.

- A aluna que vive criticando as outras dançarinas, porque só ela dança bem.

Sabemos que ninguém é perfeito. Eu, como professora, não sou nem nunca fui perfeita. Porém, esses comportamentos, caso sejam frequentes, geram um clima ruim e também impedem o aprendizado. Para que possamos assimilar algo, precisamos estar 100% confiantes no trabalho da nossa professora, e fazer a nossa parte. Se não fizermos a nossa parte, é apenas desperdício de tempo e de dinheiro.  

Caso você tenha alguns desses comportamentos porque está insatisfeita com a sua professora, sugiro que mude de escola. O ensino exige confiança de ambas as partes (a aluna confia na capacidade da professora, e a professora confia na dedicação da aluna).

Mas se, por outro lado, você tem alguns desses comportamentos e nunca prestou atenção nisso, sugiro que você mude. Pode não ser fácil no primeiro momento, mas se você conseguir, é certo que vai crescer muito, tanto na vida pessoal, quanto na dança.

Para finalizar, peço desculpas se alguém se sentiu ofendido com a minha postagem, já que não era essa a minha intenção. Errar todo mundo erra, o que não podemos fazer é persistir no mesmo erro a vida inteira. Um abraço!




 

 

 

 

  

quinta-feira, 22 de julho de 2021

OS CIGANOS E A DANÇA DO VENTRE

Informações básicas sobre o povo cigano

Os ciganos geralmente (mas não necessariamente) são nômades, e por muito tempo não se sabia qual a sua origem. Mais tarde, confirmou-se que eles saíram do Noroeste da Índia, há aproximadamente 1500 anos, para fugir às invasões e à escravidão. A origem indiana foi confirmada pelo estudo linguístico, e posteriormente pela pesquisa genética. Ocorreram, pelo menos, três grandes ondas migratórias, feitas pelos ciganos, em direção à Europa, África, Oriente Médio e América. Foram muito perseguidos e estigmatizados, sendo inclusive exterminados em diversos países e épocas. Os ciganos são minoria em todos os países em que vivem, e subdividem-se em pelo menos quatro grupos étnicos: Rom, Sinti, Caló e Romnichals. Até hoje, sofrem muito com a pobreza e o preconceito, mas não podemos ignorar a sua contribuição, principalmente nas artes. Toda a tradição cultural dos ciganos é transmitida oralmente, de geração a geração.

Na página cujo link segue abaixo, tem um texto muito interessante sobre a cultura cigana em diversos países. Vale a pena ler o artigo todo, pois é uma verdadeira aula sobre os povos ciganos.

https://web.archive.org/web/20101018071911/http://www.vitsaramanush.com.br/cultura_cigana.htm#ixzz106Oqd2JW

Nesse texto, eles citam os Banjaras, os Kalibilias, os Nat e os Bopas (ciganos músicos e dançarinos), cuja função era cantar, dançar, fazer acrobacias e atuar nas cortes reais e para os soldados.

Ainda citando o texto acima, eles explicam que os ciganos tocam diversos instrumentos musicais que também são utilizados nas músicas orientais, tais como o acordeão, o bouzouki (tocado na dança do ventre grega), o saxofone, o violino e o pandeiro. Quanto aos ritmos tocados pelos ciganos, um deles é o baladi, que é de origem egípcia.

Dança  e música cigana
 

A arte de rua, o circo e o cinema no Egito

Quando os franceses invadiram o Egito em 1798, encontraram as ghawazee, dançarinas ciganas que se apresentavam profissionalmente. Essas mulheres são uma das bases da dança do ventre, tal qual a conhecemos hoje. Além das ghawazee, existiam os músicos ciganos, que tocavam para elas. 

Dançarinas e músicos ghawazee

Uma dessas dançarinas antigas, que é citada como sendo de origem cigana, foi Shafiqa El Copta. Eu fiz uma matéria sobre ela, o link segue abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/05/dancarinas-precursoras.html

Quanto ao circo, sua origem é muito antiga, e não se sabe exatamente onde nem quando surgiu. Porém, os ciganos e o circo estão indissoluvelmente conectados, já que muitos artistas ciganos eram artistas circenses. O primeiro circo egípcio foi fundado em 1889, por Mohamed El-Helw, e na década de 1950 a família El-Helw fundou o Circo Nacional, que foi nacionalizado em 1960.

Segundo o professor Anthar Lacerda, existiam várias famílias ciganas no Egito como, por exemplo, as famílias Ibrahim e Akef. O Anthar também falou que algumas das dançarinas que aparecem nos antigos filmes egípcios eram de origem ghawazee, ou seja, cigana.

Uma dessas bailarinas, que se tornou muito famosa, foi Naima Akef. A sua família tinha um circo, porém ele faliu, e Naima passou a dançar no Cassino de Badia Masabni. Mais tarde, Naima Akef participou de diversos filmes egípcios, e é considerada uma das divas da Era de Ouro da dança do ventre.

(Naima Akef)

Outra família cigana extremamente importante é a Mazin. O pai, Yusef Mazin, teve várias filhas artistas, que executavam a dança ghawazee tradicional, e participaram de alguns filmes egípcios. Atualmente, é praticamente apenas a filha Khairiyah que ainda tem uma carreira artística.

No vídeo abaixo, sobre as irmãs Mazin (ou Banat Mazin), pode-se ver como os ciganos surgiram no Egito, e como era a rotina dessas artistas:

https://www.youtube.com/watch?v=A8kOjzcM19w

E este outro vídeo é o mesmo, só que mais completo, mostra não só as irmãs Mazin, como outros artistas ciganos:

https://www.youtube.com/watch?v=jQRanm2iV48


(Banat Mazin)

Em uma antiga revista da Khan el Khalili, encontrei um texto intitulado “O vestígio cigano ligado à dança do ventre”, e na verdade foi este texto que me inspirou a criar a postagem de hoje. Vou citar um trecho da matéria da revista, pois considero que demonstra claramente a importância dos artistas ciganos:

“Apesar das reservas do povo, a dança permaneceu como meio indispensável de animação nas festas particulares. Viajando por todos os lugares e mesclando-se aos costumes locais, as formas de dança se modificam ao sabor da região onde são executados os movimentos. Apesar dessa diversidade, alguns elementos se mantém e aparecem similares em diversas partes do mundo, como se fossem uma só.

Braços sinuosos e o deslizar da cabeça, de um lado a outro, são movimentos comuns na dança indiana, persa, turca e árabe. O elaborado desenho com os dedos, tão característico da dança indiana, também aparece no Marrocos e na Algéria.

Na Andaluzia, Espanha, encontramos o flamenco, que é uma combinação da dança cigana e espanhola com forte aroma oriental. O trabalho dos pés, altamente elaborado, leva-nos à lembrança da dança indiana. Em algumas formas de flamenco, a semelhança com a dança árabe é bastante perceptível.”

Espero que o texto tenha sido útil, e uma feliz dança a todos nós!

  

Fontes utilizadas:

Revista Khan el Khalili ano 1 nº 03

YouTube

https://web.archive.org/web/20101018071911/http://www.vitsaramanush.com.br/cultura_cigana.htm#ixzz106Oqd2JW


sábado, 3 de julho de 2021

MERCADO PERSA/SÃO PAULO

Obs.: recomendo que você leia antes o texto abaixo, sobre a História da Dança do Ventre no Brasil:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/07/a-historia-da-danca-do-ventre-no-brasil.html

Na semana passada, estive na casa da minha querida ex-professora Yasmin Stevanovich, e ela me presenteou com algumas revistas de dança do ventre, além de alguns CDs. Você se lembra das revistas do Tony e do Mercado Persa? Pois bem, uma das revistas que ganhei era a “Oriente Encanto e Magia”, edição nº 12, de março/abril 2009. Neste ano, o Mercado Persa estava completando 15 anos de existência.

Desde já pedindo mil perdões à Shalimar, vou tomar a liberdade de copiar o texto, porque acho que é um registro histórico muito importante, e poucas pessoas ainda têm essa revista. Então, vamos lá! O nome do texto que consta na revista é “Mercado Persa – 15 anos de história”. Vou deixar na formatação original que consta na matéria. 

“Não há como falar da trajetória da dança oriental árabe no país sem mencionar o Mercado Persa cuja importância cultural e econômica é reconhecida em todo o segmento. Mas você conhece a história?

O primeiro festival de alunas

Até o início de 1990 existiam pouquíssimas dançarinas, professoras e alunas de dança do ventre no Brasil.

Em 1991 a Mestra Samira Samia realizou o primeiro festival de dança árabe do país. O sucesso foi tão grande que até hoje o formato deste tipo de evento é realizado por academias e professoras em todos os estados brasileiros.

O 1º Mercado Persa

Nos anos seguintes Samira começou a pensar na realização de uma festa maior que reunisse algumas de suas ex-alunas (já professoras) e outras colegas da área. Um evento para confraternizar, trocar informações, encontrar alguns produtos da área. E assim nasceu a primeira edição do Mercado Persa, em 13 de agosto de 1995, com cerca de 40 apresentações.

O 1º Desfile

Em 1996 Samira idealizou o primeiro desfile de trajes de dança do ventre do mundo.

Quem aceitou o desafio e colocou seus trajes na passarela pela primeira vez foi o Atelier Tony e Robby.

Em 1997 Tony Mouzayek foi a primeira pessoa a lançar um CD no Mercado Persa. Tratava-se do primeiro CD de sua extensa discografia.

O 1º Concurso realizado na América Latina

No mesmo ano, Shalimar idealizou o primeiro concurso de dança do ventre do país que contava com apenas uma categoria e 26 participantes. Com o sucesso do evento o concurso tornou-se parte integrante do Mercado Persa e é até hoje, um dos momentos mais esperados do evento.

Pelo País

A partir de 2000, o Mercado passou a ser realizado em Belo Horizonte, com o empenho da Carlla Sillveira, que durante quatro anos, levou para Minas Gerais toda a estrutura de um festival oriental.

Em seguida foi a vez do Rio de Janeiro, com Shaira Sayaad, que realizou duas grandiosas edições. A partir destes intercâmbios, outros estados começaram a desenvolver seus próprios eventos baseados nos moldes do MP, contribuindo para a propagação da arte pelo país.

Atualmente os eventos realizados com a qualidade e padrão do Mercado Persa recebem um selo de excelência.

Em 2001 o evento de São Paulo atingiu a marca de 1300 participantes.

Em 2002 através de uma iniciativa de Shalimar e com a participação de centenas de praticantes amadoras e profissionais, foi criado durante o MP, o “Código de ética da Dança do Ventre”.

Em 2003 o evento contou com 2800 participantes. No ano seguinte, buscando novas opções de espaço para a realização de atividades simultâneas, o MP mudou-se para o Esporte Clube Sírio.

No ano passado quase 6 mil pessoas estiveram presentes em dois dias de evento que contou com shows, workshops, feira, Mercado Persa e concurso.

O que mais podemos dizer? Estamos realizados com este trabalho. Como é bom ver os frutos coloridos e brilhantes! A cada ano novas sementes são espalhadas e com alegria, assistimos dezenas de outros eventos acontecendo em vários estados, inspirados no nosso MP.

Obrigado a todos pela credibilidade e por seguirem prestigiando este trabalho.

Bem-vindos ao MP 2009!”

Que história incrível, não é mesmo? São pessoas visionárias como a Mestra Samira e a Shalimar que não deixam a nossa arte morrer. Temos uma dívida muito grande com essas artistas tão generosas. A propósito, a Mestra Samira criou o evento, mas há alguns anos que ele é administrado pela Shalimar.

Mestra Samira
Nota: o primeiro MP, de 1995, foi no Clube Kolpinghaus. Se eu não estou enganada, foi em 2014 que o Mercado Persa passou a ser feito no WTC Events Center, devido ao crescimento do evento. Nos resultados do último MP com a presença de público, em 2019, dá para ver como o evento agora engloba diversas categorias: clássica, cigana, moderna/fusão, folclórica, livre, tribal, performático, infantil, pais e filhos, e até concurso de miss.

No Mercado Persa 2019, foram três dias de apresentações, mostras e competições (isso durante o dia inteiro, em três palcos simultâneos), espetáculos à noite, inúmeros expositores, workshops com profissionais do Brasil e do exterior, desfiles de trajes de dança e de miss. Muita coisa bonita para ver e admirar, muitas amizades para fazer e rever. Bom demais!

Infelizmente, com a pandemia da Covid-19, o Mercado Persa de 2020 precisou ser adiado. A edição de 2021 foi em formato online, para evitar aglomerações. No ano que vem, com a vacinação da população e o fim da Covid-19, o Mercado Persa vai voltar em formato presencial. É o que todos nós queremos!

Shalimar

Nota final: o professor Anthar Lacerda me deu uma super dica - todas as edições da Revista Oriente Encanto e Magio estão no link abaixo, é muito fácil para acessar. 

http://mercadopersa.com.br/revistaoriente.html


  

quarta-feira, 30 de junho de 2021

ESCOLHA DA MÚSICA E LEITURA MUSICAL

Como alunas ou professoras de dança do ventre e folclore árabe, nós sabemos que a nossa ferramenta é o nosso corpo, não é mesmo? Mas, além do nosso corpo, nós temos outra ferramenta muitíssimo importante: a música. Se o nosso corpo está dizendo uma coisa completamente desconectada da música, então algo está errado.

Vamos a um exemplo prático: por algum motivo, escolhemos executar um solo de derbake. Ora, este é um trabalho de percussão, concordam? Para se dançar um solo de derbake, é necessário usar movimentos como tremidos, batidas, etc. Ficaria muito estranho fazer uma apresentação de solo de derbake só com movimentos sinuosos. A música, neste caso, está pedindo batida de quadril, shimmies – ou seja, coisas fortes e bem marcadas.

Outro exemplo: existem aquelas sequências coringa, que muita gente conhece, não é mesmo? Mas será que essas sequências podem ser utilizadas indiscriminadamente em qualquer música? Obviamente que não. Você tentaria encaixar uma sequência clássica, repleta de chassês, giros, arabesques, em uma música própria para saidi? Pode até fazer, mas não vai dar certo.

Existe um texto muito bom do músico Hossam Ramzy, no qual ele diz:

“Percebi que a bailarina é o INSTRUMENTO MUSICAL FINAL DA ORQUESTRA. Ela é um instrumento que traduz o som musical num movimento tridimensional.”

A propósito, vale a pena ler o texto inteiro, pois além de explicar detalhadamente como funciona uma orquestra árabe, o Hossam Ramzy dá vários exercícios práticos para fazer uma leitura musical. O link do artigo segue abaixo:

https://www.hossamramzy.com/pt/articles/you-are-a-musical-instrument/

Recomendo também a leitura deste outro texto do Hossam:

https://www.hossamramzy.com/pt/articles/been-there-done-that/

Bem, até agora eu falei sobre LEITURA MUSICAL, ou seja, quando a bailarina consegue traduzir – através dos movimentos do corpo - o que a música está dizendo. Cada bailarina é única, então cada leitura musical é única. Mesmo assim, o público nota o que está condizente com a música e o que não está (a não ser que o público seja extremamente leigo). Se o público é conhecedor de  dança do ventre, aí fica mais evidente para ele se a bailarina está realmente dançando aquela música, ou não.

Vou falar agora sobre a ESCOLHA DA MÚSICA. Geralmente, escolhemos uma música por nossa afinidade com ela, porque nos apaixonamos por aquela música específica. Outras vezes, precisamos garimpar alguma música com determinadas características (exemplo: vamos concorrer com uma coreografia de dança khaleege, então é necessário descobrir uma música própria para esse folclore). O importante é que a gente ame a música que vamos coreografar ou improvisar, porque se não gostarmos dela fica difícil.

Bem, agora você já escolheu a sua música. Está certa de que escolheu a música apropriada? Um erro muito comum é dançar folclore saidi (também conhecida como dança do bastão ou da bengala), mas com música que não é do ritmo saidi. Outra pergunta: você vai usar acessórios? Neste caso, os acessórios combinam com a música escolhida? Um exemplo de erro que nunca vi, mas ficaria estranho: música própria para solo de derbake e véu de seda não combinam. E assim por diante...

Continuando: você já sabe que a sua música é apropriada para a dança que você tem em mente. O que mais você pode fazer? Descubra o nome da música, do artista e, se possível, a tradução (se for cantada). Se você não conseguir, de forma alguma, a tradução, talvez valha a pena contratar um tradutor. Se for extremamente impossível, e você não consiga nem a tradução da música, nem pagar alguém para traduzir, escute-a com atenção, e veja quais sentimentos ela desperta em você.

Outra coisa importante é ver quais ritmos são utilizados na música, e também quais instrumentos são usados. Se você tem dificuldade com ritmos árabes, recomendo que comece a estudar os ritmos principais, e aos poucos vá acrescentando novos ritmos. Quanto aos instrumentos, saber distingui-los é fundamental, pois os movimentos da bailarina estão diretamente ligados ao instrumento que está tocando. Lembre-se que a música árabe tem ritmo, melodia, harmonia e arranjos da orquestra. A música escolhida precisa ser destrinchada, de forma a entender cada parte dela. 

O entendimento da música árabe vem com muitos anos de estudo, não é da noite para o dia que você vai aprender tudo. Felizmente, hoje em dia existe muito material sobre o assunto, é só questão de pesquisar. E, se for necessário, peça ajuda a quem sabe mais que você. Com certeza, essa pessoa ficará feliz em ajudar.

Para finalizar esta matéria: escolha uma música que você ame de paixão, e essa paixão vai transparecer na sua dança! 



quinta-feira, 24 de junho de 2021

RUDOLF LABAN (1879-1958)

Rudolf Laban

Coreógrafo, bailarino, teatrólogo, considerado o maior teórico da dança do século XX, criador da “dança-teatro”. Era formado em Arquitetura, mas dedicou sua vida à dança. Pessoalmente, foi influenciado pela Teosofia, Sufismo e Hermetismo, e essas influências espirituais foram repassadas à sua teoria da dança. Laban procurava a forma natural como as pessoas se movem, e a sua dança tinha como objetivo a expressão das emoções humanas.

Segundo a Wikipedia, a importância da obra de Laban vai muito além da dança:

“As concepções expressas por Laban sobre o movimento humano causaram grande impacto e passaram a influenciar os trabalhos desenvolvidos em áreas tão diversas como Educação, Psicologia, Fonoaudiologia, Teatro, Dança, Música, Artes e Educação Física.”

E mais uma vez citando as palavras da Wikipedia:

“Suas teorias sobre o movimento e a coreografia estão entre os fundamentos principais da Dança Moderna e fazem parte de todas as abordagens contemporâneas da dança.”

De acordo com o site Dança Movimento Terapia, mais uma vez constatamos a importância do trabalho de Laban:

“Todos os trabalhos que desenvolveu foram sobre os elementos que constituem o movimento e a sua utilização, dando ênfase aos aspectos psíquicos e fisiológicos que levam o ser humano ao movimento. A metodologia e a profundidade do seu estudo ajuda-nos a perceber o ser humano através do movimento nos mais diversos aspectos e pode ser aplicada nos diferentes setores da atividade humana, artes, educação, trabalho, psicologia, sociologia, etc.

Foi através do seu sistema de Análise do Movimento que muitos dos seus seguidores começaram a introduzir a Dança em contextos terapêuticos e Dança Educativa.”

Laban foi o autor de diversos livros: “Domínio do movimento”, “Corêutica” e “Dança educativa moderna”, e muitos outros. Conforme o site Slide Share, no livro Corêutica, Laban falou sobre a:

“... teoria da harmonia do espaço, uso do movimento/tempo no espaço, uso das dinâmicas do movimento. Na Corêutica, desenvolveu uma espécie de escala de movimentos. Nos exercícios da Corêutica, o dançarino pode praticar o movimento em 12 direções, assim como músicos praticam as notas musicais. As doze direções são definidas ao se dividir o espaço ao redor do dançarino em três planos: o plano vertical (ou plano da porta), o plano horizontal (ou plano da mesa) e o plano sagital (plano da roda). Quando os doze ângulos desses 3 planos imaginários são conectados com linhas, outros 20 pequenos triângulos são formados. Eles formam o Icosaedro.”

Os planos e as direções

Outro conceito importante na teoria de Laban é a Kinesfera. Conforme o Site da Secretaria de Educação do Paraná, a Kinesfera:

“... é tudo que podemos alcançar com todas as partes do corpo, perto ou longe, grande ou pequeno, com movimentos rápidos ou lentos etc. A Kinesfera ou Cinesfera é a esfera que delimita o limite natural do espaço pessoal, no entorno do corpo do ser movente. Esta esfera cerca o corpo esteja ele em movimento ou em imobilidade, e se mantém constante em relação ao corpo, sendo ‘carregada’ pelo corpo quando este se move.”

Segundo a Wikipedia:

“Laban utiliza as figuras geométricas para dar suporte à movimentação do ator-dançarino. Ele propõe a escala dimensional, respeitando a relação entre altura, largura e comprimento das figuras geométricas como o cubo, o tetraedro, o octaedro, o icosaedro e o dodecaedro; tais representações geométricas viabilizavam movimentos pl (vertical), (horizontal), (sagital)e nos níveis alto, médio e baixo. Dessa forma, ações dramáticas podem ser realizadas nas posições das vértices dessas figuras, bem como em suas diagonais, de forma que o ator atua ampliando a sua kinesfera, buscando uma limpeza gestual e organicidade, assim, ele também amplia seu espaço cênico.”

Laban e a Kinesfera

Laban foi o criador da “Labonotação”, um método de notação coreográfica, utilizado até hoje no mundo inteiro. Segundo ele, o movimento era formado por quatro fatores: peso, fluxo, tempo e espaço. Nas palavras de Ciane Fernandes, a Labonotação:

“Descreve padrões de colocação de peso, mudanças em nível e direção no espaço, duração do movimento (tempo e ritmo), padrões de toque, orientação e padrões desenhados no chão. Em outras palavras, a Labonotação registra Jane colocando seus pés à sua frente no chão, gradualmente transferindo seu peso de sua pélvis para seus pés, colocando suas mãos na cadeira, elevando o torso, e as direções espaciais exatas e a duração de seu movimento.”

Além da Labonotação, outra contribuição da Laban foi a Labanálise, abaixo explicada por Ciane Fernandes:

“Expressividade/Forma é um método sistemático de observação, registro e análise dos aspectos qualitativos do movimento corporal. A qualidade do movimento pode ser pensada em termos de ‘como’ um movimento é realizado. Responde a questões do tipo: Como Jane saiu da cadeira? Ela foi rápida e forte em sua qualidade de movimento? Talvez ela tenha se jogado para  fora da cadeira com uma qualidade pesada? Veio de um impulso central ou com contratensões espaciais nos membros?(...) O movimento começou no torso que é a área central do corpo? O movimento começou nas mãos que é uma área periférica do corpo?”

Laban ensinando

Ainda sobre a Labanálise, a bailarina Brysa Mahaila, em seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume II – Música, dramaticidade e expressão”, às páginas 98 e 99, cita os elementos da composição coreográfica:

“Espaço (onde)

A partir da noção de amplitude máxima do espaço cênico, ou global, a bailarina pode trazer linhas para a execução de figuras impressas nos movimentos. A noção de centro permite que sejam explorados diferentes direcionamentos (frente e trás, laterais direita e esquerda, diagonais frente e trás) e trajetórias (retilíneas ou curvilíneas). Ciente disso, a bailarina consegue explorar as possibilidades de espaço cênico de forma a melhor adaptar-se a ele. Isso propicia, por sua vez, a criação de figuras interessantes que valorizam o estilo de dança e a coreografia.

Corpo (que)

O corpo é a ferramenta em que as técnicas e as práticas corporais específicas se dão mediante treinamento na construção de um determinado vocabulário escolhido ou múltiplo. Portanto, pensar corpo sugere a aplicação dos mecanismos físico-funcionais e de expressividade que devem atuar juntos no estilo de dança ao qual a bailarina está se dedicando. Laban sugere empregar múltiplas possibilidades do movimento locomotor (simétricos e assimétricos, variações de eixos e poses) e, assim, explorar ao máximo o espaço cênico, movidos pela percepção da amplitude dos movimentos se dá pela cinesfera, assim como as trajetórias partem do corpo para o espaço.

Dinâmica (como)

A dinâmica está associada à qualidade do movimento, expressividade e fluência. Ela trata da energia, do esforço, dos impulsos para o mover-se em cena e subdivide-se, segundo estudos de laboanálise, em peso, foco, tempo, fluência. Esses elementos, por sua vez, possuem dois contrastes, forte e fraco. Importante também é lembrar que entre opostos existem infinidades de graduações.”

As direções que podem ser utilizadas no palco

Para finalizar esta postagem, deixo as palavras de Laban:

“Enquanto que os movimentos dos animais são instintivos e basicamente realizados em resposta à estimulação exterior, os do homem encontram-se caracterizados por qualidades humanas; por intermédio deles o homem se expressa e comunica algo de seu interior. Tem ele a faculdade de tomar consciência dos padrões que seus impulsos criam e de aprender a desenvolvê-los, remodela-los e usá-los.”

Laban e sua teoria


  

Fontes utilizadas:

Mahaila, Brysa. Os pilares da profissionalização em dança do ventre: música, dramaticidade e expressão, volume 2, 1ª edição. São Paulo: Kaleidoscópio de Ideias, 2017.

http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/Rudolf_von_Laban

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Laban

https://dancoterapia.wordpress.com/dancoterapeutas/rudolf-laban/

https://pt.slideshare.net/tollens/rudolf-von-laban

http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=262

http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/Sistema_Laban/Bartenieff

 

  

quarta-feira, 16 de junho de 2021

A IMPORTÂNCIA DA RESILIÊNCIA

Aparentemente, o texto de hoje não tem nada a ver com dança do ventre, não é? Pois tem tudo a ver. Vamos, em primeiro lugar, às definições e explicações sobre resiliência, e em seguida explicarei em que contexto este tema é vital para a nossa arte. 

De acordo com o dicionário, a resiliência é a “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças”. Segundo o site  Significados.com.br:

“Para definir o comportamento resiliente, é preciso levar em conta dois fatores: crise e superação. Diante de uma situação crítica ou adversa, pessoas podem manifestar diversos tipos de comportamento. A pessoa resiliente é aquela que compreende o problema que está diante dela e mobiliza recursos para superá-lo.

Isso não significa que o indivíduo resiliente seja invulnerável ou blindado. Não se trata de sempre sair ileso de uma situação crítica, mas de desenvolver a capacidade de lidar com a crise de forma eficiente, de modo a sair dela fortalecido.”

Conforme o site IBCcoaching.com.br, a forma com que lidamos com os problemas podem nos tornar pessoas melhores, se soubermos tirar as lições necessárias do que aconteceu:

“A resiliência demonstra se uma pessoa sabe ou não trabalhar bem sob pressão. É mais que educação, experiência, treinamento. O nível de resiliência de um indivíduo determina quem terá sucesso e quem se perderá pelo caminho. Quanto mais resiliente é alguém, mais forte e preparado ele estará para lidar com as adversidades da vida.

O sucesso é resultado de inúmeras quedas e derrotas, que o indivíduo pode ver como oportunidade de aprendizado e crescimento. E a resiliência é resultado de aprendizagens de vida, o que torna possível qualquer um desenvolvê-la. Indivíduos que se tornam resilientes possuem, ainda, a capacidade de acreditar em si mesmos e são mais confiantes para lidar com os desafios que surgem ao longo do caminho.”

Ainda segundo o site IBCcoaching.com.br, as pessoas muito resilientes têm as seguintes características: autoconfiança, persistência, otimismo, empatia, criatividade, flexibilidade e sabem lidar com as emoções. 

Já as pessoas pouco resilientes têm como características: dificuldade em tomar decisões, perda da autoconfiança, pouca criatividade, baixa inteligência emocional, pessimismo, emoções conflituosas e dificuldade nas relações sociais.

E existe uma forma de desenvolver a nossa resiliência? De acordo com o site Vittude, existem várias estratégias para isso, vou citar algumas: 

- Manter-se flexível.

- Ter atitude positiva.

- Fazer alguma atividade que libere a tensão (um exemplo: dança).

- Ter um senso de propósito.

- Manter hábitos saudáveis (um exemplo: fazer atividades físicas).

- Acreditar em si mesmo.

- Sorrir.

Para quem está começando ou já tem uma trajetória na dança do ventre, ser resiliente é muitíssimo importante. Para as iniciantes, a resiliência ajuda a perseverar diante das dificuldades encontradas em sala de aula, a enfrentar possíveis atritos com as colegas, a aceitar as críticas que a professora faz para melhorar a sua dança, etc. Já para quem tem um caminho percorrido na dança, a resiliência auxilia quando ocorrem as famosas “puxadas de tapete”, a não desanimar quando nos comparamos com outras dançarinas, a persistir quando vemos o quanto os gastos com a dança são altos, a enfrentar o preconceito que acompanha a nossa arte, etc.

Infelizmente, nestes muitos anos estudando e ensinando dança, passei por muitas situações tristes (quem nunca, não é mesmo?). Da mesma maneira, vi inúmeros episódios desagradáveis que ocorreram com outras bailarinas e professoras, e que levaram algumas delas a deixarem a dança – e eu sempre lamento quando alguém desiste de dançar. São tantos anos, sonhos, dinheiro investido! Por isso é que a resiliência é imprescindível: para que enfrentemos os problemas e aprendamos com eles. As dificuldades nunca deixarão de existir, mas se soubermos lidar com elas, nos tornaremos pessoas melhores, com toda certeza.

Para concluir, vou citar a frase de Augusto Cury:

“Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto. Procure as janelas.”

Fontes utilizadas:

https://www.significados.com.br/resiliencia/

https://www.ibccoaching.com.br/portal/artigos/o-que-e-resiliencia/

https://www.vittude.com/blog/resiliencia/