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sábado, 30 de novembro de 2019

MEDO DE SE APRESENTAR


Quem nunca teve medo de se apresentar no palco? Até as profissionais sentem aquele friozinho na barriga, quando pisam no palco. Por que com as alunas seria diferente?
A propósito, você já se apresentou? Ou ainda não quis fazer isso, por medo do público? Às vezes, pode acontecer que a aluna esteja num nível muito iniciante, e precisa aprender mais um pouco, antes de se apresentar. Mas, se a aluna está indo bem nas aulas, é bom que ela se participe dos espetáculos. Por que eu digo isso? Porque, na vida, precisamos de desafios. Se apenas fazemos aulas, e não nos desafiamos, com o passar do tempo a mesmice se instala.  
O medo é inerente ao ser humano, é uma estratégia de defesa. Se não temos medo nenhum, acabamos nos arriscando em excesso. Só que o medo também pode paralisar, e a pessoa acaba não fazendo nada. No seu livro “Direção e preparação artística”, páginas 157 e 158, Jorge Sabongi e Débora Sabongi escrevem:

“Sempre que houver uma situação que envolva algum tipo de confiança ou responsabilidade, sentiremos o ‘frio na barriga’. Nervosismo faz parte. A questão é como você reage, encara e resolve os seus ‘desafios’.
...
Sua autoconfiança está intimamente ligada a sua determinação em realizar.
...
Diversos conflitos atingem quem não possui autoconfiança. Só existe uma forma de superar: encarando os medos, vencendo-os aos poucos. Se virarmos as costas ou fingirmos que eles não estão ali, permitiremos que se tornem uma fobia. A primeira vez será difícil, a segunda um pouco menos, na terceira quase não sentiremos, até que chegará um momento em que o medo, em vez de ser um instrumento paralisante, será nosso aliado, avisando-nos sobre algo que pode nos causar problemas.
Procedendo dessa forma, as coisas não parecerão tão difíceis. Vença seus desafios. Ao encarar sua entrada em cena, respire e nem conte até três: aja.”

Além do medo, também receamos o julgamento das demais pessoas. Tememos a reação do público, as críticas dos parentes e amigos. Receamos as cobranças por parte da professora. Achamos que não seremos, jamais, capazes de enfrentar um palco. E quando a apresentação termina, vemos que todos esses medos foram em vão. É muito bom saber que nos dedicamos, aprendemos algo novo, realizamos uma coisa que muitas pessoas jamais teriam coragem.
Quando comecei a fazer dança do ventre, uma das minhas ex-colegas dizia que ela não se apresentava, pois dançava apenas para si. É óbvio que ela largou a dança logo em seguida...
Por outro lado, recentemente, fiz um questionário para minhas alunas, para que elas definissem suas metas para o próximo ano. Uma das alunas escreveu algo que me deixou muito contente:
“Quero participar dos eventos que for possível, porque ajudam no crescimento.”
Concordo com ela, pois quando saímos da nossa zona de conforto, com certeza aprendemos muito. Na minha experiência, quando alguém se recusa a dançar, o progresso é mínimo. Já quando vamos nos apresentar, precisamos estudar, ensaiar, passar e repassar as sequências coreográficas. Também estimulamos a criatividade, expressividade, musicalidade, diminuímos a timidez. Além disso, temos a oportunidade de expressar nossas emoções. É muito gratificante saber que somos capazes de fazer algo!
Citando novamente Jorge Sabongi e Débora Sabongi, na página 320 de seu livro, eles falam sobre os bloqueios limitadores, e explicam as bailarinas podem superar ou minimizar os bloqueios.

“Para as bailarinas, há os seguintes passos:
1 - determinar o que irá dançar e modo como irá fazê-lo;
2 - procurar melhorar cada vez mais os movimentos, estudando com afinco e não se contentando com o básico;
3 - querer fazer sempre bem feito e com qualidade;
4 - treinar com o diretor-sombra ou se filme para fazer correções;
5 - encontrar o ponto de equilíbrio do ‘tripé’;
6 - confiar que poderá fazer melhor depois de 24 horas.
Em sala de aula ou numa apresentação em que sua professora esteja presente, peça que ela seja sua diretora-sombra.
Tudo na vida é questão de (1) vontade, (2) treino, (3) determinação, (4) ação e (5) confiança. Veja que tudo se inicia pela vontade."

Resumindo: se você quer realmente aprender dança do ventre, estude na sala de aula e em casa, e participe das apresentações. Se arrisque! Saia da zona de conforto. Se alguém disser a você que não dançou bem, que não deveria ter se apresentado, olhe bem nos olhos dela/dele e diga: “Tô nem aí”. Dance e seja feliz!








segunda-feira, 25 de novembro de 2019

EMPECILHOS EXTERNOS

As origens da dança do ventre são nebulosas. Muito provavelmente, surgiu de um culto à fertilidade e como uma forma de preparar a mulher para o parto. De qualquer forma, surgiu como uma dança feminina. Sofreu e sofre, até hoje, de muito preconceito e empecilhos externos. Exemplos:

“Nos países árabes onde a religião ortodoxa, também chamada de Islã, prevalece sobre o Estado, as apresentações de bailarinas em público são proibidas. As mulheres são obrigadas a se vestirem de pesados mantos por cima de suas roupas, deixando apenas os olhos à mostra quando saem à rua. No Afeganistão, por exemplo, até os olhos ficam escondidos sob pesadas vestimentas, denominadas ‘burqas’. Quem ousar desrespeitar a lei, e sair à rua com o rosto à mostra, pode ser duramente penalizado, com açoites em público ou apedrejamento.
Bailarinas não são bem vistas e nem bem vindas nestes lugares. O governo religioso extremista acredita que tudo o que desvie os olhos e o pensamento do homem para Alah (Deus), deve ser eliminado.”
(Patrícia Bencardini, “Dança do Ventre – Ciência e Arte”, página 50. Editora Baraúna, São Paulo/SP, 2009).

Segundo Wendy Bonaventura, em seu livro “Serpent of Nile”, na época da expedição napoleônica pelo Egito, existiam dois tipos de dançarina: as awalim (“mulheres versadas em artes”) e as ghawazee (de origem cigana). Tanto as awalim quanto as ghawazee viviam de suas apresentações, cantando e dançando, mas as awalim tinham prestígio, ao contrário das ghawazee, que eram artistas de rua. Eu não tenho o livro da Wendy Bonaventura, mas na página 32 do seu livro “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume I, Brysa Mahaila fala sobre um trecho do livro da Wendy:
“Em determinado momento, os generais de Napoleão, temendo que a distração ocasionada pelas mulheres atrapalhasse o descanso dos soldados, decretaram que as dançarinas seriam severamente punidas se não se afastassem das barracas do exército. Em represália ao desacato, muitas foram decapitadas e tiveram seus corpos jogados ao Nilo.”
No mesmo livro, páginas 32 a 33, Brysa Mahaila diz:
“As dançarinas foram punidas também quando Mohammed Ali, em 1799, tomou o poder com o firme propósito de modernizar o Egito. Ele contava com a ajuda dos aliados europeus e, em função disso, sofreu pressões religiosas que o levaram a proibir a dança em vias públicas, banindo as dançarinas do Cairo. No entanto, as awalim, como sinal do prestígio de que gozavam, puderam ali permanecer. Com o banimento das dançarinas de rua, surgiram homens disfarçados de bailarinas, chamados de khawals. Muitos deles vinham da Turquia e faziam muito sucesso, até mais do que as ghawazee, com shows exóticos e cheios de malícia. Em 1866, as ghawazee foram autorizadas a voltar ao Cairo.”

Além das histórias citadas acima, sabemos de diversas bailarinas que foram proibidas e/ou estigmatizadas por fazerem dança do ventre como, por exemplo, Badia Masabni. Ainda hoje – estamos em 2019 -, a grande maioria das profissionais que dançam nos países árabes são de origem estrangeira. E nos países ocidentais? A situação pode não ser tão extrema quanto nos países de religião islâmica, mas mesmo assim as bailarinas enfrentam muitos preconceitos, senão vejamos:

- Falou “dança do ventre”? A grande maioria das pessoas associa com “dança de sedução”. Tenho escola há doze anos, e durante todo esse tempo, tentei explicar às pessoas que dança do ventre não é dança de sedução, é uma arte. De vez em quando, dá um desânimo, mas eu persisto.
- A bailarina é contratada para dançar em evento? Sempre tem uma mulher beliscando ou tapando os olhos do marido. Gente, ninguém está aí para seduzir marido de ninguém, não. A intenção da bailarina é dançar e trazer alegria à festa.
- Algumas pessoas muito religiosas acham que a dança do ventre é pecaminosa. Eu rejeito essa ideia preconceituosa, pois toda dança é uma celebração da vida. E a dança do ventre é uma celebração da vida, do nascimento, do parto. Isso pode ser pecado?
- E quando a família ou o marido (ou namorado) são empecilhos? Familiares que não apoiam? Maridos/namorados ciumentos ou que não compreendem que aulas e ensaios são necessários? Que não dão apoio na hora da apresentação, quando a aluna está mais nervosa?

Embora existam todos esses dificultadores externos, é bom lembrar que a dança faz bem para nós. Sua família, marido/namorado não te apoiam? A religião é contra? Deixe a cara feia desse povo para lá, dance e seja feliz! Você só precisa agradar a você mesma. Beijos e boa dança para todas nós!






segunda-feira, 18 de novembro de 2019

O QUE É PRECISO PARA SER PROFESSORA DE DANÇA DO VENTRE?

Algumas mulheres querem ser professoras de dança do ventre, mal começam a fazer aulas. Mas, o que é necessário para isso? Em primeiro lugar, são necessários pelo menos três ou quatro anos de estudos. Quando digo estudos, quero dizer aulas regulares. Não adianta fazer uma aula por mês, ficar uns seis meses fora, voltar às aulas e parar novamente. É estudo contínuo, regular, pelo menos nas modalidades dança do ventre e folclore árabe. Se puder incluir outras aulas, como balé clássico por exemplo, melhor ainda.

Estude sempre, não se acomode nunca. Faça aulas regulares, participe de workshops, estude vídeos, procure livros sobre dança. Segundo a bailarina Níjme, no seu livro "Ventre que encanta", página 98:

"Quando falamos em 'universo da dança', estamos nos referindo à sua imensidão, coisa que provavelmente uma vida seja pouco para tudo aprender. Então, todas as praticantes, desde as iniciantes até as profissionais, devem estar conscientes da importância da humildade, já que o aprendizado é uma constante."

Bem, você já tem uma boa base em dança do ventre e folclore árabe, e continua a estudar regularmente. De repente, bate aquele desejo de dar aulas (ou, às vezes, aquele desejo sempre esteve presente). Você já se perguntou se tem vocação para o magistério? Não basta querer dar aulas, precisa ter amor pela profissão. Algumas pessoas chegam a comparar o magistério a um sacerdócio. Educar é um ato de amor e entrega.

Aconselho, antes de começar a dar aulas, que você faça um plano de aulas. Atualmente, existem diversos materiais de pesquisa: DVDs didáticos, livros, cursos online, vídeos didáticos no Youtube, etc. Muito diferente de quando eu comecei! Cada professora tem sua própria didática, busque a sua. É claro que isso não vai vir da noite para o dia. Você vai precisar ler muito, estudar muito, trocar muita ideia com suas colegas de profissão. Além disso, sempre que necessário, atualize seu plano de aulas.

Pelo exposto acima, deu para perceber que você precisa ter muito foco nos estudos. Também ajuda se for uma pessoa organizada, para poder administrar seus estudos e seu dia-a-dia. Se você for a dona da escola, além de ser organizada, também precisará ser uma boa administradora. Além disso, você necessita ter qualidade de liderança.

Outras coisas importantes: ética no trato com suas alunas e suas colegas de profissão; gratidão pelas suas professoras, bem como gratidão às suas alunas, por confiarem no seu trabalho; saber cobrar pelo seu trabalho de professora, mas sem ganância excessiva; por fim, entender que ninguém é dono da verdade, somos todos aprendizes.

Para terminar, seguem as palavras de Jorge e Débora Sabongi, do livro "Direção e preparação artística", página 102:

"É necessário compreender que uma professora é alguém que nasceu com um dom. Além de vocação, ela deve ter uma responsabilidade exemplar ao orientar suas alunas. Sua vida é uma missão, na qual descobre no dia-a-dia uma oportunidade de aprender com seus aprendizes. Despida de preconceitos, torna-se um elemento unificador, comprometida com o amanhã. Compartilha experiências e ideias sem temer um dia ser ultrapassada. Seus conhecimentos denotam sabedoria acima da média e advém dos inúmeros livros que leu, resumos, pesquisas, indagações, investigações, exames minuciosos, artigos escritos em sua literatura pessoal etc. Nunca se dá por satisfeita com o que já aprendeu, pois é consciente que nada sabe. É alguém que faz a grande diferença na vida de muitos."



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

A DANÇA NUNCA VAI DECEPCIONAR VOCÊ

O nosso tema de hoje é resiliência. Segundo a Wikipédia:

"A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

Manter a imunidade mental é a base para criar resiliência emocional. O indivíduo condiciona a mente a tolerar os pensamentos assustadores e consegue esquivar-se do sofrimento ao entender que a dor fará, inevitavelmente, parte da trajetória de vida."

Falando da minha história pessoal: comecei a estudar dança do ventre há dezesseis anos, e tenho escola desde 2007, ou seja, doze anos. Já tive diversas professoras, alunas, colegas de turma e colegas de profissão. Passei por diversas situações, algumas bem chatas e traumáticas. Vi o mesmo ocorrer com várias colegas (de estudo e de profissão). 

Da mesma forma, sei que decepcionei algumas alunas. Fui muito rígida, principalmente no início da minha carreira de professora. Ninguém é perfeito, e só o tempo e a experiência para aprendermos. Ao mesmo tempo, quem tem escola sabe que as regras precisam ser estabelecidas, senão o caos toma conta.

Voltando às experiências desagradáveis pelas quais passamos - quais são? São as famosas puxadas de tapete, as disputas causadas pelos egos inflados, as fofocas, a falta de ética, a grosseria, os calotes. Infelizmente, algumas dançarinas se decepcionam de tal maneira com esses revezes, que chegam a abandonar a dança. Na minha opinião, isso é um erro. Se você larga a dança por uma decepção causada por outrem, essa pessoa venceu você. 

Não desanime! Essas crises, no fim das contas, deixarão você mais forte e preparada. Continue a estudar, se for aluna. Continue a dar aulas, se for professora. Mostre a sua verdade e, mais cedo ou mais tarde, tudo se resolverá. 

Tenha sempre em mente que não é a dança que decepciona, são algumas pessoas. A dança, na verdade, só traz bem estar físico e mental, ela é qualidade de vida. Se cerque de boas pessoas, cultive pensamentos positivos, e seja feliz - dançando, é claro!






quinta-feira, 7 de novembro de 2019

MAHMOUD REDA E A TRUPE REDA

Você já ouviu falar no bailarino e coreógrafo Mahmoud Reda? Pois bem, se você ama folclore árabe, precisa saber sobre a importância dele. Ele é o grande responsável por levar as danças egípcias folclóricas aos palcos, bem como ao cinema e à televisão. Também deu legitimidade à dança, que era malvista na sociedade egípcia. 

Mahmoud Reda nasceu em 1930 no Egito. Originalmente, Mahmoud era atleta, mas se apaixonou pela dança. Foi inspirado pelo seu irmão Ali, que era dançarino, bem como pelos grandes artistas Fred Astaire e Gene Kelly. Mahmoud se juntou a um grupo folclórico argentino e percorreu a Europa fazendo shows, mas em 1955 voltou ao Egito. Em 1959, Mahmoud, seu irmão Ali e Farida Fahmy, fundaram a Trupe Reda, um grupo totalmente voltado para a dança egípcia. 

Nota: Mahmoud se casou com Nadeeda, irmã de Farida. Nadeeda foi a primeira estilista do grupo, função depois exercida por Farida. Mais tarde, Ali Reda casou-se com Farida. Então, além de uma relação profissional, existia um parentesco devido ao casamento.

A Trupe Reda se inspirava nas danças egípcias folclóricas, combinadas com movimentos de dança ocidental. Após fazer a pesquisa de campo (dos passos básicos, da música  e dos trajes), a dança era levada aos palcos. Segundo Mahmoud Reda, essa mistura era necessária porque:

"... quando você os traz, os verdadeiros dançarinos folclóricos, os coloca no palco, eles parecem estranhos, eles parecem estranhos. Suas roupas, eles não sabem para onde olhar, eles não sei, e se eles fazem as coisas, é muito monótono. Então, o que eu chamo de coreografia não é folclórica. É inspirada na folclórica. Há 90% a mais de dança."

Geralmente, as danças folclóricas tem poucas variações de passos, e é isso que Mahmoud quer dizer quando fala que colocava "90% a mais de dança" nas suas coreografias. Segundo suas palavras:

"Então você tem um tesouro, mas ao mesmo tempo o material é pequeno. Você não pode dar um passo e coreografar uma dança por cinco minutos no palco. O público de palco e teatro é um público profissional."

Conforme testemunho de Farida em 1987:

"O objetivo de Mahmoud Reda era criar uma nova forma de dança de teatro... Seus trabalhos nunca foram imitações diretas ou reconstruções precisas. Eles eram sua própria visão das qualidades de movimento dos egípcios... a postura, a carruagem e o gesto dos homens e mulheres de seu país, seja na dança ou nas atividades cotidianas."

Em 1961, a Trupe Reda protagonizou seu primeiro filme. Neste mesmo ano, o Ministério da Cultura do Egito passou a patrocinar o grupo. A parceria de dança entre Mahmoud e Farida foi de importância vital:

"A ambição de Mahmoud Reda de apresentar um novo gênero de dança e o forte desejo de Farida Fahmy de dançar foram o catalisador de um empreendimento artístico bem-sucedido e gratificante. Mahmoud Reda foi dançarino principal até 1972. Ele ensinou os dançarinos, coreografou e dirigiu todas as performances de palco.  Com suas coreografias inovadoras, ele criou um gênero de dança que abrange muitos estilos. Farida Fahmy foi dançarina principal por vinte e cinco anos. Ela era um modelo para os dançarinos recrutados, e sua graça e elegância capturaram instantaneamente o coração dos egípcios."

Ali Reda era consultor artístico da Trupe Reda, e cuidava da parte administrativa e gerencial do grupo. Também dirigiu dois filmes com a Trupe Reda, filmes esses que são exibidos na TV egípcia até hoje. Outra pessoa de importância capital para o grupo foi o músico Ali Ismail, que compunha as músicas. O grupo começou com sete dançarinas, sete dançarinos e doze músicos. Em meados da década de 1970, eram cento e cinquenta membros, contando os artistas e os técnicos. A Trupe Reda se apresentou no Egito e visitou mais de cinquenta países, e ganhou diversos prêmios. 

O grande coreógrafo ainda vive, mas em 1990 ele foi aposentado devido à burocracia do governo. As coreografias e o método Reda são estudados até os dias de hoje, por artistas, professores e coreógrafos do mundo inteiro. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

EXISTE UM PADRÃO DE BELEZA PARA A DANÇARINA?

Segundo Jorge Sabongi, a dança do ventre está apoiada em três pilares: técnica, estética e emoção. Já falamos a respeito disso em 14 de setembro de 2019, na postagem intitulada "Os pilares da dança do ventre". 
Com referência à parte estética - existe um padrão de beleza obrigatório para quem faz dança do ventre? Para melhor discorrer sobre isso, vamos dividir as praticantes em três categorias:
1 - A aluna que apenas faz aulas e não se apresenta nos eventos da escola. Bem, como já dissemos anteriormente, qualquer mulher (e homem) pode fazer dança do ventre. Não importa a altura, o peso, a raça, a idade, etc. Qualquer pessoa pode fazer aulas e se beneficiar com a prática da dança. E pode fazer aulas de qualquer jeito, sem maquiagem, cabelo preso, etc.
2 - A aluna que participa das apresentações organizadas pela escola. 
3 - A profissional da dança. 
Nos casos 2 e 3, imagine que a aluna - ou a profissional - entra no palco assim (vou exagerar bastante):
- Roupa mal ajustada, com as franjas ou pedrarias se soltando;
- Sem maquiagem, ou com maquiagem mal feita;
- A depilação das sobrancelhas, axilas e pernas não está em dia;
- Mãos e pés com esmalte descascando;
- Cabelos em péssimo estado, com raízes brancas aparecendo; 
- Postura toda torta e deselegante;
- Cheiro ruim, ou perfume muito forte.
A imagem abaixo é só para dar risada (imagine que a dançarina é igual a ela):



E daí? Você, como público, vai pensar o que? "Quero meu dinheiro de volta", não é mesmo? Vale a pena lembrar que a dança do ventre é uma dança de atratividade, ou seja, uma dança que quer encantar pela beleza. Mas se a dançarina estiver desleixada, como descrito acima, o público vai se encantar? Sem chance!
Então, vamos deixar claro - embora não exista um padrão de beleza (exemplo: altas, loiras, magras, com rosto perfeito), precisamos estar lindas na hora da apresentação. Vamos por partes:
- O seu traje precisa ser bonito (isso não quer dizer caro) e estar em ótimas condições;
- Se não souber se maquiar, tente aprender em casa, existem ótimos tutoriais de maquiagem no Youtube. Não consegue aprender de jeito nenhum? Então pague a um profissional da área;
- Se depile (por favor - rs);
- Suas mãos e seus pés precisam estar com as cutículas feitas, e também esmaltados. Não saber fazer? Vá à manicure;
- Se tiver cabelos brancos, veja se não é hora de pintá-los novamente. Se faz luzes, veja se as raízes escuras não estão muito evidentes. O cabelo está com aparência saudável, com brilho? Se estiver, ótimo. Caso contrário, vá ao cabeleireiro. Sabe cuidar de seu cabelo em casa? Melhor ainda!
- Como é a sua postura na hora da dança? Sempre se corrija, veja se a postura está elegante;
- Bailarina não deve ter cheiro forte, use um desodorante. Um bom perfume, sem excesso, também faz parte do seu charme. 
Cada mulher tem sua beleza, bem como sua individualidade. Aprenda a ressaltar seus pontos positivos e a disfarçar os não tão positivos. Eu sei que muitas das coisas que citei envolvem gastos (trajes, manicure, cabeleireiro, etc.), mas algumas coisas podem ser feitas por você mesma. Como disse anteriormente, existem diversos tutoriais no Youtube, ensinando como se maquiar, cuidar do cabelo, das mãos e pés. Tudo isso é um investimento na sua autoestima. Afinal, você quer pisar no palco linda e plena, não é mesmo? 


A MÚSICA ÁRABE - TEXTO DE PATRÍCIA BENCARDINI

Nota: este texto foi postado em 05 de maio de 2013, estou repostando hoje. 

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Mais um texto muito bacana, que consta do livro "Dança do ventre - ciência e arte", de Patrícia Bencardini, Editora Baraúna, São Paulo, 2009. O texto abaixo esta nas folhas 71 a 73. Peço a todos a gentileza de não usar o texto sem citar a fonte.  Grata!


A MÚSICA ÁRABE - por Patrícia Bencardini 

"A característica mais marcante da música árabe é a combinação da melodia com o ritmo, onde é possível encontrar uma requintada forma de improvisação. As melodias são construídas com base nos `maqamat` (modos ou módulos), que formam uma complexa identidade musical. Sua aplicação caracteriza-se pelo uso de determinada escala, com pequenas unidades melódicas e rítmicas, seguindo as fórmulas típicas dentro de limites previamente determinados. E, recorrendo ainda à fixação de notas predominantes.
O músico tem a possibilidade de improvisar dentro da estrutura métrica de cada maqam (cujo plural é maqamat), dependendo de sua intenção, que pode ser artística, emocional, devocional ou puramente filosófica. Iqaat é um padrão cíclico de tempos fortes e fracos que organizar o ritmo. Tem a característica de ser uma música sempre monofônica, ou seja, compreende uma unica linha melódica.
Tradicionalmente é transmitida de forma oral, muito embora existam noção e teoria, compostos de forma semelhante aos antigos padrões gregos. A música árabe está intimamente ligada à poesia, e as formas musicais alternam solos vocais com interlúdios instrumentais.
Taqsim é o improviso do solista acompanhado por vários instrumentos e pode ser realizado pela flauta, pelo alaúde, pelo acordeão. Sempre dentro de uma estrutura de tempo marcada pelos instrumentos de percussão, principalmente o pandeiro.
A estrutura melódica forma o Bashraf que é composto por quatro partes mais o refrão.
Os instrumentos de corda tem especial importância dentro da estrutura da música árabe, entre eles destacam-se: oud - alaúde; Qanum; o saltério (instrumento antigo, precursor do teclado); o santur ou cítara; rabab ou rabeca, modernamente substituído pelo violino.
Gracas à expansão cultural proporcionada pelo mundo islâmico, a música árabe teve seus princípios assimilados por povos mouros, persas e berberes. Poucos países onde se introduziu o islamismo não absorveram o estilo musical árabe, entre esses podemos citar a Índia e a Indonésia, que conservaram seus estilos narrativos primitivos.
Na região do Rajastão - Índia, onde boa parte da população assimilou a cultura muçulmana, a música tocada em praças públicas lembra vagamente o estilo árabe. Embora os instrumentos sejam diferentes, existe uma  semelhança quanto à métrica. A dança das mulheres é quase igual à das "gawazi", ciganas egípcias que dançam na rua em troca de dinheiro, que também usam técnicas de malabarismo para impressionar turistas e aumentar o faturamento.
A estrutura da música clássica do Oriente Médio se assemelha às peças eruditas ocidentais e óperas. Possui uma apresentação inicial, que é quase um cumprimento dos musicos ao público; na sequência inicia-se o pré-tema que é um introdução ao tema musical. O tema já apresenta o bashraf em sua estrutura e pode ter o acompanhamento da voz humana através do canto. Depois de apresentada essa estrutura vem o improviso dos instrumentos, ou taksim, onde cada músico vai solar de forma improvisada. Existe então, uma volta ao tema e após uma repetição vem a finalização."