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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

PORQUE ESTUDAR FOLCLORE ÁRABE

Nota: antes de ler a postagem de hoje, veja os textos abaixo listados:

http://azizamahaila.blogspot.com/search?q=a+import%C3%A2ncia+de+badia+masabni

http://azizamahaila.blogspot.com/2019/11/a-importancia-de-mahmoud-reda-e-sua.html

Você, assim como eu, é uma apaixonada pela dança do ventre, e estuda essa arte maravilhosa? Seu corpo e mente são beneficiados com tudo que a dança do ventre tem a oferecer? Então, quero lhe dar os parabéns! Ao mesmo tempo, quero fazer uma pergunta: e o folclore árabe, você também estuda? Se você nunca estudou o folclore, eu vou demonstrar porque ele é um assunto tão fascinante, e porque o seu estudo é tão primordial para que você se torne uma boa bailarina.

1º, Porque a dança do ventre se originou de danças folclóricas como, por exemplo, as danças das ghawazee, o baladi, o falahi... Essas danças do povo egípcio, que eram espontâneas e não coreografadas, foram “refinadas” com elementos do balé clássico, com o objetivo de que fossem apresentadas em casas de espetáculos. As postagens sobre Badia Masabni e Mahmoud Reda, cujos links estão acima, são bem claras a esse respeito.

2º, Por mais que você queira focar apenas em dança do ventre, se não estudar o folclore árabe você não irá longe. Um exemplo muito simples: suponha que você quer coreografar uma música de dança do ventre clássica, para uma competição ou uma apresentação. O que sempre estará presente em uma rotina clássica oriental? Um momento folclórico, claro! Sempre vai ter um momento baladi, e em diversas músicas clássicas o ritmo saidi vai aparecer, o que vai exigir conhecimento da dança saidi. Também podem aparecer outros trechos folclóricos, é óbvio.

3º, Quando você aprende folclore árabe, você amplia seus conhecimentos. Por que se limitar, se existe tanta coisa bonita a aprender? É como se você fizesse aulas de canto, mas só quisesse cantar músicas de um artista. E as outras músicas? Será que não seriam tão agradáveis de cantar quanto as músicas do seu artista preferido?

4º, Para terminar, vou dar o melhor motivo para você estudar folclore árabe: porque é bom demais! O folclore é animado, divertido, vigoroso, alegre, e muito mais. Não tem como ficarmos triste quando estamos fazendo uma dança khaleege, por exemplo. E a reação do público, então? Eles adoram! Eu, particularmente, adoro praticamente todos os tipos de folclore (árabe, brasileiro, italiano, ucraniano, espanhol, alemão, etc.). O folclore é a riqueza de um povo.

E agora, você está convencida da importância de estudar folclore? E como você pode fazer isso?

1º, O ideal é que você faça aulas regularmente, e nesse caso você pode pedir à sua professora para ensinar. Pelo menos algum folclore ela deve conhecer, provavelmente ela sabe vários.

2º, Se não está fazendo aulas atualmente, pode se beneficiar com os muitos workshops disponíveis, tanto em formato presencial quanto on-line. Recomendo muito o curso on-line “Folclore a Base de Tudo”, do Téo Versiani, o material é excelente.

3º, Outra opção é estudar através de DVDs, caso você ainda tenha um aparelho de DVD. Existem inúmeros DVDs didáticos de folclore disponíveis para venda, a maioria deles é de ótima qualidade. Eu estudo muito através dos DVDs didáticos da Revista Shimmie, e aprendo muito com eles.

4º, Aproveite os festivais de dança para fazer workshops de folclore, não se limite apenas aos workshops de dança do ventre clássica. Enriqueça sua dança com o folclore.

E aí, está pronta para se encantar com o folclore árabe? Coloque a sua galabia mais bonita e força na peruca!




 

 

  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O PAPEL DO ARTISTA NA SOCIEDADE BRASILEIRA

Aviso: o texto abaixo é polêmico, sei que muita gente não vai gostar, mas não posso terminar o ano com tudo isso engasgado. Caso alguém não fique satisfeito, peço que venha com argumentos válidos.

Esta postagem é uma reflexão sobre o ano que passou, e também como a pandemia teve reflexos na arte, na sociedade e no trabalho dos artistas. Para começar, gostaria de voltar para o ano de 2018, quando tive o desprazer de ver algumas pessoas conhecidas postarem frases infelizes como esta:

“Já precisei de médico, já precisei de engenheiro, mas nunca precisei de um artista.”

Traduzindo: o artista é um inútil e seu trabalho é irrelevante. Gente, como isso me irritava! Para quem acha que a arte é desnecessária, segue abaixo a frase do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900):

E o grande escritor francês Émile Zola (1840-1902) escreveu essa frase magistral:

“Se você me perguntar o que eu vim fazer neste mundo, eu, um artista, te responderei: estou aqui para viver em voz alta.”

Quero colocar em letras maiúsculas esta frase incrível: ESTOU AQUI PARA VIVER EM VOZ ALTA.

E o que aconteceu em 2018 e 2019? Os artistas, os professores, os profissionais de imprensa, os cientistas, foram atacados sem dó nem piedade. Os artistas, porque eram inúteis; os professores, porque estavam fazendo lavagem cerebral nos alunos; os profissionais de imprensa, porque criavam fake news; os cientistas, porque todo o conhecimento científico era suspeito, só tinham valor as ideias religiosas. Muitos brasileiros caíram nessa armadilha, e denegriram essas classes profissionais, replicando uma atitude lamentável.

Porém (mas, porém...), tudo tem retorno. Em 2020, o mundo conheceu os horrores da pandemia da Covid-19. As pessoas tiveram que ficar isoladas em casa. E quem veio em socorro? Vamos às palavras do humorista brasileiro Paulo Vieira:

E o escritor norte-americano Stephen King escreveu o seguinte:

“Se você acha que os artistas são inúteis, tente passar sua quarentena sem música, livros, poemas, filmes e pinturas.”

Quantas lives foram feitas na quarentena! Quantos artistas doaram seu tempo, alguns inclusive fizeram campanhas de doações que arrecadaram milhões para ajudar o próximo. O maior exemplo é a live da cantora norte-americana Lady Gaga, que arrecadou quase 128 milhões de dólares!

E quantos livros foram lidos? Quantos filmes foram assistidos? Quantas séries televisivas vimos? Quantas pessoas começaram a pintar, a desenhar, a escrever? Quantos artistas inovaram, e criaram espetáculos online belíssimos?

A minha pergunta é: QUEM VAI TER CORAGEM DE FALAR AGORA, NA MINHA CARA, QUE NUNCA PRECISOU DE UM ARTISTA???

Para finalizar, desejo a todos um Feliz 2021, que a vacina chegue logo para todos os brasileiros, e que a vida volte ao normal. Com muito respeito aos artistas, que são a alma de um povo.   

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

SAINDO DA ZONA DE CONFORTO

Você já deve ter ouvido a expressão “sair da zona de conforto”, não é mesmo? E o que vem a ser isso? Segundo o site www.significados.com.br:

 

“Zona de conforto é uma série de ações, pensamentos e comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não a causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. É uma região onde nenhum indivíduo se sente ameaçado.

Na zona de conforto, as pessoas realizam sempre um determinado tipo de comportamento que lhe dá um desempenho constante, porém limitado e com uma sensação de segurança. Essa segurança é uma falsa segurança, uma vez que, quando ocorre uma grande mudança, quem está muito confortável leva um choque maior, e estará menos preparado para sobreviver do que os outros.

Os indivíduos em geral, necessitam saber operar fora de sua zona de conforto para realizar avanços, melhorar seu desempenho seja ele no trabalho, na vida pessoal etc. A zona de conforto é um tema sempre muito debatido na psicologia.”

Fonte: https://www.significados.com.br/zona-de-conforto/

 

Como é difícil sair da zona de conforto! E por que isso? É muito mais seguro, para o ser humano, evitar o desconhecido. O que não conhecemos pode ser perigoso, não é mesmo? Os nossos ancestrais sabiam que determinados frutos podiam ser consumidos, e que se comessem algum alimento novo, cujas propriedades não eram conhecidas, corriam até o risco de morrer. Ficar na zona de conforto é um instinto de segurança para o homem. Também é uma questão de controle. O que eu controlo, posso prever e até conduzir o resultado. O que eu não controlo, pode ter um resultado prejudicial.

Ao mesmo tempo, se não nos arriscamos com o novo, ficamos estagnados. Imagine a seguinte situação: se os seres humanos não fossem pessoas curiosas, dispostas a tentar coisas novas, não estaríamos no estágio evolutivo atual. Ainda viveríamos em cavernas, andaríamos a pé, usaríamos roupas feitas de peles de animais. A mudança constante é necessária para a própria preservação da espécie humana. Você lembra do famoso ditado "pedra que rola não cria limo"? Quer dizer que precisamos nos movimentar, para evitar a estagnação.

E o que isso tem a ver com a dança do ventre? Claro que tudo! Se nós queremos crescer na dança, precisamos sair da zona de conforto.  Cada aluna de dança do ventre, cada bailarina, cada professora, tem a sua própria zona de conforto. Eu sei que é difícil fugir dessa zona, por experiência própria. Vou citar três dificuldades minhas, que estou tentando vencer:

IMPROVISO - eu sempre tive muita dificuldade para improvisar. Por muitos anos, evitei ao máximo todo e qualquer improviso na dança e só dançava com coreografia. Só que a minha professora, Linda Hathor, há alguns anos começou a exigir que eu improvisasse. Eu faço aula personal com ela, e no final de cada aula, ela me pedia um improviso. Gente, eu suava de nervoso, travava quando não sabia o que eu “devia” fazer, chegava a bufar! Em 2018, decidi improvisar quase todos os dias, e comecei a gravar os improvisos. O que era tão difícil para mim, quase impossível, aos poucos começou a ficar mais fácil. E adivinha o que aconteceu? Estou ficando viciada no improviso – hehehehe. Está saindo coisa boa? Para mim, ainda não está bom, mas tenho certeza de que o processo está indo maravilhosamente bem.

SHIMMY – quem foi que inventou o shimmy, gente? Eita, movimento complicado! Para algumas pessoas, parece ser tão simples... Para mim, é um desafio constante, e eu sempre fugia do estudo sistemático dessa técnica. No dia 29 de outubro deste ano, decidi fazer o desafio dos 108 dias de shimmy, proposto pela Ju Marconato. E quando eu terminar os 108 dias, faço outros 108, se necessário. O shimmy vai ter que sair, nem que seja na marra!

MESMICE – na hora do improviso, parece que sempre saem os mesmos movimentos! E quando vou coreografar, parece que sempre penso da mesma forma costumeira. É a famosa “mesmice”. Confesso que essa dificuldade ainda está para ser enfrentada por mim. Não sei se isso acontece com toda bailarina ou professora de dança, apenas sei que cada uma tem seu estilo, e geralmente damos preferência a alguns movimentos e técnicas, criando uma linguagem própria.

Sobre a questão da zona de conforto, achei esta frase muito bonita:

Como funciona a zona de conforto, e como é o enfrentamento dela? É só olhar para a imagem abaixo, para ver que são quatro zonas (de conforto, do medo, de aprendizado e de crescimento):



Note que a única forma de realizarmos nossos sonhos é atravessando as zonas de conforto, do medo, de aprendizado, até chegar à zona do crescimento. É sofrido? Dá medo? O desânimo bate à porta? Claro que tudo isso é verdade. Mas também é verdade que os benefícios virão para quem topar esse desafio. E você, sabe qual é a sua zona de conforto? Está disposta a vencer essa barreira? Tenho uma sugestão para você: faça uma lista das suas dificuldades e do que quer conquistar, mesmo que isso signifique sair da zona de conforto. Força na peruca, foco e fé!

 

 

 

 

 

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sábado, 19 de dezembro de 2020

COMO ESTÁ O SEU PLANEJAMENTO PARA 2021?

Antes de começar a nossa postagem, peço que leia os textos abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/05/a-quarentena-e-os-estudos.html

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/04/voce-tem-uma-rotina-de-estudos.html

Você já fez o seu planejamento para o próximo ano, no que diz respeito à sua dança? Já estabeleceu metas para o seu progresso como bailarina e/ou estudante de dança? Sabemos que o ano de 2021 também será um ano de grandes desafios, pois o Corona vírus ainda está por aí, e não sabemos quando todos estarão imunizados. Porém, nada impede que você estabeleça suas metas a serem conquistadas, e a melhor forma de começar é fazendo uma lista.

No ano passado, eu já tinha feito um questionário (observação: esse questionário está à disposição, caso queiram utilizá-lo) para as minhas alunas, e neste ano de 2020 fiz as mesmas perguntas para as alunas novas. Eram apenas dois itens, e no final tinha uma recomendação:


“1 – Neste ano de 2020, quais as suas conquistas como aluna? O que você aprendeu? Quais conhecimentos novos você adquiriu? Participou de algum workshop?

2 – Para o ano de 2021, quais são seus objetivos/metas como aluna e/ou bailarina? O que você quer conquistar, aprender, realizar? Quais os aspectos técnicos que você quer melhorar/desenvolver? De quais cursos/eventos você pretende participar?

Mostre esta folha para a sua professora. Em seguida, deixe em lugar visível, e acompanhe seu progresso durante o ano de 2021.”


É claro que no ano de 2020 não tivemos evento, nem festivais, e eu organizei apenas um workshop. Como a escola precisou fechar por quatro meses, devido à pandemia, muitas eram alunas iniciantes, e a grande conquista, para a maioria delas, foi começar a aprender dança do ventre.

Vamos falar então, sobre as respostas da pergunta nº 2, no que se refere aos aspectos técnicos que elas querem melhorar/desenvolver. É lógico que cada aluna respondeu a essa pergunta de acordo com as suas dificuldades, mas muitas delas disseram as mesmas coisas:

- Melhorar os movimentos de braços: citado 7 vezes.

- Ter um melhor isolamento corporal / aprimorar as técnicas de shimmy: citados 6 vezes cada.

- Aperfeiçoar as ondulações abdominais: citado 4 vezes.

- Melhorar os movimentos de tronco / aperfeiçoar os giros / conseguir fazer as batidas secas: citados 3 vezes cada.

- Lapidar as técnicas do soldadinho, básico egípcio e dos movimentos com a cabeça / conseguir acompanhar os passos que a professora está fazendo / distinguir os ritmos / melhorar a postura: citados 2 vezes cada.

- Aperfeiçoar os movimentos lentos, bem como os movimentos com os ombros / trabalhar melhor a expressão facial / aprender a coordenar braços e pernas / ter mais leveza nos movimentos / corrigir os pés para dentro / aprimorar as trocas de peso: citados 1 vez cada.

Você se lembra das postagens que eu fiz sobre os movimentos desafiadores na dança do ventre? Pois bem, eles estão aí, entre os mais citados: braços, isolamento, ondulações e giros. E eu não direcionei as alunas, as respostas são delas mesmas.

Se você puder, faça o seu plano de metas para o ano que vem, é uma ferramenta muito válida e preciosa. Busque a sua bailarina! Descubra os seus pontos a desenvolver. Estabeleça desafios para o seu crescimento na dança, saia da zona de conforto. Quando tiver conseguido o que quer, passe para o próximo. Se você tiver foco e persistência, tenho certeza de que o resultado virá. Força na peruca e vamos que vamos!

 


 

 

 

 

 

 

  

sábado, 28 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 3

Para finalizar as nossas postagens sobre os movimentos desafiadores na dança do ventre (relembrando: dissociação corporal, braços e mãos, giros e shimmies), hoje vou falar sobre os shimmies. Existem várias formas de grafia desta palavra, e alguns movimentos com batidas secas também podem ter o nome “shimmy” como, por exemplo, o Shimmy Mona Said. Para este texto, vou considerar apenas os movimentos com efeitos vibratórios, tudo bem?

Vamos à definição de shimmy, conforme a bailarina Suheil:

“Shime: conhecido popularmente como ‘tremido’. O shime é um dos movimentos mais importantes desta dança porque dele derivarão inúmeros outros movimentos. A origem do nome shime vem dos Estados Unidos. Refere-se ao momento em que a lua ou o sol reflete sobre a água, causando um efeito trêmulo. Esse efeito, que em inglês chamamos de ‘shimmering’, deu origem ao nome deste passo.”

Existem inúmeros tipos de shimmy, que podem ser feitos com os ombros, a região do abdômen e, mais frequentemente, com os quadris. Não vou falar sobre cada shimmy específico, pois para isso existem inúmeros vídeos didáticos, além das aulas presenciais que todos nós podemos fazer. Falarei apenas sobre as dificuldades de realização da técnica. E por que para algumas pessoas (eu, inclusive) o shimmy é um passo tão difícil? Vamos a alguns empecilhos:

1 ) No caso do shimmy de ombros, eu diria que a coisa que mais atrapalha é a tensão dos ombros. Eles precisam estar relaxados, porque senão o movimento não sai. Se os braços estiverem na diagonal também fica mais fácil de fazer, ao invés de deixar os braços excessivamente abertos. Comece lentamente, vá para uma velocidade média, e aos poucos acelere. Os quadris devem estar encaixados, para que não se movimentem durante a execução do shimmy de ombros. A dissociação corporal é muito importante para este movimento.

2 ) O shimmy abdominal é, no meu entender, bem difícil de se fazer. A bailarina precisa ter muito controle dos músculos abdominais, bem como o controle da respiração. É uma questão de praticar muito, até conseguir fazer o shimmy abdominal. Achei uns vídeos que ensinam a técnica, os links seguem abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=vMKaSOzdkko

https://www.youtube.com/watch?v=00krVFB6t9g

https://www.youtube.com/watch?v=sWmCh0Q-nFI

3 ) Quanto aos shimmies com o quadril - que são a maioria - existem inúmeros obstáculos: tensão / postura incorreta / peso nos calcanhares, ao invés de jogar o peso para a parte frontal dos pés / contração muscular, o que trava o movimento / geralmente, uma das pernas tem menos amplitude que a outra, na hora de alternar os joelhos / falta de isolamento do tronco, o que faz com que o corpo todo se chacoalhe / dificuldade de sustentar o movimento contínuo / hiperextensão dos joelhos, .

Serei sincera com vocês – eu tenho muita, mais muita dificuldade mesmo com o shimmy. Por isso, comecei a fazer o Desafio 108 Dias de Shimmy, que a Ju Marconato criou. A premissa do desafio é que o shimmy poderá ser dominado através do treino diário. Vou deixar o link em que ela explica o processo, vale a pena assistir e, claro, praticar:

https://www.youtube.com/watch?v=YbeR9NLuZ-k

No livro da Brysa Mahaila, volume III, página 48, tem uma dica bem interessante para o shimmy egípcio:

“Dica: para treinamento desse movimento, a aluna pode apoiar as mãos alongadas numa parede, soltando o peso para frente e realizando o movimento de alternância das pernas e batendo os pés livres do seu peso. Aos poucos, pode diminuir a projeção contra a parede até ficar no eixo (manter o peso no eixo anterior)”.

Nota: quando ela diz “eixo anterior”, está querendo dizer que o peso deve ficar na parte frontal dos pés.

Outra dica bacana é começar lentamente, até entender como funciona o movimento. Quando o seu corpo assimilar a técnica, escolha uma música um pouquinho mais rápida, e assim por diante. Para facilitar, vou deixar o link com o ritmo Saidi, em três velocidades diferentes, para o seu treino de shimmy:

https://www.youtube.com/watch?v=FVFTadXGO-A

https://www.youtube.com/watch?v=RpEFf4x5HW8

https://www.youtube.com/watch?v=Ccl5m61YLSI

Espero, de todo coração, que esta postagem tenha sido útil para você. Saiba que eu também estou no árduo caminho da busca pelo shimmy perfeito. Vamos treinar, então? Força na peruca, digo, no quadril, e um dia venceremos esta batalha. Beijos de luz para todo mundo que ama a dança!

Fontes utilizadas:

Suheil, “Glossário de Dança do Ventre”. 1ª edição. Editora Kaleidoscópio de Ideias.

Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança do ventre”, volume III, Corporeidade, Técnica e Carreira. 1ª edição. São Paulo. Kaleidoscópio de Ideias, 2018.

 

 

 

  

terça-feira, 24 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 2

Relembrando a postagem anterior, existem quatro tipos de movimentos que são um pouco mais difíceis, quando falamos de dança do ventre:

1 – Dissociação corporal;

2 – Braços e mãos;

3 – Shimmies;

4 – Giros.

Sobre os itens 1 (dissociação corporal) e 4 (giros), peço que leiam as matérias cujos links seguem abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/11/que-danca-do-ventre-nao-euma-modalidade.html

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/06/os-giros-na-danca-do-ventre.html

Hoje eu vou falar sobre braços e mãos, uma das partes mais desafiadoras do  corpo, no que diz respeito à nossa dança. Em primeiro lugar, para que utilizamos os braços e mãos na dança? Vamos citar as palavras de algumas bailarinas:

Linda Hathor: “Os braços são condutores de emoção.”

Brysa Mahaila diz que o uso das mãos, dos braços e a expressão facial: “é o elemento que ajuda a bailarina a demonstrar sentimentos, tornando efetiva sua expressividade”.

Níjme: “As mãos guardam enorme poder de comunicação não-verbal e expressão mímica. Elas possuem um potencial inigualável de expressão das emoções, demonstram alegria, mistério, suavidade, turbulência, etc...

Trazem energia para dentro do corpo da dançarina, e transmitem sua energia para fora. São como um portal de recepção e doação de energia. O simbolismo das mãos é extremamente variado. São folhas ao vento, plumas pairando no ar, reproduzem o vôo das borboletas e dos pássaros, sinuosas como as serpentes em movimentos coleados, flui de forma espontânea, tal qual a corrente abundante das águas do rio Nilo.”

Originalmente, os braços nas danças que deram origem à dança do ventre eram bem simples. Com o surgimento do Raqs Sharqi, que já incluía alguns elementos do balé clássico, os braços começaram a ter uma maior variedade de posições e desenhos. Por exemplo, a criação dos “braços de serpente”, ou “serpente alternada”, é atribuída a Badia Masabni, famosa dançarina e empresária do setor de entretenimento do início do século XX.

A primeira dificuldade com que a aluna iniciante vai se deparar, nas primeiras aulas, é manter os braços na posição correta. Geralmente, a nossa tendência é adotarmos uma posição meio largada, mas é lógico que na aula de dança todo o nosso corpo precisa estar na postura correta, inclusive os braços. A professora precisará corrigir a aluna iniciante, para que ela lembre-se do seguinte:

1 – Os ombros precisam estar relaxados, para não deixar tensa a musculatura;

2 – Do mesmo modo, os cotovelos não podem esticar ao máximo, porque também ficam tensos;

3 – As axilas sempre permanecem abertas, mesmo quando os braços apontam para baixo;

4 – Existe uma linha imaginária que vem do ombro, passa pelo cotovelo, o punho e chega até as pontas dos dedos. É uma linha contínua e orgânica.

5 – Os punhos não são “quebrados”, nem para cima, nem para baixo.

6 – Os braços não devem ficar encolhidos, e sim alongados, de forma que quando a aluna for dançar em um palco, seus movimentos de braços apareçam para todo o público.

7 – Embora a tensão dos ombros, cotovelos, punhos e mãos deva ser evitada, é necessário que haja tônus muscular, ou seja, não pode haver frouxidão dos músculos.

8 – As mãos precisam estar relaxadas, e os polegares ficam ligeiramente escondidos.

Ufa! Tudo isso, só para começar. A partir daí, começa o estudo das posições dos braços durante a dança. Os braços podem estar ambos na mesma altura (exemplo: os dois braços abertos), ou em alturas diferentes (exemplo: braços em L). E vamos em seguida para o que é o pesadelo de muitas alunas iniciantes: coordenar braços e pernas. É normal que, nos primeiros dias ou meses, haja dificuldade com a coordenação motora dos movimentos feitos na parte inferior do corpo com aqueles feitos pelos braços. Geralmente, nas primeiras aulas, os braços são mais estáticos, eles servem mais para marcar as posições básicas.

Os braços também podem ser usados para conduzir movimentos. Alguns exemplos: utilizar o impulso dos braços para girar, para deslocar, para transferir o peso, etc. Nesta hora, já começamos a usar os braços de forma mais dinâmica.

Com o passar do tempo, as alunas começam a aprender a movimentar os braços enquanto estão dançando. Parece fácil quando vemos uma bailarina fazendo isso, mas não é. Imaginem só: os quadris fazem batidas aceleradas, enquanto os braços e mãos ondulam suavemente. Exige muito controle e estudo, além de coordenação motora, é claro. E fazer improviso sem se esquecer da posição dos braços? E improvisar lembrando-se de movimentar os braços e mãos durante a dança? Confesso que esqueço os braços em casa quando vou improvisar – rs.

Gostaria de fazer uma observação: existe uma diferença entre os braços das danças árabes folclóricas, que são mais relaxados e baixos, e os que utilizamos na dança clássica, que são mais alongados e altos. Por exemplo: em uma dança baladi tradicional, podemos deixar os nossos cotovelos mais dobrados, e até com uma “quebra” nos punhos, de forma que as mãos apontem para cima. Já uma dança do ventre clássica exige coluna reta, bem como o alongamento dos braços e das pernas.

É lógico que não se trata de apenas mexer os braços de forma mecânica, de levar os braços para lá e para cá. Os braços precisam ter poesia, devem levar o público a um estado emocional. Conforme as palavras da grande bailarina e mestra Farida Fahmy:

“Cada passo deve ter o seu valor... o público sente e entende isso.”

Para terminar, gostaria de indicar dois DVDs didáticos muito bons, são excelentes para estudos: um da Mahaila El Helwa, e outro da Aziza Mor. Gosto particularmente do DVD da Mahaila. Espero que esta postagem tenha sido útil, e desejo uma feliz dança para todos nós!



 


 Fontes utilizadas:

Brysa Mahaila, “Os pilares da profissionalização em dança do ventre – volume II – Música, dramaticidade e expressão”, 1ª edição, São Paulo, Editora Kaleidoscópio de Ideias.

Luciana Ferraz do Amaral Martins, “Ventre que encanta”. São Paulo, Edição do autor, 2005. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

MOVIMENTOS DESAFIADORES - PARTE 1

Que a dança do ventre não é uma modalidade fácil, a maioria de vocês já deve saber. É claro que cada aluna ou professora de dança do ventre está em um degrau diferente na escada do conhecimento, mas existem alguns movimentos que são extremamente desafiadores. Vejam se vocês concordam com a lista abaixo:

1 – Dissociação corporal;

2 – Braços e mãos;

3 – Shimmies;

4 – Giros.

E aí, o que acharam da lista? Eu sei que, para cada uma de nós, algumas coisas são mais fáceis e outras mais difíceis, mas pela minha experiência como professora e dançarina, penso que esses são os movimentos mais complicados, tanto para fazer, quanto para ensinar.

Vou dividir esta matéria em três partes, para poder falar calmamente sobre cada um dos itens. O único que vou deixar de fora são os giros, pois já tratei sobre isso em uma postagem intitulada “Os giros na dança do ventre”, em 1º de junho de 2020. O link segue abaixo:

http://azizamahaila.blogspot.com/2020/06/os-giros-na-danca-do-ventre.html

A dissociação corporal é uma das características mais marcantes da dança do ventre, conforme a definição da bailarina Níjme, à página 21 do seu livro “Ventre que encanta”:

“A Dança do Ventre é a arte de dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto, transmitindo e expressando sentimentos em harmonia com a música oriental.”

Vamos reforçar a expressão dominar as partes do corpo separadamente ou em conjunto. Quando a aluna vem para fazer as primeiras aulas, eu explico que, se ela for movimentar a parte inferior do corpo, o tronco precisa ficar estável, e vice-versa. Visualizem o seguinte: nós temos um eixo vertical, que vem do alto da cabeça, passa pelo meio do corpo e vai até o chão. Também temos um eixo horizontal, que podemos conferir através do alinhamento dos nossos ombros, por exemplo. Abaixo estão duas ilustrações dos eixos citados:



Se estamos fazendo batida lateral com os nossos quadris, mas os nossos ombros estão desalinhados, e/ou o nosso tronco fica indo para frente e para trás, é porque não isolamos corretamente a parte superior do corpo. Da mesma forma, se estamos fazendo um círculo vertical com o tronco, e os quadris estão se mexendo, é porque a parte inferior do corpo não foi isolada.

Como podemos trabalhar a dissociação corporal? Vamos a alguns exercícios práticos:

1 ) Sente-se em uma cadeira ou banqueta, e segure o assento com as duas mãos. As costas não devem estar encostadas na cadeira. Deslize a parte superior do tronco para as laterais direita e esquerda, sempre lembrando-se de manter os ombros na mesma altura. Em seguida, leve o tronco para frente e para trás, mas não deixe o peito subir ou descer.

2 ) Fique em pé, coloque as mãos na cintura e mantenha o peso nos dois pés, de preferência na parte interna dos pés. Contraia os glúteos. Faça o deslizamento da parte superior do tronco para as laterais, e depois para frente e para trás. Os quadris não se movimentam. Evite que o peso seja transferido de uma perna para a outra, o peso deve ficar distribuído entre as duas pernas. Cuide para que os ombros permaneçam alinhados, e que o peito não suba nem desça.

3 ) Este exercício foi ensinado pelo Jonathan Lanna, e você vai precisar de uma porta da casa para servir de apoio. Se posicione dentro do batente da porta, e coloque os antebraços e as mãos, um de cada lado do batente. Isso vai servir para você isolar a parte superior do corpo. A partir desta posição, faça o deslizamento lateral de quadril. Sempre um joelho estará relaxado, e o outro mais alongado. Não deixe a parte superior do corpo se movimentar.

4 ) Em pé, faça o exercício anterior, mas sem o apoio do batente da porta. Os ombros devem estar na mesma altura, e cuide para não fechar as costelas nas laterais.

5 ) Fique em pé, coloque as mãos na cintura e mantenha o peso nos dois pés. Leve os quadris para frente, contraindo ligeiramente os glúteos e em seguida para trás, relaxando os glúteos. Não movimente o tronco, e evite o desencaixe dos quadris.

6 ) Em pé, com os quadris encaixados, os glúteos contraídos, as mãos na cintura, suba e depois desça o peito. Evite a movimentação dos ombros e das omoplatas, é apenas o tronco que sobe e desce.

7 ) Batida lateral + deslizamento lateral de tronco - com os dois pés no chão, os quadris encaixados, faça um batida lateral com o quadril direito. Leve o tronco para a direita. Leve o tronco para a esquerda. Para terminar, faça uma batida lateral com o quadril esquerdo.

8 ) Batida lateral + subida e descida do peito - com os dois pés no chão, os quadris encaixados, faça um batida lateral com o quadril direito. Suba o tronco. Faça uma batida lateral com o quadril esquerdo. Desça o tronco.

Espero que estes exercícios sejam úteis, e fico à disposição caso tenham alguma dúvida. Lembrem-se de que a prática leva à perfeição. Uma feliz dança para todos nós!